A Sombra
44 Transição
Notas iniciais
Diário ,
Hoje o verão não é tão quente.
Mas minha alma , se eu ainda tenho uma , continua tão gelada e mórbida como a dois meses. Eu sonhei com o início do meu tormento , e em meus pesadelos o rosto do meu pai quando eu acordei me fez pensar no que ele acharia de hoje , se soubesse o monstro que me tornei.
Alana G.D
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Dois Meses Antes.
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A loira estava tão gelada que Michelle já estava achando que ela não acordaria. De vez. Felizmente ela podia ouvir o coração de sua menina batendo de forma lenta , tão lentamente que a bruxa sabia que a mudança interna estava começando a acontecer. John segurava a mão dela , como pai ele queria chorar , mas não havia tempo. Não mais.
– As vezes acho que essa é uma maldição colocada na minha família. – Murmurou o homem loiro. – Minhas meninas , rodeada no mundo sobrenatural que poucas pessoas entram.
Michelle segurou seu braço dolorido e se virou na mesa de centro para encarar o homem.
– Sempre há uma explicação para tudo , mesmo que não vemos. – Garantiu a mais velha apertando o ombro do homem. – Eu vou cuidar delas , eu prometo.
– Damon esta trazendo Elena. – Lembrou John sentindo sua garganta se fechar. – O maldito fugiu mesmo?
Michelle apertou os lábios , e fechou os punhos com raiva. Sua cabeça ainda girava , junto com seu estômago sensível. A pior noite que tivera em décadas! Lutar com Klaus na sua condição foi burrice , ela tinha que admitir , mesmo com Bonnie cheia de poder , não fora o suficiente , seu inimigo conseguiu o que queria , terminar o ritual. Ser um híbrido original. A noite tinha sido longa , mas o amanhecer trazia esperanças , mesmo em meio a tantas mortes.
John virou rapidamente ao lado da bruxa , foi quando Alana se movimentou de forma agitada. Em um piscar de olhos ela estava sentada com a respiração rápida. Seu coração batia tão rapidamente que ela sentia que podia ter um infarte.
– Querida. – Michelle se jogou no pescoço da filha , a abraçando com tanta emoção que suspirou de forma real pela primeira vez em horas. – Que bom que acordou.
Alana encarou tudo ao seu redor , e mesmo a luz suave vindo da janela , fazia seus olhos arderem. Sua confusão era clara para John que lhe afagou o rosto , e foi como tomar um choque ao ver da loira. Ela pode sentir o pulsar do pulso dele de forma tão intensa que foi como se uma arma tivesse sido atirada perto do seu ouvido.
Alana girou o seu pescoço se sentindo tonta , mas estranhamente forte.
– O que esta acontecendo? – Sua pergunta foi feita rápido demais para a surpresa de ambos. – Estamos na casa do Salvatores?! – Ela podia reconhecer a sala , a lareira crepitava nos restos da madeira queimada. – Eu não me lembro …
– Calma , vai ficar tudo bem. – Garantiu Michelle lhe segurando a mão.
Mas Alana conhecia a outra tão bem , que pode dizer que não estava nada bem , por que os olhos verdes de Michelle estavam tão sombrios? Por que ela parecia querer chorar a qualquer momento?
– Tem algo errado. – Concluiu ela se sentando e apertando sua barriga como quem se abraça-se. – Eu estava na casa … Com Jeremy … Jeremy! – Ela tentou se levantar , mas Michelle a segurou pelo braço de certa forma.
– Jeremy esta bem . – Garantiu Michelle engolindo em seco. – Está com Alaric e o corpo de Jenna.
– Corpo … Jenna? – a loira apertou suas cabeça e se inclinou para frente. – Ela morreu …
Alana sentiu uma vontade incontrolável de chorar , parecia que todos seus nervos estavam ligados ao máximo. As lágrimas desceram antes dela notar.
– Mary e Agatha mudaram de lado. – Rosnou Michelle olhando para as próprias mãos , ainda tinha rastros de sangue dentro de suas unhas. – Quando Jeremy ligou dizendo que você estava … apagada. – A bruxa encarou John que tinha os braços ao redor da filha que ainda fungava tentando se controlar. – Jenna foi a primeira a chegar. Elas tentaram entrar , dizendo que poderiam ajudar a acordar você … – Michelle caiu do outro lado da filha e também fungou. – Jeremy conseguiu segurar as pontas até eu chegar , então eu matei Mary e Agatha.
– Se não tivesse eu teria! – Alana não percebeu que gritou , sua dor se transformou em raiva em um único lampejo de meio minuto.
– Eu sei querida. – Michelle apertou a mão dela com força. – Achamos que o plano delas , mandadas por … Klaus , era fazer uma bagunça geral na cidade , assim os amigos de Elijah se dissipariam.
Alana se levantou e encarou indo direto para o espelho em cima da lareira , ela encarou seu próprio reflexo tocando seu pescoço.
– Elijah … – Uma lembrança vívida tocou a sua memória e ela gritou para o próprio reflexo dando passos para trás como se fugisse do que era agora. Foi parada por braços masculinos do próprio. – Não , eu … Mãe. – Alana se virou para Michelle buscando a verdade que queria ouvir na expressão da mais velha. – Você fez um feitiço não é? Me trouxe de volta … Klaus quebrou meu pescoço , e eu lembro.... então você chegou … – Michelle escondeu o próprio rosto dentre as mãos , fazia tanto tempo não se sentia incapaz. – Me salvou não foi? Você me salvou não é mesmo? Pai … – Ela se virou para John ainda presa em seus braços , o rosto sofrido dele lhe deu um soco no estômago , não havia imagem suficientemente violenta já vivida por ela para explicar o que sentia. Ela caiu no chão e John a abraçou. O choro dolorido inundou a sala. – Eu sou uma vampira.
– Você precisa se a-a-alimentar ainda. – Garantiu John gaguejando , tentando ao máximo segurar o próprio choro. – Precisa se decidir se quer …
– Eu morro antes! – Gritou Alana o empurrando pelos ombros.
– Não diga isso! – Gritou Michelle ficando de pé. Seu rosto vermelho de raiva e choro fez a loira tremer por um segundo. – Você não vai morrer , não vai me deixar.
Outro soluço vindo dela , e John já abraçava a filha com força.
– Você pode ser boa … Mas . – John engoliu em seco segurou o queixo de Alana para a fazer o encarar. – Eu preciso que me escute , preciso que saiba que independente de tudo eu te amo. Nos... – Ele se virou para Michelle que se sentava também no chão segurando a mão da loira do outro lado. – Te amamos.
– Eu não quero , não vou conseguir. – Alana sentiu seu coração começar a doer , assim como todo seu corpo.
– Vai , você é forte , e … Michelle vai cuidar de você. – Garantiu John parando de propósito para começar a explicar.
– E você? Vai me odiar como odeia os vampiros? – Perguntou ela se sentindo rejeitada , seus olhos transbordaram de lágrimas.
– Não. – Garantiu John balançando negativamente sua cabeça. – Nunca eu poderia odiar você. Ou Elena. – Ele olhou para a bruxa em busca de socorro.
– O ritual aconteceu Alana , Klaus é um híbrido , ele conseguiu capturar Elena. – Contou Michelle achando melhor explicar por ali.
John suspirou melancólico. Sim , seria bom começar por ali.
– Elena...? – Alana não acreditava , não conseguia acreditar.
– Não , ela não morreu , não exatamente. – Disse John.
– Ah … – A loira suspirou minimamente aliviada , mesmo sentindo uma dor maçante pela morte de Jenna , sua irmã estava bem. – Então.
John segurou uma das mexas do cabelo da filha , era a mesma cor dos seus cabelos , a mesma textura.
– Se eu tivesse mil vidas , daria as mil para você , e Elena. – Ele abaixou a cabeça tomando coragem , Michelle lhe tocou o pescoço , como se garantisse que estava ali. – Mas só tenho uma , e dei ela para Elena.
Alana piscou diversas vezes , as palavras do pai não fez sentido na hora. Mas depois ela se lembrou do que era necessário para o ritual. Um vampiro , um lobisomem , uma bruxa , a cópia ser sugada até a última gota de sangue.
– Você o que? – Alana segurou mais firmemente o colarinho do pai , não , ela não podia acreditar , não queria.
– Bonnie fez um feitiço sem eu saber , um feitiço que John pediu. – Michelle disse em um fio de voz. – Como ele é cem por cento humano , ele deu a vida para …
O som alto de portas sendo abertas , fez os três olharem para a porta. Damon entrava trazendo no colo Elena mais branca do que o normal.
– Se ela se tornar vampira , eu te mato John. – Garantiu Damon visivelmente preocupado deitando a castanha no sofá , aonde outra hora estava Alana.
– A culpa é sua seu maldito! – Gritou Michelle se levantando , ela tinha seus punhos cerrados e uma postura assassina. – Se você não tivesse dado sangue para ela , e acreditado no elixir de Elijah , John …
– Um elixir de mais de quinhentos anos , ah sim . – Zombou Damon retirando algumas mexas do rosto de Elena.
Alana desviou o olhar. Seu coração doeu de inveja , ciúmes , ira … John segurou novamente seu rosto , e ela deixou as vozes não chegarem até eles.
– Eu vou morrer Alana. – A voz de John inundada de tristeza e orgulho a feriu também. – Quando Elena acordar eu vou …
– Não … não me deixe. – Ele se sentia uma criança abraçada ao pai, será que era possível sentir tanta dor? – Não … por favor.
– Oh querida. – John deixou uma lágrima teimosa rolar por sua bochecha.
Ele a levantou pelos ombros , e a puxou para o corredor , lhe dando suporte . Michelle pode ouvir por pouco tempo as palavras de John que se resumia a amá-la humana ou vampira.
O grito de Alana soou pela casa ao mesmo tempo que Elena tomava um fôlego de vida. John se fora , Elena estava viva e Alana estava entre o meio termo.
Qual era o limite da dor?
Michelle abraçou sua pequena menina , tirando as mãos dela de John. Não pode evitar não chorar junto a ela.
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Alana Pov
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Querida Alana
Quando você nasceu junto com Elena , eu não podia me sentir mais feliz e temeroso … Soube que Michelle cuidaria e amaria você. Assim como Grayson amaria Elena.
Minha boneca , você não sabe o quanto é difícil ser um pai comum de filhas extraordinárias.
Não importa se esta lendo isso como uma vampira … Eu quero que lute pela vida , lute pelos seus amores , lute por cada suspiro , lute contra a dor que esta sentindo. Eu vir mais do que poderia contar o modo que você dorme tão tranquila , por que sabe que é amada. Escrevo essa carta enquanto te olho dormindo uma última vez.
Eu te amo
John Gilbert.
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– Esta na hora . – A voz de Michelle me fez olhar para cima. Ela vestia-se de preto como eu , e me esperava para o enterro.
Olhei novamente para a carta nas minhas mãos e a dobrei.
– Quanto tempo eu tenho? – Perguntei indo até o espelho da penteadeira , o colar que papai havia me dado estava agora enfeitiçado causo eu vinhe-se precisar de última hora, como o anel de Stefan , Damon e Caroline. O diamante em formato de coração azul brilhava enquanto eu o pendurava no pescoço.
– Cerca de dez , quinze horas. – Michelle mordeu os lábios de forma ansiosa. – Quer mesmo esperar até a última hora? Tem bolsas no freezer.
– Eu vou ao enterro do meu pai como humana. – Resumir minhas vontades em um único fôlego de voz. O óculos escuro não ajudava muito , por isso peguei um chapéu que escondia bem meu rosto.
Minha cabeça estava a ponto de explodir , mas eu guardava as reclamações para depois. Tomei o último gole de uísque no copo que havia deixado de lado , não sentindo mais o gosto agradável , apenas a quentura do álcool.
– Eu sei que não é uma boa hora . – Michelle dirigia de modo rápido pelo cemitério, eu logo podia ver poucas pessoas ao redor de dois caixões. Apertei minha mão sentindo a luva cobrir a pele , eu queria chorar mais não podia , não mais , estava entrando em choque e sabia. – Mas tenho que falar sobre … Isobel.
– Ela esta morta. – Concluir podendo captar o olhar espantado dela. – Todos estão morrendo... – As pequenas ondas de dor que me beliscavam estavam começando a emergir novamente por entre a barreira que eu havia feito com matérias grotescos e toscos. Eu estava quebrada e tentava pegar o máximo possível dos pedaços para ter em que me apoiar. Era como tentar refazer um bolo que caiu no chão , ainda havia glacé , mas era só isso , o glacé podia se derreter e não haveria mais nada. – Elijah?
– Acho que Klaus … – Michelle novamente segurou seu braço , estava machucada mas segurava as pontas dedicando-se completamente a minha pessoa. Aquilo também me doeu , ela precisava começar a se preocupar com ela , não comigo , não mais. – O pegou , os vampiros que ele trouxe foram embora. A última vez que tive notícias dele , foi quando ele me ligou antes de te encontrar na casa dos Gilbert's.
Saímos finalmente do carro , e ela segurou meu braço , andamos pela grama baixa com cuidado , Jeremy foi ao meu encontro ficando do meu outro lado. Eu sentia tanto pelo garoto que tinha pequenos cortes no rosto que ele não imaginaria. Encontrei os olhos de Damon sobre min , ele apenas acenou , longe de todos . Abracei Elena que não tinha realmente culpa da morte do nosso pai. Mesmo assim … Uma pequena gota de delírio da minha mente a culpava , principalmente quando Damon a olhava com tanto carinho.
O enterro passou como um flash , joguei uma rosa branca do lado da vermelha que Elena tinha jogado no túmulo de papai.
Michelle se aproximou novamente pronta para me levar de volta para a casa , para as bolsas de sangue no freezer para a hora negra , que eu estaria realmente morta.
Ela segurou minha mão mas a soltou com uma incrível rapidez quando girou os calcanhares e olhou para além dos túmulos recém cobertos.
– Rebekah? – Perguntou confusa dando um passo para a frente.
Podia distingui cabelos loiros por entre as árvores. Michelle me olhou como se pedisse permissão, e eu sabia que ela precisava parar de fazer aquilo , principalmente depois do que eu faria.
– Pode ir , eu vou direto para a casa . Com Jeremy e Elena. – Garantir apertando o óculos preto no rosto.
Ela ficou nas pontas dos pés , e beijou minha testa. Segurei seu corpo fortemente e abracei com força.
– Eu te amo. – Disse finalmente.
– Eu também querida. – Ela se afastou e tocou meu rosto com seus dedos , eu fiz o mesmo , como se precisássemos guardar aquele momento , aquela fisionomia nos nossos rostos. – Eu vejo você em breve.
– Claro. – Sorrir minimamente e ela se afastou.
A loira no fundo das árvores ainda a esperava. Michelle correu para ela , e elas se abraçaram.
– Como se sente? – A pergunta de Damon sussurrada ao pé do meu ouvido me fez o encarar. Ao nosso redor Elena ainda era abraçada por Bonnie , Caroline a Xerife , poucas pessoas , mas que a amavam.
– Como acha? – Rebati me afagando eu seus braços quando ele os abriu para me envolver.
– Paralisada... Em choque também , provavelmente tentando fingir que isso é um sonho. – Disse ele segurando meu pescoço de forma cuidadosa. – Você precisa se alimentar. – Apontou ele o óbvio.
– Eu tenho tempo. – Dei de ombros.
Tudo ao meu redor me incomodava , o sol, o cheiro das pessoas , minha gengiva ardia junto com a garganta como se eu tivesse febre interna. Era como esta doente. Segurei o braço de Damon que ainda envolvia meu pescoço , preparada para o afastar quando ele gemeu minimamente. Ele afastou seu braço mais o cheiro agridoce que vinha dali era alarmante. Me aproximei dele levantando a sobrancelha , e segurei novamente seu antebraço. Juntos, como se ele quisesse fazer aquilo fazia tempo , levantamos a manga de sua camisa , vendo o roxo das veias pulando como se ele estivesse envenenado.
– Tyler Lockwood me mordeu … Na verdade , foi meio que de raspão. – A voz dele era amargurada. – Então estamos no mesmo barco , só que você tem chances.
Aquela informação me deixou tonta , como se eu estivesse em uma corda bamba em um precipício alto demais.
– Você não pode morrer Damon , vamos encontrar alguma coisa , qualquer coisa. – Garantir sentindo que além da minha dor havia um mundo … Enquanto eu me afogava encontrei uma rocha que me segurei mesmo sabendo que não seria suficiente por muito tempo , eu estava ali na frente de alguém que eu aprendi a amar , alguém que estava prestes a morrer definitivamente.
– O que esta acontecendo … – Stefan que se aproximava parou de falar quando viu o braço do irmão. – Não . – Disse ele balançando a cabeça atordoado.
Meu coração novamente bateu de modo automático , mas o buraco ali dentro parecia rugir , de sede.
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