Notas iniciais
Olá! Atrasada com sempre, já sei... Acho que vocês até já se acostumaram -ne? ^^'
Este capítulo tá bonitinho! xD Gostei dele, apesar de ele não ter nada de muitoo especial. =] Mas, claro, a única opnião que me importa é a de vocês. ^^
Por isso, boa leitura!

Estou desanimado.

Hoje é o dia limite do prazo estabelecido ao pagamento da dívida dos irmãos Beilschmidt, motivo pelo qual a noite passada foi tão angustiante e mal dormida. Além disso, hoje eu também me despediria definitivamente de meu piano.

Depois de me arrumar rapidamente, vou à cozinha, começar o preparo do desjejum — que se resumia em um pouco de chá preto e alguns muffins de baunilha. Eu terminava de ajeitar a mesa, ainda preso em meus devaneios, quando o soar da campainha me despertou. Apresso-me em direção à porta e abro-a rapidamente.

Francis Bonnefoy cumprimenta-me, primeiramente com um sorriso, mas não demora a me estender a mão, a qual aperto, apesar de um tanto relutante. O francês logo me solta, esticando o pescoço para os interiores de minha residência.

– Então, já posso levar o piano?

– Sim. – respondo, baixo. Eu ainda não acreditava que meu piano estava realmente partindo...

Ele sorri, e, em um singelo aceno, chama alguns funcionários que contratara especialmente para o transporte do instrumento, que logo se apressam casa adentro, acompanhados de variadas ferramentas para o desmonte. Não muito depois disso outro loiro surge, seguido por uma jovem menina.

– Bom dia, Rod. – diz a jovem, em sua voz aguda.

– Bom dia. – digo, cumprimentando ambos.

O suíço encara Francis com certo desprezo, o que este percebeu, retribuindo apenas com um sorriso e um aceno distante — talvez ele já saiba que com Vash Zwingli brincadeiras são pagas a um preço alto.

Vash logo deixa seu desprezo de lado, fazendo de mim seu novo foco de atenção.

– Vamos, Roderich? – diz, como sempre firme em suas palavras.

– Claro, mas... – olho do francês à Lili, e depois à minha casa – Tem certeza de que não tem problema deixá-la sozinha?

– Não se preocupe. Francis é um velho conhecido meu. – ele abre um sorriso sádico. – Ele já sabe muito bem onde não deve mexer.

– Tem certeza?

– Temos coisas a resolver, não temos? A Lili pode muito bem acompanhar o serviço enquanto vamos ao banco.

Nada respondo, mas também não me movo. Ele realmente tinha certeza? Eu não desejava ser culpado por nada que pudesse acontecer, além disso, eu poderia muito bem ligar para Elizaveta...

– Monsieur Roderich, Monsieur Vash, ainda não foram? – o francês se aproxima, com as mãos na cintura, e mais uma vez interrompendo meus pensamentos. – Desse jeito não dará tempo. Os bancos irão fechar cedo hoje, esqueceram?

– É claro que não esquecemos! Como eu poderia, sendo que trabalho lá? – responde um irritado Vash Zwingli.

O francês leva a mão ao queixo, pensativo, e, depois desse simples e desnecessário gesto, suspira, claramente decepcionado.

– Podem ir tranquilos. Eu não toco em menininhas virgens e indefesas. Não é de meu feitio.

Algo em suas palavras tornava-as inquestionáveis; ou talvez fosse o simples fato de que eu não conseguia imaginar o senhor Bonnefoy se aproveitando de alguém como a Lili. Ele se mostrara um cavalheiro, apesar de tudo.

Olho para a garota, procurando por algum sinal de relutância, mas ela apenas sorri e acena com a cabeça. Meus olhos então caminham ao francês, que me manda uma descarada piscadela. Bem... Os vizinhos estão sempre de olho, certo? E não pretendemos demorar muito.

Caminhamos rua afora, ambos em passos corridos; nenhum de nós desejava que a pequena ficasse tempo demais com o francês. Eu sentia que o suíço não era nada a favor da ideia de abandonar a irmã sozinha com Francis, mesmo que aparentemente seus motivos fossem outros.

Caminhamos ligeiros pela rua, a ansiedade tomando-me cada vez mais o corpo; afinal, íamos ao banco, pagar a dívida responsável por tantos problemas.

Seria esse finalmente o fim?

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Não demoramos nem uma hora para voltar, mas, mesmo assim, quando chegamos, não havia mais ninguém em minha casa, apenas a jovem Lili, que se encontrava apoiada sobre o parapeito da janela da sala. Um suspiro de alívio escapa-me pela boca; eu realmente me preocupei com o que a poderia acontecer em nossa ausência...

Adentro, seguido de perto pelo suíço. Meus olhos logo caíram sobre o vão, anteriormente ocupado pelo meu querido piano, e um aperto no peito se seguiu. Mas já não há nada a ser feito. Valeria a pena no final. Ou, pelo menos, isso eu espero.

Seguimos à cozinha, junto da menina que não demorou a se juntar a nós. Alguns muffins ainda permaneciam no forno e foram servidos juntos ao chá feito pela manhã. Não é nenhuma grande refeição, mas é o mais satisfatório que eu poderia oferecer imediatamente.

A jovem senta-se ao lado do irmão, logo puxando um dos muffins que estavam servidos em uma bandeja simples e devorando-o rapidamente. O suíço apenas bebe do chá; doces nunca foram a sua maior preferência. Não estou com fome, por isso me limito a assistir a pequena comer com afinco.

– Desse jeito você não vai almoçar, Lili. – diz o suíço, puxando um guardanapo e limpando a boca da jovem.

–E-Eu podia fazer isso sozinha... – diz, pegando o guardanapo da mão do maior, uma coloração rubra tomando-lhe face.

Sinto-me sorrir: aquela era uma cena muito agradável de se ver. Faz-me lembrar dos tempos em que eu era mimado pelo suíço... E isso já foi há muitos anos.

– Ei, Rod. – diz ele, me despertando de mais um de meus devaneios. – Você sabe que o Gilbert não vai simplesmente aceitar isso, não sabe?

Abaixo a cabeça, ato acompanhado de um suspiro cansado.

– Sim. Estou mais do que ciente desse fato.

– Assim que ele perceber o que você fez, ele não vai sossegar até você dizer o motivo da ajuda. – ele dá uma curta pausa, encarando-me fixamente nos olhos. – Você também sabe disso, não é?

Em um balançar da cabeça respondi que sim. Gilbert com certeza me encherá de perguntas, que não poderei simplesmente deixar de responder. Apoio a cabeça numa das mãos, pois esta já pesava só de pensar no que poderia acontecer. Eu ainda não estou pronto para revelá-lo meus sentimentos. Não sei sequer como farei para beijá-lo!

O suíço se levanta, acompanhado pela irmã — que o imitou apesar de ainda não ter realmente terminado o muffin que tinha nas mãos, o qual agora era comido com certa pressa.

– Temos que ir. Acho que agora você deveria pensar cuidadosamente no seu próximo passo.

Nada respondo.

Acompanho-os até a porta, sem que qualquer outro som fosse trocado entre nós. As palavras do suíço ecoavam em minha cabeça e não consegui que nenhum outro pensamento me surgisse; motivo esse que explicava o total silêncio que se formou no pequeno trajeto até o átrio.

– E nem pense em me pedir qualquer favor pelos próximos dez anos! Você deve se virar sozinho a partir de agora. E é agora que eu lhe digo que eu o avisei. – ele dá uma curta pausa, sorrindo satisfeito, o que serviu apenas para aumentar ainda mais o peso que eu já tinha sobre os ombros. – Não há mais volta. Lembra?

Senti-me engolir em seco. Por que ele sempre tem que ser tão direto? Eu sei muito bem o que me aguarda!

– Então até mais, Vash. – digo, estendendo a mão.

Ele pareceu pensar um pouco antes de abrir a boca novamente.

– Até mais, Roderich. – diz o loiro, caminhando para a rua e ignorando a mão que ainda se encontrava estendida.

Recolho a mão, abobado. Ele às vezes é o maior dos idiotas... O que custava?! Suspiro, tentando manter a calma. A menina permanece imóvel, me encarando com seus grandes olhos.

– O que foi, Lili? – pergunto, quando finalmente dou-me conta de que algo a preocupava.

– Ah... Bem... Sei que suas intenções são boas e... Ah... Boa sorte, Rod! – diz, com a voz aguda trêmula. Curva o pequeno corpo em uma rápida reverência e logo se apressa atrás do irmão que já alcançava a calçada.

Ela não percebeu, mas suas palavras não foram totalmente vazias. Por algum motivo, senti-me mais tranquilo. Talvez Vash pensasse o mesmo? Talvez Francis Bonnefoy não seja apenas um pervertido? Iria Gilbert compreender meus motivos se eu os explicasse, ou ele apenas riria em deboche?

Caminho de volta à sala, novamente sendo incapaz de controlar o rumo de meus olhos. O piano se fora há menos de um dia e sua falta já me trazia um vazio indescritível.

Mas, mais importante que isso: o que eu faria agora?

Aquele maldito beijo não me sai da cabeça...

Sinto a exaustão tomar-me a mente; meu cansaço não era mais físico, mas psicológico. Era meio dia e nunca pensei que um dia pudesse desejar tanto uma caminhada pela rua.

Eu não aguento mais ficar nesta casa.

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E é por isso que, agora, exatamente à uma da tarde, me encontro sentado em uma das muitas mesas de um belo café, numa grande praça local.

O frescor das várias brisas, de alguma forma, ajuda-me a acalmar, apesar de eu ainda sentir minha cabeça um tanto pesada. Porém, o belo ambiente e o cantar de algumas poucas aves eram como uma sinfonia tranquilizante e eu sinceramente esperava que elas melhorassem um pouco o meu estado. Eu devia sair de casa mais vezes... Talvez agora este se torne meu novo passatempo, quero dizer, agora que não mais tenho um piano em casa, terei de arrumar algo novo para ocupar minha rotina...

Levo à boca uma garfada do bolo que repousa sobre a mesa. Delicioso. O sabor doce do chocolate realmente cai muito bem com o creme de maracujá...

– Hum! Isso parece bom.

Um repentino toque em meu ombro, acompanhado de uma voz familiar, surpreende-me. Levanto os olhos rapidamente, deparando-me com Francis Bonnefoy.

– Posso pegar um pedaço?

– Ah? O quê?... Ei!

Ele agarra minha mão e leva o pedaço que eu tinha garfado até a própria boca. Sinto-me perplexo.

– Por que fez isso?! – pergunto, irritado, entregando o resto do bolo ao francês, claramente desagradado. Eu não mais me sentia com fome, e algo me dizia que se eu não desse o bolo a ele, o que se sucederia ser-me-ia ainda mais indesejado que ficar sem meu doce.

Ele sorri, aceitando a metade restante da fatia.

– Os bolos daqui são uma delícia, não acha?

– Sim... – respondo, mais por obrigação do que por vontade.

Ele dá uma baixa e satisfeita gargalhada, levando uma grande garfada à boca.

– O que faz aqui? – pergunto, erguendo a sobrancelha, enquanto cruzava os braços.

– Eu? Ah, nada! Só estou de passagem.

– E não está com pressa?

Ele abre um sorriso malicioso.

– Minha hora é só daqui a pouco... Elas podem esperar. Se é que me entende...

Decido por não perguntar. Acho que a resposta não me será muito agradável aos ouvidos...

– E você, monsieur Roderich? Vai a algum lugar em especial?

– Não. Apenas dando uma volta. – digo, distraindo-me com as pessoas que passavam.

– Hum... Entendo. Pensei que estava indo ver seu amigo. – ele diz, enfatizando a palavra “amigo”.

O constrangimento que se seguiu fora indescritível. Minha face enrubesceu rápida e fortemente, o que apenas gerou satisfação ao francês.

– E-É claro que não! Eu diria que estou até mais inclinado a evitá-lo no momento!

– Ahn? Por quê? Você o ama! Como vai cumprir sua parte do acordo se manter distância dele?

– E-Eu não tenho como cumprir minha parte. Não por enquanto. Mas juro que, assim que possível, darei um jeito...

– Eu sei que sim. – ele sorri. – Rod, meu caro, eu confio em você.

Ele se levanta, sendo seguido por meus olhos. Ele confiava em mim? Praticamente acabamos de nos conhecer, como isso seria possível? Ele não sabe que as pessoas mentem?!

– Caso contrário eu não o teria ajudado. Afinal, como eu vou saber se você realmente beijou o seu amigo? – ele diz, jogando cada uma das mãos em uma direção, como quem diz: “Não era óbvio?”

– Ah?

Aquilo... Aquilo nem tinha me passado pela cabeça...

– Você não me parece o tipo desonesto. Sei que cumprirá sua parte. – ele dá uma curta pausa – Certo?

– S-Sim... Não faltarei com minha palavra, isso lhe garanto. – respondo, de pronto, apesar de ainda um tanto surpreso com as palavras do loiro.

Apesar de enganar o francês me parecer muito mais fácil, eu não conseguiria. Não depois de ele ter me ajudado de tão bom grado.

– Além disso, eu sei que você e esse seu amigo vão acabar se beijando de qualquer forma. – ele diz, abanando a mão diante do rosto.

– Como pode ter certeza disso?

– É que tenho um palpite de quem é esse seu amigo. – ele diz, com um sorriso largo.

Sobressalto-me. E-Ele não falava sério. Não podia! Como ele sequer saberia, sendo que Francis Bonnefoy mudara-se a pouco mais de um mês para nosso bairro?!

– Agora, se me der licença, monsieur Roderich. – ele ergueu-se da cadeira, usando a mesa como apoio. – Tenho coisas a fazer.

– Certo... – digo, também me pondo de pé.

Trocamos um rápido aperto de mão e logo já nos separávamos. Continuei minha caminhada pelo parque: havia ainda muito a ser visto e muito tempo a ser desperdiçado.

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Quando cheguei em casa, já no fim da tarde, meu corpo não podia estar mais acabado. Andar a tarde toda não fora uma ideia tão boa assim afinal... Jogo-me no sofá, sentindo o cansaço se apoderar de cada célula de meu corpo. Desse jeito eu iria acabar por adormecer novamente ali mesmo...

Levanto, bagunçando os cabelos negros e tirando os óculos. Ainda eram seis da tarde, mas eu iria para cama: era o melhor a se fazer no meu estado. Bebo o restante do chá, que não dera nem uma xícara cheia, tranco todas as janelas e desligo as luzes. Eu já me preparava para rumar em direção à minha confortável cama quando um estrondo forte contra minha porta me fez parar.

– Rod!

Meu cansaço bagunça meus sentidos e me deixa levemente tonto. Só depois de ter meu nome chamado pela terceira vez é que reconheço finalmente a voz.

“Gilbert...”

“O que você faz aqui?...”

“Pare de esmurrar minha porta...”

Eu apenas encarava a porta, quieto e imóvel, atordoado pela exaustão e envolto por pensamentos sobre os possíveis motivos para as ações do albino. Enquanto isso, os baques contra a porta aumentavam, cada vez com mais a força.

– Rod, abre já essa porta! – ele grita, do outro lado. – Você me deve explicações! Rod! Por que você pagou a droga da dívida! Responda! Eu sei que você está ai! Rod!

“Dívida?... Ah. Então ele finalmente descobriu...”.

Permaneço estático, ouvindo-o gritar. Assim ele vai derrubar a porta...

– Abre logo, Rod!

Desculpa, Gil, mas ainda não posso te ver. Não sei como te encarar agora. Não sei o que te dizer.

– Rod!

O último baque soou e depois tudo ficou quieto.

– Rod... Seu idiota... – ele murmura, baixo. – Eu tinha te dito para não se envolver.

Depois de quase um minuto sem barulho, pude ouvir passos, que se distanciavam numa velocidade considerável: ele havia ido embora.

Tudo mergulha em um pesado silêncio, que não é nada confortável: é intimidante. Levo a mão ao rosto, esfregando o local. O dia que se seguiria seria complicado. Sem mais perder tempo com dores de cabeça desnecessárias, caminho em direção ao quarto, os pés praticamente se arrastando contra o piso.

Só de pensar no dia que estava por vir, eu já me sentia ansioso, por isso decidi não pensar muito no assunto. Eu apenas deixaria que o sono se apoderasse de mim.

Eu dormiria feito uma pedra. Nada perturbaria meus sonhos: porque eu iria me remoer por algo que não poderia ser explicado, antecipado ou impedido? Eu veria e falaria com Gilbert de qualquer jeito no dia seguinte.

Não havia escapatória. Afinal, ele viria me procurar de qualquer jeito.

Notas finais
Erros? Alguma coisa me avisem que eu puxo as orelhas da chibis! xD
Não deixem de comentar. Sempre que um review não é escrito, tudo o que você queria dizer e não disse é acumulado no seu organismo na forma de colesterol. Você não quer morrer, quer? Então me deixe um review, porque além disso eu fico toda saltitante por ter meu trabalho reconhecido!
E obrigada aos que estão me acompanhando. Vocês são minha alegria. ~ ♥ ^^
E esses meus leitores fantasmas que se cuidem. Eu sei onde vocês moram, viu! Eu tenho meus contatos. O.Ó
BJJS e até uma próxima -ne!