COMUNICATIVO

Falar a sós com pessoas com qual se tem um interesse amoroso por trás é algo que deixa qualquer um no mínimo constrangido. Quando se é amigo(a) do(a) dito(a) cujo(a) então... Nossa! Triplicasse o problema. Jeff sentiu-se assim no momento em que recebeu uma chamada de Sabine para conversar.

Considerando que a pior parte ele tinha feito (Se declarar), porque aquele nervoso? A loira sabia de seu interesse. Não havia nada a esconder. Cris, sua ex, não contou a ninguém, mas ela o flagrou em um momento íntimo enquanto observava a foto de sua rival. Fora assim que o namoro de ambos acabou. Por mais embaraçosa que tenha sido a situação, agradecia pelo fim daquele tormento. E sentia-se mal por aquilo. Quando aceitou namorar a ex, a amava com todo seu coração. Tiveram excelentes momentos juntos, deram risadas, madrugadas perdidas trocando mensagens (Algumas até bem obscenas), para no fim seu coração a encarar como um tormento... Considerava-se um monstro por aquilo, mas nada conseguia fazer. Não sabia como , nem porque, mas foi Sabine quem ele escolheu para viver uma grande e bonita história de amor. Talvez o destino os quisesse juntos, talvez não, contudo estava disposto a arriscar o que fosse na luta por sua felicidade.

Caminhava a passos largos e ansioso até o portão da escola. Em seu rosto, corriam as gotas de suor (Contrapondo ao clima fresco que fazia naquela manhã) causadas pela ansiedade e nervosismo do que pensava lhe aguardar. Depois do dia em que descobriu que ele gostava de si, Sabine simplesmente tentou seguir sua vida. Não tinham falado nada até então. O que ela poderia querer? Quando finalmente avistou a garota, suspirou. Desacelerou e foi indo tímido até ela.

— Fala aí, Bine – Tentou demonstrar naturalidade.

— E aí, Jeff – Cumprimentou ela alegremente, dando um beijo rápido em sua bochecha – Desculpa se te pedi pra vir até aqui, mas é que... Bom, igual queria falar contigo a sós né? Então...

— Tranquilo. Só tava falando com o Alisson. Nada de muito urgente.

— Que bom – Respondeu sincera – Vou ser bem direta tá? Não gosto muito de enrolações.

— Beleza. Pode mandar.

Suspirou.

— A minha mãe me disse outro dia que vamos ir para o Mato Grosso passar as férias lá.

— C*r*lho, Bine! Bacana mesmo.

— E... Ela pensou... Se tu não queria ir com a gente...

O outro a encarou com um olhar de surpresa.

— Me convidou? Mas...

— Não pergunta. Só diz se quer ou não.

— Bem... É que se eu for, vou por tua causa né?

— Eu sei. Por isso não contestei quando ela me pediu pra te perguntar isso – Revelou – Olha, Jeff, longe de mim querer me aproveitar de ti e dos teus sentimentos, mas igual o Dan nunca vai olhar pra mim do mesmo modo que eu olho pra ele.

— Talvez não, Bine. Talvez-

— Eu já tô trabalhando nisso. Fica tranquilo – Acalmou os ânimos – Não tô dizendo que é fácil admitir isso, mas é o que é. Não posso fazer nada.

— E tá pensando em... Me dar uma chance?

—Jeff, sendo bem honesta contigo, não vai pensando que será como nas fics clichê que os dois vão pra uma viagem juntos e se apaixonam. Quero que vá como meu amigo, pra gente aproveitar juntos o que tem de legal por lá.

— Entendo – Coçou a nuca.

— Acima de qualquer coisa, mesmo se a gente chegar a ter algo juntos, tu é um grande amigo. E não, isso não é friendzone. Isso é ressaltar que amizade pra mim vale mais que um amor.

— Tá certo – Sorriu – Já que é pra ser honesto, tu sabe que vai ser meio difícil ir sem uma segunda intenção né?

— Sei e não tô dizendo que não vai rolar. Tô dizendo que não é pra ir SÓ porque pode rolar.

— Beleza. Eu vou.

— Sério mesmo?

— Aham. Pode confirmar com a tia...

— Alicia – Riu.

— Isso! Tia Alicia!

— Só uma última dica.

— Qual?

— Não chama minha mãe de tia que ela detesta.

— Ok. DONA Alícia.

— Melhorou – A loira riu.

— Só mais uma coisa, Bine.

— Não gosto dessa frase. Sempre vem um beijo roubado depois dela.

— Capaz, eu sei me comportar – O garoto piscou um olho – Só ia te dizer obrigado. Por ter se lembrado de mim. Sei que não sou a tua primeira opção, mas-

— Só cala boca e se organiza pra viajar.

O garoto riu novamente e ambos seguiram para sua sala. Era tempo de mudanças na vida de ambos? Finalmente ficariam juntos?

***

— Sabe que eu acho ótimo esse negócio de tu tá dando aulas de música? – Ágata mostrava seu apoio ao ficante – Isso vai ajudar a distrair a tua cabeça.

Depois da conversa que teve com Diógenes, Ian não podia ir dormir naquele dia sem ter uma explicação sólida das meias palavras lançadas ao vento por seu “rival”.

“Ter o coração partido de novo... Ter o coração partido de novo...”

A frase, talvez dita sem a intenção de ferir e preocupar, acabou causando um pouco de ambos. Se Ágata realmente sofrera por amor no passado, queria que tivesse divido consigo. Sempre considerou o lance que tinham algo especial (Por mais que a queda por Daniel e as ficadas com Gil e Andreas tivessem o feito derrapar algumas vezes), mesmo que fosse só pela amizade dela. Era uma garota especial, com pensamentos especiais. Ian sabia disso e por isso, quando pôs os olhos nela, viu uma chance de burlar aquilo tão surreal e que lhe rendeu tantas noites mal dormidas na esperança de suas amadas estrelas lhe mandarem um sinal – Sua possível futura relação amorosa com o primo. Mas agora o medo de fazer algo que a machucasse mais lhe tirava do sério. E naquela tarde de Segunda Feira, estava determinado a desvendar o mistério.

— Verdade – Concordou pensativo – Preciso resolver umas mil coisas e aturar tudo no osso ás vezes é bem barra pesada.

— Imagino – Aproximou-se beijando a bochecha do rapaz – Todo mundo pensa que tu é de ferro, mas na real tu é bem humano.

— Já me falaram isso muito – Sorriu – Sei lá. Vivo e deixo os outros viverem. Não sei o que tem de especial nisso.

— Tu tem certeza que vive no planeta Terra? Ou toda noite tu volta pro teu planeta natal e depois volta? — Debochou – Infelizmente, poucas pessoas são assim. Em geral todo mundo critica, todo mundo julga... Poucos tem a sorte de viverem em paz com suas consciências. E mesmo tu, que tem essa dádiva, ainda tem esses problemas.

— Fazer o que, né? É a vida. – Deu de ombros – Como tu disse, sou humano. Nada mais que isso.

— Ahh pra mim tu é bem mais que isso sim.

— Jura?

— Aham.

— Tipo... O que? O que sou pra ti?

— Um cara da paz, relax...

— Digo... Num sentido mais... Físico. Não sei se tu me entende.

— Como eu te vejo fisicamente?

— Como tu me sente fisicamente. Acho que é mais de acordo.

A morena o encarou confusa.

— Não entendi – Sorriu – Como eu te sentiria fisicamente? Fala de sentir tesão?

— Também – O garoto de olhos claros tentava colocar em palavras o que pensava – Um conjunto da obra. Somos... O quê?

— Tá me perguntando se... Somos namorados?

— Basicamente – Coçou a nuca.

A garota sorriu fraco e encarou o chão de sua casa.

— Ah, Ian, eu te curto bastante sabe? Tu é o que muitos querem e não conseguem ser: Um verdadeiro homão da p*rra. Acho que já te expliquei isso...

— Sim. Tu falou que por enquanto seríamos apenas duas pessoas que ficam.

— E isso tá te incomodando?

— Na verdade, gata, eu não sei – Confessou.

— Como?

— Quando eu te vi ficando com o Diógenes lá na praça mês passado, eu confesso que sim. Mas não por me achar dono de ti, e sim por querer te dar uma relação bacana sabe? Não fiquei com raiva, te juro isso.

— Ian – A garota encarou fundo nos olhos do outro – Tu tá querendo “terminar”?

— Não! Que isso! – O garoto sorriu – Só queria te explicar que naquela época talvez eu me sentisse incomodado. Sempre fui muito direto saca? Nunca fui jogando verde, atirava maduro mesmo.

A outra riu.

— E o que mudou?

— Na verdade a pergunta certa seria o que voltou – Corrigiu, sorrindo mais fraco – Pensei que ia conseguir lidar melhor com minha...

Ficou quieto encarando o chão, até Ágata levantar seu rosto suavimente com as mãos e sorrir.

— Paixão pelo Daniel? É isso que ia dizer?

O rapaz retribuiu.

— É... Acho que sim – A encarava mantendo a expressão – Bom, achei que ia lidar melhor com isso. O problema é que isso tá crescendo e... Me consumindo. Eu não sei o que pensar a respeito e isso tá começando a afetar os que me rodeiam. Lembra o que houve na festa no sábado com o Drê?

— Mas ele foi um caso a parte, tigrão. Não fica assim – Consolou, abraçando-o – Tu vai conseguir achar a solução pra essa dúvida eu tenho certeza. Tu é um cara visionário. Além de ter uma personalidade forte. Dificilmente vai ceder com essa onda que te atingiu. E se tá falando sobre isso por minha causa, com medo do que eu penso a respeito, fica tranquilo. Ser feliz é o que importa. Se tu tiver feliz, eu fico feliz. Simples assim.

— O que mais me impressiona contigo é que tu é exatamente assim também – Retribuiu – Mas mesmo assim, eu sinto que tem algo por trás disso sabe?

— Disso o quê?

— Como eu te disse, sou bem direto. E sempre pensei muito na gente ter algo a mais e tu sempre me pareceu ficar apreensiva com essa ideia.

Ágata desfez o abraço e fez uma expressão que a denunciou na hora: Ela havia compreendido onde ele estava querendo chegar.

— O que tu sabe a respeito?

— É que-

— Só responde. Por favor. Prometo não ficar brava. Eu só quero saber.

— Não sei nada na real – Respondeu sinceramente – Diógenes me procurou lá na escola e me disse pra cuidar bem de ti, pra não despedaçar o teu coração outra vez. Isso que eu não entendi.

— Sabia que aquele linguarudo ia acabar falando alguma coisa. Tudo bem, já tá na hora de tu saber da história toda.

A morena pegou o rapaz pela mão e o puxou delicadamente até o sofá de sua sala de estar. Fez um gesto indicando para o mais alto sentar, ao passo que o acompanhou.

— Alguns anos atrás, eu namorei um guri chamado Bryan. Ele era um guri alto, com topete, cabelos e olhos pretos e mandava super bem como jogador de Futsal. Eu comecei a conversar com ele quando tive que fazer um trabalho pra entrevistar uma estrela da escola. Pensei “Por que não um dos jogadores, né?” e como ele parecia ser super simpático e tal resolvi que seria ele. Conversamos, conversamos e conversamos mais um pouco até percebermos muita coisa em comum. Muitas mesmo! Ele era incrível e um guri muito gente fina. Óbvio que rolou uma química interessante, fomos ficando até que chegou o dia do pedido em namoro. Aceitei e fomos vivendo tranquilamente, até que-

A garota pausou, suspirou e encarou o teto.

— Não precisa continuar se não quiser – Ian pôs a mão no ombro direito da garota.

— Tu merece saber – Disse determinada – O Bryan meio que me endeusou entende? Era Deus no céu e eu na Terra. Me tratava bem e tal, só que acabei percebendo que ele queria era me ter. Um sentimento de posse sabe? Domínio. Tipo “Ágata é a melhor garota do mundo e eu conquistei. É minha” só que de uma maneira que eu não curti. Foi então que eu cheguei pra ele e disse que ia por um ponto final na nossa história, enquanto nenhum dos dois tinha se ferido tanto. Ele chorou compulsivamente, quase achei que ele fosse ter um ataque de tão nervoso e histérico que ficou. Insisti e disse que sempre estaria ali caso ele precisasse de qualquer coisa. Ele negou, disse que não me queria como amiga, começou a se humilhar e se rebaixar dizendo que era um lixo humano, um porre, que ninguém conseguia gostar dele de verdade...

— Nossa. Esse guri tinha problemas graves.

— Vários! A mãe dele não ajudava muito também, verdade seja dita. Aliás, muita coisa na vida dele foi errada. E me perder... Foi... Demais pra ele...

— O que aconteceu?

Ágata limpou então uma lágrima que teimou em descer de seu rosto antes de finalmente revelar.

— No meio da madrugada do dia em que terminamos, ele entrou dentro da banheira do banheiro principal, tomou comprimidos pra dormir e acabou morrendo afogado.

Ian a encarou assustado.

— C*r*lho... – Foi só o que conseguiu dizer.

— Foi horrível saber daquilo. Nossa, velho, tu não faz a menor ideia – Comentava com voz rouca – O Bryan era muito problemático e ao mesmo tempo tão indefeso. Saber que eu contribui para-

— EI! – Exclamou o outro – Gata, tu não pode carregar essa culpa! Ninguém é responsável pelos atos de ninguém nessa vida! Eu te juro que fiquei mexido pelo que tô sabendo do guri, mas isso não foi culpa tua. Não foi! Se alguém te disse isso, tá mentindo feio!

— Eu... Eu sei que não. Só não quero repetir aquilo entende? – Explicava – Só não quero ver alguém por quem eu tenho tanta admiração sofrer tanto.

— Então é isso que fez com que a gente não namorasse esse tempo todo? C*r*lho.

— Talvez tu diga que tu é mais forte que ele e que aguentaria o tranco, só que não é tão simples, sabe? É difícil lidar com uma memória te cutucando toda hora.

— Eu te entendo. Fica tranquila – Sorriu – Não quero te pressionar. Só queria saber mesmo, afinal não sou tão b*sta assim pra não te merecer, né?

A garota riu fraco e roubou um beijo do outro, deitando a cabeça em seu colo em seguida.

— Ai, tigrão... Só tu pra me fazer ficar na bad e me tirar dela, tudo ao mesmo tempo.

— Um dos meus dotes. Coloquei até no currículo.

— Palhaço.

Mais um beijo.

— Fica tranquila. Vou respeitar o teu tempo. É bom também porque com essa história do Dan, né? Aí vamos os dois curando essas feridas.

— Tu já pensou se tu realmente ama o Daniel ou se é só c* doce porque ele ainda não te disse “sim”?

— Várias vezes. O Drê não perde a oportunidade de me perguntar isso – Comentou, alisando os cabelos da menor – Curiosamente, o único dos meus primos que aconteceu isso foi o próprio Drê.

— Quando ele aceitou, passou o encanto?

— Passou aquele sentimento de curiosidade. Com o Dan é diferente...

— Diferente tipo?

Ian mexeu seus olhos encarando todos os locais possíveis. Quantas vezes já tinha se perguntado aquilo e quantas vezes pareceu tão longe das respostas? Resolveu então mudar de assunto.

— Que tu acha de assistir um filme?

— Tu não tem que arrumar tuas coisas pra faculdade?

— Essa semana é recuperação, tanto de notas quanto de faltas. Na aula de hoje, faltei no limite então que se f*da. E também semestre que vem vou pra Música.

— Entendi – Falou – E que filme sugere?

— Um novo amor.

— Romântico?

— Sim. Só que te faz ficar muito p*to no final.

— Não é tipo “A Culpa é das Estrelas” né? Se for, não quero nem ver! Detesto essas viadagens!

O garoto riu.

— Fica tranquila. Tu vai gostar. Me achei muito a cara da personagem da Vera Farmiga nesse filme.

— OPA! MINHA CRUSH! LIGA ESSA P*RRA E ‘BORA ASSISTIR!

Mais risadas. Ian então procurou num catálogo de filmes pagos e assim que o encontrou apertou play. Era o início de uma tarde calma e serena, ao lado de quem tanto queria bem...

***

A melhor coisa sobre amizade é que não precisa de uma explicação lógica pra ela. Como ela surge, com quem irá acontecer, quando irá acontecer, com que tipo de pessoa... Nada. Absolutamente nada importa quando se trata de uma amizade sincera e verdadeira. Há quem conheça uma pessoa há cinco anos e não conheça nem seus pais, há quem conheça uma pessoa há cinco minutos e sabe até que fomos um bebê prematuro! Não adianta ditar regras, querer enfiar uma norma, um padrão. A amizade, quando quer surgir entre duas pessoas, não pede licença, não entra devagarinho pra não incomodar. Vai abrindo a porta aos berros gritando “CHEGUEI!”.

Resolver que ia se unir ao grupo de dança com Alisson fora talvez uma das ideias mais momentâneas que tivera na vida, e no entanto ambos pareciam se divertir muito com a ideia. Quase no fim da noite de segunda feira, quando Al finalmente pôde responder ás mensagens após um exaustivo dia no “Wunder Bar”, falaram sobre suas expectativas sobre a mais nova loucura. Por mais sonolento que o mesmo estivesse (Inclusive fazendo com que digitasse algumas palavras erradas), a conversa se fazia valer a pena. Dan descobriu até algo que o garoto aprontara e que absolutamente ninguém tinha nem se tocado na escola.

— Dan? – A voz de Ian do outro lado da porta fez com que tirasse sua atenção do visor do celular e encarasse a mesma – Tá acordado ainda?

— Entra aí, primo. Chega junto.

O mais velho então abriu a porta do quarto e notou que as luzes estavam apagadas, somente o visor do celular clareava o ambiente.

— Tu vai acabar ficando com problema de visão fazendo isso sabia? – Alertou.

— Só pra isso tu veio aqui, tia velha? – Ironizou o mais novo.

— Só vim porque ouvi umas risadas daqui. Pensei que tu tivesse tendo uma crise de sonambulismo e ia te jogar um balde de água.

— Vou ser a última pessoa hoje a te mandar tomar no meio desse teu c*. Que honra.

O outro gargalhou.

— Já que eu tô aqui, podia me contar né? – Pressionou quando o riso já finalizava.

— Tu é muito do curioso, né? Se f*der.

— Para de reclamar e conta logo.

— O Alisson aprontou uma.

— Alisson? Quem é Alisson?

— O guri que trabalha com teu ex. Tá ligado?

— AHHH! Eu lembro dele! Quando fui no “Wunder Bar” ele tava lá. O que ele fez?

— Nada de grave, mas foi f*da mesmo assim – Contou animado – A Rebecca, que é a supervisora lá da escola, disse que ele só ia pra nossa turma DEPOIS das férias. E ele foi na maior cara de pau pra nossa turma hoje.

— Só isso? P*rra, já aprontei mil outras coisas melhores que essa coisa de criancinha aí.

— Mas ele falou com a Rebecca e a tapada não percebeu NADA! Tipo, ela deu a sentença e ela mesma se esqueceu? Muita idiotice da parte dela não acha?

— Isso é um pouco verdade. Não toda – Comentou – E ele superou bem ter me visto naquela situação?

— Estamos vivendo, né? O mundo não gira em torno do que tu quer e do que aquele outro faz. Aliás, como ele tá, hein? A última vez que tu contou, ele tava podre de bêbado.

— Sim – Confirmou cabisbaixo – Sinto vontade de ajudar ele sabe? Ver um guri tão especial como o Gil se acabar é muito triste, Dan.

— Já te disse que tu é ex. Não tinha nada que querer saber dele. Deixa o guri se virar! Ele é homem, não é? Então.

— Mas ser homem não significa ser sem sentimentos. Gil é um guri forte, por isso sei que a barra deva ter pesado pra ele recorrer à bebida.

— Ele só tomou um porre, Ian, só isso. C*r*lho, quanto drama por causa de um boyzinho bem meia boca.

O mais velho encarou o outro.

— Tá, tá! Desculpa! – Entendeu o recado, corrigindo-se em seguida – Não se pode nem ter opinião mais! Nem falei nada dele ser vi... Gay. Só disse que ele é bem mais ou menos. Parece um daqueles afeminados que não pode ver macho gostoso passar e já se atiça toda.

— Tu por um acaso esqueceu da praga que a tua mãe rogou? – Lembrou o garoto – É bom tu não cuspir muito pra cima não, porque se a praga pegou...

— Que pegou nada! Que idiotice! Como que eu ia beijar macho?! Aliás, quando eu ia me APAIXONAR por macho?! Tá demente é?

— Bom, primo, o papo tá muito bom só que eu quero a minha cama – Fingiu bocejar – Boa noite.

A fim de mexer com o primo, Ian ia dar um beijo na bochecha do mesmo. O problema é que Dan (Até então com o rosto de lado) virou-se e encarou o primo mais velho. O resultado não podia ter sido diferente: Um rápido e minúsculo selinho. Quando se deu conta do que tinha acabado de fazer, Ian ficou branco. Ambos mantiveram silêncio por alguns instantes, tempo necessário para processarem o que tinha acabado de acontecer.

— Boa noite – Foi só o que o garoto de olhos claros disse antes de ir a passos largos e rápidos para seu quarto.

Dan é que pareceu atônito com a situação, nem reparando que acabou iniciando uma ligação por voz através de um aplicativo.

“- Daniel? Daniel? Tá ouvindo cara? Ô seu demente, tem preguiça de digitar? DANIELL! Que c*r*lho! Responde! Não vai responder? Beleza! Vou dormir, até mais!” – Alisson via chamada de voz.

CONTINUA