A Summers Love Story
4 Capítulo 4: Telefonema
Notas iniciais
Capítulo 4: Telefonema
- Maldito pervertido! Agora ele quer que eu dê uma de empregada para ele... – resmungou o jovem loiro que andava mal-humorado pelas ruas de Kyoto carregando consigo algumas sacolas do supermercado local.
Já fazia uma semana que ele estava na casa de seu padrinho, a chuva de verão continuava a cair em breves tempestades durante as tardes quentes, mas nada que fosse realmente difícil de lidar.
Sai, o jovem pintor que ele tinha conhecido em seu primeiro dia de férias, estava indo visitá-lo freqüentemente na casa de Jiraya, tirando que o garoto tinha um fraco para insultá-lo, até que a sua companhia era bastante agradável.
Eles não trocavam muitas palavras e Sai parecia não se importar, ele se sentava no jardim e começava a rabiscar traços da paisagem a sua frente em um caderno de rascunho enquanto era observado atentamente pelo loiro.
A semelhança entre Sai e Sasuke era inegável, ambos possuíam os mesmo traços que lembravam gueixas, seus olhos profundamente negros, pele clara... Porém a pele de Sai era muito mais pálida e isso lhe chamava a atenção, era muito diferente de sua pele bronzeada.
Por vezes, ele se pegou observando os movimentos dos finos lábios de Sai enquanto ele falava, pareciam ser doces... Aqueles lábios ligeiramente carnudos na parte superior.
- Ah! Merda! Por que estou pensando naquele maldito branquelo? – disse parando de repente agarrando os cabelos.
- Naruto-kun?
Naruto se virou dando de cara com Sai com seu sorriso evidentemente falso. “Em falar do diabo...”
- Sai? O que faz por aqui? – perguntou o loiro tentando iniciar uma conversa.
- Oh! Eu vi você da janela de minha casa... – respondeu o garoto apontando para uma casa tão grande quanto a de Jiraya do outro lado da rua. – E bem, eu estava lendo um livro... Nele estava dizendo que é bom ser cordial e convidar novos amigos para beberem chá.
- Ah... Você está me convidando para tomar chá... Na sua casa? – perguntou um pouco confuso.
- Sim, mas entendo se você não quiser. – respondeu com o mesmo sorriso de antes.
- Hum... – Naruto olhou suspeito para o garoto, porém aquelas histórias de livros e estes sorrisos os quais Jiraya tinha lhe dito serem falsos, estava o intrigando, talvez fosse uma boa hora para um pequeno interrogatório. – Certo, eu topo!
Naruto seguiu o moreno até a cozinha e colocou as compras que tinha feito para o velhote pervertido sobre o balcão e puxou um banco da mesma se sentando e observando Sai fuçar os armários a procura dos ingredientes.
O loiro não pode deixar de notar pelo trajeto que fez até a cozinha, como tudo naquele lugar parecia solitário. Ele não tinha visto ninguém, a decoração não ajudava a dar um sentimento alegre ali, não havia fotos em família, a única coisa que denunciava que aquela era realmente a casa de Sai, eram vários quadros espalhados pelas paredes e algumas até amontoados aos cantos dos aposentos.
- Sai... Onde está a sua família? – Naruto perguntou com medo de que estivesse se metendo na vida do outro.
- Família? – perguntou Sai tentando escolher as palavras para explicar. – é uma longa história, você não iria querer escutar...
- Se eu não quisesse, eu não estaria perguntando. – disse se irritando.
- Perguntar sobre a minha família é uma forma indireta que você está usando para descobrir por que eu pareço uma pedra sem sentimentos? – perguntou Sai mantendo o seu sorriso enquanto encarava o loiro.
- Eu... Bem... – o loiro se mexia desconcertado na sua cadeira e mantinha uma expressão assustada como se tivesse acabado de levar uma bofetada na cara. – Me desculpe, eu não quero me intrometer.
- Não se preocupe, eu vou te explicar, mas você vai ter que fazer algo por mim em troca. – disse sorrindo maliciosamente.
- E o que seria? – perguntou Naruto enrugando a testa.
- Deixe-me contar primeiro. – Naruto o estudou um pouco antes de incentivá-lo a prosseguir com um aceno de cabeça. – Eu sempre vivi com o meu pai, a minha mãe faleceu por causa de uma doença quando eu ainda era recém nascido... Meu pai nunca cuidou muito de mim e quando eu completei três anos de idade, ele se casou novamente e teve outro filho. Apesar de eu me senti um intruso nesta nova família, eu e meu novo irmão nos dávamos muito bem, ele era a única pessoa que eu realmente me importava, mas cinco anos atrás nós estávamos no bosque, e lá aconteceu um acidente e ele faleceu. Meu pai me culpou pela sua morte e tanto ele quanto a sua mulher, para tentarem superar a morte do meu irmão, passaram a viajar para se afastarem deste lugar e de mim.
- Sai... – sussurrou Naruto um pouco incerto.
- Meu irmão foi o único que me amou e depois daquele dia, eu fiquei internado no hospital por um tempo em choque com o que tinha acontecido, eu fui tão fraco... – disse ele olhando para suas mãos. – É estranho, mas eu não sei mais como sentir algo por alguém, eu não odeio meu pai e minha madrasta por me culparem, eu não sinto nada por eles e nem por ninguém...
- Gomen... – disse o loiro envergonhado por ter feito o garoto falar coisas tão dolorosas.
- Não tem com o que se preocupar, já disse que não sinto nada a respeito. – explicou Sai. – Agora tenho direito ao meu pedido?
- Acho que sim... – disse o loiro observando Sai se aproximar dele de uma forma que seus rostos ficaram de frente um para o outro, perigosamente próximo demais na opinião do loiro.
- Eu quero que você me ensine! Eu quero que você me fale mais sobre você, quero te conhecer... Sinto que você pode mudar algo em mim... – Sai o encarava com um olhar que penetrava até a alma do loiro o deixando tenso. – Você me faz lembrar ele... e por isso quero que me faça sentir novamente...
- Sai, eu não consigo entender. – perguntou o loiro confuso.
- Você não precisa. – disse o moreno se afastando do loiro.
~~.~~
Naruto entrou na casa de seu padrinho ainda distraído pelo que Sai havia lhe dito e foi para cozinha guardar os mantimentos que tinha comprado. Assim que terminou sua tarefa foi em direção as escadas que levava ao seu quarto, mas parou no primeiro patamar ao ouvir a voz de Jiraya falando ao telefone na sala de estar.
- Como ele está Tsunade? – ouviu o homem falando e sem pensar duas vezes ao perceber de quem se tratava a conversa dos dois, correu para o quarto do velho onde tinha uma extensão.
Com muito cuidado para não ser pego, ele elevou o telefone ao ouvido tomando o cuidado de tampar a base para não ser descoberto pelo barulho de sua respiração.
- Jiraya, pelo amor de Deus! Eu não sei mais o que faço com ele! A última vez que consegui falar com ele, Minato só ficava se lamentando, dizendo que não era um bom pai e que estava decepcionando Kushina por ter falhado. – Naruto pode ouvir a voz preocupada de sua avó na linha. – Pelo menos, as duas pessoas responsáveis pelo que fizeram ao Naruto resolveram contar o que aconteceu.
- E o que eles falaram? – Naruto não pode deixar de notar a voz grave de Jiraya.
- Bem, o que mais me assustou é quem fez isso, eram os melhores amigos dele! Eu não entendo onde eles estavam com a cabeça... Eles notaram a ausência do gaki na última semana de aula e parece que perceberam a gravidade do que fizeram... E bem...
— É verdade não é? Foi...
- Sim, foi isso... Você sabe como é grave a acusação de estupro e fiquei com um pouco de receio sobre a medida a ser tomada, mas de qualquer forma, tive que encaminhá-los a delegacia, mas só Minato poderia fazer a ocorrência, eu o chamei, mas ele não quis me escutar... Os dois saíram impunes, mas eu comuniquei aos seus responsáveis sobre o que fizeram, e Itachi, o irmão mais...
Naruto abaixou o telefone e o recolocou no gancho suspirado cansado, será que seu pai já havia lido a carta? Será que um dia ele iria o aceitar? Será que suas feridas iriam se cicatrizar?
Ele estava com saudades de casa...
Naruto se virou para a janela observando as nuvens negras aglomerarem no céu...
- Naruto! – ele ouviu a voz de seu padrinho o chamar no andar de baixo e saiu do quarto indo até as escadas observando-o vestir um casaco. – Estou saindo, tenho coisas a resolver, espero que não quebre nada enquanto estou fora...
- Por quanto tempo? – perguntou estremecendo ligeiramente com o barulho da tempestade que começava a cair.
- Não sei, dois dias no máximo, tem dinheiro no meu escritório se precisar... – disse olhando para o jovem observando seus tremores. – Tente suportar até eu voltar...
- Certo... Ero-sennin... – começou a dizer.
- Hei! Não me chame disso... – Jiraya o advertiu.
- Apenas... Tome cuidado... – disse ele recebendo um aceno de cabeça de Jiraya que saiu em seguida. – “Otou-san... A chuva está piorando...”
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