A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins

4 Capítulo 4 - Admirável Mundo Novo


Notas iniciais
No capítulo anterior, Ghe, Pinguito e Rodrigo descobrem o verdadeiro dono do diamante. Agora, vão devolve-lo a seu portador.

“Uma vez eu conheci um cara rico que cheirava a guano e dor.”, falei.

“Guano?”, perguntou Rodrigo.

“É. Fezes de morcego”, expliquei. “Mas eu não sabia que ele havia um diamante tão poderoso e valioso.”.

“Então você sabe aonde esse tal Justin mora?”, perguntou Pinguito.

“Sei”, afirmei. “Só não sei se ele vai nos receber da forma mais amigável.”.

Andamos até o Centro. Entramos na Loja de Presentes. Entramos em um dos provadores.

No espelho, estava escrito, como se tivesse sido raspado com um canivete: “Fale amigo e entre”.

“Mellon!”, falei em voz alta.

O chão começou a descer, e nós fomos junto.

“Hã?”, perguntou Rodrigo. “Como assim?”.

“Não leu o espelho?”, perguntei. “Fale ‘Amigo’ e entre. Mellon significa ‘amigo’ em élfico.”.

Não sei como eles não entenderam algo tão óbvio.

Quando o chão do provador parou de descer, estávamos numa caverna, escura, cheia de morcegos e pequenas cascatas em alguns locais.

“Esse lugar fede a bosta de morcego!”, reclamou Rodrigo.

“Guano.”, corrigi.

Tirei da mochila uma lanterna e a acendi. Fui andando reto, com Pinguito e Rodrigo me seguindo. Ouvi um grito abafado, e continuei andando. Depois de um tempo, outro grito abafado. Continuei andando, sem olhar para traz. Afinal, eu já sabia o que havia acontecido. Cheguei até uma parede aonde não havia mais para onde andar para frente e me virei para trás para cumprimentar Justin, que estava pendurado de cabeça pra baixo no teto.

“Ainda tem essas manias, Justin?”, perguntei.

“Quem te deixou entrar?”, perguntou ele.

“Dessa vez creio que vim aqui a negócios, Justin. E por favor, solte os membros de minha companhia.

Pinguito e Rodrigo caíram no chão.

“Companhia, é?”, perguntou Justin, descendo do teto.

“Sim, sim.”, afirmei. “Não como uma facção. Somos um pequeno grupo. Pense em nós como a turma do Scooby-Doo sem o cachorro!”.

Justin estava um pouco diferente do que da última vez que o vi. Os rumores eram verdadeiros, ele tinha cicatrizes e estava com barba. Também estava todo manchado por causa do guano. Usava um tipo de capa.

“Continua com esse papo diplomático, não é?”, perguntou Justin.

“É, eu tento.”, falei. “Vim aqui para devolver-lhe isso.”, falei, mostrando-o o diamante.

Um morcego deu um voo rasante e tirou o diamante de minhas mãos, e devolveu-o a Justin.

“Aonde você conseguiu isso?”, perguntou Justin, com um tom irritado.

“Você doou no Coins for Change 2008, meu caro”, expliquei. “Tudo o que foi doado foi desviado e posteriormente enterrado debaixo da Mina. Vim aqui devolve-lo ao seu verdadeiro dono, apesar da insistência de terceiros...”, falei, enquanto Pinguito parecia estranhamente envergonhado.

“Obrigado. Agora vão embora.”, ralhou Justin.

“Meu caro, a quanto tempo você não sai dessa caverna?”, perguntei.

“Desde o Coins for Change 2008, quando eu doei isso.”, disse Justin.

“Já faz bastante tempo desde o Coins for Change 2008”, falei limpando um pouco de guano que havia caído em meu ombro. “Muitas coisas mudaram lá fora desde então. Nem todas para melhor. Eu e minha pequena guilda estamos andando por ai fazendo justiça, e todo aquele papo que você tanto gosta”, falei.

“Pequena Guilda?”, sussurrou Pinguito, para Rodrigo.

“É, ele usa esses termos estranhos de vez em quando”, respondeu Rodrigo.

“O que aconteceu lá fora todo esse tempo?”, perguntou Justin.

“Ah, não muita coisa. O final de Lost foi um lixo, O Doctor se regenerou mais uma vez, teve mais um filme do Bátima pra fechar a trilogia... esse tipo de coisas. Ah, é. O Bob saiu do comando, um tal de Spike entrou no lugar e agora o Herbert P. Bear e um tal de Berod Haplabeebz, que não é um candidato nada aconselhável, estão disputando o comando agora.”, falei.

“Herbert?!”, Gritou Justin. “Como ele saiu da prisão?”.

“Longa história”, falei.

“Preciso ressurgir”, concluiu Justin. “Sou o que o Club Penguin precisa, mas não o que ele merece.”.

“Vamos parar de frases dramáticas? É só vir com a gente pelo provador da Loja de Presentes. Ah, e recomendo você tomar um banho. Mas você já está ai a tanto tempo, que não sei se água e sabão tiram esse cheiro quase permanente de guano”, acrescentei sorrindo.

“Se você não tivesse trazido esse diamante de volta, eu não iria com você.”, falou Justin.

Sorrindo, guiei Justin, Rodrigo e Pinguito de volta ao chão do provador, aonde subimos de novo a Loja de Presentes. Acho que o vendedor que estava lá na hora estranhou o fato de 4 pinguins saírem de uma cabine daquele tamanho.

“Droga, não acredito que estou na turma do Scooby Doo”, resmungava Justin. “Só falta a van.”.

Porém quando saíram da Loja de Presentes, Rodrigo lembrou:

“Caramba! Hoje era dia de votação!”

Então, todos correram para seus iglus, excerto Ghe e Tom, para buscar seu título de eleitor.

“Ué, Ghe, não vai votar?”, perguntou Justin.

“É, não. Não temos candidatos bons nessa eleição.”, respondi.

“Vou votar no Berod Haplabeebz”, falou Justin.

Rodrigo, que também ia votar, concordou.

Então eles foram para a área de votação, aonde eu e Pinguito, mesmo não votando, acompanhamos. A área de votação ficava aonde antigamente se situava o Rinque de Hockey, que foi fechado devido a política anti-esportes no CP que foi implantada por um vereador. Rodrigo e Justin já estavam na fila, e Pinguito e eu estávamos esperando do lado de fora, quando reparei num pequeno ponto azul flutuando.

“Ei, olhe só aquilo”, comentei com Pinguito, apontando para o ponto.

“WOW!”, ele disse. “Será que fala Hey Listen?”.

Então, nós nos levantamos e nos aproximamos do ponto. Pinguito encostou com sua nadadeira e foi inteiramente sugado pelo ponto! Tentei salva-lo puxando pelo pé, mas fui sugado também.

Essa parte foi bem confusa. Parecia que estávamos flutuando e sendo puxados por um grande buraco de minhoca cheio de túneis, todo com tons de roxo e azul. Depois ficou meio alaranjado, e por fim parecia ser todo revestido em nuvens cinzentas. Por fim, saímos por outro ponto azul, que desapareceu. Olhei em volta. O impacto tinha sido feio. Estávamos numa rua, meio vazia. As construções eram mescladas, tinham prédios relativamente antigos e relativamente novos. Uma grande torre com um relógio podia ser vista ao horizonte

Ajudei Pinguito a levantar, e então, andamos um pouco por aquela rua, até acharmos uma placa, que indicava o endereço. A placa em questão ficava colada num prédio, e dizia “221B Baker Street”.

“Eu lembro desse lugar...”, sussurrei.

Andamos mais um pouco, sem ver ninguém. Até que vimos duas figuras cruzando uma esquina, e Pinguito levou um susto, pois nunca havia visto um desses antes. Eu já tinha visto alguns, então me surpreendi mais por deduzir aonde estávamos do que por vê-los. Ambos eram muito altos, comparado a nós. Tinham aproximadamente 1 metro e 80 de altura. Tinham pele branca, dois olhos, um nariz e uma boca, cabeça coberta de pelos e usavam umas roupas estranhas. Eram dois representantes da espécie humana.

Um deles fez um comentário em língua inglesa, que traduzirei aqui para a compreensão de todos:
“Wow, wow, wow, que car##### é isso?!”.

Então, desmaiou e caiu no chão. Seu amigo saiu correndo, o puxando pelo braço.

Pinguito ainda estava em estado de choque.

“São humanos”, expliquei pra ele. “Não se preocupe, geralmente eles costumam a ter essa reação bizarra quando nos veem.”.

Pinguito caiu no chão e começou a chorar.

“Choque cultural”, falei. “Acontece com os melhores de nós.”.

Então, parei pra pensar. Estávamos na Terra dos Humanos. Havíamos parado ali por uma fenda no espaço tempo, que se fechou depois que passamos. E fomos parar na Inglaterra! Agora eu precisava descobrir em que ano estávamos, e como voltar para a nossa boa e velha Terra Alternativa Wibbly Wobbly Timey Wimey coisa.

Passamos por uma espécie de banca de jornal. A jornaleira fugiu, com medo de nós, pinguins. Peguei um jornal e vi. Era o dia 20 de janeiro de 2013.

“Hm, isso é bom, Pinguito. Conheço um amigo que passa aqui justo hoje, sim, muito conveniente. Ele pode nos levar de volta!”.

“Quem é esse tal amigo?”, perguntou Pinguito, curioso.

“Um homem louco com uma caixa”, falei. “Você vai gostar dele, ele é bem simpático”.


Notas finais
Referências usadas no texto:
A frase Uma vez eu conheci um cara rico que cheirava a guano e dor. é uma referência ao vídeo Epic Rap Battles of History - Batman Vs Sherlock Holmes, aonde Sherlock utiliza as mesmas palavras (porém em inglês) para descrever Batman.
O personagem de Justin é uma clara referência ao Batman, bem como as frases "Preciso Ressurgir" é uma referência ao filme The Dark Knight Rises" e "Sou o herói que o Club Penguin precisa, mas não o que ele merece" é a mesma descrição usada à Batman (porém tirando Club Penguin e colocando Gotham na frase).
A entrada para a caverna de Justin é uma referência ao Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel. As Minas de Moria, casa de Balin, primo do anão Gimli, eram apenas acessáveis quando alguém dissesse "Mellon" - "Amigo" em élfico, e, no local aonde a porta se abria, estava escrito exatamente a mesma frase "Fale amigo e entre".
O endereço aonde Ghe acha a placa - "221B Baker Street", é o fictício endereço aonde Sherlock Holmes e John Watson dividem um apartamento nas histórias de Sherlock Holmes, por Sir Arthur Conan Doyle.
A frase usada por Ghe "Choque cultural, acontece com os melhores de nós" é uma referência a série de TV britânica Doctor Who, aonde o Doutor utiliza a mesma frase para explicar a personagem Rose sobre sua nave.
E por fim, o nome do capítulo, "Admirável Mundo Novo", é uma referência ao livro de 1932 escrito por Aldous Huxsley.