A Teoria das Cores
41 Roxo V
VIOLÊNCIA
Quem nunca ajudou um(a) amigo(a) a ficar com aquela moça ou aquele rapaz que ele(a) tanto queria? Certamente foi uma experiência no mínimo curiosa. Muitas vezes temos que bancar os cupidos das relações alheias em nome de um bem maior chamado “Amor”, que não se resume apenas aos envolvidos no “crush”. Fazemos aquilo por amor ao nosso amigo ou amiga, porque queremos vê-los bem e felizes. Micael, por exemplo, ao unir Andreas e Ian em uma dança romântica teve um único propósito: Fazer o mais velho entre os primos feliz. Isso acarretou até mesmo consequências a ele próprio já que teve de dançar com Ágata. Não o fez com sacrifício. Justamente ao contrário – Adorou que o destino lhe deu oportunidade de conhecê-la.
Ambos dançavam ao som da balada de Madonna sorridentes um com o outro.
— Tu deve achar uma loucura o que eu fiz né? – Perguntou a moça.
— Sacanear um primo? Quem nunca né? – Respondeu rindo.
— Drê e Ian são as melhores pessoas cara. Sério. Adoro eles.
— Melhores pessoas e lindos também né? Cá entre nós.
— Ué, só eles é? – Mica se fez de ofendido.
— Claro que não seu bobo – Ágata sorria – Deve ser de família ser tão gato assim. Mas é que esse Andreas tem aquelas manchinhas marrons em contraste com a pele dele que... Nossa. Me arrepio toda.
— Não seja por isso. Arrumo tinta marrom e pincel e tu pinta umas bolinhas em mim, que tu acha?
Mais gargalhadas.
— É um galanteador né?
— Faz parte do meu charme natural – Passou a mão pelo topete loiro – As gatas se amarram.
— E os gatos? Rolam também?
— Rola uns caras querendo, mas não sou chegado no material sabe?
— Que milagre! Achava que a família toda era um arco íris.
— Na real já fiquei com um guri. Mas faz tempo já e foi bem rápido então...
— É, se já experimentou e não gostou então é hétero raiz mesmo – Brincou ela fazendo o outro rir.
— E a senhorita? É o quê?
— Pansexual.
— Igual o Ian né?
— Sim senhor.
— Então... Tu pega tudo?
— Aham.
— E eu? Pegaria? – Perguntou ao pé do ouvido da moça – Eu sei que tu e o Ian não tem nada tão sério assim. Dava pra gente se conhecer bem não acha.
— Talvez. Quem sabe né? – Respondeu encarando-o – Mas por enquanto não. Ainda temos o fim de semana inteiro. Talvez acabe rolando – Deixou no ar.
Mica não podia ter ficado mais feliz.
— Só diversão hein?
Ágata riu.
— Só diversão.
***
Em dezoito anos de existência, talvez Alisson nunca tivesse vivido tamanha sensação de nada como naquele dia. Sentia absolutamente nada. Só estava repousando em sua cama enquanto tomava um chá e ouvia o sermão da mãe.
— ISSO QUE DÁ COMER SÓ PORCARIA! AÍ PÕE ATÉ AS TRIPAS PRA FORA! – Berrava ela. Gil só encarava parado na porta – APOSTO COMO NÃO ANDA SE ALIMENTANDO DIREITO. CLARO, AÍ COME UMA COISA MAIS REFORÇADA CAÍ DE CAMA NÉ?!
— Eu ando comendo bem mãe. Só tive um enjoo – O filho tentava se defender.
— AÍ MORRE E EU TENHO QUE TE ENTERRAR! TU JÁ PAROU PRA PENSAR QUE NEM DINHEIRO PRA TE ENTERRAR EU TENHO?
Al revirou os olhos.
— Que drama. Só passei mal.
— PASSOU MAL PORQUE FICA AÍ COMENDO PASTEL DE VENTO! APOSTO QUE O GIL COME DIREITINHO, NÃO COME GIL?
— Acho mais que ele gosta de ser comido – Resmungou entre os dentes.
— NÃO RESMUNGA ALISSON! PARECE UM VELHO! FALA PRA FORA!
— EU DISSE QUE ELE DEVE COMER BEM SIM! – Berrou no mesmo tom.
— NÃO GRITA COMIGO QUE EU SOU TUA MÃE!
— EU TÔ FICANDO SURDO COM ESSES GRITOS SABIA?
— F*DA-SE! NA PRÓXIMA VEZ COME DIREITO!
Al revirou os olhos e encarou o teto. Marisa suspirou, respirou fundo e foi em direção à porta.
— Cuida do Al pra mim Gil? Vou fazer uma sopa pra essa peste comer.
— MÃE! – Exclamou ele.
— NADA DE RETRUCAR A MAMÃE!
E lá se foi à mulher deixando ambos sozinhos ali. Gil entrou no quarto e fechou a porta, imaginando que assim queria Al.
— Espero que tu esteja satisfeito por me fazer ouvir sermão em pleno sábado – Reclamou ele.
— Foi mal – Gil tinha o olhar baixo – E-eu não... Sabia o que tava fazendo.
— Sabia sim. Tanto que disse que o Ian não te queria mais lembra?
Gil corou de vergonha.
— Nem sei o que te falar. Sinceramente.
— Eu devia te surrar pelo que tu fez – Al encarava – Eu te AVISEI que eu NÃO queria beijar um guri. Isso é assédio sabia?
— E-eu sei mas... Pô tu não morreu também. Tá aí, inteiro.
— Não justifica o que tu fez.
— Não disse isso. Só disse que tu tá inteiro.
— Mais ou menos né? Acho que meus rins foram pra privada junto.
Gil riu fraco.
— Foi tão ruim assim?
— Como é que eu vou saber Gil? – Perguntou desinteressado – Foi tudo tão rápido e tão ridículo que nem prestei atenção. E NÃO vou repetir pra saber, antes que pergunte.
— Tudo bem. Eu não ia pedir isso.
— Ia fazer então.
— Não Alisson. É só que – O garoto suspirou – Eu fraquejei tá ligado? Faz tempo que alguém não me beija com vontade. E... Bom... Isso dá uma certa carência na gente. Pra ajudar tu também não é de se jogar fora e-
— EI! – Al exclamou – Como assim “não sou de se jogar fora”? Sou um p*ta partidão se tu quer saber!
— Pra ajudar tu também é um p*ta partidão – Gil corrigiu – Então... Já viu né?
Suspirou.
— Olha cara eu sei que tu deve tá passando por uma barra. Mas sair me beijando não foi nada maneiro mesmo.
— Desculpa. Eu juro que não faço mais.
— Assim espero. Tô te perdoando porque tu já chegou aqui com cara de cachorro sem dono, então dava pra ver que bem era a última coisa que tu devia estar. Mas na próxima, seja por fraqueza ou por desejo, eu te arrebento firmeza?
Gil consentiu com a cabeça.
— Beleza – Disse o mais novo – Tu não vai ir pro trampo então?
— Talvez à noite – Explicou o mais velho.
— Gil.
— Fala.
Al suspirou, revirou seus olhos e disse:
— Melhoras aí. Tu certamente tá pior que eu.
— Obrigado eu acho – Disse rindo – Vou indo nessa. Até depois.
— Até.
Não demorou muito tempo após a saída de Gil, Marisa retornou.
— Ele sim é um exemplo de cavalheirismo sabia? Devia procurar seguir o exemplo dele – Alfinetou ela.
— Nem quando eu passo mal tenho direito a uma folguinha né mãe?
— Pensasse nisso antes de viver fazendo besteira filhote. Agora me dá essa xí... TU NÃO TOMOU TODO CHÁ ATÉ ESSA HORA ALISSON?!
— EU TAVA RECEBENDO VISITA! – O garoto retrucou.
— E ISSO É MOTIVO PRA ENROLAR? EXPERIMENTA PASSAR MAL DE NOVO PRA VER SE NÃO TE INTERNO NUM HOSPITAL PRA TOMAR SORO.
— EU ODEIO HOSPITAL!
— E EU ODEIO FILHO QUE NÃO COME!
— AH! QUE SACO!
E assim passaram ambos até a hora de o garoto ir trabalhar. Marisa insistiu muito para o filho não ir, porém ele quis e foi do mesmo jeito. O resto do dia fora comum, até mesmo rever Gil no trabalho depois do acontecido. E ao chegar em casa no fim da noite, só pensava em uma coisa: Como foi beijar um homem pela primeira vez?
***
Dançar com alguém que se ama é uma das melhores experiências que alguém pode ter em um relacionamento. Aquela doce sensação de ter a pessoa amada com as mãos desta puxando a fim de colar seus corpos e sentir a emoção do momento é tão valiosa e preciosa, que fica até difícil pensar em outros problemas. E por mais que Andreas e Ian não fossem namorados, para o primeiro era um sonho realizado.
— Curtindo a festa? – Ian questionou tirando o outro do êxtase daquele momento.
— Bastante – Respondeu sorrindo.
— Que bom Drê. Quando chegamos aqui achava que... Sei lá, tava meio decepcionado.
— Decepcionado? É... Talvez eu estivesse um pouco mesmo. Mas passou.
— Quando fomos lá ver o Luan e o Levi na cachoeira tu quase não falou. O que tava te incomodando?
Andreas suspirou.
— Ian eu não vou explicar isso pela enésima vez. A última vez que tu dormiu lá em casa eu te abri o meu coração. Não é como se tu não soubesse.
— Tu mudou muito sabe Drê? – Comentou mudando de assunto.
— Mudei? – O outro questionou.
— Dois anos atrás tu não teria tomado aquela atitude toda. Fico feliz que tenha se entendido e mais do que isso: Se aceitado.
Deu uma risada fraca.
— Sinceramente quando eu saí de Cassino em 2015 achava que era tudo paranóia da tua cabeça. Que era só tu querendo me empurrar pro lado colorido da força.
— E o que te fez mudar?
— Eu cheguei em Porto Alegre diferente. Comecei a notar que eu fazia certos hábitos sem nem me dar conta que eu gostava de caras também.
— Tipo?
— Sempre via meus amigos coçando o saco e mexendo a cueca pra ajeitar o pau – Disse sorrindo.
Ian não pode deixar de rir.
— Sério que foi isso que te fez perceber que tu curtia mesmo? Nem o fato da gente ter transado te conscientizou naquela época é?
— Eu achava que era só tesão – Confessou – Mas... Depois vi que era... Outra coisa.
Ambos então ficaram em silêncio até a música terminar. Começou a tocar então “Scream and Shout” em parceria de Will.I.Am e Britney B*tch... Digo, Britney Spears, e Drê tratou de pegar Ian pelo braço e arrastá-lo até o lado de fora quando a pista encheu com jovens e até alguns adultos que curtiram o som. Saíram do salão, correram até o meio das árvores que ali haviam, indo bem para o mais afastado que conseguiram. Assim que achou apropriado Andreas prensou Ian contra uma árvore e começo a beijá-lo freneticamente, alternando também com beijos no seu pescoço. O mais velho saboreava a pele de Ian como um lobo faminto quando encontra comida.
— Safado – Sussurrou Ian. Seus olhos estavam fechados e sua boca exibia seu tradicional sorriso – Tava até estranhando tu não ter feito nada até agora.
— É lógico que eu não ia deixar essa oportunidade passar né? Quando que vou te ver de novo? Daqui a mil anos. Preciso aproveitar.
— Eu vou passar uns dias em casa. Deixa a faculdade entrar em férias semana que vem.
— Ótimo – Drê sorriu dando um beijo no primo – Vou comprar mais camisinhas.
Ian riu ato.
— Fica peladinho pra mim, fica Drê – Ian pediu mordendo o lábio inferior. O mais velho sentiu a ereção em sua calça pulsar.
— Nem precisa pedir duas vezes – Tirou então sua camiseta e o restante da roupa, e ali ficaram em êxtase um com o outro.
***
Quando a balada de Madonna acabou e começou a tocar o pop de Will.I.Am e Britney, Ágata despediu-se de Micael que seguiu dançando na pista e foi procurar Ian. Revistou algum tempo, porém não o encontrou. Resolveu ir junto de Van e Dan que estavam em uma mesa. A loira ao que parecia estava sentada no colo do namorado.
— Atrapalho? – Perguntou quando chegou perto.
— Que isso miga! Claro que não – Respondeu Van sorridente.
— É Ágata. Chega aí – Dan complementou no mesmo tom.
— Valeu – Agradeceu – Eu procurei o Ian, mas ao que parece ele foi abduzido por aliens.
— A última vez que eu vi ele tava dançando com o Andreas agarradinho.
— Obra do aniversariante que chegou lá pedindo uma troca de casais.
Dan riu.
— É bem cara dele mesmo – Comentou – Aposto como deu em cima de ti.
— Aham – Confessou.
— E tu pretende ficar com ele? – A loira questionou.
— Mais tarde talvez. Agora queria dar uns pegas no Ian mesmo.
— Humm alguém tá gamado no bonitão de olhos verdes – Mexeu a amiga.
— EI! – Dan exclamou indignado – Eu tô aqui sabia?
— Tu estar aqui não muda o fato dele ser bonito Dan.
— Pega ele então já que tu insiste.
— Eu pego mesmo. Um olho verde daqueles... – Provocou Van fazendo o namorado revirar os olhos.
Ágata se divertiu com a situação.
— Não estou gamada no sentido que tu fala miga. Só estou... Curtindo o momento entende? – Falou.
— O Ian também tá. Isso eu te garanto viu? Aquilo ali é que nem Catapora: Todo mundo já pegou e quem não pegou vai pegar. Eu sou o único fiel dessa p*rra e minha mina ainda quer pegar meu primo porque ele tem “olhos verdes daqueles” – Debochou Dan.
— Ownn não é meigo ele sentindo ciúmes Ágata? – A loira apertou as bochechas do namorado.
— Vou ao banheiro e já volto tá? – Dan sorriu e beijou Van – Vê se não me troca pelo Ian ou por qualquer primo meu.
— Ok – A garota riu. Retomou o assunto quando o outro seguiu pro banheiro – Bom miga se tu acha que consegue ficar na pegação com o Ian sem se apegar.
— Não é que eu não esteja apegada. Só não estou desapegada entende?
— Não – Respondeu francamente rindo.
— Eu... Acho que valeria a pena investir no Ian sabe? Ele é um cara bacana e merece ter todo o amor que eu sei que seria capaz de dar a ele.
— Ownn que meigo – Van se derreteu.
— Mas... Sei lá. Aquela história toda do Bryan e tal... Ainda tenho medo daquilo.
— Ágata, o Bryan era um guri muito frágil emocionalmente. Ele se apegou em ti quase que de uma maneira doentia. O Ian não é como ele, se ele é como tu fala.
— Eu sei só que não posso deixar de pensar né?
— E aí gurias! – Um trio de rapazes apareceu na mesa, interrompendo o assunto.
— Ah não. Mais três – Lamentava a morena.
— Estão-
— Não. Não estamos. Obrigada.
— Que isso gata? Viemos aqui na paz – Um outro que tinha aparelho comentou.
— Tem uma coisa no teu dente gurizinho. Acho que é feijão – Ágata apontou. Van segurou para não rir.
Os dois amigos que o acompanhava viraram-se para conferir. De fato, estava certa.
— Tem algo ali mesmo mano – O primeiro a se manifestar confirmou.
— M*rda! – Exclamou – Vou lá no banheiro e já volto!
— Mais alguma coisa guris? – Van perguntou.
— Teria como a gente bater um papo?
— Depende. Quer conversar ou quer outra coisa?
— Só depende de vocês – Mostrou um sorriso malicioso. O terceiro amigo é quem parecia quieto e envergonhado.
— E tu bonitinho? O gato comeu tua língua? – Ágata perguntou.O rapaz não respondeu.
— Responde a mina cara. Tu não tava dizendo que ela era mó gostosa e que se ela te pegasse tu ia mostrar o que é um macho de verdade? – O primeiro mencionou.
— Bah! É mesmo é? – Questionou maliciosa levando sua mão ao do terceiro, que parecia que ia explodir a qualquer momento – Vamos conversar lá fora então?
O garoto só concordou com a cabeça e sorriu ainda num vermelhidão de dar medo.
— E tu? – O primeiro sentou ao lado de Van – ‘Bora trocar uma ideia?
— Não – Respondeu seca – Pode me dar licença?
— Ahh qual é! – Se aproximou – Tem namorado?
— Tem sim – Dan chegou e sua cara não era de muitos amigos – Eu.
— Opa e aí cara? – Se afastou e sorriu – Firmeza?
— Firmeza. Tava aqui cuidando a minha mina?
— Só tava trocando uma ideia com ela. Sem maldade.
— Ah sei – Falou irônico – É bom sabe? Fiquei com medo dela ficar sozinha aqui, já que a Ágata saiu. Que bom que fez companhia a ela.
— Que isso cara. Foi um prazer – O garoto disfarçava.
— É que as pessoas geralmente fogem dela quando descobre que ela tem herpes genital sabe? Daí-
— DANIEL! – Exclamou ela.
— Calma gata! Não precisa ter vergonha – Dan fingia – Isso vai ser curado. Te prometo.
— H-herpes genital?! – O garoto repetiu assustado.
— Aham. É um pouco nojento, mas dá pra sobreviver.
— Ok. Valeu aí. Vou voltar pros meus camaradas lá – O garoto despediu-se e foi embora.
Dan começou a rir descontroladamente da situação, ao passo que Van o encarava rindo fraca também.
— Olha a mentira que tu inventou! – Exclamou ela.
— Vai reclamar? Pelo menos o guri foi embora – Dan já começava a voltar a si.
— Imagina se ele espalha por aí um absurdo desses.
— Tu pretende transar com outro guri que não seja eu?
Van sorriu e abraçou o namorado.
— Claro que não seu palhaço.
— Então liga o f*da-se e deixa ele falar o que quiser.
— Tudo bem. Tu venceu.
Dan sorriu e beijou a namorada.
— Te amo – Disse ela.
— Também te amo.
***
Andreas e Ian se afastaram durante quase uma hora da festa. Estavam exaustos, suados, mas para o mais velho valeu a pena. Cada minuto que passou trocando carícias com o primo valia. Ambos retornam discretamente, indo um pra cada canto. Andreas foi para um canto com Luan (Que conversava com um namorado pelo celular) e Ian foi para a pista dançar.
Mal o garoto chegou na pista de dança para flagrar Micael com uma garrafa de vodka na mão dançando no centro de um círculo de pessoas e sem camiseta. Era claro que estava alcoolizado. Ian aproveitou para gravar um de seus vídeos.
— Hey gurizada! – Dizia ele – Estou aqui durante a festa do vigésimo aniversário do meu primo, o Micael, que é um guri completamente galinha e metido a galanteador, mas que é gente fina pra caramba. Como vocês vão ver o cara tá completamente bêbado –Apontou a câmera para Mica – E tô pra dizer que a noite a recém começou, meus amigos. Tem muito que rolar ainda. Mais tarde mostro mais pra vocês. Até!
Terminada a gravação, Ian iniciou uma nova mostrando Micael dançando um funk da pesada enquanto os convidados presentes iam ao delírio. Para as garotas então era um colírio vê-lo naquela situação excitante. Ele sabia provocar, seduzir, ainda que estivesse alcoolizado. Aliás o álcool até o ajudava em algumas ocasiões.
Assim que notou a presença de Ian ali, Mica sorriu.
— GRANDE IAN! – Gritou ele – CHEGA AÍ CARA!
Como vergonha não era sinônimo de Ian o mais velho foi sem puderes.
— Fala aí Mica! Tá arrasando indo até o chão hein? Até me excita te ver assim – Provocou.
— Babaca. Nem vem que do meu c* tu não chega nem perto!
— Eu sei, mas da boca...
— Ihh... Essa é um pouco mais fácil né? – O garoto mal conseguia se equilibrar – Mas eu não deixo! Não deixo tu me beijar!
— Tudo bem então – Ian riu – Me chamou aqui pra quê?
— Pra te pedir pra cantar – Parou pois um arroto lhe pegou desprevenido – Pedir pra cantar uma música.
— Qual?
— Qualquer uma. Só vai lá e canta.
— Certeza?
— Vai logo lá c*r*lho! Conquista as minas e os boys tudo!
Ian riu e foi até a mesa do DJ para pedir o feito. O cara concordou e assim que a batida do funk acabou deu a brecha para o garoto falar.
— FALA AÍ GURIZADA! – Exclamou ele no microfone, recebendo uma onda de “Ehh!” como resposta – Bom a pedido do meu primo, que é esse gogo boy maravilhoso e por coincidência o aniversariante também, eu vou mostrar meus dons artísticos. Se alguém souber a letra canta junto beleza? – Ouviu-se uma onda de “Sim!”
Ian então pegou um violão que o DJ tinha ali (Imaginando que iria acontecer coisas do tipo), plugou o cabo de áudio seguindo as orientações do cara e testou o áudio. Tudo ajeitado, apenas falou o nome da música antes de começar a tocá-la.
— Dancing on my own da cantora Robyn.
E então começou a dedilhar as cordas do violão emitindo o ritmo da música. Ao notarem que era uma música aparentemente romântica, muitos casais começaram a se reunir na pista de dança.
“Somebody said you got a new friend (Alguém disse que você tem uma amiga nova)
Does she love you better than I can (Ela te ama melhor do que eu?)
There's a big black sky over my town (Há um grande céu negro sobre a minha cidade)
I know where you at, I bet she's around (Eu sei onde você está, eu aposto que ela está por perto)
Yeah I know it's stupid (Sim, eu sei que é estúpido)
But I just got to see it for myself (Mas eu acabei de ver por mim mesmo)”
Antes do refrão Ian acabou fitando Dan e Vanessa colados dançando a música e seus olhos acabaram por se inundar.
“I'm in the corner, watching you kiss her (Eu estou no canto, vendo você beijá-la)
(Oh, oh, oh)
I'm right over here, why can't you see me (Eu estou bem aqui, porque você não consegue me ver?)
(Oh, oh, oh)
I'm givin' it my all, but I'm not the guy you're takin' home (Eu estou dando tudo de mim, mas eu não sou o garoto que você está levando pra casa)
(Ooh, ooh, ooh)
I keep dancin' on my own (Eu continuo dançando sozinho)”
— Dan? — A voz de Andreas assustou o garoto.
— Fala Drê.
— Posso levar um particular contigo?
— Claro. Só deixa-
— Agora – Impôs o mais velho.
— Tudo bem Van?
— Pode ir sim – A loira sorriu singela.
Dan então seguiu o primo mais velho para fora do salão, indo para uma parte um pouco mais afastada do lugar.
— E então primo? O que rolou? Tu tava com uma cara tão-
Dan nem terminou de falar quando recebeu um soco de Andreas que o fez cair no chão.
— QUE P*RRA É ESSA?! – Exclamou ele.
— Isso é pra tu aprender a não ser trouxa Daniel – Respondeu o primo.
— Trouxa do quê c*r*lho? Que foi que eu fiz?
— Pra cima de mim? Vai tomar no c* Daniel! Tu tá careca de saber o que tá rolando!
— Não. Eu não sei o que tá rolando!
— Como tu consegue tripudiar tanto em cima de alguém que te idolatra hein? – O mais velho pressionava com lágrimas de raiva nos olhos – Que m*rda de coração é o teu que não consegue nem ter compaixão por alguém?
— De quem tu tá falando? – Dan não entendia uma vírgula do que o primo queria.
— Do Ian seu b*sta – Respondeu – Do MEU Ian!
CONTINUA
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