A Teoria das Cores
15 Rosa II
IMATURIDADE
Você já se perguntou quantas mudanças ocorrem em nossas vidas de um segundo para o outro? A inevitável força do universo nos provando que estamos sempre em constantes mudanças. A mesma folha que, meio segundo atrás, estava ocupando a copa de uma bela árvore em meio à floresta, de repente se solta e vai indo lentamente até o chão.
Segunda feira, 5h36min da manhã e Daniel já estava acordado olhando para o teto. Estava assim desde o passeio do fim de semana. Passou o restante do dia evitando Ian. Não que o outro fizesse menção em falar consigo, mas não queria trocar palavras com ele até entender com exatidão quais seus verdadeiros propósitos: Uma hora, Ian era um primo para todas as horas, em outra fora quase ficante; Diz-se apaixonado por Ágata, para, no fim de semana, dizer que estava interessado no próprio primo. Todas essas informações não faziam sentido. Quem era Ian no fim das contas? Esse mistério pairava sobre sua mente desde o momento em que saiu correndo da cachoeira. E o pior: Essa não era a única questão ansiando uma resposta.
Vanessa era outra, e a solução precisava vir depressa, rápida como o vento. O problema agora não era mais ficar ou não com ela, mas sim aceitá-la. Tivera a chance de dormir com ela, mas não o fez duas vezes. Sabia que tinha sido em parte culpa do seu nervosismo, porém também existia o ponto que era o calcanhar de Aquiles da relação deles: Vanessa, outrora, foi garoto quanto ele.
Perguntas, perguntas e mais perguntas. Nenhuma de solução fácil.
O garoto de pele negra clara só sentia vontade de gritar até seus pulmões e cordas vocais estourarem. Sua mente o impedia, fazendo-o continuar na mesma posição: Sem camisa, só de cueca, a observar o teto. Os cobertores o aqueciam, já que a proximidade com o inverno fez as temperaturas despencarem na região.
Lentamente, após algum tempo pensando e refletindo, levantou-se e sentiu o ar gelado lhe tocar, fazendo-o se arrepiar inteiro. Passou as mãos por seu rosto e foi em direção ao banheiro. Aproveitou que havia acordado cedo para tomar banho. Assim que terminou sua higiene, secou-se e percebeu algo: De novo havia esquecido as roupas em seu quarto. Enrolou sua toalha na cintura, e foi indo até o cômodo.
Inevitável lembrar o dia em que Ian puxara sua toalha e o deixara nú e, em seguida, fez um comentário obsceno. Isso o fez sorrir de canto e olhar instintivamente ao quarto dele. Silêncio. Nenhum gesto ou menção de que o primo mais velho estivesse acordado. Suspirou e seguiu seu trajeto.
Entrou e fechou a porta. Retirou a toalha e foi até seu guarda roupa. Como não estava animado para nada, pegou qualquer coisa aceitável para vestir. Uma camiseta preta por baixo de dois blusões (Um de lã e o outro vermelho), calça skinning preta rasgada nos joelhos e um tênis masculino preto de cano alto. Pegou seu celular e olhou se havia mensagens dos grupos que estava. Naturalmente, havia várias delas.
Ficou tão distraído lendo que não viu o tempo passando. Já eram 06h22min. Surpreso, foi direto para a cozinha preparar seu café. Notou, pelas luzes acesas, que alguém estava acordado. Torcia para ser sua mãe, e não Ian. O pai não seria, afinal saía cedo demais, podendo ser um dos dois. O alívio era grande ao ver que era Isabel.
— Bom dia, filhote — cumprimentou ela. Estava vestida com roupa social preta e salto alto da mesma cor. Tudo impecável. Seu trabalho exigia isso.
— Bom dia, mãe — respondeu o outro, sem muita empolgação.
— Tá certo que segunda de manhã é pior que dor de barriga, mas tu tá com essa cara desde que voltou do passeio. Algum problema?
— Não, mãe. Tudo certo — odiava ficar perturbando a mãe com mais problemas seus. Além dela já trabalhar muito, o pouco tempo que tinham era para resolver seus problemas indisciplinares na escola.
— Certeza?
— Absoluta.
— Ok então — a mulher não parecia satisfeita — Vou indo que senão perco o ônibus.
— O carro quebrou de novo?
— Teu pai arruma aquele carro como a cara dele, daí estraga sempre né?! O engraçado é que no carro dele não acontecem esses problemas.
Dan riu. De fato, Bruno passava longe de ser um exemplo de mecânico. Fazia das suas apenas para evitar possíveis golpes de profissionais especializados. No entanto, nunca em toda existência obteve pleno sucesso. Pontas sempre ficavam soltas.
— Vai ver é falta de atenção — o filho tentava justificar.
— Falta de dinheiro, isso sim. Maldita seja essa crise! Mas também não quis saber: Levei no mecânico e ele vai ajeitar. Vai ser um gasto e tanto, porém não dá mais pra ficar nessa situação.
— Se a senhora quiser, eu posso te dar o dinheiro mãe.
Isabel sorriu e passou a mão no rosto do filho. Achou carinhoso da parte dele ser tão solidário.
— Claro que não, meu amor. Gaste teu dinheiro contigo. Quero mesmo é que tu estude, isso sim. Dinheiro a gente conquista.
— A senhora não tava atrasada? — desconversou.
—— Ainda não, mas não vou posso demorar mais senão sim. Beijo.
— Beijo.
E lá foi para o trabalho, deixando Dan e seus pensamentos juntos de novo. Não por muito tempo, já que o rapaz saiu cedo de casa em direção à escola. Eram 07h05min quando chegou lá.
— Tu aqui a essa hora? Que bicho te mordeu? — O rapaz ouviu a voz atrás de si. Era Sabine.
— Acordei bem cedo hoje. Acho que foi ansiedade... Sei lá — respondeu, dando de ombros.
— Quero saber que santo lá em cima vai ser castigado em nome desse feito — a garota sorriu, debochada.
— Fica quieta! — o outro retrucou no mesmo tom.
— E ai, como estão as coisas? Depois daquele escândalo com a tua ex no baile tu veio para casa. Nem ficou muito...
— Estão bem estranhas pra falar a verdade — confessou — A começar que minha ex não é mais minha ex...
A loira achou curioso. Pelo nível da discussão na festa, jurava que ambos não se olhariam na cara por um século se possível fosse. Era impossível um reconciliamento tão... fácil talvez? Claro, era ignorância julgar sem saber dos fatos em si, mas tudo levava a crer que a resolução fora superficial.
— Vocês… reataram? — perguntou, curiosa.
— É... — coçou a nuca — Digamos que sim.
— Como assim? — queria uma resposta mais concreta a qualquer custo — Ou tu reatou ou não reatou. Simples.
— Tudo bem então. Reatamos — confirmou.
Um pedaço de Sabine se foi com aquela frase. Por tão pouco não realizara o desejo de provar da boca carnuda de Daniel; conhecer o mistério envolvente por trás deles, desvendando-os um por um sem medo de ser julgada ou estar fazendo algo imoral. Seriam dois adolescentes curtindo. Nada mais, nada menos. Agora, voltara para a Utopia, graças à essa súbita mudança de ideia que — tinha certeza — só podia ter sido ideia do rapaz.
— Olha aí – sorria, porém Dan sentia algo estranho naquele gesto – Parabéns.
— Obrigado — encarava-a, confuso na tentativa de entender — Eu acho.
— Conta aí como é que foi isso — precisava saber se suas suspeitas estavam certas.
— Só percebi o quanto a vida sem ela é pior do que a vida com — foi simples e cru, aos olhos da menina. Esta não encarava aquilo como algo do coração, e sim, necessidade — Fora que tô tentando resolver os problemas que me fizeram terminar com ela a primeira vez.
— Bom, tu sabe que volta com ex é dar tiro no pé duas vezes né?
— Bine, eu gosto de verdade da Van! É só que... Nossa, tu não entenderia.
— Quem decide se vai entender ou não sou eu — a garota impôs.
Dan revirou os olhos. Odiava aquela intromissão repentina da amiga em sua vida. Queria mudar o assunto o mais depressa possível e nunca mais tornar a mencionar algo. Tudo daria certo, tinha certeza. Pena o destino não concordar com isso...
— Outra hora eu te conto com mais calma — disse por fim.
— Aff — resmungou a outra — Tá. Mas desde que me prometa que vai contar mesmo!
— Prometo — revirou o olhos com a atitude.
Distraídos, sequer se deram conta de que Jeferson estava chegando. Como de costume, o rapaz parecia estar bem humorado.
— Fala aí, rapaziada! – Jeff chegava – Qual a boa?
— E aí, cara! – cumprimentou Dan.
Sabine fingiu estar envolvida com o celular. Dan notou.
— Não vai cumprimentar o Jeff, Sabine?
A garota mirou nos olhos de Dan, querendo fuzilá-lo. Já não bastava saber que o amigo estava comprometido outra vez, ainda levava ela para a cova dos leões. Claro, era birra de menina “rejeitada”, mas precisava de um momento só dela.
— Jeff tá aqui? Poxa, nem reparei. Desculpa – falou, sarcástica – Dá próxima vez Jeferson, não fale rapaziada. Como tu claramente vê, não sou um rapaz.
— Nervosa logo de manhã cedo, coração? – brincou Jeff, levando na esportiva.
— Caso não tenha notado, não sou jurada do American Idol pra tu ficar me cantando. Então me erra – respondeu ácida por fim, voltando sua atenção ao celular.
Dan encarou ambos, espantado. Tentava compreende o porquê de palavras tão duras dirigidas dela pare ele e vice versa, só que simplesmente isso era impossível.
— O que tá havendo entre vocês dois? — perguntou, intrigado — Não é de hoje que estão nessa picuinha.
— Nada — responderam juntos.
— Não tá escrito na minha testa “trouxa”! O que tá rolando?
— Dan, tu não quer levar a mochila na sala comigo? – desconversou a garota.
Daniel bufou de raiva.
— Essa conversa não acabou. Vamos logo, e quando voltarmos quero saber — disse.
— Que seja — fez pouco caso — Tô com dor nas costas já.
O garoto foi indo na frente, irritado com tantos segredos a sua volta. Jeff se aproximou de Sabine e falou o mais baixo possível, para que somente ela ouvisse.
— Tu tem que falar pra ele!
A outra ficou séria. Achou aquilo a coisa mais absurda escutada por seus ouvidos. Relevou, afinal, claramente Jeferson não sabia do retorno de Vanessa e Daniel.
— Não tenho nada pra falar — ajeitou uma mecha de seu cabelo caída sob seu olho direito, enquanto permanecia de cabeça baixa — E esse assunto morreu, ouviu bem?
— Eu vi vocês juntos na festa — lembrou, com certa dúvida — Tu quase conseguiu o que queria hein?
— Ai, Deus. Nunca vou me perdoar de ter te emprestado meu caderno!
— Pois emprestou e eu vi o poema que tu fez pro Dan. Ele precisa saber!
Sabine suspirou. A fim de acabar de vez com aquilo, achou necessário revelar a verdade a respeito do amigo e flerte.
— Ele voltou com a Vanessa — ficou visivelmente chateada ao falar — Não vou ficar no meio disso.
— Ele tá desconfiado de nós...
— Tá desconfiado porque TU fica me irritando falando desse assunto o tempo todo!
— Eu quero te ver feliz, Bine — a garota não se deu conta, mas, na realidade, queria sua felicidade mesmo isso custando a sua tristeza. — Como todo mundo que anda com a gente — ao se dar conta, tentou remendar, obtendo sucesso.
— Não é um homem que vai me trazer felicidade, Jeff — colocou — Vou atrás da minha felicidade. Eu gosto do Dan sim, mas ele não é o primeiro e nem vai ser o último. Tem muito carinha por aí!
Foi a vez de Jeff suspirar, levemente chateado. Se era essa a percepção dela, o máximo que poderia ser feito era respeitar.
— Ok então. Não toco mais no assunto.
— Amém.
E assim foi a garota rapidamente atrás de Daniel. Até quando aquela mentira seria sustentada?
***
Al não era o que se pode chamar de Ás da limpeza, mas naquela tarde infernal de domingo fora obrigado a fazê-lo. Passou seu dia tentando fazer sua mente trabalhar e se focar em algo que não seja Gil. Como ele pôde se aproveitar de uma situação daquelas? Agradeceu mentalmente Seu Antero por não abrir o “Wunder Bar”, pois iria visitar sua irmã que adoeceu (foram avisados por Gina no grupo de mensagens sobre o trabalho).
“- Alisson, tu tá falando tanto nisso que já comecei a achar que tu gostou.”
Como Amanda podia pensar em algo tão absurdo? Qualquer hétero ficaria abismado com aquela situação. A garota devia estar sob o efeito do álcool ainda, era a única explicação plausível.
Contudo, aquele dia horroroso havia acabado, e, na segunda de manhã, além da preguiça e da revolta, retornava mais um dia de aula. O despertador tocou, fazendo o rapaz já levantar com cara de poucos amigos. Pressionou a tela do celular a fim de fazer o refrão Paradise City do Guns ‘n Roses parar de tocar. Levantou, fez sua higiene matinal e desceu até a cozinha. Marisa já estava lá a tomar uma xícara de café puro e sem açúcar. Tinha lido na internet que aquilo contribuía para o emagrecimento.
— Até quando vai continuar com essa idiotice de café sem açúcar, mãe? — perguntou, atraindo o olhar mortal da mãe
— Antes de qualquer coisa bom dia, Alisson. Te ensinei bons modos — retrucou a mulher — E vou continuar até ficar no peso que eu quero.
— Não é um café que vai fazer à senhora engordar, mãe — Al recebia ainda o olhar fuzilador, chegando a sentir seu estômago revirando de medo. Tratou de consertar sua fala — A senhora não está, claro.
— Acho bom mesmo — ameaçou, mais calma mesmo assim — Fiquei surpresa quando cheguei ontem e a casa toda organizada. Pensava que já estaria um pandemônio.
— É que eu limpei.
A mulher largou a xícara de café em cima da mesa, olhou fixamente para o filho e colocou a mão em sua testa.
— Tu tá com febre ou alguma doença contagiosa? — debochou — Fala pra mamãe que eu te levo no médico.
— Para, mãe! Eu tô legal — O rapaz disse, já se afastando — Só quis arrumar a casa pra não te atarefar mais. Só isso.
— Sei — Marisa parecia desconfiada — E como foi sábado? Não consigo falar contigo desde ontem pra te perguntar.
Al fechou a cara. Preferia mil vezes a morte à ter de lembrar daquele dia infernal. Tentou desconversar para a mãe.
— Melhor esquecer, mãe. Já passou.
— Sabia que tinha alguma coisa errada — sentiu-se vitoriosa — Mas... Tudo bem. Quando quiser me contar, estarei a todo ouvidos.
— Tá bom, valeu.
Marisa beijou a bochecha do filho e foi até seu carro. Nesse momento, Alisson foi cuidar de seu trevo e, em seguida, olhou o relógio e percebeu que eram 06h44 min.
— Quer saber? F*da-se a aula — Decidiu — Vou é trabalhar.
Por mais que soubesse que Gil estaria lá naquele horário, não estava com saco para aguentar Elis e suas ironias logo de manhã. Mais fácil encara o primeiro, mesmo sua raiva e temor tomando conta de si ao se lembrar da cena horrível. Subiu até seu quarto, vestiu uma roupa mais apresentável e foi direto para o “Wunder Bar”.
Ia caminhando em passos lentos. Queria aproveitar aquele clima gélido para penar um pouco até chegar ao trabalho. Aliás, essa foi a única coisa boa que lhe aconteceu nos últimos dias: Ter conseguido um trabalho. Era inegável que o ritmo do lugar ainda estava deixando ele tonto, mas sabia que com um pouco de boa vontade tudo se ajeitava. Só torcia para ser depressa.
Quando Al chegou — cerca de dez minutos depois — ao seu local de trabalho, suspirou. Era hora de enfrentar a fera. Começou a pensar seriamente se não teria sido melhor ir à aula de Elis. O peso começou a doer em sua cabeça.
— Bom dia, Gina — foi gentil, ainda que um tanto constrangido.
— Bom dia — a garota não tirava os olhos da tela do computador — Chegou antes do teu turno né?
— Sim... Digamos que a aula de hoje não é importante.
— Conheço essa história — Sorriu, maliciosa — Tudo bem. Pode ir lá bater o ponto.
Agradeceu e foi até o vestiário se trocar. Notou que Seu Antero dava instruções que pareciam importantes. O senhor pausou sua fala quando notou a chegada de Alisson.
— Mas olha quem apareceu! — pareceu ficar animado com a presença de seu mais recente contratado — Al, meu guri, teu turno não é agora. Aconteceu algo? — Perguntou, preocupado.
— Eu resolvi fazer o dia todo hoje. Tem problema?
— Se não se cansar... — seu sorriso ia de orelha a orelha — Bom, como eu dizia, esse jantar que ocorrerá aqui é de suma importância. Primeiro, pois se trata de uma reunião de investidores, e segundo porque isso vai render bastante. Portanto, erros não serão permitidos, pelo menos os graves. Tentem não pisar na bola, ok? Conto com a ajuda de vocês.
— Pode deixar, Seu Antero — respondeu um funcionário.
— Ótimo! Ao trabalho!
Todos começaram a ir ou rumo ao trabalho ou ao banheiro se vestir. Al foi indo em direção ao seu armário quando, de propósito, Gil trombou com ele. Seu rosto lembrava um cão tendo seu osso arrancado da boca. O olhar mútuo de ódio dos dois não passou despercebido pelo chefe. Seu Antero, como uma boa raposa, notou algo errado ali.
— Mal chegou e já está criando inimizades com os meninos, jovem Alisson? — Perguntou ele, irônico — O que houve entre tu e o Gil? Pareciam tão amigos até sábado...
— Com todo respeito, senhor — Começou Al — Mas eu diria colega, não amigo. E colega já acho muito.
— Andaram discutindo por alguma guria não é? Eu já tive a idade de vocês. Sei como as moças mexem com a gente.
Al ficou um pouco constrangido. Não era exatamente o melhor lugar para se discutir aquilo. E Gil já era homossexual assumido. Deduziu que o chefe estava fazendo confusão.
— É... Digamos que foi quase isso mesmo — para não criar mais neuroses, apenas desconversou de leve.
— Não deixe uma moça dividir vocês. Mulheres são assuntos a parte na amizade entre homens, entende? Há outras por aí, e vocês vão achar.
— Valeu, seu Antero. De verdade — por mais que aquele conselho não valesse para nada naquela situação, Al achou indelicado ignorar.
— De nada, meu guri — disse o senhor por fim, e indo até seu escritório.
***
— Vocês vão mesmo fazer c* doce pra mim? Sério isso? — Dan perguntava indignado à Sabine.
— Pelo amor de Deus, Daniel! Esquece essa minhoca que tá ai na tua cabeça! Que coisa! — a garota não deixava por menos.
— Tu ta estranha com ele. Sinto isso desde antes do baile dos namorados. Fala logo o que é!
— Não é nada. E se tu continuar a insistir vou jogar sopa quente no teu pau.
O garoto bufou.
— Não vai mudar o fato de vocês ficarem omitindo as coisas.
— Tá. Só cala a boca!
Ficaram em silêncio por mais alguns instantes, até que Dan resolveu quebrar o gelo que estava querendo se formar.
— E a festa dos namorados? Foi boa?
A garota gelou. Tinha tantos outros assuntos para serem discutidos...
— Foi um tédio. Não perdeu nada.
— Nossa. Então fiz bem em ir embora. Também nem tava tão no clima pra festas. Vim mais por impulso do que por qualquer outra coisa mesmo.
— Foi por causa da Vanessa né? Digo pelo fato de tu ter ficado tão mal e tal...
— Foi sim — o moreno confessou — Cara, essa guria quer me deixar doido.
— Por quê? — ficou curiosa — Ela é tão temperamental assim?
— Não é isso. São motivos que nem entendo direito, sabe?
— E por que não tenta me contar pra mim te explicar?
Dan refletiu. Seria bom mesmo contar a Sabine tudo? E se ela não gostasse? E se ela o dissesse que deveria largar Van? Por mais que houvesse um lado seu que lhe dissesse isso, ele procurava não ouvi-lo.
— Um dia te conto tudo — Limitou-se a responder, mudando logo de assunto — E tu? Não conseguiu beijar ninguém mesmo?
Sabine ficou muda por um curto tempo. Realmente, o garoto parecia ter tirado o dia para arrancar confissões dela. Talvez fosse só reflexo de algo feito por ela própria. Algo como um “bateu, levou”.
— Ouviu o que eu disse? EI! — Chamou sua atenção.
— Hã? Oi? — Fez a linha desentendida.
— Perguntei se ficou com alguém lá na festa...
— Não. Teve um que eu até queria — brincou entre os dedos — Mas... digamos que ele estava acompanhado.
— Poxa, Bine. Que m*rda. Posso saber quem é?
A garota ia dizer algum nome qualquer quando foi interrompida por Elis.
— Que bom te encontrar aqui, senhor Daniel — tinha no rosto um sorriso cínico — Quero lhe entregar isso.
A mulher entregou um bilhete para o rapaz.
— Que isso? — Questionou.
— Estão lhe chamando para conversar sobre a prova... Aquela que o senhor colou... O senhor não deve entrar em sala sem antes passar lá.
CONTINUA
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