Notas iniciais
Olá! Há quanto tempo, né? ^^' Por favor não me matem... Esse atraso todo não estava em meus planejamentos.
Gostaria de agradecer a minha amiga French Lily por me ajudar com a história, tipo betando-a para mim, e queria dedicar este capítulo à JL (parabens!! =3)
Bem, agora só me resta desejá-los uma boa leitura.^^

Estou confuso.

Jogo água em meu rosto, desesperado. Por que as lágrimas não param? Fecho a torneira da pia e puxo a toalha de rosto, esfregando-a na face molhada. Passo as mãos pelos cabelos, puxando-os para trás. Sinto batidas fortes e aceleradas em meu peito, chegando a doer-me.

Saio cambaleando do banheiro, aliviado por ter finalmente tomado o controle de minhas próprias emoções. Sento-me diante do piano — não ousaria me aproximar do sofá, tendo em vista o que ocorrera há pouco.

As lembranças me invadem a mente. Os toques, sussurros e lábios do prussiano me tocando e provocando, desejando profundamente levar-me à loucura. E eu quase cedi à tentação! Digo, não posso negar que ele me tentou e que quase atendi aos pedidos e desejos que surgiam, tanto do corpo de Gilbert quanto do meu próprio...

Suspiro. Afinal, o que eu quero realmente? Eu desejo ser tocado desta maneira? Eu desejava todas essas marcas cobrindo-me o corpo?

Fito o vazio, esperando que as respostas para todas as minhas perguntas surjam do nada. O que eu sinto pelo prussiano não é nada além de compaixão. Além disso, nos conhecemos desde muito jovens, logo, ter todas essas dúvidas e incertezas é normal. Certo?

Meu peito bate forte. Por que ele adora tanto me provocar desta maneira? Mesmo que desta vez ele tenha ido um pouco mais longe do que de costume, essas atitudes irresponsáveis são até que bem constantes. Ele nunca pensa nos sentimentos dos outros? Ainda bem que ele foi embora, porque desta vez ele passou dos limites! Mas... Por que agora me sinto tão vazio?

A chuva cai pesada do lado de fora, enquanto uma estranha quietude domina o interior de minha casa. É como se algo estivesse fora do lugar, como se faltasse alguma coisa importante naquele cenário. Sinto-me infeliz.

Lágrimas voltam a se formar nos cantos dos meus olhos, mas essas são mais fáceis de conter. O que diabos está acontecendo comigo afinal?

Levanto de sobressalto ao ouvir o som da campainha. Algo me preenche o peito, um sentimento confuso e inexplicável, embora a raiva seja sempre mais forte. Então ele havia voltado para... terminar o serviço? Muito bem! É agora que cobrarei todas as explicações que me são devidas!

Abri a porta apressado, pronto para soltar todas as minhas frustrações em cima do albino, mas não era ele. Meu peito se apertou como nunca antes.

– Aqui está a sua pizza.

Suspiro. Ponho a mão no bolso e puxo uma nota qualquer, que é estendida ao entregador.

– Ah... Senhor... – o homem olha incrédulo para a nota de cinquenta euros que está em suas mãos.

– Não precisa de troco. – interrompo-o, fechando a porta na cara do rapaz. Se eu estivesse em meu estado normal de razão, nunca teria permitido aquele tipo de prejuízo, afinal, eu havia dado uma caixinha de quase trinta euros para o entregador.

Encosto na porta, com a pizza ainda nas mãos. Ouço o som de uma motocicleta, que se afasta. Um enorme vazio domina o meu interior. Não era ele, afinal...

Caminho de volta à sala e coloco a pizza em cima da mesa da cozinha. Não estou a fim de comê-la... Só de olhá-la, meu estômago se embrulha todo.

– Por que ele tinha que querer tanto te comer? – murmuro, irritado, olhando fixamente para a pizza ainda em cima da mesa.

Suspiro novamente. Que patético. Estou falando com minha comida... Era realmente só o que faltava! Gilbert, se agora estou beirando a loucura, falando até com objetos inanimados, a culpa é sua!

...

Não aguento mais. Preciso entender o que houve ou vou surtar de verdade. Meu coração está acelerado e meu corpo e mente imploram pela presença do albino. Não sei o que se passa comigo, mas, levado por aqueles sentimentos, eu vou em direção ao átrio.

Saio porta afora, apressado e com o coração na boca, usando apenas a roupa do corpo. Somente Deus sabe o que essas ações causarão num futuro bem próximo. Está frio e chove razoavelmente forte. Desejava ter pegado um guarda-chuva, ou, ao menos, um casaco... Mas meus pés não me permitem voltar, e caminham velozes até a casa do prussiano.

Ele morava um tanto perto de mim, logo não demorei mais de vinte minutos sob a chuva gelada até que alcançasse a porta da casa dele.

Sem qualquer cerimônia, abro a porta — que, como já me era previsto, estava aberta. Sim, porque aquele idiota não se dá ao trabalho nem de trancá-la!

Entro na casa, o coração batendo forte, e o prussiano aparece sem demora, com uma cara estúpida que mesclava um quê de espanto e de pura surpresa. Ao me ver parado ao lado da porta, agora já fechada, apesar de ainda não estar trancada — pois eu é que não iria me trancafiar junto daquele animal -, sorri e se aproxima lentamente, com as duas mãos nos bolsos do moletom.

– Rod? O que faz aqui? Pensei que era o Lud que havia chegado. – ele balança a cabeça da direita para a esquerda, rindo-se baixo – Você não devia invadir a casa dos outros, que coisa...

– Calado. – pronuncio, interrompendo-o bruscamente.

O albino olha-me perplexo.

– Você não devia interromper minha incrível pessoa, porque tudo que eu falo...

– Calado. ...Por favor. – dou uma breve pausa – Não estou com humor para suas piadas ridículas. – passo a mão pelos cabelos, puxando-os com força para trás e fazendo com que uma boa quantidade de água escorra-me pelos ombros.

Ele revira os olhos, para logo depois abrir um largo sorriso.

– Então, o que o traz a minha incrível, porém humilde, residência, meu caro aristocrata? – diz, fazendo uma longa reverência, provocando-me propositalmente.

Eu simplesmente não cairia em suas tão óbvias e ridículas tentativas de me enfurecer. Retiro os óculos do rosto, segurando-os entre os dedos, puxo um pequeno lenço do bolso de minha calça e esfrego-o nas lentes, que estavam molhadas por causa de bruta chuva que tive que pegar no caminho. O prussiano apenas me observa, calado.

– Você sabe muito bem que temos alguns assuntos inacabados, Gilbert. – declaro, calmamente, enquanto pouso o óculos sobre o topo de meu nariz.

O albino encara-me surpreso, com a boca entreaberta. Eu apenas o observo, levemente curioso pela sua reação. Ele abre um sorriso de puro deboche e euforia, porém ainda tem as feições cheias de surpresa.

– Rod, eu não sabia que você podia ser tão direto! Ksesesese – ele solta uma alta e indiscreta gargalhada. – Se você desejava tanto assim ter o meu corpo nu, era só ter falado!

Coro instintivamente. O coração parece que vai me subir à garganta, de tão forte que bate.

– Não... Não é nada disso! – tento corrigi-lo às pressas, ao que minhas palavras saem um tanto trêmulas e meu rosto começa a arder.

Ele sorri maliciosamente.

– Rod, você está todo molhado. Devia se livrar dessas roupas...

Agarro-me a minha própria camisa, com medo de qualquer ato que pudesse ser realizado pelo outro. Ele não falava sério, falava?

– Não chegue perto de mim, entendeu?

Ele apenas revirou os olhos outra vez, encarando-me fixamente. Olhava-me de cima a baixo.

– Você não está com frio?...

– Não. – respondi, de pronto.

– Então, por que está tremendo todo? – diz, cruzando os braços, ainda com aquele sorriso perturbado no rosto. – Não me diga que é só por causa da minha incrível presença!?

Meu corpo realmente treme e, além disso, está bem gelado. No entanto, sou incapaz de dizer se por culpa do frio, somado ao meu corpo encharcado e às correntes de ar que me seguem desde a rua, ou se pela presença tão próxima de Gilbert. Mantenho-me calado, ainda agarrado às minhas roupas.

Mantemos alguns minutos de silêncio, apenas trocando olhares. Por algum motivo, não consigo me desviar de seus olhos vermelhos. Eles me atraem e, quando os encontro, não consigo ver mais nada — o meu mundo se resume àqueles dois orbes escarlates.

– Então, o que você quer comigo afinal? – ele diz, quebrando o silêncio.

Sinto meu peito acelerar. Eu já havia até mesmo esquecido o motivo inicial de minha repentina visita ao prussiano.

– Eu... – meu coração bate alto e forte, e não consigo conter o rubor que me vem à face. – Eu quero saber por que você... – falar aquelas poucas e simples palavras acaba por se revelar uma tarefa muito mais difícil do que eu previra.

Sou incapaz de falar qualquer coisa: as palavras simplesmente me fogem, enquanto Gilbert encara-me ansioso pela resposta. Fecho os olhos e respiro fundo. Quando se tratava do albino, quaisquer planos ou intenções de minha parte nunca conseguiam concretizar-se.

– Vou embora. – anuncio, virando-me à porta, arrependido de ter ido à procura de Gilbert.

– Não vai não.

O prussiano agarra-me pelas costas, grudando o corpo dele ao meu. Aquele contato um tanto inesperado surpreendeu-me e não pude impedir os tremores que se seguiram. A pele dele queimava-me de tão quente.

– Rod, sinto muito, mas você não vai a lugar nenhum nesse estado.

– O que você...

Não consigo completar a frase. Meu rosto arde e eu me vejo dominado pelo cansaço. Sinto a força me escapar aos poucos, fazendo-me desabar nos braços do albino. Tudo está escuro e só o que ouço é a voz de Gilbert chamando-me pelo nome.

Notas finais
E aqui termina o segundo capítulo. Já escrevi metade do próximo, que espero que seja o último.
Agora me deixem reviews, porque estou com ficblock e sou vou conseguir continuar com o apoio de vocês leitores. Se não me deixarem reviews só Deus sabe quando vou conseguir terminar, ouviram? ^^
E me deixem críticas e sugestões se posível. Viu algum erro? Me avise, por favor!!
BJJS e até o capítulo 3!