A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins
6 Capítulo 6 - 3042: Uma Odisseia no Espaço
Notas iniciais
Lá estava eu. Literalmente. O portador da voz misteriosa era eu mesmo, porém, pelo que parecia, uma versão minha muitos anos no futuro. Era estranho, eu sei, mas eu sabia que era eu. O chapéu ainda estava lá! Cheio de costuras e remendos, mas eu, no futuro, ainda usava o chapéu. Minha versão futura usava uma espécie de tapa olho, porém todo de metal e com um olho mecânico, que acendia uma luz vermelha. Usava uma espécie de terno, com gravata borboleta.
“Parece que me encontrei!”, falou o Ghe do futuro, animado. “Fantástico.”. Ele fez um sinal com uma nadadeira, e os robôs abaixaram seus braços-armas e foram embora da sala.
“Ah, eu lembro dessa época”, comentou o Ghe do futuro. “Tantos amigos. Foi uma época boa se se viver.”.
“Não são meus amigos, oras.”, falei. “São uma pequ...”
“Pequena Guilda, exatamente. Eu costumava a dizer isso”, completou o Ghe do futuro.
“Oh, Doutor, quanto tempo!”, falou o Ghe do futuro, cumprimentando o Doutor. “Não importa o tempo, você sempre continua o mesmo!”.
“Nem sempre”, comentou o Doutor. “Mas isso é assunto pra outro dia. Mas enfim, Ghe, que lugar é esse?”.
“Oh, essa é a minha nave. A moda de fazer as fábricas fora da Terra pegou depois em que a situação da atmosfera ficou crítica.”.
“Em que ano estamos?”, perguntou Rodrigo.
“3042”, falou o Ghe do futuro. “Impressionante, né? É difícil sobreviver por tantos anos. Só consigo graças a um segredinho... mas enfim, isso não é relevante. Agora venham, vou mostrar-lhes minha obra.”.
Nesse momento, uma das câmeras da sala, que também possuía uma luz vermelha igual a do olho de minha versão futura olhou para ele. Eles pareciam trocar informações. Depois, ele desviou o olhar e nos guiou até a maior das portas da sala, e direcionou-se a um pequeno painel que ficava do lado da porta. Nela, havia outro “olho vermelho”, igual ao do Ghe futuro. Ele olhou, com o olho mecânico, diretamente para o olho do painel, e fez mais uma vez o gesto que nós julgávamos ser uma troca de informações. Depois disso, a porta abriu.
“Sejam bem-vindos”, anunciou o Ghe futuro, triunfante, “à Laddoware!”.
A sala tinha paredes, teto e chão todos brancos, como a sala anterior, porém era muito, muito maior. Nessa sala, tinham diversas câmeras e painéis, todas com o “olho mecânico vermelho” com o qual só o Ghe futuro fazia contato. A sala continha milhares, mas falos de MILHARES de invenções, desde raios lazers, blasters, cafeteiras futurísticas, novos consoles de videogame, computadores, todo o imaginável. E um monte de pinguins, todos usando jalecos, testavam as invenções. Não dava pra saber pra onde olhar primeiro.
“Porque você usa essa gravata borboleta?”, perguntou Pinguito, curioso.
“Gravatas borboleta são legais!”, respondeu o Ghe futuro. Então, ele, com seu olho mecânico vermelho, fez conexão com um painel-rádio que ficava na parede. Então, uma voz calma e suave disse, bem alto, pelos alto falantes.
“Dr. Azul Delta 35, favor apresentar-se no setor 42. Dr. Azul Delta 35, favor apresentar-se no setor 42.”
Alguns segundos depois, um pinguim azul de jaleco, que usava estranhamente um gorro de Papai Noel, veio apressadamente correndo em nossa direção e tentando não derrubar sua prancheta.
“Sim, Sr. Ghe?”, perguntou o tal Dr. Azul.
“Dr. Azul, por favor, pode levar nossos convidados para as acomodações de hóspedes?”, perguntou o Ghe futuro.
“Oh, claro. Ah, Sr. Ghe, não sabia que você tinha um filho...”, completou o tal Dr. Azul, olhando pra mim.
“Oh, não, meu caro, não confunda as coisas”, falou, rindo, o Ghe futuro. “Esse sou eu mesmo, mas alguns anos no passado.”.
“Ah, então tem dois Ghes aqui?”, perguntou o Dr. Azul
“Precisamente”, respondemos eu e o Ghe futuro juntos.
“Ok, então.”, concluiu o Dr. Azul. “Por favor, me sigam, por aqui.”, falou, nos guiando para uma das portas. “Sr. Ghe!”, requisitou Azul.
“Oh sim, eu já havia esquecido. Perdão!”, falou o Ghe futuro, indo até a porta trancada aonde Azul havia nos guiado e abrindo-a fazendo contato com o olho mecânico da plaqueta. Então, ele voltou para supervisionar uma das invenções e o Dr. Azul nos guiou para o corredor que seguia adiante daquela porta.
“Você se torna muito engenhoso no futuro, rapaz”, comentou o Dr. Azul, no caminho. “Na Terceira Guerra do Club Penguin contra os Ursos Polares, você perdeu um olho. Depois que os pinguins venceram a guerra, você investiu numa expansão para seu pequeno laboratório e acabou criando uma das maiores empresas de nosso planeta. E usou o seu “olho mecânico” como chave pra quase tudo!”.
Havíamos chegado nas tais “acomodações para hóspedes”. Era um corredor, também branco (vou parar de dizer a cor, nessa maldita nave era tudo branco!) que continha 6 portas, 3 de cada lado, ou seja, todos tiveram acomodações e ainda sobrou um quarto. Pelo que me disseram depois, todos os quartos eram no mesmo padrão que o meu. Uma cama de lençóis brancos, um armário, um frigobar, um pequeno banheiro e uma janela. Ah, e uma TV. O frigobar não tinha muita coisa. Só agua, uma lata de refrigerante, um frasco de clorofórmio (não me pergunte porque, só estava lá) e um chocolate. Peguei o chocolate e comi-o enquanto eu assistia a TV. Não tinha nada de muito bom passando, então vi o episódio de estreia da 489329ª temporada de Os Simpsons. Quando acabou, procurei outra coisa pra ver e achei O Elo Mais Fraco, que era um reality-showzinho de perguntas e respostas. Não gostei muito, então desliguei a TV e resolvi dormir. Ficava tudo um breu depois que a luz apagava, excerto por um pequeno olho mecânico, que exibia uma luz vermelha. Por motivos misteriosos, ele estava ali, do lado da porta. Enfim, como eu estava muito cansado, nem liguei pra isso e decidi dormir.
Fomos acordados por um despertador peculiar. Era o segundo movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, tocando no volume máximo. Algo esperado, vindo de mim, mesmo no futuro. A Nona Sinfonia é tão boa que esperei a música do despertador acabar para então desliga-lo. Sai do quarto e encontrei os outros 4 membros de minha pequena guilda. O Dr. Azul veio e nos levou para uma grande sala aonde estava ocorrendo o café da manhã entre os funcionários. Era um grande buffet e no final, todos sentavam na mesma mesa, que tinha quase 1 quilômetro de comprimento.
“Agora já estou convencido de que não estamos na Matrix.”, falei.
“Porque, oras?”, perguntou Dr. Azul, que havia sentado do nosso lado.
“Na Matrix a comida seria pior.”, expliquei.
Eles riram, então todos voltaram a comer.
Depois que terminamos, eu já estava me levantando, quando o Ghe futuro apareceu e me requisitou.
Ele me guiou até uma sala que parecia ser pessoal dele, e me convidou para uma partida de xadrez. Eu aceitei, pois, bom, era um jogo que eu gostava de fazer nas horas vagas. Parece que eu tinha melhorado muito no xadrez em 3042, pois eu havia perdido pra mim mesmo. Isso dá um nó na cabeça. Fizemos mais dois jogos, e acabou que eu ganhei 2 e perdi 5. Depois, voltei para o saguão principal e encontrei o resto da pequena guilda. Observei um painel em que o Ghe futuro estava mexendo pessoalmente e perguntei o que era.
“Ora, esse é o maior projeto já feito por nós! Levou meses para ficar pronto!”, falou o Ghe futuro. “É o raio destruidor de planetas, oras!”.
“E pra que vocês vão usar isso?”, perguntei.
“Para destruir a Terra, duh!”, respondeu ele. “Não viu nossa base por fora? É bem parecida com a Estrela da Morte. Destruímos, primeiro a Lua, para testar a versão beta. Deu certo, então, substituímos a Lua por algum tempo, e a versão final já está pronta pra mandar ver e destruir a Terra!”, ele concluiu.
“Mas... o planeta está desabitado, não?”, perguntou o Doutor.
“Que nada.”, respondeu o Ghe futuro. “Mas tem poucos pinguins, não vai fazer falta.”.
“Ghe, você não pode fazer isso!”, contestou Rodrigo.
Nesse mesmo momento, vários robôs nos cercaram, com seus braços-armas apontados pra nós.
“Oh, e quem vai me impedir?”, perguntou o Ghe futuro.
“MOTHERF...”, gritou Pinguito, que surgiu do nada com uma bazuca lazer e atirou, fazendo um buraco no meio do peito do Ghe futuro, que caiu no chão. Então, disse suas últimas palavras:
“Eu teria conseguido se não fossem por essas crianças intrometidas!”. E então, morreu, caído no chão.
“Requiescat in pace.”, falei. Então, retirei o tapa-olho de metal que continha o olho-mecânico e pluguei em meu próprio olho.
Era estranha a visão por ele. Dava pra “digitar” frases mentalmente e envia-las aos robôs. “Digitei” a frase “Podem voltar pra onde vieram e etc.”, e assim eles foram.
“Bom, isso foi fácil”, falei. “Agora temos de descobrir como se desativa definitivamente esse raio destruidor.”.
“Sinto muito, Ghe, mas acho que não vou poder deixa-lo fazer isso.”, falou uma voz calma, suave, porém alta, a mesma que havia chamado o Dr. Azul no dia anterior.
“Quem disse isso?”, perguntou o Dr. Azul.
“Eu, oras”, falou a voz.
Então vimos de onde ela estava saindo. De um pequeno painel, com um dos olhos-mecânicos vermelhos.
“Você acha mesmo que o maior empreendedor da atualidade iria manter sua vida dependente de apenas uma mídia física?”, falou a voz.
“O computador da nave é o...”, disse o Dr. Azul.
“Sim, sou eu, o Ghe”, falou o computador. Então, dirigindo-se a mim, e ele falou “Veja bem a sua história, tudo o que você fez terminou em você mesmo. Eu tenho o poder de mente que vocês nunca poderão ter, eu venço vocês todos em xadrez. Nada que vocês possam fazer vai me parar, como vocês vão me desligar se eu estou pilotando a nave?”.
“Ora, não é possível!”, falou o Dr. Azul. Venha, vamos!”, disse, nos guiando para a sala central do computador, eu abrindo as portas que eram necessárias com o olho mecânico do Ghe futuro.
Depois de andar muito, finalmente chegamos. O computador ocupava Todas as paredes da sala, e o console principal ficava no meio. Ele ia até o teto, teto esse que devia ter uns 8 metros, e no centro, mas bem no centro, havia um grande olho mecânico vermelho.
“Ghe!”, eu falei. “Pelo poder investido em mim, por ser eu mesmo, e consequentemente você, eu ordeno que pare!”.
“Vou dar-lhes uma chance de me desativar.”, falou ele.
“Qual é a chance, ó Ghe do Futuro?”, perguntei.
“Ghe do Futuro? Nah, não gostei. GHE 9000 soa melhor.”, falou o ‘GHE 9000’.
“Então apresente-me sua chance, GHE 9000!”, falei.
Um dos inúmeros compartimentos do GHE 9000 abriu-se. Desse compartimento saíram diversas barras de metal que montaram-se na forma de uma mesa e uma cadeira, na qual eu sentei. Depois, do mesmo compartimento, saiu um tabuleiro de xadrez e suas peças, que logo se colocaram devidamente.
“Para me desativar, terá de me vencer numa partida de xadrez.”, falou GHE 9000.
“Que seja, então.”, concordei.
“É impossível vencer dele! O Ghe de 3042 é muito bom em xadrez!”, sussurrou Dr. Azul para os outros.
“Você começa.”, falou GHE 9000.
Movi um peão.
Então, dois braços mecânicos e um Pequeno olho mecânico, sustentado por um terceiro braços, saíram de um compartimento que estava próximo da mesa. Um dos braços moveu um peão.
E assim, o jogo começou. Confesso que morri de medo, mas estávamos empatados, praticamente no mesmo nível. O jogo já estava acabando. Poucas peças em jogo. Eu estava apenas com o Rei, a Rainha, dois peões e um bispo. GHE 9000 tinha o Rei, um peão, um cavalo e uma torre. O clima estava tenso. Nossas jogadas eram precisas. No final, sobraram apenas os dois reis e as duas rainhas. Por imensa sorte, e inacreditavelmente, eu ganhei.
“Ora, parece que finalmente alguém me venceu no xadrez”, falou GHE 9000. “Não me admira que seja eu mesmo. Enfim, trato é trato. Eu vou, mas, como eu estou pilotando a nave, vocês vão junto. Mas não se preocupem, já saímos da órbita da Terra faz tempo. Agora estamos orbitando um buraco-negro, então ninguém vai ver o estrago.”.
Então GHE 9000 se desligou pra sempre. A nave começou a tremer, e pedaços dela caindo no chão. Fugimos, correndo em direção a sala em que a Tardis havia ficado. A medida em que avançávamos, mais rápido e mais pedaços caiam em nossa direção. Finalmente chegamos e entramos, eu, o Doutor, Justin, Rodrigo, Pinguito e agora, o Dr. Azul.
Enquanto Gioppo programava os controles da TARDIS, eu falava com o Dr. Azul.
“Bem, Dr. Azul...”
“Só Azul, por favor”, disse ele.
“Ok, então. Bem, Azul, parece que não tem mais meio de voltar pra nave. Bem vindo a Companhia de Investigação dos Pinguins!”, falei.
“Companhia?”, contestou Pinguito, enquanto a Tardis começava a balançar para voltar para a Terra. “Que nome fuleiro!”.
“Ok, então...”, falei. “Que tal, então, Guilda de Investigação dos Pinguins?”, sugeri.
“Pior ainda...”, disse Justin.
“Que tal Sociedade de Investigação dos Pinguins?”, perguntou Rodrigo.
“Todos de acordo?”, perguntei.
Todos concordaram.
“Bom, Azul, então bem vindo a Sociedade de Investigação dos Pinguins!”, conclui.
A Tardis parou de balançar. Saímos dentro da Taverna, aonde tirei o olho mecânico, guardei-o debaixo do balcão e tomei a nota mental:
“Se um dia houver mesmo uma Terceira Guerra do CP, vou lembrar de NÃO expandir meu pequeno laboratório.”.
Saímos de lá, e, por incrível que pareça, tudo estava bem. Aparentemente, Berod tinha sido eleito, pois haviam enormes placas em todo lugar com a foto dele agradecendo aos votos.
Encontramos o Paulo “Pipoca”, que tinha levado a gente para o abrigo subterrâneo do Berod. Também encontramos aquele casal que estava lá no dia, Aamelo e Lila. Acabou que ficamos amigos, e passamos um tempo fazendo lanches e petiscando na Taverna, e contando algumas histórias do que havia acontecido.
“Bom, então finalmente tudo está bem e na mais calma paz e tranquilidade, certo?”, perguntou Paulo “Pipoca”.
“Acho que sim.”, concordou Lila.
Porém assim que ela falou um enorme Ovni bateu, destruindo parte do teto e da parede da Taverna.
“Ooooh, não...”, falou Rodrigo.
“E lá vamos nós de novo!”, conclui.
Notas finais
Esse capítulo sofreu uma grande influência do livro / filme 2001: Uma Odisseia no Espaço. Tanto o título foi uma referência, quanto o personagem de GHE 9000, que foi inspirado em HAL 9000, o computador de bordo que comandava a nave Discovery no Livro / Filme.
Enfim, é isso. A fanfic não acabou, oh não, pelo contrário, está longe disso. Só ficará um pouco parada por um tempo. Mas depois volto a publicar os capítulos. Até mais, e obrigado pelos peixes!
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