A Sombra de Yatha
1 Prólogo: O Livro
A cidade de Stanlow era conhecida por toda Yatha como uma reserva histórica, cheia de monumentos antigos que contam como era a vida das pessoas e Pokémon há centenas e até milhares de anos. A cada dia se descobria algo novo nessa cidade, e naquele momento, uma equipe de pesquisa do Professor responsável da região, Professor Amêndoa, junto do treinador mais forte de toda Yatha, exploravam ruínas recém-encontradas no subsolo da cidade, onde os restos do que antes era uma central religiosa estavam.
Sob a luz de alguns Chandelure amigáveis, a equipe buscava saber mais sobre a religião que os antigos povos de Stanlow seguiam, pois rumores bem conhecidos ditavam que estes religiosos cultuavam dois Pokémon lendários nunca vistos antes, dois cujos até mesmo os nomes eram desconhecidos.
— Campeão Jago? — Chamou um rapaz com um jaleco branco, que escrevia algo em sua caderneta.
— Sim? — Respondeu o rapaz de cabelos platinados, apenas rotacionando levemente a cabeça para que o pesquisador entrasse em seu campo de visão.
— Sharp? — Questionou o parceiro do campeão, Bisharp.
O jovem assistente do professor tira do bolso de seu jaleco um pequeno pedaço de papel, que aparenta ser velho e estar a ponto de rasgar.
— No papel se lê, em linguagem antiga, “Meu caro rei, investigamos todo o reino em busca de um lugar seguro para esconder o tesouro, e encontramos esta caverna. O livro está na...”. O resto da frase não se encontra no papel. — Apontou o rapaz.
— Interessante. — Disse o campeão, cruzando os braços para pensar. — Mas isso ainda não nos dá uma pista clara, já sabíamos que este tal tesouro oculto está em algum lugar nessa caverna.
— Era só uma hipótese até cinco minutos atrás! — O pesquisador retrucou, frustrado.
— Para vocês. — Rebateu Jago, mantendo sua expressão neutra. — Gallade já sentia as energias desse tesouro desde que cheguei a essa cidade.
Desencorajado a continuar aquela conversa, o rapaz de jaleco se retirou da presença do campeão, murmurando xingamentos enquanto se distanciava.
— Sharp! — exclamou o Pokémon, apontando para uma parede.
— Hã? — estranhou o rapaz, a princípio não percebendo nada de incomum com a superfície que seu parceiro alvejou. — O que foi, Bisharp?
— Sharp, sharp, sharp! — ele correu até a parede e começou a socá-la.
O barulho chamou a atenção de alguns dos pesquisadores próximos, mas eles agiram como se Bisharp apenas estivesse brincando. Não demorou muito até a parede ceder e revelar um ambiente secreto daquela caverna.
Levemente impressionado, Jago acompanhou seu Pokémon até o interior daquele novo lugar, e logo de cara viu um altar, que parecia ter sido montado às pressas, feito de pedras.
Com passos lentos e pesados, o campeão e seu parceiro se aproximaram de uma espécie de púlpito feito de pedras cheias de musgo, parando a poucos metros dele.
— Sharp... — Sussurrou o tipo sombrio para si mesmo, sentindo leves ondas místicas passarem por si, mas que pareciam inofensivas.
Mais alguns passos e ambos já estavam em frente ao púlpito, e Jago visualizou um objeto escuro, que parecia um livro. Suas mãos curiosas agarraram o livro e o retiraram do púlpito. Observando atentamente o objeto, ele notou uma textura áspera na capa, e uma espécie de cadeado que selava o livro, num formato de corvo, um tanto assustador.
— Parece um Corviknight... — Jago comentou, focando seu olhar nos detalhes daquele cadeado, que replicava até mesmo os olhos carmesim do corvo de aço. — E é um cadeado mágico... — Complementou, notando que não parecia haver encaixe para chave naquele lacre.
O rapaz estranhou o silêncio que veio após seu comentário, pois Bisharp sempre costumava dar uma última palavra sobre qualquer coisa que falasse. É então que ele ouve uma batida no chão.
Ao olhar para trás, ele viu seu parceiro ajoelhado e imóvel. O Pokémon parecia se esforçar, como se estivesse resistindo a uma dor imensa.
— Bisharp! — Gritou, deixando cair de suas mãos o livro e avançando em direção ao seu Pokémon, preocupado.
Assim que Jago tocou em seu amigo, os olhos do soldado de aço se apagaram, e ele deixou de resistir. Agora não passava de uma figura imóvel e sem vida, como uma estátua. Então, ele sentiu uma forte energia mística passando pelo ambiente, e seus sentidos o levaram ao livro novamente.
— Merda. — Grunhiu, tentando raciocinar diante da situação e manter sua expressão neutra ao mesmo tempo.
Numa tentativa de tirar Bisharp dali ele começou a empurrar o Pokémon, sem sucesso. Estava pesando muito além dos setenta quilos que ele sabia que seu parceiro tinha. Algo estava muito errado ali. Uma maldição? Um castigo?
A única opção que restava era renunciar ao orgulho e buscar a ajuda dos pesquisadores que ainda estavam por perto, e após muita hesitação, Jago finalmente se levantou e partiu, só para ser interrompido na saída do altar por uma dupla de pessoas vestindo preto.
As roupas pareciam caríssimas, quase tão caras quanto o traje de campeão. Um homem de traje social completamente preto e óculos-escuros que escondiam a maldade em seus olhos, e uma mulher de vestido sobre calça e uma jaqueta de couro preta, com idênticos óculos-escuros. Não precisava de muita dedução para concluir que eram inimigos.
— Muito obrigada pela sua descoberta, campeão. — Iniciou a mulher, cruzando os braços de forma relaxada e satisfeita.
— Permita-me introduzir-nos apropriadamente. — Continuou o rapaz, curvando-se rapidamente. — Somos agentes das sombras, discípulos do mestre Lenord, o escolhido da escuridão. Somos a equipe Shadow.
Jago roeu os dentes e recuou para uma posição defensiva, temendo que algo pudesse acontecer ao seu incapacitado parceiro Bisharp.
— Com licença, precisamos levar aquele livro. — Disse a mulher, passando pelo campeão descontraidamente, acompanhada do homem. — Não se preocupe, seu Bisharp vai ficar bem, ou não.
Ouvir aquelas palavras deixou o rapaz ainda mais nervoso, mas uma imprevista paralisia só deixou um cerrar de punhos servir de alívio.
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