A Stopped Clock
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Boa leitura. .-.
Capítulo 3
Estou atordoado.
Meus olhos se abrem lentamente e a claridade me incomoda.
Percebo um teto muito branco, o que só aumenta ainda mais a claridade do local. Mas, afinal, onde estou?
Apóio a mão na superfície em que me encontro deitado. É macio... Sento-me, descobrindo um amplo quarto de paredes muito brancas, cobertas por vários pôsteres, algumas estantes com CDs e até mesmo uns poucos livros empilhados em cima de uma bem ajeitada escrivaninha.
Estou deitado numa enorme cama de casal e um fino lençol me cobre o corpo ainda levemente molhado. Sinto um pouco de frio...
Tento, com algum esforço, levantar-me... Pelo meu santo Deus! Por que diabos eu estou sem roupas?!
Volto a deitar as costas no colchão, coberto ainda apenas pelo lençol, e tento recordar o que acontecera. Eu estava andando na rua, indo apressado para algum lugar. Eu sentia frio e meu corpo tremia muito, mas meu rosto estava quente, muito quente... E... Cabelos brancos... Sim! Gilbert! Eu fui vê-lo, e...
Sinto meu rosto esquentar. Ele me segurava tão gentilmente... Volto a sentar-me na cama, com o coração saindo pela boca. Ele não teria... Não enquanto eu... Eu... Envolvo meu corpo com os braços, aflito só de pensar no que talvez me tivesse ocorrido.
Meu coração bate acelerado e o desespero me consome completamente. Mas o que acontecera, afinal?
O albino então aparece, segurando minhas roupas, que estavam dobradas e ajeitadas em suas mãos. Arregalo os olhos ao vê-lo entrar tão calmamente no quarto, enquanto meu corpo já se arrepiava todo.
– Ah, Rod, você acordou! – diz, ao me ver sentado na cama. Ele me olha de cima a baixo, fazendo-me puxar o lençol até o pescoço.
– O que você fez? – percebo o desespero que transparece em minha voz.
– Ah?
– Gil... Você não... Nós não...
As palavras não conseguem me sair boca afora e viro a cabeça para o lado, com o rosto muito corado. Simplesmente não consigo encará-lo, porque sei que, agora, aquele par de olhos de um vermelho tão intenso está fixado em mim. Ele solta uma alta gargalhada, o que me faz voltar a fitá-lo de frente, raivoso e constrangido.
– Calma, meu caro aristocrata. Não precisa se preocupar. Nós não transamos... – ele abre um sorriso cheio de deboche e abana a mão diante do rosto, apenas para depois começar a se aproximar. Um olhar perturbador e malicioso é tudo o que vejo em seu rosto. – Mas... Se for isso que você tanto deseja, sempre podemos dar um jeito, não é, Roderich?
Sinto-me estremecer. Ele se aproxima lentamente, o sorriso cada vez maior, largando a muda de roupas em algum canto. Ele sobe na cama e começa a engatinhar até mim, e, por mais que eu saiba que deveria fazer algo, as minhas pernas simplesmente não se mexem, fico apenas observando sua aproximação.
Ele apóia a mão em meu peito, e, com um súbito movimento, me empurra com tudo na cama, deitando-me, e se põe sobre mim, com suas pernas de cada um dos dois lados de meu tronco. A mesma cena se repetia e eu apenas aguardo o encontro dos lábios dele com os meus. Fecho os olhos com força, podendo, muito claramente, ouvir as batidas aceleradas de meu coração.
Abro os olhos quase que instantaneamente, ao sentir o inesperado contato de um pano quente e úmido em minha testa.
– O que está fazendo...? – minha voz transparece toda a minha confusão.
– Cuidando de você, oras. Você estava ardendo em febre até agora a pouco, mas parece que já abaixou quase que por completo... – diz, calmamente, encostando as costas da mão em minha testa.
Encaro-o, surpreso. Quer dizer que ele não fez, ou pretendia fazer, nada? ... Por algum motivo, sinto-me angustiado. Ele nem ao menos se sentiu tentado?
Ele se afastou um pouco, sendo seguido pelo violeta dos meus olhos, e sentou-se aos pés da cama. Ele já não olhava para mim, mas para a janela, e me parecia muito distante.
– Você deveria se vestir logo. Eu sequei suas roupas, não se preocupe. – diz, e sua voz tem um tom monótono enquanto ainda olhava pela janela.
–... Obrigado... – digo, ainda sem entender o que acontecia com o albino.
Ele se levanta calmamente e parte em direção à sala. Meu peito se aperta enquanto sigo-o com os olhos. Não sei por que, mas não quero que ele se afaste... Eu movimentos inconsientes, agarro-me ao lençol, envolvendo bem o meu corpo ainda nu, e levanto da cama às pressas. Seguro o albino pelo braço firmemente, para sua surpresa.
– Rod? O que está fazendo? – ele se vira para mim, atordoado, arregalando os olhos logo a seguir – Seu rosto tá vermelho de novo! Volta já pra aquela cama que eu vou buscar um cobertor!
Ele retira a minha mão de seu braço e vira-se para a porta novamente, dando-me as costas. A angústia em mim só aumenta. Ele começa a se afastar e permaneço estático no centro do quarto. Ele não percebe que não quero que ele vá? Envolvo-o pela cintura, abraçando-o forte.
– Errr... Aristocrata... Acho que sua febre deve estar mais alta do que eu havia pensado. Você está delirando?
– Gil, não vai embora... – murmuro baixinho.
Ele fica em silêncio.
– Por acaso esqueceu que você está nu? Não tem medo do que eu posso te fazer? – diz em um tom relativamente sério.
Sinto meu corpo estremecer. Aperto-o com mais força, escondendo meu rosto no seu dorso. Ele volta a se calar.
– Não seja idiota... – digo levemente revoltado – Você não fez nada até agora, por que faria desta vez então? Se você realmente me quisesse, já teria me feito seu bem antes... – as palavras doíam-me ainda mais o peito, mas simplesmente insistiam em sair.
Ele se vira, encarando diretamente os meus olhos violetas, as feições chocadas e os olhos sérios. Parece travar uma terrível luta consigo mesmo. Olho-o fixamente, tendo pleno conhecimento do rubor que me tinge o rosto. Permanecemos em silêncio, estáticos.
A distância de nossas faces começa, subitamente, a diminuir. Ele se aproxima lentamente, fazendo com que meu coração palpite forte. Se antigamente eu reagiria virando o rosto instantaneamente, agora, só de pensar em impedi-lo, meu peito se contrai em dor. Mesmo assim não consigo mais encará-lo. Fecho os olhos com força, aguardando apenas os lábios do prussiano.
Meu coração acelera mais e mais. Vejo-me ansioso, desejando o contato imediato de nossos lábios. Já sinto a sua respiração quente contra a minha boca – a distância entre nossos rostos está em questão de milímetros.
O telefone toca.
Percebo a distância entre nossos rostos começar, gradativamente, a aumentar, logo depois ouvindo o albino responder ao telefone com um típico “Alô?”. Abro os olhos, apenas para vê-lo apoiado sobre o parapeito da janela com o celular encostado à orelha. Eu queria saber qual a expressão presente em sua face, mas ele está de costas, debruçado para fora. Sinto um enorme vazio no peito.
Largo as beiradas do lençol, permitindo que ele me escorresse pelo corpo até tocar o chão — simplesmente não queria mais ter que segurá-lo — e embrulho meu corpo com os braços, ainda observando o albino que continuava a falar ao telefone. Está frio. Caminho em direção a muda de roupas trazidas há pouco por Gilbert, vestindo-me velozmente. Enquanto fechava o botão de minha calça social, olho-o de esguelha: ele ainda falava no celular.
Ele devolve o aparelho ao bolso e solta um longo suspiro, virando-se para mim logo a seguir. Encaro-o, ainda sem saber ao exato o que sentia. O albino se aproxima, com certa determinação no olhar. Eu apenas o sigo com os olhos, parado no mesmo lugar de antes.
– Rod... – ele passa os dedos pelas bordas de minha camisa branca, segurando-a – Você se esqueceu de fechar os botões... – dá uma rápida pausa – Você está se sentindo bem?
– S... Sim. – respondo, o rosto tomado por uma coloração rubra.
Observo os dedos dele mexendo lentamente em minha blusa, fechando um botão por vez. Ele me parece triste, mas deve ser só impressão minha...
– Você está bem?
– Ah? – ele me olha confuso – Quem está doente aqui é você, Rod.
– Tolo, não estou me referindo a isso.
– Você me parece bem melhor. Será que você é sempre carente daquela maneira quanto está febril? Ou será que se foi porque você estava sem roupas? Devíamos tirar isso à prova, o que acha? – provocou-me.
Subo os óculos até o topo de meu nariz, furioso. Porém, não pelas piadas estúpidas — eu já estava muito bem acostumado a isso — e sim por ele estar, obviamente, tentando desviar ao assunto.
– Você realmente não é nada além de um tolo. – completo, irritado, direcionando-me à sala.
O albino me segue do quarto até o átrio, calado.
– Tenha uma boa noite. – digo, pegando na maçaneta, mas sendo impedido de sair pela sua mão que foi rapidamente apoiada à porta.
– Você não tem que ir agora... Ainda está cedo...
– Cedo? – ergo a sobrancelha, indignado com suas palavras – Já se passaram das onze...
Ele solta uma alta e forçada gargalhada.
– Não é tarde! – afirma confiante.
– Eu quero ir embora, Gilbert...
– Aposto que não quer. Quem iria preferir ficar em casa sozinha a ter a minha inestimável companhia?!
Encaro-o, impaciente.
– Certo, então. – respondo, ao que o albino abre um largo sorriso de vitória – Com a condição que você me fale o que tanto o incomoda. – completo.
O sorriso no rosto dele despenca, porém ele ainda assim tenta agir como se o que havia lhe dito não o abalara. O que não funcionou.
– Ah? Do que você está falando? Não tem nada me incomodando! – diz, um sorriso torto tentando manter-se na sua face.
– Então não vejo motivos para permanecer nem mais um minuto neste local. Por tanto, peço que retire o braço da porta. – digo, calmamente.
– Oras, Rod! Não vou deixar você andar sozinho pela rua! Caso você já tenha se esquecido você desmaiou, e não faz tanto tempo assim.
–... Por acaso está com medo de ficar sozinho? – levanto a sobrancelha.
– Ah? É claro que não. – ele faz uma careta, como se eu tivesse dito uma grande estupidez.
– Pois foi o que me pareceu.
Ele encara-me, perplexo. Nunca pensei que fosse possível deixar Gilbert sem reação. Solto um longo suspiro.
– Eu vou ficar bem, não se preocupe.
– E se não ficar?
Senti meu rosto esquentar. Por que isso insiste em acontecer quando estou perto do albino? Simplesmente não consigo conter o rubor de me tingir o rosto e meu coração acelera inexplicavelmente. E porque, por mais que eu saiba que devo ir embora o mais rápido que me for possível, meu peito implora para que eu fique? Desde quando a presença de Gilbert tornou-se tão essencial?
– Rod, eu estou pouco me importando pro que você acha disso. Você vai passar a noite aqui querendo ou não. – diz, de repente adquirindo as feições mais sérias que eu já havia visto em seu rosto.
Engulo o seco. Como eu poderia negar se eu não conseguia nem mesmo pronunciar qualquer palavra?
Notas finais
Mais uma vez, desculpem por qualquer atrocidade que eu tenha cometido - volto a lembrá-los que gramática não é minha melhor matéria -, mas eu juro que dei meu melhor corregindo a fic, o que não é uma tarefa nada fácil...
Estou esperando reviews, por isso não me façam cortar os pulsos (just kidding... or not).
BJJS! ^^
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