A Sombra
43 Vazio
Notas iniciais
Todo meu corpo gemia em protesto da noite mal dormida , eu havia sido jogada no quarto de Alaric com uma Katherine inconsciente e uma porta trancada, infelizmente o apartamento de Alaric era alto , então se eu pulasse a janela iria ter mais chance de morrer do que realmente fugir.
Passava a água com força pelo meu rosto , retirando qualquer vestígio de sono e da maquiagem , ao mesmo tempo que tentava não encarar meu pescoço. A mordida da noite anterior estava mais que marcada ali , o roxo na minha pele branca criava um machucado dolorido. Penteei rapidamente meus cabelos os colocando ao redor do pescoço , mas só aquele contato leve na pele me fez gemer.
– Anda logo garota! — A bruxa Creta bateu na porta do banheiro com tanta força e má vontade que me demorei mais tempo não fazendo nada só para irritá-la.
Quando abri a porta ela não estava mais lá , apenas Katherine sentada de forma hipnotizada na cadeira. Ela estava cinza pela drenagem do sangue dela que retirou toda sua verbena , e mesmo quando seu corpo estava tentando se regenerar , ela não se mexia ou mesmo piscava os olhos. Era como se tivesse morrido de morte cerebral.
Sentir a amarga sensação de impotência por não fazer nada atingir todo meu ser, e sair do quarto indo para a cozinha. Klaus estava de costas para a porta , encarando dois bruxas fazendo um claro feitiço de localização. A pedra da lua ainda não havia sido achada , e eu garantiria que não fosse.
– Já sabe o que fazer? — A voz suave e relaxada do loiro chegou até meus ouvidos como um tiro de canhão.
– Vou pegar a adaga e trazer Elijah com ela , de preferência em um só pacote. — Informei sarcasticamente , cruzando meus braços.
Klaus se virou lentamente para min , enquanto seus bruxos ainda sussurravam um encanto sobre o mapa de Mystic Falls. Sentir o olhar furioso de Creta que estava atrás do bruxo maior em nós, quando Klaus ficou a um passo de min. Seus grandes olhos claros estavam emoldurados por longos cílios e um rosto sem mancha nenhuma. Era como se ele tivesse dormido muito bem a noite , o que de certa forma me invejou.
Ele levantou uma mão , e eu automaticamente dei um passo para trás. Em meio piscar de olhos ele me acompanhou e segurou minha cintura com uma mão , enquanto a outra mão retirava meu cabelo do pescoço do lado direito.
– Ai … — Gemi sem me controlar fechando meus olhos , e tremi quando os dedos do loiro passavam pela ferida do meu pescoço que ele próprio tinha feito.
– Não deveria ter se mexido ontem. — Disse ele com furor , rangendo os dentes na frase , como se culpasse a min por aquilo.Virei meu rosto para ele ficando furiosa , ao mesmo tempo que tentava o afastar. Coisa impossível já que ele não permitia. — Se vai se encontrar com Elijah precisa tomar um banho para retirar meu cheiro de você . — Klaus sorriu do nada , um sorriso beirando a malicia, parecia que tudo que ele falava tinha duplo sentido.
– Como se ele fosse acreditar que eu e você pudêssemos ter tido algo. — Alfinetei sem me controlar , enrolando meus dedos na palma da minha mão para não fazer besteira, ah como eu gostaria de dar um soco nele.
A face do loiro novamente ondulou , como uma avalanche de bipolaridade. O ego masculino era sempre tão frágil , percebi segurando meu sorriso , principalmente quando se tratava de irmãos. Klaus apertou minha cintura , espalmando sua mão nas minhas costas , e me trazendo para ele de forma íntima , como na noite anterior. Inferno! Ele não tinha nenhum pingo de senso se espaço pessoal. Me contorci um pouco , e parei quando me toquei que ele era feito de pedra se não quisesse se mover.
– Você é muito petulante. — Resmungou ele mordendo seus lábios de forma dolorosa. Então de repente ele retirou sua mão do meu pescoço , e mordeu seu pulso. Seus olhos ficarem levemente amarelados , ao redor algumas veias se sobressaíram me assustando o suficiente para arfar. — Mas necessária.
Sem me avisar , Klaus colocou seu próprio pulso ferido na minha boca. Gemi sentindo ânsia de vômito , quando o gosto de sangue se misturou a minha saliva. Comecei a surtar me movimentando para o afastar de min , e só me machucando no próximo. E engolindo seu sangue .Ele rosnou e se afastou me deixando cambaleante na sua frente.
– Que merda você pensa que esta fazendo? — Perguntei com raiva , limpando minha boca com a manga da jaqueta.
– Olha o vocabulário garota. — Riu ele animadamente , voltando para a cozinha. — Caius , leve nossa convidada para a casa.
– Eu achei que … — Começou Creta encarando seu “senhor” com olhos pidões.
– Que ia levá-la? Para poder se vingar da mão quebrada? — Perguntou Klaus fingidamente curioso. E depois ele praticamente gritou. Fazendo a bruxa tremer. — Acha que eu sou burro? Estou no meu limite Creta , então cuidado.
Um dos bruxos mais alto já estava segurando com força meu braço e me levando em direção a porta.
– E Alana.- Girei meu pescoço , vendo o loiro me encarando. — Não ouse tentar me trair , ou Caius tem total liberdade para te matar.
Me voltei para o bruxo que não sorria com a novidade , mas também não demostrava qualquer simpatia pela minha pessoa.
Quando entramos no seu carro só pensei no meu plano. Trair Elijah? Não mesmo. Trair Klaus? Com certeza!
Quando o carro do bruxo se aproximou da casa dos Gilberts , só esperei que ninguém estivesse ali. Abrir a porta com Caius sempre no meu encalço sem falar nenhuma palavra. Não ouvir ninguém na casa silenciosa e seguir para o quarto de Elena.
– Preciso de um banho . — Comuniquei meu sequestrador , enquanto retirava algumas roupas de Elena da gaveta.
O bruxo não falou novamente , apenas se sentou na frente da janela e cruzou os braços me encarando. Não tinha muito tempo , então corri para o banheiro com uma calça jeans e blusa branca de capuz e manga longa. Mas o que eu queria de verdade, ao ligar a água do chuveiro no box , e amarrar meus cabelos no alto , era a arma que estava atrás da privada.
Entrei rapidamente no boxe depois de tirar meu vestido e jaqueta , e deixei a água quente me limpar , a ferida que antes ardia no meu pescoço não existia mais. Sair antes mesmo de tentar relaxar , mas não desliguei o chuveiro , me seguei da melhor maneira possível , e coloquei peças íntimas limpas e as roupas que havia pegado , tudo da Elena. Me serviu perfeitamente bem , assim como seus sapatos jogados no banheiro , eu finalmente parecia uma colegial e nem tinha um segundo para admirar aquilo.
Me ajoelhei atrás da privada , e retirei a fita adesiva ao redor da arma pequena que estava ali. Se Caius realmente tivesse feito sua pesquisa , saberia que eu não morava mais na casa dos Gilberts. E saberia que uma Dragul não tem só um plano na cabeça. Eu havia levado ele de proposito ali ,como Michelle havia me ensinado , os detalhes são importantes na hora de uma crise.
Sair na ponta dos pés do banheiro , ainda podendo ouvir o chuveiro ligado , esperava que o bruxo também pudesse ouvir. Me recusei a pensar no que iria fazer , porque se não pararia. Mas parei , não pelos meus medos , mas por passos subindo a escada. Eu estava quase na porta do quarto de Elena quando o vir.
– Alana? O que esta fazendo aqui? Todos estão te procurando. — Jeremy vinha até min com um sorriso enorme e aliviado , braços abertos pronto para me acolher.
– Jer , você precisa sair … — Nem ao menos terminei quando o adolescente caiu com um grito doloroso no chão na minha frente , com as mãos na cabeça . Me deixei cair ao seu lado o virando para o ver melhor, seu nariz sangrava. Me sentir tão raivosa e protetora que encarei o bruxo na porta do quarto de Elena sem exitar, e levantei a pequena Clook e atirei no peito dele.
Pego de surpresa o bruxo simplesmente caiu , morto. A porta branca do quarto estava tingida de sangue. Eu solucei encarando Jeremy o vendo bem , então guardei meu desespero para depois.
– Precisamos sair daqui , agora. — Me levantei tremendo dos pés a cabeça.
– Mas … — Jeremy não sabia o que falar , apenas me encarou com a face branca que nem papel.
– Me espere lá embaixo , eu preciso pegar algo. — Não esperei ele me responder , apenas pulei o corpo inerte de Caius e entrei novamente no quarto de Elena.
Quando seguir meus instintos meses atrás , não esperava que aquilo tivesse tanto êxito quanto teve. Mas lá estava, a pedra da lua , enfiado em um ursinho de pelúcia azul na prateleira infantil da última pessoal que a guardaria. Abrir o zíper do ursinho e a retirei , branca meio transparente, do tamanho de uma tangerina. Joguei o ursinho no chão fazendo a espuma branca pular para fora , e me virei soltando um grito de pavor.
– Sou só eu . — Elijah me envolveu em seus braços com tanta força que eu quase não respirei , mas me sentir tão protegida que não me importei de verdade. O cheiro doce e almiscarado dele me fez fungar novamente . — Shi … vai ficar tudo bem.
Ele acariciou meus cabelos de forma tão doce e com tanta delicadeza , que funguei de novo e comecei a chorar. Lágrimas grosas de tensão , medo , dúvida saíram de min , ao mesmo tempo que me deixei ficar segurar abraçada a ele.
– Minha mãe? — Perguntou em sussurro abafado por sua camisa , e me afastei para o ver melhor.
– Esta vindo de Whitimore . — Respondeu Elijah afastando com a palma da mão as lágrimas da minha bochecha . Com um floreio elegante ele retirou do bolso do terno um lenço de linho branco e me ofereceu.
O peguei timidamente me sentindo patética pelo choro , mas não menos segura com o original ali.
– Como me encontrou? — Perguntei sem me afastar dele, enquanto me recompunha.
– Jeremy acabou de me ligar , eu estava por perto. — Elijah me puxou pelos ombros e me levou em direção a porta, eu travei encarando o corpo do bruxo por um segundo , mas ele continuou andando e o empurrou com o pé para passar. — Alaric mandou o recado de Niklaus , conhecendo meu irmão sabiaque ele estava com você.
– Que recado Klaus mandou? — Fiquei atrás de Elijah no corredor , segurando fortemente seu braço , como uma criança.
– “ A duplicata é minha , fiquem longe dela porque o ritual acontecerá essa noite”. — Discursou Elijah em uma voz um pouco mais grosa do que a sua. — Quando Damon disse que te perdeu junto a Katherine no baile , não precisou juntar dois mais dois.
Assentir com a cabeça achando que Elijah estava certo, e o parei quando ele ia começar a descer os degraus. Eu não queria aquela responsabilidade , então coloquei na palma da sua mão a pedra da lua, ele fechou a palma a recebendo , e suspirou fundo como se ela pesasse uma tonelada em vez de gramas.
Ele não disse nada , apenas a guardou no bolso da calça e se aproximou de min. Seu polegar passou pelos meus lábios de forma a marcá-los , Pareceu mais um momento longo de espera , quando seus lábios encostaram maciamente nos meus e eu pude senti-los se moldar lentamente. Não deveria ser um momento bom para beijos , mas foi.
Fechei meus olhos quando ele moveu os lábios contra os meus suavemente sem pressa alguma. Sua boca se entreabriu lançando sua respiração de cravo contra a minha, minhas mãos tremeram assim como meus joelhos, e eu envolvi com meus braços o pescoço do vampiro , abrindo levemente os meus lábios tentando imitar o seu movimento e logo pude sentir sua língua tocar e sugar a minha.
Foi quase tão lento quanto nosso primeiro beijo , e acabou tão rápido quanto começou.
– Sinto muito se Klaus a machucou. — Foi tudo que ele disse me deixando mais confusa do que eu já estava.
Elijah voltou a descer as escadas sem soltar minha mão. Parecia já saber que a pedra da lua estava aquele tempo todo comigo. Parecia já saber que eu gostava muito de Damon e que não foi nada justo ele ter me beijado em um momento de fraqueza minha. E parecia não se importar. Respirei fundo tentando não pensar no que ouve , e me concentrar em sair dali para encontrar com Michelle.
Chegamos no lob da entrada e eu procurei com os olhos Jeremy.
Elijah me colocou rapidamente para trás de seu corpo , e me pediu silêncio com um dedo em riste. Ele passou pela pé da escada e entrou na cozinha , eu só observei não me sentindo preparada para o seguir. Então a porta da frente se abriu , como se um vento a tivesse a movido. O silêncio sepulcral envolveu a casa como sombras de uma tempestade. Um grito rouco conhecido , foi como um tiro de chamado para min.
– Jeremy! — Gritei sem me controlar e sair pela porta da frente correndo as cegas.
Uma mão forte me girou e eu fiquei de costas para o peitoral largo e másculo do único ser que tinha quele porte e me tocava mais do que eu gostaria.
– Eu falei para você não me trair não falei? — A voz rouca e irritada de Klaus perfurou como agulhas meu ouvido , ele estava tão perto e falava tão alto que eu o queria me afastar. Ele mantinha uma mão envolta da minha barriga e outra ao redor do meu pescoço, — Achou mesmo que eu acreditaria que você machucaria meu irmão? — Klaus riu fazendo seu peito se mover. — Não quando é claro que vocês se amam … Não é Elijah?
– Solte ela Niklaus , agora. — Nunca ouvir Elijah falando com aquele tom de voz , ele nunca foi um vampiro como estava sendo naquele momento.
Klaus girou meu pescoço com sua mão ,para eu poder ver melhor seu irmão. Elijah já estava na beirada da divisa da porta. Klaus diferente dele não podia entrar. Temi por Jeremy naquele momento. Ele deveria ter saído , e só Deus sabe o que Klaus lhe fez.
–Você , Kol , Rebekah , não percebem como o amor é patético! — Gritou Klaus envolvendo meu pescoço com mais força , eu quase não podia respirar. A sensação de medo me envolveu fazendo meu coração bater muito mais rápida. — Será que eu terei que lhe lembrar o que acontece quando você se deixa amar?
– Klaus , não .- Elijah trincou seu maxilar , quando Klaus apertou mais forte meu pescoço. Levei minhas mãos até o braço dele envolta do meu pescoço o tentando afastar, me sentindo grogue , impotente , fraca, por não conseguir. — Por favor irmão , não faça isso.
Os olhos de Elijah pareciam duas poças de vidro quebrados. Eu me perdi ali dentro. Com a vontade absurda de me aproximar dele como antes.
– Porque eu faria isso em? Porque te daria algo que você quer? — Perguntou Klaus quase amargamente histérico. — Você não merece ela , como Kol não merece Michelle.
– Isso é o que você acha. — Retrucou Elijah mexendo no bolso da calça e retirou a pedra da lua ali. Tentei gritar para ele não fazer aquilo ,mas Klaus já tinha visto a pedra, percebi por sua paralisia corporal. — Me der ela , e eu te dou isso , eu prometo.
– Você erroneamente acha que eu não posso ter os dois? — Klaus gargalhou sem se mover , o que foi bizarro , mas liberou um pouco de pressão no meu pescoço.
Um pouco de ar entrou nos meus pulmões , mas foi o único e último. Uma dor insuportável tomou todo meu corpo , vindo pelo meu pescoço quebrado , mas eu não gritei , apenas cair na escuridão da morte , no vazio, vendo Elijah vindo em minha direção.
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