Notas iniciais
Boa leitura ♥

País do Relâmpago, último dia de guerra.

POV Shikamaru Nara.

Meu corpo estava pesado, eu sentia ele deslizar, não consiga me mexer, minha consciência ainda estava fraca o que fazia com que eu fosse sendo puxado para o chão pela gravidade.

Abri meus olhos e tentei focar a minha visão, o impacto do meu corpo no chão doía em cada membro, uma espécie de casulo se desintegrava ao meu redor, e eu estava fraco demais para conseguir levantar naquele momento.

Olhei ao redor, ainda estava no País do Relâmpago, no local da guerra. Várias pessoas caiam no chão e recobravam a consciência. A lua não estava mais lá, o dia estava amanhecendo, e não via nenhum sinal de qualquer inimigo.

Aquilo que tinha acontecido antes foi o genjutsu de Madara, tudo aquilo foi um sonho que deveria ser perfeito e que nos prenderia para sempre, porém agora estávamos na realidade, ou seja, Madara tinha sido derrotado.

Um alivio grande atingiu meu peito e me deu forças para poder levantar. As pessoas se abraçavam e ajudavam umas às outras, todos tinham percebido que finalmente a guerra tinha acabado.

Então eu senti o peso de alguém cair ao meu lado. Mei tinha acabado de se livrar do casulo e estava de joelhos, seu cabelo branco tampava o seu rosto que estava direcionado ao chão.

Vendo ela me lembrei do sonho do genjutsu. Ela estava lá e era ela que me fazia enxergar o erro daquele mundo, o fato de nada daquilo ser real, por isso se chamava “pesadelo infinito”, você era obrigado a viver em um mundo falso sem suas memorias e emoções reais, mais tempo ali qualquer um enlouqueceria.

Aquele mundo deveria ser perfeito e totalmente feito para que eu não me lembrasse de nenhuma tragédia, mas a Mei estava lá e ela não tem nenhuma conexão boa em minha vida, conheci ela aqui na guerra então ela era a clara lembrança de uma tragédia, mas para mim lá ela era mais do que isso, eu queria que ela estivesse lá, e isso não se encaixava, por isso ela era o erro, ela existia lá para me enlouquecer, ela era a comprovação da falsidade daquele mundo e de tudo que tinha se perdido aqui.

Ela se levantou com cuidado, parecia estar cansada, eu não sentia o seu chakra o que significava que ela o estava ocultando. Seus joelhos expostos pela roupa estavam sangrando, seu braço esquerdo também, além de ter alguns arranhões no rosto. Eu suspirei por um segundo, ainda tinhas várias perguntas sem resposta sobre essa garota.

Aquele genjutsu deveria ser o mundo perfeito para mim, deveria me dar uma vida feliz com a qual eu sempre sonhei, mas eu nunca me vi namorando Temari muito menos prestes a casar com ela, talvez isso tenha sido um impulso do meu subconsciente.

—MEEEEEI! QUE BOM QUE TE ENCONTREI! VOCÊ ESTÁ BEM?

Yuki vinha correndo em nossa direção.

—Para de gritar Yuki, minha cabeça está doendo. Eu estou bem, foi um genjutsu muito forte.

—Sim, eu ouvi alguns shinobis falando que era o objetivo de Madara, mas se nós conseguimos nos livrar então só pode significar que a aliança shinobi venceu a guerra!

Yuki parecia muito feliz e aliviado, provavelmente estava contente por estar vivo como a maioria aqui. Eu estava feliz pelo fim da guerra, por estar vivo, mas ter visto meu pai e Asuma sensei no meu sonho me deixou com um peso no coração. Eu iria voltar para a casa e dar a notícia para a minha mãe da morte do meu pai, e isso estava me destruindo por dentro.

—Shikamaru! Você está bem?

Ino e Chouji vinham na minha direção, não pude evitar o sorriso de ver eles bem. Ino pulou nos meus braços e eu a segurei, sentindo as lagrimas dela caindo no meu ombro. Eles sabiam exatamente como eu me sentia, nós perdemos nosso sensei e nossos pais, a missão de contar isso para nossas mães era nossa e isso doía, porém estávamos vivos e juntos.

—Tem muitas pessoas machucadas, Shikamaru, eu e Chouji estamos ajudando a retirar alguns debaixo das pedras e a cura-los. Mas estávamos preocupados com você, pelo menos você está bem. Não vi a Sakura, nem o Naruto ou o Sasuke e o Kakashi, será que está tudo bem com eles?

Ino me soltou, a sua preocupação era evidente, mas eu tinha a certeza de que eles estavam bem, apesar de que não me importava se Sasuke não estivesse.

—Eles devem estar bem sim Ino, Sakura é a melhor ninja medica depois de Tsunade, e com certeza foi graças ao Naruto que vencemos.

Ela sorriu para mim, um sorriso triste mais sincero.

—Tsunade e os outros Kages estão procurando por eles e ajudando os outros, nós vamos ver se Hinata, Kiba e Shino estão bem, e você descansa um pouco, logo voltaremos para casa.

As palavras de Ino “logo voltaremos para casa” me fizeram sorrir, ela sabia exatamente como eu estava me sentindo e aquilo significava que juntos iriamos passar por isso, como passamos pela morte do Asuma sensei, mesmo essa ainda doendo tanto.

Eles saíram em direção a uma multidão que estava utilizando o quase nada de chakra para curar seus ferimentos de guerra.

—Mei, podemos ver se encontramos algum ninja do nosso país antes de irmos embora?

Yuki perguntou enquanto Mei se sentava no chão, ela parecia muito cansada e triste, sua expressão estava fechada e não exibia nenhum sorriso irônico.

—Eu vou ficar aqui, você pode ir, mas seja rápido.

Ela então estendeu as mãos para ele que as segurou, então eu senti a presença do chakra dela ali. Yuki estremeceu por um breve momento e então desapareceu segurando uma kunai marcada.

Mei deixou seus braços caírem ao seu lado, ela levantou seu rosto para olhar o céu, e então eu pude ver uma lagrima descendo no seu rosto.

—Shikamaru!

Temari veio na minha direção e pulou nos meus braços, eu fui pego de surpresa por esse gesto, não é do caráter de Temari fazer essas coisas, mas retribui o abraço.

—A guerra acabou! Finalmente!

Ela se soltou dos meus braços e sorriu para mim, não me lembrava de ter visto ela sorrindo alguma vez o que era engraçado. Temari era bruta, grossa, fria e não demonstrava nenhum tipo de fraqueza, então ver ela daquele jeito foi estranho, mas bom.

—Vamos voltar para casa.

Eu disse e ela colocou as mãos nos meus ombros. Ela era quase da minha altura, poucos centímetros de diferença, mas ela nunca esteve tão perto de mim assim antes. Então eu me lembrei do sonho e fiquei me perguntando se eu sentia algo por ela. Temari era minha amiga, sempre foi muito inteligente e forte, me ajudava a bolar estratégias e era muito problemática, mas eu gostava da sua companhia, porém nunca tinha visto ela dessa forma.

—Mei, não consegui encontrar ninguém...

Yuki apareceu do meu lado na frente da Mei que permanecia com seu chakra exposto e sentada no chão de terra.

—Então vamos para casa, se algum deles sobreviveu irão retornar.

—Vou precisar de mais chakra para levar a gente de volta, Mei.

Ela suspirou. Yuki a ajudou a levantar e ela cambaleou um pouco e tossiu.

—Você está bem?

Eu perguntei enquanto Yuki a segurava. Ela olhou para mim de um jeito diferente, não tinha ironia, nem sarcasmo. Seu rosto estava molhado pelas lagrimas, sujo de terra e sangue. Seu olhar era como se ela se perguntasse algo sobre mim, como se ela estivesse me enxergando pela primeira vez, de um jeito diferente, algo mais real. Ela então sorriu, um breve e singelo sorriso, sem ironia ou sarcasmo, um sorriso sincero.

—Vamos embora Yuki.

—Talvez devêssemos esperar um pouco até você se recuperar, Mei.

Ela não respondeu, apenas respirou fundo e soltou o ar devagar pela boca.

—Shikamaru?

Temari me chamou e eu então voltei a minha atenção para ela, que ainda mantinha as mãos nos meus ombros.

—Sim?

Eu perguntei e ela se aproximou, nossos corpos estavam a poucos centímetros de distância, e isso me deixou sem reação, senti meu rosto ficar vermelho assim como o dela estava ficando, eu realmente não conseguia entender o que estava acontecendo ali.

—Temari...

Ela me beijou. E aquilo foi uma surpresa maior ainda. Senti seus lábios quentes tocando os meus, meu coração parece que falhou por um segundo, e eu não soube como reagir. Nunca tinha me imaginado em tal situação ainda mais com a Temari, mas talvez seja isso que eu queira dentro de mim?

Eu coloquei minhas mãos na sua cintura, e atrás de mim pude ouvir o Yuki dizer algo como “isso é o suficiente”, depois não senti a presença dos dois ali.

Temari se separou de mim devagar, seus olhos se abriram e eu pude ver lagrimas ali.

—Temari... Eu...

Ela me interrompeu, apesar de eu nem ter certeza do que ia falar.

—Eu tenho que ir ver se o Gaara está bem... Que bom que você está... Tchau Shikamaru.

Ela saiu sem que eu conseguisse dizer alguma coisa, eu pensei em ir atrás dela, pensei em gritar ou em segurar ela, mas eu simplesmente não consegui. Que droga! O que eu estava fazendo? Nunca tive sentimentos por ninguém, e nunca percebi se tinha algum por ela, tudo estava tão confuso e eu não consegui ter nenhuma reação, que problemático!

Então as pessoas começaram a aplaudir e gritar. Naruto, Sakura, Sasuke e Kakashi estavam chegando perto da multidão de ninjas que comemoravam a vitória e agradeciam ao herói de guerra Naruto.

Fiquei feliz por saber que ele tinha alcançado seus objetivos e estava vivo apesar de estar sem um braço. Tsunade falou para todos ali que Madara tinha sido derrotado por Naruto, Sasuke, Sakura e Kakashi, então a guerra tinha acabado enfim.

Os Kages nos passaram orientações para que fôssemos a Kumogakure onde receberíamos tratamento médico e poderíamos fazer o registro dos sobreviventes e das perdas que a guerra causou em todos nós. Agora iria começar a burocracia, ou seja mais trabalho. Eles também falaram do acordo de paz que seria feito por todas as vilas e por todos os países e assim a aliança duraria pela eternidade.

Com a morte do meu pai, eu era o representante do clã Nara e consequentemente o conselheiro e estrategista do Hokage, isso significava que essas burocracias seriam feitas por mim junto da Hokage, ou seja, eu ia demorar um pouco mais para voltar para casa. Desculpa mãe.

Todos foram cumprimentar o Naruto e outros, e eu não vi Temari mais.

—Chegando em Konoha não quero nem saber, vou me aposentar!

—Tsunade-sama não deveria esperar para que tudo da guerra fosse resolvido antes?

—Que nada Shizune! Já tenho um Hokage em vista!

Kakashi soltou um longo suspiro ao lado de Gai que ainda estava muito fraco e sem conseguir ficar de pé.

Pelo jeito as coisas iriam mudar bastante por agora.

—Shikamaru! Você viu a Mei ou o Yuki por ai?

—Eles foram embora Ino, por que?

—Tem ninjas de diversos países aqui, e enquanto eu curava alguns deles fui perguntando sobre a Mei e o Yuki, para ver se alguém conhecia eles.

—E então?

—Nada. Ninguém, nenhuma pessoa se quer soube dizer quem era eles. Não acha isso muito esquisito? Dois ninjas que aparecem do nada no meio da guerra e ainda com o chakra da Kyuubi! Tem algo muito anormal nisso.

Ino tinha razão, aquela garota não deixou nenhuma informação escapar sobre ela, e isso era estranho, mas extremamente esperto.

—A maior arma de um ninja é a informação, talvez eles só estejam tentando se proteger, de qualquer jeito concordo que é estranho.

Será que algum dia eu iria ver ela de novo? E quem seria ela de verdade? Por que ela tem o chakra da Kyuubi? E que poder todo era aquele?

Muitas perguntas para serem respondidas, sobre ela e também sobre a Temari e sobre mim, muito trabalho para ser feito, e eu só queria ir para casa.

Notas finais
Então é isso! Nos vemos no próximo capitulo, e por favor comentem! Quero saber a opinião de vocês e o que acham que vem por ai...