CONFUSÃO

— Como é que é Alisson?! – Dan perguntou surpreso.

— Isso mesmo que tu ouviu: Existe uma grande possibilidade dele ser apaixonado pela tua pessoa. Parabéns garanhão – Al não podia deixar passar.

O rapaz que o acompanhava ficou em silêncio por um breve minuto antes de tornar a falar.

— De onde tu tirou essa hipótese?

— O teu primo e o Gil ficaram conversando hoje bem na frente do meu portão.

— E porque diabos eles foram pra frente do teu portão pra discutir uma idiotice dessas?

— Isso eu não sei ué – Al preferiu omitir que Gil esteve em sua casa – O que importa é que, além de falarem do namoro que eles tiveram, o Gil levantou essa questão.

Dan passou a mão pelos cabelos. Que maluquice era aquela agora?

— Ele só podia tá fumado, sei lá – Falava – Eu e o Ian somos primos Alisson. PRIMOS! Nunca que ele ia sentir algo mais forte, tá louco?!

— Até onde a gente sabe, ele curte guris também não? – Al perguntou ao outro que movimentou a cabeça confirmando – Então, pode ter acontecido.

— Esse Gil ai só pode tá inventando velho! Lembra ontem que ele confessou que armou um treco pra ti?

— Eu pensei nisso também, mas o Ian desconversou quando ele falou disso.

— VIU! Uma prova de que ele tá mentindo! – Dan exclamou com felicidade.

— Qual é pateta! Raciocina cara! Porque então ele simplesmente não disse que não gostava de ti desse jeito e pronto?

— Sei lá p*rra! Só sei que essa hipótese é ridícula demais pra ser verdade.

Al suspirou e revirou os olhos.

— Quer se fazer de João sem braço, problema é teu. Só vim te dizer por quê... Bem, uma hora tu ia ter que saber né?

Al deu passos em direção à saída, quando Dan segurou seu braço.

— Ei! – Exclamou.

— Já que tu resolveu ser um bem feitor, tu vai ir junto comigo na casa do amigo do Ian pra gente ver essa história.

— E por que EU tenho que ir? Não tenho nada haver com isso!

— Ninguém mandou vir me atordoar com uma bizarrice dessas a essa hora da manhã. Só lamento.

Al bufou.

— Que c*r*lho...

— Não reclama.

— E pro teu governo, ele tá na casa do Gil.

— O QUÊ?!

— Isso aí que tu ouviu.

— Ele me disse que ia pra casa de um amigo.

— Na verdade, ele ia pra aquele hostel que tem lá no centro sabe?

— Que p*rra. E agora? Eu não faço ideia de onde esse idiota do Gil mora!

— Isso é fácil de descobrir – Al sorriu malicioso – Deixa pra mim que eu descubro.

— Agora vamos sair daqui que esse lugar cheira a morte. Credo.

Al riu e então retornaram para a parte funcional da escola. Naturalmente, àquela hora já estava bem mais movimentado. Pelo caminho, por infelicidade do destino, encontraram Elis vestindo um vestido roxo e laranja.

— Então agora estão andando juntos? Espero que seja para estudar e não para ficar de gracinhas nas minhas aulas – Disse a mulher.

— A senhora ficou uma graça com esse look de halloween, se me permite dizer – Al provocou, arrancando um riso frouxo de Dan.

Elis fechou a cara.

— A próxima prova se aproxima senhor Alisson. Sugiro que estude.

— E eu sugiro que a senhora se preocupe em dar suas aulas, e não com a minha prova.

Elis não disse mais nada, apenas retornou a andar indo provavelmente a sala dos professores.

— Que velha chata do c*r*lho, p*ta que p*riu! – Reclamou Al.

Dan riu.

— Tá na cara que ela nos ama – Mexeu ele.

— Deus me livre! Pode ficar pra ti! – O outro fez cara de nojo.

Outro riso por parte de Dan.

— Bem... É isso – Disse ele por fim.

— Até o intervalo – O outro falou amigável.

— Até.

E assim ambos foram cada um para sua sala.

***

Não foram raras ás vezes em que estivera na casa de Gil, porém era a primeira vez que Ian se sentia estranho naquele lugar. Essa sensação lhe era diferente, achava que iria se adaptar bem ficando alguns dias na casa do ex. Depois de tudo o que houvera, por que se sentia assim?

Gil levou o ex até um quarto que ficava no inicio do corredor que dava acesso aos quartos no andar superior.

— Pode ficar aqui – Disse simpático.

— Tu tem certeza que tua mãe não vai se importar? – Ian perguntou fazendo o outro rir fraco.

— Tudo que minha mãe quer na vida é que eu volte a namorar contigo. Tu é o melhor boy que ela podia querer como genro.

— Eu sei, sou um encanto – O garoto gabou-se.

— E modesto também – Gil falou rindo – Deixa eu te ajudar com essa mochila.

Ele apanhou a mochila que estava nas costas de Ian, que suspirou aliviado.

— Nossa. Tá carregando uma esfinge aqui dentro? P*rra! – Exclamou Gil.

— Não podia correr o risco de esquecer algo que eu precisasse, já que quero dar esse tempo pro Dan refletir.

O outro suspirou.

— Tudo sempre em função do “Dan” – Disse irônico.

— Lá vem tu com esse ciúmes. Ele é meu primo velho! Já falei!

— Isso nunca foi empecilho antes! – Gil sentiu que outra discussão estava prestes a começar, então respirou fundo e prosseguiu – Ian, eu não quero brigar. Sério.

— E nem eu – O outro confessou – Só quero viver um pouco entende?

— Sim...

Ian se sentou na cama que dormiria a partir daquele dia e ambos ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Ian...

— Eu.

— Quem é Ágata?

— Tem certeza que quer saber?

— Eu preciso saber.

Ian suspirou.

— É uma gata com quem eu saio de vez em quando.

— E tu sente algo mais forte por ela?

— Talvez. Mas sei lá... Vou deixar que o tempo me responda isso.

— Entendo.

— Eu posso usar o banheiro?

— Claro. Eu vou no meu quarto buscar minhas roupas pra tomar banho e ir pro trampo.

— Ok.

Ian se levantou da cama e foi em direção ao banheiro. Realmente estar naquela casa traziam recordações de momentos íntimos que tivera com Gil até meses antes. Sorria ao lembrar, por mais que a sensação fosse desconcertante.

Assim que fez o que ninguém podia fazer por ele, Ian estava já lavando suas mãos quando Gil inesperadamente entrou no local.

— Acho que não tem problema de eu ir entrando no banho né?

Ian sorriu.

— Gil...

— Que foi? Preciso mesmo tomar banho.

— Nós dois sabemos que tu não veio aqui enquanto eu tô usando só pra tomar banho.

O outro sorriu malicioso.

— E isso te incomoda?

— Gil, a gente nunca vai conseguir seguir em frente se ficarmos toda vez nos pegando.

— E quem disse que eu quero te superar?

Gil jogou o garoto com força em cima do vaso (Que por sorte estava com a tampa baixa) e sentou em cima do seu colo, tal como fez no dia anterior.

— Aqui não tem Daniel pra acabar com a nossa f*da – Disse ele no ouvido de Ian.

— Gil...

— Por favor Ian – Suplicava o outro – Eu não aguento mais. Toda vez que eu te vejo eu choro.

—Chora?

— Sim. Não disse por onde.

Ian riu.

— Seu safado.

— Seu gostoso.

Gil arrancou um beijo do ex.

— Só essa vez. Me deixa te sentir de novo, deixa.

Ian sorriu.

— Eu tô na tua casa não tô? As ordens são tuas boneca.

Gil nem esperou para começar a tirar inteiramente suas roupas, ajudando Ian a tirar as dele também. Ele puxou o ex para mais uma sessão de beijos, e passeou suas mãos pelo corpo negro claro do rapaz. Amava aquela pele, amava os toques que Ian sabia fazer como ninguém, amava tudo nele.

— Não vai me pegar no colo? – Gil pediu com voz manhosa.

O outro rapaz calçou Gil pelas coxas e o segurou em seu colo de frente para si, continuando os beijos.

— Vamos ter que ser rápidos. Eu tenho trampo.

— Pode deixar.

— Não tá fazendo forçado né?

— Pergunta pro meu pau duro que tá te roçando se ele tá de má vontade – Ian disse malicioso.

E assim os dois ficaram por pelo menos 15 minutos. Quando terminaram o “banho”, Gil vestiu-se e Ian também. O primeiro teve de sair correndo apressado para o trabalho, enquanto o segundo ficou deitado em sua cama olhando para o teto. Sorriu ao lembrar dos momentos de prazer que teve com o ex minutos antes. Porém tinha de começar a se conter, pois sabia que Gil ainda depositava sentimentos fortes nele. Se tivessem concluído a anterior, seria a segunda vez que Gil fazia sexo com o ex. Isso devia significar alguma coisa para o rapaz. Por mais pansexual que Ian fosse, não queria machucar o sentimentos do ex.

Passou a mão por seus cabelos e decidiu que iria tratar desse asunto quando Gil chegasse. Naquele momento, só queria descansar e pensar em quando o primo iria voltar atrás em sua decisão...

***

A aula daquela manhã passou voando. Enquanto Daniel bateu boca com a professora de Geografia por conta de uma questão que ela corrigira errado, Alisson teve de ir para a diretoria por dormir durante a aula de Elrew.

— A culpa não é minha que a aula daquele tiozão é um c* — Justificava-se com os amigos.

— Se tu tentasse se dedicar um pouquinho mais, não seria tanto –Mandy rebateu.

— Tu fala isso porque tu tem uma queda por estudar que eu sei.

— Nisso eu sou obrigado a concordar com o Al gata – Adrian falou.

— Ei! – A garota dá um leve tapa no ombro do namorado – É pra tu me defender desse bruto do Alisson!

— Tá bom. Foi mal. Na próxima eu defendo – Adrian riu ao falar.

— Cadê a Bine? Alguém viu ela? – Jeff perguntou.

— Ela tava insuportável hoje, p*ta que p*riu – Dan comentou.

— Por quê?

— Vai ver é por causa daquela paixonite que tu falou Jeff – Adrian respondeu, fazendo Jeff gelar o estomago.

— Paixonite? A Sabine apaixonada? Por quem Jeff? – Dan perguntou curioso.

— S-sei lá eu Dan! Isso só ela pode responder e, na boa, é melhor nem perguntar.

— Por que não?

— Porque ela detesta falar nesse assunto.

— Tudo bem – Dan não estava mesmo afim de debater aquilo. Tinha algo importante a fazer – Alisson, ‘bora resolver aquele esquema?

— ‘Bora – O rapaz em questão respondeu.

Adrian, Jeff e Amanda se entreolharam sem entender.

— Desde quando vocês dois tem assuntos em comum? – Jeff questionou curioso.

— Sabe o que é Jeff – Dan respondia – É que eu detesto falar nesse assunto.

O resto do grupo se controlou para não rir.

— Vamos Alisson! Não tenho o dia inteiro c*r*lho!

— E eu não sou tua empregadinha c*c*te! – Al rebateu.

E assim os dois foram, deixando o grupo sem entender nada para trás.

Ambos tentavam ser o mais rápido que conseguiam. No intervalo, Al já havia comunicado a Dan que conseguira a informação de onde era a casa de Gil com Gina. Não ficava muito longe da casa de Dan.

— Só espero não chegar lá e ver os dois trepando outra vez – Dan comentou.

— O Gil trabalha esse horário. Certo que só tá teu primo em casa. Talvez os pais do Gil também, mas aí f*da-se.

Os dois deram mais alguns passos em silêncio, até que Dan comentou pensativo.

— É a primeira vez que eu e o Ian brigamos feio sabe?

Al então olhou para o garoto ao seu lado. Seu semblante não era dos mais felizes.

— Tu... Tu já sabia que ele curtia homens? – Al tentou puxar assunto.

— Já. Ele me contou mês passado que é panamerisexual parece. Não entendi direito.

Al riu.

— É cada uma que a gente ouve. E o que um panamerisexual faz? Transa só durante as olimpíadas?

— Pelo que ele me contou, é quando alguém curte pessoas. Independente de ser homem ou mulher.

— Então não seria bi?

— Pois é! Eu também achei né. Mas ele disse que tem diferença.

Mais alguns minutos de total silêncio.

— Vocês ainda vão se acertar – Al tentou dar uma palavra de conforto.

— Valeu. Tomara mesmo.

Logo chegaram à casa de Gil. Ficaram admirados com a beleza do local. Não tardaram a chamar pelo nome de Ian no portão da casa. O garoto, que estava sonolento, levou um susto ao ouvir a voz do primo. Primeiro pensou estar ouvindo coisas, mas depois confirmou que era de fato Dan.

Correu para atendê-lo, e se decepcionou ao ver que ele veio acompanhado do garoto que flagra-lo com Gil na casa do primo. Ainda sim, não se deixou abater. A felicidade em rever o primo era maior. Abriu o portão e abraçou Dan ali mesmo.

— Eu sabia que tu ia mudar de ideia. Eu tinha certeza – Falava contente.

— A gente... A gente precisa trocar uma ideia Ian – O primo respondeu.

— Claro! Entra ai. A casa não é minha, mas né...

Todos entraram e foram em direção ao interior da casa. Al entrou reparando em cada detalhe da casa.

— Quem diria que o Gil morava nesse pequeno palacete? – Pensou alto.

Ian os conduziu até a sala, onde Dan e Al sentaram em um sofá e Ian em outro.

— Que bom que tu veio primo – Ian falava contente.

— Tu mentiu dizendo que ia pra casa de um amigo – Dan falou sem delongas.

O outro passou a mão pela nuca.

— É... Menti. Aliás, como tu descobriu que eu tava aqui? A única pessoa que sabia era o Gil.

— E eu – Al confessou – Vocês conversaram na frente do meu portão. E daí eu acabei ouvindo.

— Então foi da tua casa que o Gil saiu hoje de manhã?

Dan encarou Al.

— É isso Alisson?

— Não rolou nada! – O outro falou já se alterando – Aliás, ele foi lá pra te defender ô garoto propaganda de pasta de dente!

— Me defender? Do quê? – Ian estava confuso.

— Ele me mostrou... Umas fotos de vocês... Quando namoravam.

— E por que ele fez isso?

— Pra me mostrar que nem tudo relacionado a gays é só sexo.

— Espero que tenha funcionado – Ian sorriu.

— Não vamos fugir do assunto – Al virou o jogo – Fala com o teu primo ai Daniel!

Dan suspirou, levantou-se e perguntou:

— O que tu sente por mim Ian? O que tu sente por mim de verdade?

CONTINUA