A Sombra
42 Luz, câmera ... Tensão?
Notas iniciais
O olhar dele não saia de min. O que fazia tudo ser mais intenso e perturbador. Podia sentir meu coração batendo com certa velocidade anormal. Meus lábios entre abertos tentavam puxar o ar de forma pesada. E meus olhos desviar dele.
A sensação era como se eu já o tivesse visto , mesmo não o tento. Em outra vida talvez.
– O que esta acontecendo no meu apartamento? – A pergunta partiu de Alaric.
Como um corte afiado , a linha invisível que conectava meu olhar ao do loiro foi desfeita.Me virei para o caçador que se levantava me puxando junto a ele. Fiquei em suas costas encarando tudo ao redor , não mais Klaus. Porém a sensação quente de estar sendo observada continuava.
Katherine ainda não tinha se levantado. A vampira estava completamente em choque.
– Mardox , cuide do homem. – Mandou a voz rouca era rouca , arrastada e sensual , com sotaque forte, do loiro que se virava pela primeira vez para a vampira , sua voz era muito parecida a de Elijah
Não tive muito tempo de pensar sobre a semelhança dos irmãos. Apenas vir um dos homens vindo pra cima de Alaric que levantou uma das mãos pronto pra lutar. Mesmo o caçador tendo mais porte físico , ele foi derrubado por um feitiço.
– Rick! – Chamei como uma idiota o homem que tinha desmaiado. Ficando de joelhos chequei os batimentos do caçador aliviada por poder os ouvir. – O que você fez com ele?
Me voltei para o bruxo com tanta raiva que se tivesse alguma magia , ou fosse algum tipo de ser sobrenatural ele não estaria mais vivo .
– Não se preocupe amor , eu preciso mesmo de um mensageiro. – Klaus fez um gesto displicente com a mão fazendo os dois homens erguerem Rick e o levar para fora.
Girei meu pescoço notando que o loiro nem encarava-me para falar comigo. Na verdade só tinha olhos agora, para Katherine que tinha lágrimas nos olhos.
– Creta , leve nossa garantia para o quarto... – Klaus se aproximou de Katherine que se encolheu mais na parede. Ele levantou a mão e tocou levemente a bochecha da vampira com um dedo, como se ela fosse quebrável , o que para ele era possível.
Sentindo uma mão no meu braço , me toquei que eu era a “garantia”, me voltei para a bruxa de pele negra que não parecia satisfeita por me tocar. Infelizmente , para ela, eu também não estava.
Principalmente quando me lembrei que fora ela que me havia trazido até ali.
Com certa habilidade e rapidez girei o seu pulso ouvindo um crack agourento de um osso sendo quebrado. O grito que ela deu de pura dor , fez Klaus se virar para nos olhar. Com aquela distração Katherine tentou em sua super velocidade correr até a porta que foi aberta. Dando de cara com uma parede invisível ela travou no lugar. Um nano segundo depois o loiro tinha as mãos ao redor do pescoço dela. Eu até veria aonde aquilo ia dar mais tinha problemas a caminho.
– Vadia! – Gritou Greta levantando a mão e murmurou – Pas d'air!
A sensação que tive ao ser “golpeada”. Foi a mesma de cair em uma piscina sem se preparar adequadamente para o ato. Levei as mãos até minha garganta como se daquele jeito eu pudesse voltar a respirar.
– Creta não! — O comando de Klaus não foi o suficiente para ela parar.
Bufando audivelmente de pura raiva ele quebrou o pescoço de Katherine que caiu no chão, p loiro apareceu na frente da bruxa abaixando com rispidez e grosseria sua mão que ainda era usada contra min.
O ar se fez presente nos meus pulmões novamente , eu os recebir de braços abertos.
– Ela quebrou minha mão . – Lamuriou a bruxa, quase ofendida por ele não deixá-la me matar.
– Tenho certeza que pode lidar com esse problema. – O loiro tinha as costas viradas para min em uma postura dura e militar , sua tensão e raiva era toda dirigida a bruxa que engoliu o choro , girou os calcanhares e saiu da sala para a cozinha.
Me levantei com rapidez me afastando de Klaus que tinha o corpo agora virado para min , e infelizmente sua atenção agora, também. Já que somente eu estava ali com ele.
– Não esta com medo esta? – Perguntou ele deixando suas mãos atrás das costas , como um típico lorde, um sorriso divertido apareceu nos seus lábios. Ele caminhava ao meu redor , como se fosse uma cobra e eu seu ratinho sendo hipnotizado antes de devorado.
– De você?… Ah, deixa eu ver. – Deixei minha cabeça pender para o lado e falei sarcasticamente, tentando soar confiante. E Deus sabia como estava me forçando para manter a aparência de lutadora. Já que todo meu corpo gemia em protesto. – Sim estou!
Não era vergonha admitir nossas fraquezas quando elas podiam nos salvar. E eu queria muito, ficar a salva.
Ele riu alto fazendo seu corpo tremer , como se de alguma maneira pensasse que aquele som fizesse eu o ver com mínima simpatia. Sentir minhas pernas que ainda caminhava para longe dele, sendo parada pelo sofá. Eu poderia sair daquilo , mas teria que dar a volta. E me mostrar corvade.
– Não precisa estar , a senhorita vale muito mais … – Ele deu um sorriso malicioso, que fez-me sentir uma criança no parque de diversão. Depois encarando pausadamente meus pés , minhas pernas , meu tronco , meu pescoço e por fim meu rosto eu gelei, aquele olhar , me fez pensar que Hannibal Lecter era aprendiz , e não tutor do ser na minha frente. – Viva.
– E Katherine? – Eu não sabia porque perguntei dela, principalmente se a segundos atrás ela poderia ter me deixado ali se conseguisse fugir. Mas me sentir no dever de perguntar. Ou só queria mesmo que ele mudasse de assunto. – Ela também ficará viva?
Um sorriso maldoso apareceu brincando em seus lábios, como se ele tivesse certo prazer em me ver preocupada.
– Ela fugiu de min por quinhentos anos , levarei mais da metade desse tempo para a matar. – Comentou de forma simples e pura , como se disse-se “vamos falar do tempo”, enquanto andando em minha direção casualmente, ele sorria de uma forma bela , mas , felina. – Não deveria se preocupar com ela agora...
– Não me preocupo. – Garantir corajosamente tentando não ser pega por nada em sua voz calma.
As piores pessoas se davam melhor com calmaria para suas mentes perversas trabalharem do que a gritaria. Com certeza ele era daquele tipo que analisa antes de atacar. Pensei comigo mesma, deixando clara a ideia que ele era o inimigo.– A pergunta agora é , porque eu sou importante?
Eu estreitei meus olhos seriamente quando ele só estava dois passos de min. Eu não queria ir mais para trás. Passar a impressão que eu era covarde não combinava com meu lado Dracul. Não quando minha mente trabalhava a um milhão por hora para saber o que fazer.
– E não é óbvio? – Perguntou Klaus sem sorrir. – Achei que você fosse inteligente. Principalmente por ter tanto conhecimento em suas viagens.
– Como sabe das minhas viagens.... – Deixei minha boca abrir em um pequeno “oh” de pura surpresa em sentir que um grande mistério tinha sido encaixado puramente pela aquela frase do loiro que riu suavemente.
– Sim querida. – Klaus tirou os braços de trás das costas e os levantou para abrir as palmas das mãos , que foram batidas uma nas outras , em um curto aplauso seco. – Graças a sua … Imagem , eu encontrei o que eu procurava.
O silencio não era pleno por causa do meu coração que batia de forma tão rápida e alta , que se eu ouvia sem audição especial , imagina ele? Eu tentei me desvencilhar do sofá , só que as coisas aconteceram de forma muito rápida, que nem vir , só sentir. A parede atrás do sofá , prender meu corpo , em um movimento rápido e fluído , Klaus tinha seu corpo formando a outra parte daquela prisão inabalável.
Eu perdi o ar , e ele ofegou , banhando meu rosto com seu hálito agridoce de whiskey e canela. Sua testa a centímetros da minha , suas mãos envolta dos meus pulsos , que estavam presos na lateral do meu corpo, faziam meus pulsos arderem no sangue preso.
Seus olhos , naquela escuridão do canto do apartamento de Alaric, brilhavam como chamas no mar cheiro de petróleo. A sensação de medo , pavor e adrenalina juntas , me fizeram respirar como uma asmática. Meus seios no vestido se apertavam mais e mais , como se eu tivesse engordado do nada e aquela parte de cima foi colocada a puço , ela começou a prender mais e mais o meu precioso ar. Eu estava a segundos de ter um ataque de pânico pelo visto.
E para piorar . O nariz gelado de Klaus , tocou minha bochecha , me fazendo tremer violentamente, aquilo era surreal. Seu sorriso convencido e satisfeito tocou minha orelha , e eu fechei os olhos esperando qualquer coisa. Um golpe , uma palavra. Mas o que veio foi um singelo beijo na minha clavícula , bem aonde Damon havia me mordido. Mas com Damon não havia medo , não havia pânico. Era prazeroso. Mas agora , só havia pavor.
– Respire Alana , ou vai desmaiar. – Aconselhou Klaus com sua voz debochada sendo arrogante ao mesmo tempo , mas com certo orgulho , do que causava em min. Como se gostasse de ser a criança mimada , ou animal fora da jaula.
Mesmo assim , algo na minha mente , disse que ele estava certo , eu precisava respirar. Abrir meus olhos encarando seu ombro , sentindo seu peitoral comprimirem meus seios de forma íntima até.
Mas aquilo de certa forma me ajudou , estranhamente , a respirar normalmente. Eu podia sentir sobre sua camisa fina escura , sobre seus colares estranhos e sobre o pequeno pássaro , um vestígio de tatuagem , o quanto ele respirava normalmente, não incomodado em nada com aquela proximidade forçada.
Sentindo aquele ritmo cálido e suave , voltei ao normal , não me sentindo mais tonta. Porém , me sentir irritada , e tentei me afastar dele, só fazendo suas mãos ao redor do meu pulso se fecharem ainda mais.
– Pare de se mexer , agora. – Mandou ele com tanta seriedade , milimetricamente metódica , grave e poderosa voz. – Isso, boa garota. – Depois que ele falou aquilo , eu entendi que tinha realmente o obedecido.
E antes de falar , retrucar , alguma coisa , sentir uma dor leve no meu pescoço , me fazendo gritar de choque, não de dor. O desgraçado estava me mordendo! Lentamente sugando meu sangue!
E me paralisando com suas mãos e seu corpo , como … Como se não quisesse causar muitos danos. Como se quisesse me provar de forma cirúrgica .
Meus olhos se esbugalharam com um novo pensamento , então a dor leve cessou e Klaus se afastou o suficiente para eu o ver seu sorriso satisfeito, com seus lábios rubros , como um bebê que se banhou de leite.
– Sem verbena. – Seu corpo tremeu sobre o meu a medida que ele ria , feliz por si mesmo, a criança que ganhara um doce.. – Sabe como é gostoso um safra Dracul? Na idade perfeita?
– Eu prefiro Merllot. – Retruquei debochadamente , mas o efeito não foi o mesmo , já que até minha voz estava fraca e se não fosse ainda pelas mãos e seu corpo me prendendo , eu escorregaria até o chão , algo molhado e gosmento com cheiro de ferrugem e sal começou a escorrer pelo meu pescoço. Eu quase gemi de irritação. – Não ache que possa me hipnotizar Niklaus. Minha mente não precisa de reforços de verbena para rebater a hipnose. – Rangir meus dentes , tentando usar minhas pernas para o ferir de alguma forma , mas nem elas conseguiriam se mover.
– Oh , eu sei disso. – Klaus ainda ria , e parecia muito propenso a não ser incomodado pelas minhas palavras. Ele soltou meus pulsos , mas segurou meus braços e me guiou , como uma dança até o sofá. Nossos passos , calmos , sem se tocarem. Ele claramente guiava a dança. – Mas não impede de eu aproveitar seu sangue não é?
Ele me soltou com rudeza e certa agressividade agora , e não nunca me sentir mais usada como ele me fez sentir naquelas palavras. Uma bolsa humana de sangue, completamente, descartável. Cair sentada no sofá. E levei minhas mãos até o pescoço , sentindo o sangue melado e quente sobre meus dedos e na minha pele , uma meia lua de dentes , como pontinhos cirúrgicos , começava a latejar como um ferimento.
– Então foi para isso que me capturou? Roubar algumas gotas de sangue? – Rir em completa zombaria e descrença. Se eu não podia fisicamente contra ele , tentaria psicologicamente o machucar. – Até para min esse plano é meio … Pobre.
Klaus estava de costas para min , servindo-se de uma garrafa de uísque barato ,em cima da mesinha do abajur ao lado da poltrona de Alaric. O loiro me encarou , e eu gelei novamente. Suas feições mudaram automaticamente. Como uma tempestade chegando no litoral , calma , sem pressa arrebatadora. E foi ali , que eu soube , Klaus não era nada calmo , e muito impaciente e descuidado.
– Eu vou usar você contra Michelle , e Elijah , encare-se sortuda de ser considera, importante por eles. – Suas palavras duras , pareciam ter o proposito de me atingir como pedras , mas eu levei como um elogio, e sorrir minimamente sem me controlar. O que o fez segurar com força o gargalo da garrafa , com a outra mão ele coçou com seu dedão suas sobrancelha. Como uma forma de aliviar a irritação , e se segurar para não me machucar fatalmente. – Se não , seu corpo estaria drenado , como essa garrafa.
Tremi com o barulho alto da garrafa caindo no chão , e se espatifando em milhões de pedaços de vidro e uísque que causou uma poça em segundos ao redor do chão de madeira.Passei minha língua
nos lábios , como se experimentasse a raiva latente dele, por não me causar mais medo. Sem certa proximidade entre nos , eu conseguia respirar , e com isso o oxigênio necessário para minha mente trabalhar , me fazia ficar mais relaxada.
– Fico feliz por ser importante. – Falei irônica mantendo uma pose fria. Aquele não era Elijah que me ofereceria um lenço brando entre seus milhares. Ou Damon que me daria seu sangue depois, era alguém que não se importava. E uma ideia me surgiu , como se a luz fosse feita. – Mas não sou importante para seu irmão , posso garantir.
– Não foi o que Isobel disse. – Klaus já estava de volta a sua posse animada , amigável e psicótica. Ele foi até a cozinha e trouxera outra garrafa , bebendo direto do gargalo , e se eu tivesse pensando que ele me ofereceria um gole , estava enganada. – Você lembra da sua mãe não é Alana?
Era óbvio que ele tinha prazer em me machucar , sentir meu peito se contorcer quando ele tocou no nome de Isobel , mas lutei para não cair em contradição de quem não se importa. Era como jogar um jogo de sorte. As palavras certas e eu poderia sair dali.
– Ah, claro! Michelle é realmente fantástica. – Garantir sorrindo brilhantemente , como se o convidasse para entrar nas minhas reflexões sobre minha mãe.
– Vai ser mais fantástica, quando morrer. – Seu sussurro agourento me trouxe novamente certo pânico. Ele sorriu tortamente , e tomou um novo gole da sua garrafa , se jogando na poltrona a minha frente.
– Você não pode a matar! – Exclamei , tomada de forças , da onde eu não sabia que existia.
– E porque? – Questionou ele agora sorrindo , relaxado , sua dose de sangue e bebida devia ter um efeito sobre ele. Só não sabia se era para melhor ou pior.
– Porque , eu posso te dar Elijah. – A suposta oferta de parceria o fez rir ainda mais, mas agora sim era de pura diversão. O que me irritou profundamente. – Duvido que tenha uma adaga com cinzas do carvalho branco embaixo da manga não é? – Perguntei ríspida e séria.
Klaus parou de rir , e levantou sua garrafa no ar , seus olhos brilhando com satisfação, como se brindasse a minha saúde. Tentei parecer indiferente, mas a tensão estava congelando minha espinha, meu estômago dava loops desconfortáveis a todo momento , trazendo uma anseia interna para min. Meu pescoço latejava como um joelho ralada , ter aquele ser , ali , me encarando , era o mesmo que encostar em um fio desencapado e esperar o choque elétrico acontecer, e te matar.
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