A Teoria das Cores
42 Branco IV
CONFUSÃO
— Que p*rra é essa agora?! — Dan exclamou.
— É isso mesmo que tu ouviu. Meu Ian — o outro repetiu.
— E eu posso saber de onde ele é só teu, seu trouxa?! Ele é primo de todos nós!
— Mas o coração dele é do único que não tá nem aí — Andreas tinha seus olhos já marejados devido às lágrimas que se formavam — Que m*rda de vida. E ele é só meu em vários sentidos Daniel. Ser primo é o menor deles.
— Tu morre de ciúmes então? É isso?! Só que EU não tenho culpa, c*r*lho! Eu não mando no coração dele.
— Mas pisoteia o que pode, né? Pra que trazer a tua mina aqui com ele posso saber?
— Tu queria que eu me escondesse com ela pra não magoar o Ian? É isso?
— Ué, não fez isso a vida toda? — provocou, com um sorriso cínico — Tu acha que eu não sei que tu ficou escondido com essa loira bonitona aí porque ela é trans?
Dan sentiu seu estômago gelar.
— Tu não fala da Van, seu idiota! — deu um empurrão no primo — Como que tu soube disso?!
— O Ian me contou — Drê então encarou Van — Como tu consegue ficar com ele, hein?
— Cala boca!
— Se eu fosse ela, eu tinha te chutado da minha vida. Só porque a mina é trans, velho? Tem coisa mais idiota que se negar um sentimento por preconceito?
— Eu não sabia que ela era trans! Eu fui saber há pouco tempo!
— Mas no fundo tu sabia que tinha algo, né? Por isso tu namorou com ela escondido esses anos todos.
— Não fala b*sta, Andreas!
— Eu vou te confessar uma coisa, Daniel: Não é que eu não goste de ti. Tu é meu primo e eu juro do fundo do coração que eu te quero bem, mas esse teu egoísmo me irrita tanto, velho... Nossa, tu nem faz ideia.
— Problema é teu.
— Por isso eu nunca entendi o que o Ian viu de tão especial em ti — deixou uma lágrima cair — Tu é tão seco, infantil e mais do que tudo isso: Um preconceituoso de m*rda que não dá valor às pessoas maravilhosas que tu tem na tua vida.
— Deixa que eu respondo, Dan.
De dentro, surgiu Ian, atraindo os olhares para si. O garoto parecia sério, ainda tranquilo, mas com certa mágoa no olhar.
— Sabe, Drê — começou — Eu te amo tanto quanto amo qualquer um dos meus primos. O problema é que tu tem esse desejo de posse sobre mim. Nunca entendi o porquê de existir.
— Como assim tu não entendeu porquê? — o olhar do mais velho era um misto de decepção e tristeza — Pensa em tudo que eu e tu já passamos. Lembra na praia do Cassino? Lembra da vez que eu dopei o Dan e transamos na fuça dele?
— O quê?! – exclamou o garoto apavorado – Que m*rda é isso? Quando foi isso?
— Foi a nossa primeira transa juntos. E eu fiz questão de fazer na tua frente pra tu pelo menos ter uma noção do que tava perdendo — respondeu — E que continua a perder, aliás.
— Pelo contrário, Drê — Ian corrigiu — Acho que cada dia mais ele tá me ganhando.
— C-como é que é? — o mais velho questionou nervoso.
— O Dan que tu conheceu, que tem todos esses defeitos, tá sumindo, Drê — Ian sorria — Ele tá morrendo aos poucos e dando lugar pra um guri incrível. Aquele que eu sempre vi e sempre soube que existia. Só estava sumido.
Andreas revirou os olhos.
— Que se f*da — o garoto foi então em direção à casa da família.
— Drê! — A voz de Micael ecoou pelo local. O garoto não lhe escutou — O que rolou, Dan?
— O Andreas tá... Meio nervoso. Só isso — Ian se intrometeu, omitindo o acontecido do mais velho — Pode voltar pra festa, Mica.
— Que isso. Eu vou lá ver o que rolou.
— Tu consegue ir até lá de boas?
Mica sorriu.
— Eu não sou o aniversariante se não consigo. Não é meu primeiro porre.
— Beleza.
O mais velho sorriu fraco voltando sua atenção para Dan, mas não conseguiu falar nada além de encarar o primo e sua namorada abraçada a ele para confortá-lo. Resolveu retornar para a festa, vendo que Ágata estava parada na porta vendo toda a cena que ocorrera. Foi em sua direção a encarando olho no olho.
— Viu que pt de respeito meu primo sabe fazer? — Tentou brincar com o fato.
— Eu vi. Tá de parabéns ele, viu? — a outra sorriu — Nem os gogo boys nos quinze anos da minha prima foram tão polêmicos.
— Então... Tu ouviu? — coçou a nuca.
— Mais ou menos — respondeu, sincera — Quer falar sobre?
Suspirou.
— Tô precisando mesmo.
— ‘Bora encontrar um lugar sossegado?
— ‘Bora.
***
Sofrer por amor. Quantas vezes já não se ouviu essa frase por aí? Se sairmos pelas ruas procurando e perguntando se as pessoas já sofreram por amor, é certo que pelo menos cem pessoas iram confirmar. Renato Russo uma vez disse que quem sofre por amor, na verdade não ama. Amor e sofrimento não se misturam, sequer se conhecem. Amor é o sentimento mais belo que existe e não tem espaço para sentimentos tão deprimentes. O dilema que Andreas vivia com o primo, por mais que ele não entendesse se enquadrava perfeitamente.
Foi para o quarto que dividiria com os primos e deitou em uma das camas encarando o teto. Preferiu ficar no escuro, pois combinava com sua visão de mundo naquele momento. Tudo aconteceu tão rápido... Nem foi possível raciocinar direito a respeito. Agora com mais frieza e raciocínio funcionando como se deve, percebera o erro cometido.
— Drê – Micael, com a voz levemente alterada pelo álcool, chamou.
— Que foi, Mica? – perguntou, sem vontade.
— Abre a porta pra mim, cara. Eu não tô enxergando a maçaneta direito.
Andreas riu fraco e suspirou. Contudo, foi atender ao pedido. Ao abrir a porta, teve de segurar o aniversariante, para este não cair por cima de si.
— Desculpa aí — disse — Eu me desequilibrei. Só isso.
— Tranquilo, Mica. Já te salvei em muitos porres, lembra?
— O melhor deles foi lá naquela boate. Era de menor e tava bem loucão quando a Brigada bateu lá. Foi punk — relembrava — Agora é a minha vez de te salvar, primo.
Suspirou.
— Valeu, Mica, mas não sei se tu pode me ajudar nessas condições.
— Tu que pensa — O garoto sorriu — Conselho de bêbado é a melhor coisa que tu pode ganhar na vida. O melhor conselho que recebi foi de um cara podre de bêbado na fila da social.
— Qual?
O aniversariante pensou um pouco encarando o teto, refletindo.
— Sabe que eu não me lembro qual era?
Drê riu, fraco.
— Isso era pra ser reconfortante?
— Se pá — Mica coçou a nuca, fazendo o outro continuando a rir.
— Entra aí.
— Valeu.
Com certa dificuldade o mais novo foi até a primeira cama de casal que ficava mais próxima, sentando ao lado do primo. Ficaram alguns segundos em silêncio, sendo Micael o responsável por quebrá-lo.
— Quer me contar o que rolou, Drê?
O mais velho deu um longo suspiro antes de começar o relato.
— Eu... Dei uma surtada... Por causa do Ian.
— Imaginei que fosse por isso — confessou.
— Ver o Ian cantando aquela música enquanto encarava o Daniel e a namorada... Aquilo me deixou muito p*to, velho. O Ian me contou que o Dan já sabe do interesse dele.
— Mas o Dan é hétero, Drê! Não tem o que fazer. O Ian tem noção disso.
— E por que ele insiste, caramba?! O que ele tem que nós não temos?!
Mica colocou a mão no ombro do primo, que tronou a encará-lo.
— Tu sabe explicar o teu sentimento pelo Ian?
Andreas nada falou, apenas ficou pensativo durante algum tempo antes de negar com a cabeça.
— Então, velho. É a mesma coisa com o Dan. Ninguém sabe explicar como esse sentimento surge dentro da gente. Ele só surge e pronto.
— O que eu faço então? – seu olhar era baixo – Deixo que o tempo me faça esquecer ele?
— Pode ser. Ou tu simplesmente aceita que o nosso primo é feliz do jeito dele e fica feliz por isso.
— Mas como eu posso ser feliz vendo a pessoa que eu mais amo sofrer?
— Tu já viu o Ian sofrer por alguma coisa? É o Ian, cara!
— Ele é humano, Mica. Não é imune a sofrimento, por mais que ele disfarce.
— A diferença é que ele lida melhor que isso que tu, né? Olha o que tu fez com o Dan.
O mais velho suspirou.
— Eu soquei ele num momento de raiva, c*r*lho. Não queria fazer aquilo.
— TU SOCOU ELE?! – surpreendeu-se – Que p*rra! Então foi mais animado do que o que eu vi.
— Pois é — confirmou — Talvez tu tenha razão. Eu tô querendo tomar dores que nem que as sente sofre por elas.
— Faça o que o Ian sempre fez, Drê — sorria — Viva e deixe viver.
O primo retribuiu o sorriso e deu um abraço apertado no aniversariante.
— Quem diria que um bêbado ia me aconselhar tão bem? — mexeu ele para a alegria do outro.
— Eu sou incrível de várias formas, galo veio. Fazer o quê, né?
— Tu acha que... Tem problema eu voltar pra festa agora?
— Claro que não! Até ficaria feliz se tu fosse, e tenho certeza que o Ian também.
— Bom... Vou ir então, né? Já dei pt que chegue.
— Uma festa sem pt não existe — brincou — ‘Bora lá.
— ‘Bora.
***
Por mais estranho que seja a verdade sempre deve ser dita. Algumas vezes é necessário algum se ter algum tato com as palavras, pois palavras podem ferir. O peso delas em nossas mentes frágeis pode ser demais, tanto para quem as ouve quanto para quem as diz. Ian, como bom entendedor que era, tinha consciência de que a conversa que teria com Ágata seria a que mais ele quisera evitar desde que começaram a ficar frequentemente. Assumir que nutria um sentimento maior do que amor fraterno por um de seus primos a um estranho era no mínimo vergonhoso, mas precisava ser dito. A garota merecia a verdade.
Nunca tivera medo do que os outros pensariam caso Dan e ele assumissem um relacionamento. Se preciso fosse, teria coragem pelos dois e enfrentaria o mundo para ver o primo feliz. Tudo então valeria a pena. O problema é que agora estava ali, diante de Ágata que há pouco tempo tinha tornado seu mais novo sonho de consumo. Achava-a incrível e decida como ele e estava verdadeiramente interessado nela. Mas o que fazer quando o coração insiste em alimentar a esperança de uma relação com Dan?
— Como uma noite tão bonita pode ter sido palco de uma discussão daquelas? — Ian pensou alto.
Ambos – ele e Ágata — estavam na varanda da casa da família. O garoto encarava o céu, coisa que amava fazer e que em circunstâncias normais faria com alegria, já ela o encarava.
— Brigas não acontecem só em dias nublados, tigrão — brincou — Qualquer dia pode ser o dia D.
— É... Mas sei lá. Se fosse amanhã de manhã seria melhor eu acho.
— Pra mim, hoje foi ideal. Vocês brigaram, mas tem a festa pra se distrair. Amanhã já estarão de cabeça mais arejada. Se fosse amanhã, brigariam e ficaria aquele clima de velório pra todo canto.
O garoto ficou pensativo algum tempo.
— Verdade — sorriu — Tu teve uma visão mais ampla que a minha.
— É um milagre! — aproximou-se dele — Assim como descobrir que tu pode sim esconder coisas.
Os olhos azuis de Ian então foram ao encontro dos olhos negros da ficante.
— Eu sei que vacilei contigo. Devia ter falado sobre o Dan. Mas é que—
— Ficou com medo de eu te julgar? — passou a mão pelo rosto suave do rapaz — Ian, até hoje eu alimento um tesão em uma das minhas primas. Quem nunca teve isso?
— Aí é que tá o ponto — tornou a encarar o céu — Eu... nunca soube descrever o que sinto pelo meu primo. Sabe, eu fiquei com literalmente TODOS os meus primos e nenhum me despertou tanta curiosidade, desejo de viver algo mais sério, como ele faz.
— Acredita então que seja... Amor? — o garoto a olhou — Por isso tu não me contou? Por que tu ama teu primo?
Ficaram alguns segundos se observando, tentando descobrir os mistérios e as perguntas que vagavam por suas mentes.
— Todos os meus primos me disseram pra desistir dele — relembrava, com o olhar cabisbaixo — Disseram que ele era um hétero das cavernas e que nunca vai mudar. Mas por que o meu coração me diz o contrário?
— Porque tu é a emoção em pessoa, só por isso — a garota sorria — Teu coração enxerga as pessoas como se todas fossem leite condensado. Raramente tu as vê com fúria e rancor.
— Já sei o que vai dizer: Que minha emoção me deixou cego e que o Dan não vale a pena.
— Por que acha que eu te diria isso?
— Todo mundo diz.
Ágata riu fraco, aproximou-se dele e lhe deu um beijo antes de dizer:
— Ainda bem. Minha mãe me diz que não sou todo mundo.
Ian sorriu.
— Tu é a melhor sabia?
— Sempre soube — gabou-se de zoação — Agora me conta essa história direito vai.
O garoto suspirou antes de começar.
— Eu acho que desde pequeno eu sempre fechei com o Dan. Quando ele nasceu foi como se eu tivesse ganhado um irmão, tá ligada? Sempre fomos muito ligados. Lembro que uma vez o Drê queria que eu emprestasse meu Super Nintendo pra ele e não quis emprestar, porque ele era tipo o Bin Laden dos brinquedos. Aí, no mesmo dia, o Dan foi lá em casa e me pediu e na hora emprestei, até ajudei a montar na casa dele. Drê, lógico, ficou muito p*to e não falou comigo por uns dias. E era assim. Isso aí que te contei é só a cereja de um bolo de coisas que fiz por ele.
— Se importava muito com ele, hein?
— Muito. E quando meus tios mudaram pra Nova Petrópolis, eu chorei tanto que cheguei a vomitar umas seis vezes durante uns quatro dias, só de nervoso e tristeza, sabe? Fui parar até no hospital.
— Sério? — ficou genuinamente espantada— Caramba... Isso que eu chamo de desespero.
— Na minha cabeça nunca mais ia ver ele e isso me aterrorizou pra c*r*lho – relembrava – Claro que eu ia ver, mas piá né? Conhece.
— Sim. Te entendo – colocou sua mão no ombro do rapaz – Desde pequeno demonstrando sentimento por ele.
— Eu só não queria ver meu primo sofrendo — mesmo sendo lembrança, Ian não pôde deixar de se emocionar — queria muito ter me mudado com ele pra Nova Petrópolis, mas meus pais não deixaram. E no fim sofri mais do que ele.
— E se arrependeu?
— Como assim?
— De ter sofrido por ele?
Ian voltou a sorrir de leve.
— E tem como não se arrepender olhando quem a gente ama feliz da vida?
A morena retribuiu.
—Então é real oficial? É amor?
— Sempre foi amor, gata – abraçou a garota pela cintura – Só o amo de uma maneira diferente. Só isso.
— E por que tu sofre vendo ele sendo feliz?
— Não é por ele ser feliz — tentava explicar — É por achar que... Tô errado com relação a sexualidade dele. Talvez ele seja mesmo hétero.
— Isso te apavora?
— Muito. Queria demonstrar meu amor por ele da mesma forma que fiz com meus primos. Mas...
— Não perca as esperanças — foi otimista — Se tu perder a fé em algo, eu também perco porque vou me surpreender.
Ian riu.
— Não perdi. Fica tranquila.
— Acho bom, hein? — deu um selinho no ficante — Conta comigo pro que precisar viu?
— Valeu, gata – mais um selinho – Por tudo.
— De nada. Agora vamos voltar porque não tô afim de ficar aqui na bad.
— Por falar em ficar — Ian se lembrou de um assunto — Achou alguém interessante pra investir aqui?
— Só um amigo de um macho escroto que quis bancar o homão da p*rra, mas quando veio falar comigo se borrou de medo.
Novos risos.
— P*ta m*rda. Pelo menos beijava bem?
— Mediano. Bastou, afinal o guri que eu queria sumiu — alfinetou-o, sorrindo.
— Tava brincando com meu primo mais velho.
— Não brinca! — falou, debochada — Tem provas do crime?
— Não — respondeu ele — Pior que não.
— É o Andreas correto?
— Sim.
— E como ele é? Em beijo e sexo?
— Uma delícia — passou a mão pela calça — Só de lembrar...
— Meu sonho de princesa, desde que pus os olhos naquele guri, é um Ménage com a gente.
— Quem sabe ainda não role?
— Tomara.
Deram um beijo.
— ‘Bora lá. Anda! — incentivou, puxando o ficante, que nada respondeu. A noite ainda estava longe do fim.
***
— AI! DOEU, C*R*LHO! — exclamou Dan, assim que Vanessa colocou uma bolsa de gelo em seu maxilar.
Mesmo quando a questão da briga já tinha sido (teoricamente) encerrada, muitas duvidas ainda estavam na cabeça de Van. A loira, por mais que tivesse presente, demorou a assimilar com precisão o que ocorrera. Aquela história louca não fazia sentido para ela.
— Da próxima vez não briga. Daí nada vai doer — retrucou ela.
— Até quando tô quieto na minha sou posto na roda. Que m*rda. Já te disse que eu não briguei. Foi o Andreas que me socou do nada.
— E tu é um anjo, né Daniel?
— Anjo não. Dos Anjos. Pode olhar minha carteira de identidade — ironizou.
— Que guri abusado! Tô achando que merece outro.
— NÃO! — gritou — Um já tá mais que bom.
— Melhor assim — Comentou, carregando um sorriso malicioso nos lábios — O que aconteceu afinal hein?
— Meu primo é um retardado, tem ciúmes do Ian comigo e levo por isso.
— Ciúmes? — questionou intrigada – Então o que tu falou quando chegamos aqui era verdade? Teus primos realmente tem uma relação “especial”?
— Nem todos. O Mica, por exemplo, só ficou com o Ian uma vez.
— E com os demais?
— Geralmente quem ficou com todos eles foi o Ian. Não sei se eles já ficaram entre eles.
— Uau —a loira surpreendeu-se com o que ouvia — Família bem animada, né?
— Não sei como eles conseguem. Sinceramente. São primos, c*r*lho! PRIMOS!
— Eu vou me lembrar disso quando tu falar da Giulia de novo.
Dan revirou os olhos.
— Foi só uma vez e... AI! — levou um tapa no pescoço — Eu virei saco de pancadas nessa b*sta agora?!
— Não preciso saber da tua vida antes de mim, Daniel – fuzilou-o com o olhar.
— Tá bom. Foi mal.
— E quanto ao Ian? Ele já... Conseguiu ficar contigo?
— Olha bem pra minha cara, Vanessa, e diz se eu pego macho, que ainda por cima é meu parente.
— Foi só uma pergunta. Desculpa.
— É só raciocinar um pouquinho né, Van?
— Conheço héteros que já ficaram por curiosidade. Só uma vez, claro.
— Esses héteros modinha de hoje em dia. Pergunta se antigamente era assim.
A loira bufou atraindo o olhar curioso do namorado.
— Que foi? – questionou ele.
— Eu não vou nem te responder. Tu é um jumento, Daniel. Explicar as coisas pra ti é o mesmo que tentar ensinar uma vaca a miar.
— P*rra. Valeu — ironizou.
Ambos ficaram em silêncio enquanto a garota segurava a bolsa de gelo no rosto do namorado.
— Mas... Eu acho que o Ian... Me curte demais — Dan comentou pensativo após um tempo.
— Como assim?
— Não ouviu o Drê falando que ele me trata de maneira especial?
— Tu concorda com isso?
— Sei lá velho. Nunca reparei nisso. Eu sei é que ele se importa comigo, assim como eu também me importo com ele.
— E acha que o que ele sente é maior daquilo que tu sente?
Dan suspirou.
— Não sei. Talvez seja.
— O que tu pretende fazer?
— Eu e ele já conversamos sobre isso. Não tem mais o que acrescentar.
— Espera... Então tu sabia desse interesse dele em ti?
— Sabia... Faz algum tempo.
— Ai, Dan! — exclamou, preocupada — Não me diz que tu maltratou ele.
O garoto ruborizou.
— Daniel... — o tom da loira era repreensivo.
— Foi só por um dia! Eu juro! — defendeu-se, não escapando de um novo tapa no ombro — AI! MAS QUE C*R*LHO!
— Ele é uma pessoa, Dan! E teu primo! Como é que tu faz isso com ele?!
— Se uma guria te cantasse tu não iria se sentir estranha?
— Sim. É lógico. Mas nem por isso eu ia tratá-la mal. É isso que tu não entende.
— Ah claro! Eu sou sempre o vilão da história! Até meu primo deixou claro isso!
Ficaram em silêncio por mais algum tempo. Ninguém entendia com absoluta clareza a mente de Daniel, e considerava isso injusto. Por que tinha de ser excomungado quando não havia uma alma para se apiedar e estender a mão? No entanto, reconheceu, de santo só a cara (e talvez nem ela). Os recentes acontecimentos o deixaram inquieto, irritado. Seria injusto também Vanessa pagar por isso.
— Desculpa — pediu ele — Eu tô irritado e descontei em ti.
— Não vejo dessa forma. Eu também puxo a tuas orelhas, mas é pro teu bem, Dan. Pra eu te ver crescer como pessoa —passou suas mãos delicadamente pelo rosto do rapaz, enquanto carregava um sorriso em seus lábios.
— Não me acha... Uma grande pessoa?
Van revirou os olhos. ainda com o sorriso no rosto. Beijou o amado, querendo passar confiança e segurança.
— Tu é uma grande pessoa, só que tem defeitos como todo mundo — Explicou, com sua voz dócil.
— Que bom saber – Dan retribuiu – Por isso tu é minha gata.
— Por isso tu é meu boy.
E ambos ficaram trocando carícias por mais algum tempo, antes de decidirem retornar para a festa e aproveitarem um pouco mais dos festejos.
***
Era próximo das três horas da manhã quando, já cansadas de tanto dançar, Ágata e Vanessa resolveram ir para seus aposentos na casa da família. A morena continuou a beber, e depois de muita insistência Van acabou cedendo também. Que mal havia em tomar umas cevas com a melhor amiga, afinal?
— Eu quase me mijei de rir aquele dia. Tu gritava na biblioteca da escola com medo de uma barata — Ágata ria relembrando. A loira não ficou por menos.
— EI! Baratas são seres do mal sabia? Elas ainda vão dominar o planeta!
As vozes de ambas já demonstravam estar alcoolizadas. Perderam as contas dos litros bebidos até então, acabando só por curtirem o restinho de noite mexendo no "álbum de memórias" de aventuras das duas.
— Aham tá. Acredito.
— E tu que quase teve um treco por causa de uma lagartixa? Acha que eu me esqueci?
— Pro teu governo, aquela vagabunda me pegou desprevenida. Onde já se viu cair em cima de mim enquanto eu to dormindo? Tive sorte de não ficar traumatizada!
Ambas riram.
— Cá entre nós, miga, tu já viu coisa BEM pior que lagartixa – Van comentou, maliciosa.
— Hum... Safadinha — retrucou a outra, em mesmo tom — É verdade. O que é uma lagartixa comparado ao pau de certos meninos?
— Se for de família, os primos todos são bem dotados.
— Aquele Andreas... Guria, eu chego a me tremer só de lembrar daquele homem.
— Quem parecia estar te dando moral é o próprio aniversariante. Acha que eu não vi?
— Ah, o Micael é gostosinho. Mas o Andreas tem um jeito que... Sei lá.
— Trocaria o Ian por ele?
— NEM AMARRADA! — exclamou — Ele pode ser tudo, mas alguém com os dotes do Ian nem que eu viva mil anos eu vou encontrar de novo.
— Olha alguém querendo amarrar o burro.
— Saí pra lá! Só vou amarrar quando eu tiver certeza do que eu quero.
— E por que ainda não tem?
— Tu sabe bem o porquê, né?
— Tem razão. Foi mal.
— Que isso — Ágata sorriu.
Ambas deram mais alguns goles nas garrafas de uma cerveja famosa. Era a vez de Van, quando esta reparou que Ágata lhe encarava.
— O que foi? — perguntou.
— Tava aqui lembrando — comentava — Faz um tempão que a gente se conhece né?
— Verdade. Tínhamos o quê? Dez anos?
— Por aí. Tanta coisa louca aconteceu com a gente, né?
— E estamos aqui: Lindas e poderosas.
— Exatamente — a morena se aproximou — Eu te vi desde o começo... Daquele loiro à loira gostosa que tu se tornou.
— Valeu, miga — agradeceu, sorridente. Porém seu subconsciente parecia querer lhe alertar sobre algo que estava estranho.
— Eu lembro daquele guri com cabelo de surfista jogando vôlei com a gente na praia em Floripa, te lembra? — pousou uma das mãos sobre a coxa da loira — Lembro dele sem camisa, se exibindo fazendo todos babarem sem nem se dar conta... E hoje tá ai: Uma mulher deliciosa.
— Miga...
A morena foi mais ousada levou sua mão por dentro da calça da garota.
— Fomos quase namoradas, Vanessa — sussurrava no ouvido dela – Quase que te provei todinha.
Não demorou muito para a loira reagir e se levantar depressa.
— Miga, escuta — ela tentava se equilibrar — O Dan tem todos os defeitos do mundo. Todos. Mas nenhum justifica que eu o traia, ainda mais com minha melhor amiga.
— E se o Ian conseguir, hein? Sim, porque agora tu já sabe que ele tem um tesão no teu boy. E se eles se pegarem?
— Isso é algo pra consciência dele examinar, não pra minha — rebateu — Olha, eu juro que não vou contar nada do que aconteceu aqui pra ninguém. Também não tô brava, afinal tu tá bêbada. Nem é tu falando.
— Nisso eu concordo. Não sou eu falando, é o meu coração — confessava – Eu sou pansssexual por um motivo sabia? Me atraio por pessoas. E, desde que eu te vi pela primeira vez na quarta série, penso como seria receber um beijo teu...
Van olhou bem para o teto, como se esperasse algo do céu. Seria errado, condenável, mas precisava fazer. Ter um motivo concreto para tal, não tinha. Ainda sim, a bebida era um lubrificante social poderoso. Quem condenaria duas meninas bêbadas se beijando? Alguém teria moral para isso? Amarrando-se nessas duas questões, a única coisa dita foi:
— Desculpa, Dan...
A garota foi em direção à amiga e lhe deu um beijo ardente, porém rápido.
— Pronto. E que nunca mais se repita ok?
— Ok — Ágata sorriu — Pode deixar.
Ainda um pouco tonta, Van foi indo em direção ao andar inferior para beber um pouco d’água e ver se esquecia o que acabara de ocorrer, só não contava encontrar Dan entrando na cozinha.
— Fala, gata! — exclamou ele — Tava te procurando pra-
Nem terminou de falar quando a loira lhe beijou nervosa. Beijou-o com vontade e com arrependimento.
— Eu te amo — Falou com uma voz chorosa — Eu te amo muito, ouviu?
— Hã... Ouvi — Dan respondeu, com estranhamento —Tu tá bêbada?
— Um pouco – queria desconversar – Dan...
— O quê?
— Me f*de.
— OI?!
— Me come. Anda.
— C-como assim, Van?
— Me leva pra algum canto e transa comigo, por tudo que é mais sagrado.
— Mas aonde, Van? E camisinha?
A garota pegou o namorado pela gola da camiseta.
— Arranja. Anda.
Dan ficou ligeiramente assustado com aquela reação, porém assentiu com a cabeça e foi caçar tudo que necessitava enquanto a garota sentou em uma das cadeiras ali dispostas e chorou compulsivamente.
***
Alisson podia ter duvidas com relação a quase tudo na sua vida, mas algo ele tinha absoluta certeza: Queria ter sempre sua mãe ali para o que ele precisasse. Passaram por tantos momentos juntos que era quase impossível não tê-la como seu porto seguro. Essa talvez fosse a melhor coisa que a vida tinha lhe dado, apesar de tantos déficits que julgava ter.
Domingo, 09h22min. Era um dia belíssimo de sol, mesmo que este não tenha sido suficiente para espantar a brisa gelada que rondava a pequena Nova Petrópolis naquele dia. Tanto Al quanto Marisa já estavam de pé, tomando seu café juntos como sempre faziam e que o garoto sentia falta quando não acontecia.
— Essa casa tá virada num lixão. Olha aquele armário! Pelo amor de Cristo! — resmungava a mãe — Dá pra escrever o nome de cem celebridades de Hollywood naquele pó ali.
— Sinto uma faxina chegando — debochou — Isso já não tá virando obsessão, mãe? Toda vez tem uma faxina aqui!
— Tu quer que os vizinhos pensem o que da gente, Alisson? Que somos porcos e vivemos na imundice total?
— Mãe, quando foi a última vez que a senhora recebeu alguns dos vizinhos aqui?
— Não interessa! — desconversou — A Dona Alzira, do prédio aqui do lado, tem um binóculo, sabia?
— E daí?
— E daí que ela pode tá vendo tudo aqui de casa.
— Como se a casa é grudada no muro?
— AI NÃO ME RETRUCA, ALISSON, QUE EU JÁ ME ESTRESSO!
O garoto riu.
— Que paranoia. Credo.
— Não quer me ajudar a limpar, não ajuda. Agora se eu morrer, tu nem se atreva a chorar no meu velório.
— Credo, Mãe! — exclamou batendo três vezes na madeira – Que p*rra de praga é essa?
— Vai me ajudar? — sorriu, maliciosa, para a raiva do filho.
— Vou — resmungou entre os dentes.
— ÓTIMO! — adorava convencê-lo a entrar em suas paranoias de limpeza – Termina o teu café e vamos logo porque eu não tô com vontade de ficar o resto do dia sendo Isaura.
— Ah e EU posso né? Sim, porque eu trabalho lembra?
— Tu é jovem, Alisson. Eu sou uma jovem senhora.
— Aham. Tá.
Ficaram ali por alguns minutos antes de começarem mais uma faxina habitual pela casa. Por mais que Al fosse um garoto implicante, tinha razão quanto a uma coisa: Marisa era fixada em limpeza de seu lar. Odiava ver sequer um resquício de pó em cima de seus móveis que já ficava louca. Por mais contemporânea que fosse, mantinha aquela essência de dona de casa lá dentro de si. Gostava de cuidar de seu lar e principalmente do filho a quem dedica todos os seus suspiros de vida.
Começaram pela própria cozinha e a sala, com Al e Marisa cuidando dessas áreas respectivamente. O rapaz se enrolava na limpeza, já que não tinha uma habilidade para serviços domésticos. Se esforçava mais pela mãe para não sacrificá-la sozinha, por amor a ela.
— Terminei aqui! – Avisou ele.
— Então vai arrumando o quarto da mãe lá! – Mandou ela.
— Beleza!
Pegou então os produtos necessários para a limpeza e então subiu ligeiro às escadas. Abriu devagar a porta do quarto da mãe, encarando-o. Tinha paredes cor de creme, com um grande guarda-roupas planejado, uma televisão na parede em frente a porta com uma pequena mesa de centro abaixo dela, a cama de madeira também planejada ficava na parede oposta e em frente a uma janela enorme que dava para os fundos do pátio. Esta era coberta por uma fina cortina de igual cor das paredes. Do lado direito da cama, um criado mudo de mesmo material e cor da cama: Cinza.
Al então começou varrendo o chão devagar e sem pressa, porém ao lembrar que ainda iria trabalhar, tratou de apressar-se. Uma surpresa lhe chamou a atenção ao começar a varrer em baixo da cama.
— Ué — estranhou — Que isso?
Tratava-se de uma caixinha mediana cinza de tampa preta. Encarou-a com certa curiosidade, porém deixou em cima da cama da mãe e seguiu sua rotina de limpeza. Foi quando Marisa apareceu e escorou-se na porta. Quando viu a caixinha, sorriu fraca.
— Encontrou a caixinha, então? — questionou.
— Aham. Tava embaixo da cama — respondeu, ainda seguindo o trabalho.
— E... Tu não chegou a olhar?
— Pra que se não é meu?
A mãe riu.
— Que exemplo, hein? – Elogiou orgulhosa – Se fosse eu já tinha aberto e visto até a alma disso.
Al então encarou a mãe.
— É impressão ou a senhora queria que eu abrisse a caixa?
— Sim — revelou — Não deixei essa caixa aí por acaso.
O filho então encarou a caixa, sentou-se na cama e colocou sua mão na tampa. Porém algo lhe arrepiava a espinha só de pensar em abrir. Alternava seu olhar entre a mãe a caixa, na busca de tentar decifrar o que lhe esperava.
— Pode abrir, filho — afirmou, convicta.
— Tem certeza?
— Só tenho de que tô viva e que um dia vou morrer. O resto é incerteza pura.
— Me ajudou muito essa resposta com a minha ansiedade. Valeu —ironizou.
— Abre logo essa caixa antes que eu me arrependa!
O garoto revirou os olhos e abriu a caixa apressado. Ergueu as sobrancelhas surpreso com o que encontrara.
— Fotos?
— Dá uma olhada nelas.
Al pegou as dita cujas e observou-as curioso. Riu fraco quando percebera do que se tratava.
— A senhora tri nova — exclamou, contente — Era a maior gata, hein mãe?
— Ainda sou. Nem vem! — brincou.
Olhou uma por uma até chegar na última. Dois rapazes e duas moças de vestes de banho com matagal como pano de fundo. A frente deles, o que parecia ser um lago. Todos sorriam para quem quer que estivesse tirando a foto.
— Que f*da essa foto — comentou — Talvez um dia convide o pessoal pra fazer uma igual.
— Chegou na última? — Perguntou ansiosa.
— Aham.
— Viu ela direitinho.
— Sim.
— E não reparou nada?
Al fez uma cara confusa. Tornou a encarar a foto, observando um a um dos elementos que fazia parte dela. Encarou a mãe ainda sem respostas.
— Al — Marisa se aproximou do filho e sentou-se a sua frente na cama — Lembra que tu disse que um dia queria saber toda tua história?
— Aham — respondeu com a garganta seca.
— Pois então, filho — suspirou — Um dos homens que tá aí nessa foto... É o teu pai.
***
Acordar de manhã cedo numa pós festa era a pior coisa que Dan poderia querer para um domingo. Seu corpo estava dolorido de tanto dançar e se agarrar com Vanessa pelos cantos. Achou estranha aquela vontade súbita da loira em querer ficar com ele a todo custo, mas gostou. Era sua namorada afinal de contas não? Tinha mais é que apreciar.
Sonolento, sentou-se na cama. Viu que o lado oposto ao seu da cama onde dormira estava vazio – Ian tinha acordado. Num surto de medo certificou-se de que estava tudo ok consigo. Nunca era demais revisar, ainda mais se tratando de seu primo mais assanhado.Suspirou aliviado ao confirmar tudo bem. Curioso, encarou os primos dormindo. Micael dormia sem camisa entre Luan e Levi na cama mais ao fundo do cômodo ao passo que Andreas dormia em uma cama de solteiro trazida de um dos quartos onde os tios ficaram. Todos pareciam estar em coma, tamanho o sono que tinham.
Depois de “admirar” seus primos, fora direto ao banheiro fazer o que ninguém podia fazer por ele e em seguida desceu até a cozinha. Dito e feito: Lá estava o primo de olhos azuis tão belos quanto o céu tomando seu achocolatado e comendo uma banana
— Com tanto salgado que sobrou da festa tu resolve comer uma banana – debochou.
— Bom dia pra ti também, Dan – ironizou o mais velho — Fiquei com vontade de comer, ué. Sorte que e trouxe lá da tua casa.
— Bom dia. Trouxe uma banana lá de casa?
— Duas na verdade — sorriu, malicioso.
— Tarado.
— Disso tu não pode me acusar. Dormi quietinho do teu lado.
— Me abraçando, lembra?
— Sim. Tava com medo do escuro — fez uma encenação de medo, fazendo Dan rir.
— Aham. Tô ligado.
O mais novo pegou uma xícara dentro do armário, a lavou e acompanhou o primo com um achocolatado.
— Que coxas deliciosas tu tem, Dan – observou enquanto admirava aquele par de pernas de pêlos rasos.
Dan vestia um calção de dormir azul pervinca ligeiramente curto, deixando suas coxas medianas aparecendo. Além é claro de uma camiseta branca.
— EI! Nem vem! — o outro exclamou — Já vai começar de manhã cedo?!
— Não começa com esses teus chiliques. Tu tá careca de saber o quanto eu tô louco pra te traçar.
— Ah tá, né tio?! Se a gente ficar-
O próprio Dan não terminou a frase quando se deu conta do que ia dizer. Ian, que raramente se impressiona com algo, o encarou com os olhos arregalados.
— Se a gente ficar? — repetiu o primo mais velho, já iniciando seu tradicional sorriso – Isso significa que... Tu tá levando essa hipótese em consideração?
Ficou vermelho de vergonha e passou a encarar sua xícara e logo em seguida beber o líquido que havia dentro.
— O Andreas deve tá p*to comigo por tu ter dormido na minha cama. C*r*lho... aquele socão que ele me deu, sinto a dor até agora — mudou de assunto, para a tristeza alheia.
— O Drê não devia ter agido daquela forma contigo. Não gostei nada. E se ele ficou p*to que vai dar o c* por aí, nada de descontar em ti.
— Velho, tu ouviu o que ele disse? Ele tá amarradão na tua!
— E o que o c* tem haver com as calças?
— Tu vive dizendo por aí que me quer a todo custo.
— De novo, e o que o c* tem haver com as calças? Dan, eu não posso mandar no sentimento dele por mim. Juro que acho muito lindo isso, mas o que ele quer que eu faça? Que eu abra mão da minha felicidade só pra ele ser feliz?
— Podia pelo menos dar uma maneirada então.
— Negativo. Nunca me reprimi por p*rra nenhuma na vida e vou me retrair porque meu primo mais velho tá me curtindo?! Nem f*dendo.
Dan suspirou.
— Tu que sabe. Eu só tô querendo tirar o meu da reta, na real.
— C*gão — debochou Ian, rindo — Não liga pro Drê. Ele não vai ficar de mal contigo por minha causa. Vou dizer que acabou. Ontem foi a última vez.
— Ontem foi... Vocês... Vocês...
— No meio do mato, durante a festa — lembrava — Antes daquela confusão toda.
Balançou a cabeça e fez cara de espanto.
— Credo.
— Ainda te impressiona com isso?
— Sinceramente, tô mais impressionado com o Drê pegando homem do que contigo. Acho que já até acostumei.
Ian sorriu e, de mansinho, foi colocando sua mão em cima da do primo.
— Que bom, Dan. Fico feliz.
— Isso não quer dizer que vá rolar algo, hein? — Advertiu o garoto, porém deixou a mão do primo ali.
— Não custa sonhar, né?
Dan riu. Micael apareceu logo em seguida, avistando a cena.
— Querem que eu deixe o casal a sós? — zoou.
— Cala boca, seu otário — Respondeu Dan, sorrindo, já tirando sua mão junto da de Ian — Bom dia.
— Bom dia, Mica — cumprimentou o mais velho, no mesmo tom.
— Bom dia! — exclamou o ex-aniversariante — Mano, que festa doida foi aquela de ontem à noite? Até o Drê deu pt!
— Deu foi um soco na cara do Daniel, isso sim.
— Eu soube. Tudo bem, Dan?
— Se minha mandíbula não tiver quebrado, tudo — ironizou.
— Ahhh, coitadinha! A princesa de porcelana não pode receber um soquinho de nada que já se quebra toda!
— Vai pra p*rra, Micael!
Ian ria da situação.
— Mesmo assim, foi f*da. Fiquei com a minha colega Vitória e, velho... Ela beija muito bem.
— Era uma garota negra que tu tava se agarrando? — Ian questionou, curioso.
— Aham.
— Ela era mesmo gostosa, com todo respeito.
— Que isso, primo. Não tenho nada com ela. Só curtição.
— Ainda bem, né? Senão, era mais uma coitada pra tu meter chifre — Dan alfinetou, recendo um olhar fuzilador do primo.
— Concordo com o Dan, Mica. Tu não toma jeito né? — Ian questionou.
— É um complô contra mim? É isso?! — o rapaz se fingiu de ofendido – Pois fiquem vocês sabendo que eu consigo fazer um namoro durar.
— Duas semanas. Passa disso, vem galho.
— Vai sentar num formigueiro, vai Daniel.
O mais velho só sabia rir da situação.
— E ela beija tão bem quanto eu, Mica? — perguntou, provocando
— MUITO melhor que tu, querido primo – O outro rebateu.
— Duvido. Sem modéstia nenhuma, as minas e os caras gamam no gatão aqui.
— UI! Sente o poder, Dan!
— Tô sentindo a autoestima dele ir para além do teto, isso sim.
— O Dan faz essa cena toda, Ian, mas no fundo ele vai ceder. EU cedi, o Levi também. Porque o nosso gurizão aqui não cederia?
— Talvez por que eu não quero e por que eu tenha namorada?
— Nenhum de nós nunca quer, ele que simplesmente vem e faz. Aliás, não entendo até hoje porque ele não fez isso contigo ainda.
— Porque o Dan é especial, Mica. Só por isso — Ian fixou seu olhar penetrante no do primo em questão, fazendo-o corar.
Micael sorriu com a situação.
— Ok então, né? Quem sou eu pra discutir – Disse por fim.
CONTINUA
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