A Summers Love Story
5 Capítulo 5: Chuva
Notas iniciais
Capítulo 5: Chuva
- Okaa-san, já estamos chegando? – perguntou um jovem garotinho loiro de sete anos de idade sentado no banco traseiro de um carro, se esforçando para segurar as náuseas que sentia enquanto abraçava fortemente uma pequena raposa de pelúcia com nove caudas.
- Sim querido, logo estaremos no hospital e o médico te dará um remédio para ficar melhor. – disse a ruiva que dirigia o carro sorrindo para o retrovisor enquanto tentava guiar o carro as cegas em alta velocidade em meio a tempestade que caía para levar seu filho doente ao pronto socorro da cidade.
- Okaa-san... – resmungou um loiro tremendo assustado com o forte temporal que caía. – Foi minha culpa?
Naruto encolheu-se mais em sua cama, tentando ignorar os fortes lampejos de luz que iluminavam o seu quarto escuro.
Ele estava em pânico, não tinha o costume de ficar sozinho... Odiava quando chovia daquela forma, o fazia se lembrar...
Sempre quando chovia, ele se aninhava na cama de seu pai, mas agora... Ele nem mesmo tinha a companhia de seu padrinho ali, ele não sabia dizer até quando agüentaria ficar naquele lugar sozinho enquanto o céu desabava.
Foi mais um clarão de um raio que o fez se levantar reprimindo gemidos de medo.
Ele não iria ficar ali sozinho e com a sua decisão tomada ele desceu até a sala e pegou o telefone para ligar para certa pessoa e a convidar a passar a noite ali.
- Droga! – disse colocando o aparelho no lugar após descobrir que o mesmo estava mudo.
Sem ter muita escolha, Naruto saiu para a varanda e observou a rua escondida por uma espessa camada de neblina e respirando profundamente, começou a correr pela chuva o mais rápido possível até chegar a casa do pintor.
- Vamos... Abra a porta... – disse batendo sem parar na porta ao mesmo tempo em que se apoiava trêmulo nela.
A porta se abriu e ele sem muitas forças caiu nos braços daquele que a abriu.
- Naruto? – questionou Sai o segurando. – Você está bem?
- Estou... Eu acho... – disse Naruto respirando com dificuldade enquanto tentava recuperar a postura.
- O que faz aqui na minha casa molhado dessa forma? – perguntou observando o loiro com calma.
- É... O ero-sennin foi viajar e eu gostaria de saber se não posso ficar aqui com você...
- Claro que pode, mas não poderia esperar a chuva estiar para vir para cá? – perguntou ao mesmo tempo em que estreitava os olhos observando o garoto com olhos largos e trêmulos com a face ligeiramente avermelhada, a sua frente.
Naruto não respondeu, ficou fitando seus sapatos enquanto torcia a manga de sua blusa.
- Venha. – chamou Sai levando Naruto para um dos quartos da casa. – No armário tem algumas toalhas e se não me engano, também tem um roupão... Tome um banho, vou te esperar aqui fora.
Naruto fez o que lhe foi mandado ainda receoso e alguns minutos depois ele saiu do banheiro do quarto vestido com um roupão branco sendo observado atentamente pelos olhos de Sai.
- Vem cá... – Naruto caminhou até ele e se surpreendeu quando Sai colocou a mão em sua testa. – Você está um pouco febril... Bem, eu estou no quarto do lado e não se acanhe em me acordar se você se sentir mal.
E assim, ele foi abandonado dentro daquele quarto estranho. Ele se deitou e se enroscou no edredom tentando dormir.
~~.~~
Sai voltou ao seu quarto e foi até o banheiro, procurando no armário o seu remédio que o ajudava a dormir, voltou para a cama se deitando e adormeceu instantaneamente, tão profundamente que não percebeu alguém escorregar para sua cama e se aninhar debaixo de suas cobertas.
Só na manhã do dia seguinte que ele notou que sua cama parecia estar mais apertada que o habitual, sentindo uma fonte de calor envolta do seu corpo muito agradável. Ele abriu os olhos e observou Naruto entrelaçado com o seu corpo, dormindo pacificamente agarrado ao seu pijama.
- Naruto? – chamou Sai agitando levemente o ombro do loiro.
- Sai? – disse Naruto com o olhar sonolento. Demorou um pouco para que o loiro percebesse a posição intima em que se encontrava. – Gomen!
Naruto se separou envergonhado e se sentou encarando seus pés esperando que moreno dissesse algo.
- Bem, acho que sei o motivo de você estar aqui na minha cama Naruto... – disse Sai chamando a atenção do loiro. – Você não sairia da casa de Jiraya no meio da chuva e dormiria na mesma cama que a minha sem a minha permissão sem ter um bom motivo, certo?
Naruto permaneceu calado, não queria admitir que estivesse com medo da chuva, ele já se sentia humilhado o suficiente só por ter se esgueirado até a cama do moreno durante a noite.
- Naruto... Você estava com medo daquela tempestade não estava? – perguntou como se estivesse falando com uma criança de cinco anos de idade – Não acha que sou tonto de não ver que você estava em pânico quando chegou aqui não é mesmo?
- Me desculpe, eu não vou fazer isso de novo... – disse Naruto se encolhendo tentando afastar a lembrança daquele dia chuvoso...
- Eu não estou te repreendendo Naruto, eu não disse que queria te conhecer melhor? Apenas me conte... – disse ele puxando o rosto de Naruto em sua direção.
- Quando chove assim... Me faz lembrar... – disse ele inseguro, ele não gostava de falar sobre isso, mas sabia que era injusto, Sai tinha lhe contado algo doloroso também, mesmo que o moreno alegasse não sentir nada a respeito, ele podia ver a dor nos orbes negros. – Foi quando eu tinha sete anos... Eu fiquei brincando com alguns garotos na chuva e acabei ficando doente.
- Mas não é este o motivo, não é? Não é só por isso que você tem tanto pavor da chuva. – disse Sai esperando que o loiro continuasse.
- É. – disse Naruto respirando profundamente para continuar a contar. – Eu estava passando muito mal, estava com febre muito alta e não parava de vomitar. Um médico que era nosso vizinho me examinou e mandou minha mãe me levar imediatamente para o hospital, eu estava muito desidratado. Minha mãe estava me levando o mais rápido possível para o Pronto Socorro, mas chovia muito e não dava para enxergar a estrada e aí...
- E aí? – disse Sai incentivando-o a continuar, observando o loiro fechar os olhos com força.
- Okaa-san... A KitKyu caiu…- disse um menino começando a soluçar no banco traseiro.
A ruiva tateou o chão com uma das mãos a procura do bichinho de pelúcia, mas a sua outra mão que estava no volante escorregou e...
- Ela estava tentando pegar um maldito brinquedo que deixei cair e acabou capotando o carro... – disse ele em soluços estrangulados tentando recolocar as lembranças no fundo de sua mente. – desde então, eu não consigo ficar sozinho quando está chovendo e geralmente eu costumo dormir com o meu pai, mas...
- Se você não quiser continuar... – disse ele limpando carinhosamente as lágrimas das bochechas com bigodes de raposa.
- Meu pai... Ele não me quer mais como filho... Tudo por culpa daqueles cretinos! – Naruto socou o colchão. – Mas eu não posso culpá-los né? A culpa é minha, se eu não tivesse matado a minha mãe...
- Pare! Não me diga que você se culpa pela morte dela... – disse Sai levantando a mão para fazer o loiro parar de falar. – Foi um acidente!
- Não foi! Se eu tivesse obedecido ela e ido pra casa quando ela mandou, eu não teria adoecido e ela estaria viva! – Naruto já estava em pedaços, chorando incontrolavelmente, totalmente perdido com a culpa e a dor que sentia.
- Eu sei como se sente...
- Não! Não sabe, como poderia...?
- Meu irmão... Eu poderia tê-lo salvo, mas eu não consegui ser rápido o suficiente... Eu hesitei, fiquei com medo... – Sai o encarou com frieza. – Essas coisas acontecem Naruto, se eu fosse me culpar, eu teria enlouquecido, então, por favor... Sem auto-piedade, aceitar é o primeiro passo, já se passou muito tempo desde que sua mãe se foi, já está na hora de aceitar...
Naruto o encarou surpreso, até que para um cara que parecia uma pedra sem sentimentos ele tinha razão. Ele pensou um pouco a respeito tentando se acalmar.
- Agora me conte o que seu pai tem haver com essa história e por que você está aqui em vez de estar em Tokyo. – pediu Sai ao perceber que Naruto estava calmo o suficiente para continuar.
- Meu pai, para tentar diminuir o sentimento de culpa que eu sinto, ele prometeu pra Okasan que seria o melhor pai do mundo, acho que ele também se culpa pelo que aconteceu, ele trabalhava muito e no dia ele estava fazendo hora extra no trabalho. – Naruto parou por um momento, tinha medo de entrar em detalhes sobre o que acontecera recentemente. – As duas pessoas que eu considerava como irmãos, me traíram, fizeram uma brincadeira de muito mau gosto comigo, se aproveitaram dos sentimentos que eu sentia por um deles. O menino que você me ouviu chamar, Sasuke, ele era considerado o meu rival e melhor amigo no colégio, mas eu...
Como explicar sua preferência sexual? Como dizer a ele que foi estuprado e expulso de casa? E se ele o odiasse?
- Não tenha medo Naruto, continue... – incentivou o moreno.
- Eu o desejava, Sasuke... Outro garoto, eu o queria de uma forma que não é bem vista na sociedade. – disse parando para ver como Sai estava encarando isso.
- Você é gay... Certo, continue... – Naruto sentiu-se aliviado e prosseguiu.
- Ele e Sakura, os meus melhores amigos, armaram contra mim e se aproveitaram de meus sentimentos, Sasuke me estuprou no vestiário após me dopar e Sakura tirou fotos e espalhou pelo colégio... Meu pai descobriu tudo e ele me renegou... – disse por fim se levantando e caminhando em direção a porta. – Entendo se você me odiar agora e não quiser me ver...
Ele foi interrompido quando tentou sair, o moreno o puxou pelo braço o segurando em um abraço apertado, deixando que o loiro chorasse em seu peito deixando toda a sua dor acumulada sair para fora...
Continua...
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