A Teoria das Cores
26 Branco III
CONFUSÃO
— Como é que é Alisson?! – Dan perguntou surpreso.
— Isso mesmo que tu ouviu: Existe uma grande possibilidade dele ser apaixonado pela tua pessoa. Parabéns garanhão – Al não podia deixar passar.
O rapaz que o acompanhava ficou em silêncio por um breve minuto antes de tornar a falar.
— De onde tu tirou essa hipótese?
— O teu primo e o Gil ficaram conversando hoje bem na frente do meu portão.
— E porque diabos eles foram pra frente do teu portão pra discutir uma idiotice dessas?
— Isso eu não sei ué – Al preferiu omitir que Gil esteve em sua casa – O que importa é que, além de falarem do namoro que eles tiveram, o Gil levantou essa questão.
Dan passou a mão pelos cabelos. Que maluquice era aquela agora?
— Ele só podia tá fumado, sei lá – Falava – Eu e o Ian somos primos Alisson. PRIMOS! Nunca que ele ia sentir algo mais forte, tá louco?!
— Até onde a gente sabe, ele curte guris também não? – Al perguntou ao outro que movimentou a cabeça confirmando – Então, pode ter acontecido.
— Esse Gil ai só pode tá inventando velho! Lembra ontem que ele confessou que armou um treco pra ti?
— Eu pensei nisso também, mas o Ian desconversou quando ele falou disso.
— VIU! Uma prova de que ele tá mentindo! – Dan exclamou com felicidade.
— Qual é pateta! Raciocina cara! Porque então ele simplesmente não disse que não gostava de ti desse jeito e pronto?
— Sei lá p*rra! Só sei que essa hipótese é ridícula demais pra ser verdade.
Al suspirou e revirou os olhos.
— Quer se fazer de João sem braço, problema é teu. Só vim te dizer por quê... Bem, uma hora tu ia ter que saber né?
Al deu passos em direção à saída, quando Dan segurou seu braço.
— Ei! – Exclamou.
— Já que tu resolveu ser um bem feitor, tu vai ir junto comigo na casa do amigo do Ian pra gente ver essa história.
— E por que EU tenho que ir? Não tenho nada haver com isso!
— Ninguém mandou vir me atordoar com uma bizarrice dessas a essa hora da manhã. Só lamento.
Al bufou.
— Que c*r*lho...
— Não reclama.
— E pro teu governo, ele tá na casa do Gil.
— O QUÊ?!
— Isso aí que tu ouviu.
— Ele me disse que ia pra casa de um amigo.
— Na verdade, ele ia pra aquele hostel que tem lá no centro sabe?
— Que p*rra. E agora? Eu não faço ideia de onde esse idiota do Gil mora!
— Isso é fácil de descobrir – Al sorriu malicioso – Deixa pra mim que eu descubro.
— Agora vamos sair daqui que esse lugar cheira a morte. Credo.
Al riu e então retornaram para a parte funcional da escola. Naturalmente, àquela hora já estava bem mais movimentado. Pelo caminho, por infelicidade do destino, encontraram Elis vestindo um vestido roxo e laranja.
— Então agora estão andando juntos? Espero que seja para estudar e não para ficar de gracinhas nas minhas aulas – Disse a mulher.
— A senhora ficou uma graça com esse look de halloween, se me permite dizer – Al provocou, arrancando um riso frouxo de Dan.
Elis fechou a cara.
— A próxima prova se aproxima senhor Alisson. Sugiro que estude.
— E eu sugiro que a senhora se preocupe em dar suas aulas, e não com a minha prova.
Elis não disse mais nada, apenas retornou a andar indo provavelmente a sala dos professores.
— Que velha chata do c*r*lho, p*ta que p*riu! – Reclamou Al.
Dan riu.
— Tá na cara que ela nos ama – Mexeu ele.
— Deus me livre! Pode ficar pra ti! – O outro fez cara de nojo.
Outro riso por parte de Dan.
— Bem... É isso – Disse ele por fim.
— Até o intervalo – O outro falou amigável.
— Até.
E assim ambos foram cada um para sua sala.
***
Não foram raras ás vezes em que estivera na casa de Gil, porém era a primeira vez que Ian se sentia estranho naquele lugar. Essa sensação lhe era diferente, achava que iria se adaptar bem ficando alguns dias na casa do ex. Depois de tudo o que houvera, por que se sentia assim?
Gil levou o ex até um quarto que ficava no inicio do corredor que dava acesso aos quartos no andar superior.
— Pode ficar aqui – Disse simpático.
— Tu tem certeza que tua mãe não vai se importar? – Ian perguntou fazendo o outro rir fraco.
— Tudo que minha mãe quer na vida é que eu volte a namorar contigo. Tu é o melhor boy que ela podia querer como genro.
— Eu sei, sou um encanto – O garoto gabou-se.
— E modesto também – Gil falou rindo – Deixa eu te ajudar com essa mochila.
Ele apanhou a mochila que estava nas costas de Ian, que suspirou aliviado.
— Nossa. Tá carregando uma esfinge aqui dentro? P*rra! – Exclamou Gil.
— Não podia correr o risco de esquecer algo que eu precisasse, já que quero dar esse tempo pro Dan refletir.
O outro suspirou.
— Tudo sempre em função do “Dan” – Disse irônico.
— Lá vem tu com esse ciúmes. Ele é meu primo velho! Já falei!
— Isso nunca foi empecilho antes! – Gil sentiu que outra discussão estava prestes a começar, então respirou fundo e prosseguiu – Ian, eu não quero brigar. Sério.
— E nem eu – O outro confessou – Só quero viver um pouco entende?
— Sim...
Ian se sentou na cama que dormiria a partir daquele dia e ambos ficaram em silêncio por alguns segundos.
— Ian...
— Eu.
— Quem é Ágata?
— Tem certeza que quer saber?
— Eu preciso saber.
Ian suspirou.
— É uma gata com quem eu saio de vez em quando.
— E tu sente algo mais forte por ela?
— Talvez. Mas sei lá... Vou deixar que o tempo me responda isso.
— Entendo.
— Eu posso usar o banheiro?
— Claro. Eu vou no meu quarto buscar minhas roupas pra tomar banho e ir pro trampo.
— Ok.
Ian se levantou da cama e foi em direção ao banheiro. Realmente estar naquela casa traziam recordações de momentos íntimos que tivera com Gil até meses antes. Sorria ao lembrar, por mais que a sensação fosse desconcertante.
Assim que fez o que ninguém podia fazer por ele, Ian estava já lavando suas mãos quando Gil inesperadamente entrou no local.
— Acho que não tem problema de eu ir entrando no banho né?
Ian sorriu.
— Gil...
— Que foi? Preciso mesmo tomar banho.
— Nós dois sabemos que tu não veio aqui enquanto eu tô usando só pra tomar banho.
O outro sorriu malicioso.
— E isso te incomoda?
— Gil, a gente nunca vai conseguir seguir em frente se ficarmos toda vez nos pegando.
— E quem disse que eu quero te superar?
Gil jogou o garoto com força em cima do vaso (Que por sorte estava com a tampa baixa) e sentou em cima do seu colo, tal como fez no dia anterior.
— Aqui não tem Daniel pra acabar com a nossa f*da – Disse ele no ouvido de Ian.
— Gil...
— Por favor Ian – Suplicava o outro – Eu não aguento mais. Toda vez que eu te vejo eu choro.
—Chora?
— Sim. Não disse por onde.
Ian riu.
— Seu safado.
— Seu gostoso.
Gil arrancou um beijo do ex.
— Só essa vez. Me deixa te sentir de novo, deixa.
Ian sorriu.
— Eu tô na tua casa não tô? As ordens são tuas boneca.
Gil nem esperou para começar a tirar inteiramente suas roupas, ajudando Ian a tirar as dele também. Ele puxou o ex para mais uma sessão de beijos, e passeou suas mãos pelo corpo negro claro do rapaz. Amava aquela pele, amava os toques que Ian sabia fazer como ninguém, amava tudo nele.
— Não vai me pegar no colo? – Gil pediu com voz manhosa.
O outro rapaz calçou Gil pelas coxas e o segurou em seu colo de frente para si, continuando os beijos.
— Vamos ter que ser rápidos. Eu tenho trampo.
— Pode deixar.
— Não tá fazendo forçado né?
— Pergunta pro meu pau duro que tá te roçando se ele tá de má vontade – Ian disse malicioso.
E assim os dois ficaram por pelo menos 15 minutos. Quando terminaram o “banho”, Gil vestiu-se e Ian também. O primeiro teve de sair correndo apressado para o trabalho, enquanto o segundo ficou deitado em sua cama olhando para o teto. Sorriu ao lembrar dos momentos de prazer que teve com o ex minutos antes. Porém tinha de começar a se conter, pois sabia que Gil ainda depositava sentimentos fortes nele. Se tivessem concluído a anterior, seria a segunda vez que Gil fazia sexo com o ex. Isso devia significar alguma coisa para o rapaz. Por mais pansexual que Ian fosse, não queria machucar o sentimentos do ex.
Passou a mão por seus cabelos e decidiu que iria tratar desse asunto quando Gil chegasse. Naquele momento, só queria descansar e pensar em quando o primo iria voltar atrás em sua decisão...
***
A aula daquela manhã passou voando. Enquanto Daniel bateu boca com a professora de Geografia por conta de uma questão que ela corrigira errado, Alisson teve de ir para a diretoria por dormir durante a aula de Elrew.
— A culpa não é minha que a aula daquele tiozão é um c* — Justificava-se com os amigos.
— Se tu tentasse se dedicar um pouquinho mais, não seria tanto –Mandy rebateu.
— Tu fala isso porque tu tem uma queda por estudar que eu sei.
— Nisso eu sou obrigado a concordar com o Al gata – Adrian falou.
— Ei! – A garota dá um leve tapa no ombro do namorado – É pra tu me defender desse bruto do Alisson!
— Tá bom. Foi mal. Na próxima eu defendo – Adrian riu ao falar.
— Cadê a Bine? Alguém viu ela? – Jeff perguntou.
— Ela tava insuportável hoje, p*ta que p*riu – Dan comentou.
— Por quê?
— Vai ver é por causa daquela paixonite que tu falou Jeff – Adrian respondeu, fazendo Jeff gelar o estomago.
— Paixonite? A Sabine apaixonada? Por quem Jeff? – Dan perguntou curioso.
— S-sei lá eu Dan! Isso só ela pode responder e, na boa, é melhor nem perguntar.
— Por que não?
— Porque ela detesta falar nesse assunto.
— Tudo bem – Dan não estava mesmo afim de debater aquilo. Tinha algo importante a fazer – Alisson, ‘bora resolver aquele esquema?
— ‘Bora – O rapaz em questão respondeu.
Adrian, Jeff e Amanda se entreolharam sem entender.
— Desde quando vocês dois tem assuntos em comum? – Jeff questionou curioso.
— Sabe o que é Jeff – Dan respondia – É que eu detesto falar nesse assunto.
O resto do grupo se controlou para não rir.
— Vamos Alisson! Não tenho o dia inteiro c*r*lho!
— E eu não sou tua empregadinha c*c*te! – Al rebateu.
E assim os dois foram, deixando o grupo sem entender nada para trás.
Ambos tentavam ser o mais rápido que conseguiam. No intervalo, Al já havia comunicado a Dan que conseguira a informação de onde era a casa de Gil com Gina. Não ficava muito longe da casa de Dan.
— Só espero não chegar lá e ver os dois trepando outra vez – Dan comentou.
— O Gil trabalha esse horário. Certo que só tá teu primo em casa. Talvez os pais do Gil também, mas aí f*da-se.
Os dois deram mais alguns passos em silêncio, até que Dan comentou pensativo.
— É a primeira vez que eu e o Ian brigamos feio sabe?
Al então olhou para o garoto ao seu lado. Seu semblante não era dos mais felizes.
— Tu... Tu já sabia que ele curtia homens? – Al tentou puxar assunto.
— Já. Ele me contou mês passado que é panamerisexual parece. Não entendi direito.
Al riu.
— É cada uma que a gente ouve. E o que um panamerisexual faz? Transa só durante as olimpíadas?
— Pelo que ele me contou, é quando alguém curte pessoas. Independente de ser homem ou mulher.
— Então não seria bi?
— Pois é! Eu também achei né. Mas ele disse que tem diferença.
Mais alguns minutos de total silêncio.
— Vocês ainda vão se acertar – Al tentou dar uma palavra de conforto.
— Valeu. Tomara mesmo.
Logo chegaram à casa de Gil. Ficaram admirados com a beleza do local. Não tardaram a chamar pelo nome de Ian no portão da casa. O garoto, que estava sonolento, levou um susto ao ouvir a voz do primo. Primeiro pensou estar ouvindo coisas, mas depois confirmou que era de fato Dan.
Correu para atendê-lo, e se decepcionou ao ver que ele veio acompanhado do garoto que flagra-lo com Gil na casa do primo. Ainda sim, não se deixou abater. A felicidade em rever o primo era maior. Abriu o portão e abraçou Dan ali mesmo.
— Eu sabia que tu ia mudar de ideia. Eu tinha certeza – Falava contente.
— A gente... A gente precisa trocar uma ideia Ian – O primo respondeu.
— Claro! Entra ai. A casa não é minha, mas né...
Todos entraram e foram em direção ao interior da casa. Al entrou reparando em cada detalhe da casa.
— Quem diria que o Gil morava nesse pequeno palacete? – Pensou alto.
Ian os conduziu até a sala, onde Dan e Al sentaram em um sofá e Ian em outro.
— Que bom que tu veio primo – Ian falava contente.
— Tu mentiu dizendo que ia pra casa de um amigo – Dan falou sem delongas.
O outro passou a mão pela nuca.
— É... Menti. Aliás, como tu descobriu que eu tava aqui? A única pessoa que sabia era o Gil.
— E eu – Al confessou – Vocês conversaram na frente do meu portão. E daí eu acabei ouvindo.
— Então foi da tua casa que o Gil saiu hoje de manhã?
Dan encarou Al.
— É isso Alisson?
— Não rolou nada! – O outro falou já se alterando – Aliás, ele foi lá pra te defender ô garoto propaganda de pasta de dente!
— Me defender? Do quê? – Ian estava confuso.
— Ele me mostrou... Umas fotos de vocês... Quando namoravam.
— E por que ele fez isso?
— Pra me mostrar que nem tudo relacionado a gays é só sexo.
— Espero que tenha funcionado – Ian sorriu.
— Não vamos fugir do assunto – Al virou o jogo – Fala com o teu primo ai Daniel!
Dan suspirou, levantou-se e perguntou:
— O que tu sente por mim Ian? O que tu sente por mim de verdade?
CONTINUA
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