A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins
3 Capítulo 3 - Adivinhas na Taverna
Notas iniciais
Eu e Rodrigo voltamos ao laboratório no bar, acompanhados da estranha criatura Tom e de sua joia verde, o “precioso”.
Lá, identifiquei a joia com arquivos difíceis de achar, que demorei uma meia hora pra pegar na internet.
“Caramba, não é possível!”, exclamei.
“O que é, Ghe?”, perguntou Rodrigo.
“O que você está fazendo com o precioso, seu pinguinses ladrãoses, roubou o precioso da gente, toooooooooom, tooooooom...”, tossiu Tom.,
“Essa joia é o Diamante Verde Esmeralda de Gerudo Valey! Ela é a joia mais rara do mundo e custa 250.000.000.000.000.050.000.000.600.800.300.999.123.400,99!”, disse eu.
“ISSO É MAIS DE 8000!”, gritou Rodrigo.
“Ora, mas é claro, Rodrigo. Muito mais que 8000. Não ouvi o que eu disse?”, perguntei.
“Ouvi, mas... ah, esquece.”, falou Rodrigo.
“Vejam só esse artigo que eu achei na Penguinpedia”, falei, mostrando-os o artigo.
Nele, dizia que o Diamante Verde Esmeralda de Gerudo Valey era uma joia que, por um fenômeno inexplicável, dava uma vida anormalmente longa a seu portador, até mesmo se ele estiver em condições escassas sem oxigênio, água e alimento.
“Isso só pode ser bruxaria!”, exclamou Rodrigo.
“É ISSO! Toooom... toooooooom... O PRECIOSO SALVOU A GENTE, SIM, SIM!”, disse Tom, fazendo dancinhas.
“Caramba...”, falei. “Precisamos ir no local aonde guardam o registro do Coins for Change e ver quem doou isso, e assim, devolveremos ele ao seu verdadeiro portador.”.
“Vocês vão tirar o precioso de nós?”, perguntou Tom, triste.
“É, Tom. Demos de devolve-lo ao verdadeiro dono. Você não é o verdadeiro portador disso e...”, ia dizendo Rodrigo.
“DEVOLVAM O PRECIOSO!!!”, berrou Tom, pulando e agarrando-se no rosto de Rodrigo e tentando tirar o diamante da máquina que estava fazendo a leitura do mesmo.
Na hora, peguei o diamante e subi pelas escadas do alçapão, até que Rodrigo jogou Tom para um lado e subiu também. Assim, fechamos e trancamos o laboratório pelo alçapão, mas ainda podíamos ouvir Tom berrando:
“GHE LADRÃÃÃÃO! LADRÃÃO! GHEEEE! ELE ROUBOU DA GENTE, PRECIOSO! ELE ROUBOU! Toooom... toooooooooooom...”
“Ufa...”, dissemos eu e Rodrigo, juntos.
Expliquei um pequeno plano que eu tinha em mente para Rodrigo. Ele concordou com a ideia.
Colocamos uma gaiola de passarinho sob o alçapão. Amarramos um barbante na maçaneta. Contei até 3 e puxei, e assim Tom deu um salto lá de dentro e ficou preso na gaiola.
“LADRÃÃÃÃO... GHEEEEE...”, gritava Tom.
Aproximei-me da gaiola e falei calmamente:
“Tom, temos uma proposta a lhe fazer.”.
Tom, ainda meio indeciso, falou:
“Nós quer proposta, mas nós também quer O PRECIOOOOSOOOOO!”.
“Certo, então, me ouça”, continuei. “Que tal um jogo de adivinhas? Se eu ganhar, você deixa eu levar o... erm... ‘precioso’ de volta para seu verdadeiro dono.”.
“E se Ghe perder?”, perguntou Tom, que voltou a falar consigo mesmo. “Bom, precioso, se Ghe perder, a gente mata e come toda a comida que ele tiver em casa!”.
Eu e Rodrigo nos entreolhamos.
“Se Ghe perder, a gente mata e come toda a comida que ele tiver em casa!”, repetiu Tom, agora dirigindo-se a mim.
Parei pra pensar por alguns segundos.
“Muito justo”, conclui.
Então, Tom começou:
“Tem raízes misteriosas,
É mais alta que as frondosa
Sobe, sobe e também desce,
Mas não cresce nem decresce.”.
Parei por alguns segundos e pensei.
“Ah, essa é fácil!”, falei. “É a Montanha.”.
“MALDITOOOOO, TOOOOM, TOOOOOOM, quer dizer, err, muito bem, ladrGhe, continue, agora é sua vez. Vamos logo, nós quer o preciooooossssssso...”, disse Tom.
Então, falei a primeira adivinha que veio em minha mente.
“Trinta cavalos brancos na colina avermelhada
Primeiro cerceiam,
Depois pisoteiam,
Depois não fazem nada. “.
“Droga, droga, droga, não vale, não vale!”, chiou Tom.
Passaram-se alguns minutos.
“E aí, já adivinhou?”, perguntei.
“É difícil!”, reclamou Tom. “Ghe repete!”.
E então, repeti.
“Trinta cavalos brancos na colina avermelhada
Primeiro cerceiam,
Depois pisoteiam,
Depois não fazem nada. “
“Trinta cavalos brancos, trinta, trinta...”, murmurou Tom. “JÁ SEI, DENTES, DENTES!”
“Isso mesmo, acertou.”, falei.
Então, Tom falou mais uma adivinha:
“Sem asas volita,
Sem vozes ele ulula,
Sem dentes mordica
Sem boca murmura.”
Fiquei confuso.
Passei muito tempo pensando, essa estava difícil.
“Seria o Vento?”, arrisquei.
“ESSE MALDITO ACERTA TUDO, PRECIOSO! GHE ACHA QUE É ESPERTO! ISSO IRRITA MUITO NÓS! SIIIIM... SIIIM...!”, reclamava Tom.
Mandei minha próxima adivinha:
“Um olho no azul dum rosto
Viu outro no verde de outro.
“Aquele olho é como este olho”
Disse o primeiro olho,
“Mas lá em baixo é o seu lugar,
Aqui em cima é o meu lugar.”
Tom olhava pra cima, pra baixo, e pros lados, fazendo gestos pensativos. Depois de cerca de dois minutos, ele respondeu:
“NÓS JÁ SABE, NÓS JÁ SABE! Sol sobre margaridas, essa é a resposta!”.
“Droga, essa era difícil! Como adivinhou?”, perguntei.
“Nós era muito bom em adivinhas, preciosssso... sim, nós sabe um monte...”, respondeu Tom.
Então, ele disse sua última adivinha, e a mais difícil:
“Essa é a coisa que a tudo devora
Feras, aves, plantas, flora.
Aço e ferro são sua comida,
E a dura pedra por ele moída;
Aos reis abate, à cidade arruína,
E a alta montanha faz pequenina.”
Caramba, essa era muito difícil. Fiquei quase 10 minutos pensando, e Rodrigo nervoso ao meu lado.
“Deve se apressar, Ghe, sim, sim, está acabando o tempo!”, dizia Tom, rindo.
“Calma ai!”, protestei. “Eu te dei bastante tempo nas outras!”.
“Tempo esgotado...”, disse Tom, sorridente.
“Espera... é isso ai! Tempo, tempo é a resposta!”.
“RRRGH, MALDITO, MALDITO!”, ralhava Tom. “Não quero mais jogar!”.
“Ah, ah. Ainda estamos empatados. Veja bem, vou falar uma última adivinha.”, falei.
Tom aceitou, mesmo que relutante.
Infelizmente, eu não conseguia mais pensar em mais nenhuma adivinha difícil suficiente, então eu falei a primeira coisa que passou pela minha cabeça:
“O que tem... debaixo do meu chapéu?”
Rodrigo e Tom olharam pra mim com um olhar de “WTF?”.
Sinalizei discretamente com uma nadadeira para Rodrigo abrir lenta e discretamente a porta.
“ISSO NÃO VALE, NÃO É JUSTO!”, protestava Tom.
“O tempo está passando...”, provocava eu. “Olha, como sou bonzinho, vou te dar 3 chances para adivinhar essa.”.
“Hm... NADADEIRASSSS, PRECIOSSSSO, NADADEIRAS!”, tentou Tom.
“Palpite errado”, disse, mostrando minhas duas nadadeiras, que de fato não estavam debaixo do chapéu.
“GRRRRRR... hm... FACA!”, tentou Tom, da segunda vez.
“Errado... última chance.”, falei.
“Hrm... hrm... BARBANTE, OU NADA!”, disse Tom, confiante.
“Dois palpites de uma vez, e os dois estão errados. Lamento, mas parece que ganhei”, conclui.
“MHRHRHRHR... ISSO NÃO É JUSTO! TOOOOM... TOOOOOOOOOM... Então, ladrGhe, o que tem debaixo do seu chapéu?”, perguntou Tom.
“Isso não é da sua conta.”, disse eu.
“GHRHRHRHRHRR.... GRRRRR... LADRÃÃÃÃO... GHEEEEEE... ROUBOU O PRECIOSO DA GENTE... NÃO VALE, NÃO VALE!”.
Assustado, recuei e cometi o erro de deixar meu chapéu cair e permitir Tom de ver o que havia debaixo dele. Era o diamante. O ‘precioso’.
Tom, com muita raiva, mordeu as barras até quebra-las e depois veio correndo atrás de nós. Peguei o chapéu e o diamante e corri até a porta, que Rodrigo já havia aberto.
Corremos, corremos e corremos, perseguidos por Tom, até que chegamos num corredor que se dividia em duas ruas, cada um de nós foi para um lado, mas Tom veio atrás de mim. Por má sorte, cheguei num beco sem saída. Porém, por boa sorte, a parede que fechava o beco era bem larga. Fui para a direita, e, quando Tom ia se aproximando correndo de fúria, desviei rapidamente para a esquerda, fazendo ele bater a cabeça na parede e ficar inconsciente.
Arrastei Tom até aonde Rodrigo estava, e lá, pela respiração ainda ocorrente e pelos batimentos cardíacos, vimos que ele ainda estava vivo. Levamos ele de volta para o bar, e, depois de cerca de meia hora, ele acordou.
“Aonde eu estou?”, perguntou Tom a nós, depois de acordar.
“Primeiramente, quero que você responda algumas perguntas, Tom.”, falei.
“Tom?” Perguntou ele, surpreso. “Meu nome é Pinguito! Olha, vocês devem estar cometendo um engano ou coisa do tipo, porque...”
“Espere um minuto!”, cortou Rodrigo. “Você sabe quem somos nós?”.
“Não faço a menor ideia.”, falou Tom / Pinguito.
“Qual é a última coisa de que você lembra?”, perguntei.
“Ah, eu estava andando por ai na Mina, pra jogar Surfe na Caçamba, isso durante o Festival Penas pro Ar... mas aí, chegaram uns estranhos, e o Bob estava com eles! Eles me ameaçaram, me jogaram num buraco cheio de dinheiro e me enterraram vivo lá. Então eu achei um diamante, muito bonito... ai não lembro mais o que aconteceu. Acho que eu dormi, e por algum motivo, estou acordando aqui com vocês. Eu bebi?”, perguntou Pinguito.
“Creio que não”, falei, servindo um café a Pinguito.
“Mas eu estava bem diferente, sabe...”, falou Pinguito. “Estou corcunda agora e... Oh, céus! Estou nu!”.
Emprestei para Pinguito o disfarce de Watson que o Rodrigo havia usado a um tempo atrás para ele vesti-lo.
“Obrigado!”, falou.
Explicamos pra ele do Coins for Change, do Penas pro Ar, de sua personificação do “Tom” e do tal diamante que devíamos devolver a seu verdadeiro portador.
“Hum, caramba... não acredito que eu fiz isso. Acho que esse tal diamante me enlouqueceu depois de um tempo. Fico feliz de estar de volta. E, bom, me sinto na obrigação de ir com vocês procurar o dono dessa joia.”, concluiu Tom.
Eu e Rodrigo, antes de partimos, oferecemos a Tom uma roupa melhorzinha, com chapéu de hélice e etc. Ele aceitou de bom grado e nos acompanhou na busca do verdadeiro portador.
No caminho, Rodrigo perguntava:
“E aonde guardam os arquivos com o nome de quem e quanto / o que doou no Coins for Change?”.
“Se meus dados estão corretos, é na Caldeira”, respondi.
Depois de chegarmos lá, Pinguito falou:
“Olha... qual era o seu nome, mesmo?”
“Ghe.”, afirmei, analisando as paredes.
“Então, ‘Ghe’, acho que você se enganou. Aqui só tem uns jornais antigos.”, afirmou Pinguito.
Observei um pequeno buraco que havia na parede. Tirei uma moeda, e inseri nele. De repente, a parede começou a se mexer e surgiu uma abertura do tamanho médio de uma porta.
“Ora, mas isso é elementar!”, falei. “São os arquivos do COINS For Change. Não é meio redundante a chave dos arquivos ser uma COIN? Formidável!”.
A sala tinha suas paredes pintadas de roxo, e um arquivo cheio para cada ano de Coins For Change que havia tido até então.
Rodrigo achou o arquivo de 2008, e fuçou todos os nomes até achar algo importante.
“Ei, Ghe! Olha só isso!”, exclamou ele. “De acordo com os arquivos, esse cara aqui doou ‘5.000 moedas e 1 joia verde!’ Só pode ser ele!”.
“E qual é o nome do pinguim, Rodrigo?”, perguntei.
“Bom, ele se chama...”, Rodrigo fez um pequeno suspense antes de ler o nome. “Ele se chama Justin”.
Notas finais
Esse capítulo teve muitas referências ao livro / filme O Hobbit. No livro / filme, o personagem Gollum (que inspirou o personagem de Tom nessa fanfic) faz um jogo de adivinhas com o hobbit Bilbo Bolseiro numa caverna, e usa algumas das adivinhas clássicas presentes nesse texto. A diferença foi que o personagem Bilbo Bolseiro disse em sua última adivinha "O que tem no meu bolso?", ao invés da versão de Ghe, "O que tem debaixo do meu chapéu?". Sem contar que Gollum também teve uma reação de raiva ao perder o jogo de adivinhas. O Hobbit foi publicado em 1937 pelo escritor J R. R. Tolkien.
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