A Sociedade Da Investigação Dos Pinguins
2 Capítulo 2 - Aconteceu no Penas pro Ar
Notas iniciais
Inicialmente íamos direto para a Mina, mas decidimos parar no meu bar antes.
“Ora, vejo que continua vazio...”, comentou Rodrigo.
“Mas é claro.”, respondi. “Só os meus amigos vem aqui. E ultimamente, tenho poucos. Dos que eu mantenho contato, só você.”, falei enquanto abria o alçapão que ficava atrás do balcão e levava ao laboratório.
“Então, o que viemos fazer aqui?”, perguntou Rodrigo.
“Pegar algumas... provisões.”, respondi, imprimindo várias folhas a partir de comandos em um dos computadores.
“E o que são essas folhas?”, questionou Rodrigo.
“Ah, nada demais. Algumas informações, outras pesquisas. Por enquanto sugiro que você tire seus olhos bisbilhoteiros daqui.”, respondi pegando as folhas, grampeando-as em grupos e colocando-as na mochila.
Subimos do alçapão de volta ao bar.
“Temos de levar comida também, sim, muita”, comentei, esvaziando a geladeira e os armários em outro bolso da mochila.
“Então, Ghe...”, disse Rodrigo, meio sem jeito. “Quanto tempo pretende ficar fora?”.
“Bom, digamos que você vai se atrasar para o jantar”, respondi. “E para o café, almoço e jantar do dia seguinte. E do dia depois do dia seguinte. E do dia depois. E... bem, você vai ficar sem refeições de verdade por um bom tempo”. Dito isso, tirei algumas roupas de um armário.
“Vamos ter que vestir alguns disfarces para não sermos reconhecidos em nossa primeira investigação. Rápido, vista isso!”, disse, jogando um dos disfarces a Rodrigo.
Depois de algum tempo andando em direção da Mina, passando por alguns guardas e agentes de campanha de Herbert P. Bear e de Berod Haplabeebz, Rodrigo perguntou, sussurrando:
“Esses disfarces são realmente necessários?”
“Ora, claro que sim! O que há de errado com eles?”, perguntei.
“Não sei, mas você podia ter escolhido algo mais natural do que disfarces tematizados de Sherlock Holmes e John Watson.”, respondeu Rodrigo.
“Eu acho bem apropriado para a ocasião”, comentei.
“E porque eu tenho que ser o Watson e você o Sherlock?”, perguntou Rodrigo, indagado.
“Gosto de me sentir no comando.”, falei. “Agora silêncio, Watson, chegamos na Mina. Vamos entrar devagar e sem levantar suspeitas.”.
Dito isso entramos na Mina. A sala inicial, aonde ficava o jogo de Surfe na Caçamba, estava vazia. Avançamos para a área de mineração, aonde com uma britadeira ou uma pá, você podia conseguir umas moedas.
“Vazio”, disse eu. “Perfeito.”, e, dito isso, tirei da Mochila uma pá e cavei até achar 10 moedas.
“Ora, ainda tem bastante.”, falei, examinando as moedas.
“Claro que tem!”, disse Rodrigo, surpreso com minha reação. “É a área de mineração. Foi feita pra quem quer ganhar uns trocados fácil. É claro que tem bastante moedas ai. Sempre teve e sempre terá.”.
“Ah, eu não contaria com isso”, disse tirando da Mochila uma máquina fotográfica e tirando fotos das moedas, do solo, do buraco e do ambiente em si. “Você disse que essa área foi feita para... ‘ganhar uns trocados fácil’, não?”.
“Sim.”, falou Rodrigo.
“Tsc, tsc. Não. Eu já havia uma tese sobre o ocorrido, mas agora parece que ela se confirma...”, disse, tirando algumas folhas grampeadas da Mochila e fazendo anotações num caderninho. “Rodrigo, você lembra por acaso de uma festa chamada “Festival Penas pro Ar”, que ocorreu em 2009?”, perguntei.
“Sim, lembro”, afirmou Rodrigo. “Foi uma festa ótima, aonde o Gary utilizou uma máquina para consertar, se não me engano, uma vidraça da Caverna, eu acho”.
“Isso mesmo”, disse, mostrando a Rodrigo algumas folhas grampeadas. “Mas e se eu te dissesse que o vidro foi quebrado de propósito?”.
Enquanto Rodrigo se perguntava o porquê disso e via alguns escritos e imagens das folhas, eu explicava:
“O Coins For Change 2008 foi totalmente desviado pelo Bob, que era o cara que comandava o CP na época, caso você não lembre. Ele usou o dinheiro para comprar tudo do bom e do melhor, mas mesmo assim ainda sobrou um monte. Lá pra 2009, o Gary começou a desconfiar e já estava perto de fazer uma acusação, e Bob e seus parceiros estavam cientes. Então decidiram bifurcar, causando um quebrado em uma das vidraças da caverna, e assim, mantendo o Gary ocupado, tendo que suspender a Ilha para consertar a vidraça. O que pouquíssimos sabiam, e alguns desses poucos foram silenciados ou feitos desaparecidos, é que enquanto a Ilha estava suspensa, Bob e seus parceiros esconderam as moedas debaixo da Ilha, mas precisamente abaixo de uma parte da Mina. Depois de algum tempo, em janeiro de 2010, essa parte da Mina com dinheiro enterrado em baixo foi descoberta, e utilizaram a desculpa deduzida na hora de que aquilo seria uma “área de mineração” para descolar uns trocados fáceis.”.
“Wow...”, disse Rodrigo, impressionado, devolvendo-me os papéis. “E agora, o que faremos?”.
“Bem, infelizmente, não temos pra quem contar isso. Se contarmos pra EPF, eles nada farão, pois são afiliados ao Spike. E o Spike é afiliado ao Bob.”, dito isso, peguei a pá e comecei a cavar. “Então acho que nada nos resta além de pegar essas moedas e guarda-las até o próximo Coins for Change, aonde doaremos aos verdadeiros merecedores, isso é, se não desviarem também o próximo Coins for Change.”.
Dito isso, Rodrigo pegou outra pá e começou a cavar junto a mim.
Depois de alguns minutos cavando e algumas moedas retiradas, Rodrigo acabou batendo sua pá em algo que parecia uma pedra azul-clara de formato arredondado.
“Ei, Ghe”, disse, dando batidinhas na pedra com a pá. “Olhe só o que eu achei.”.
Abaixei-me para examinar de perto a pedra. Ela não parecia uma pedra. Parecia carne, algo... vivo. Cavei um pouco mais com a pá até que a pedra revelou-se uma cabeça de um pinguim azul-claro, que parecia velho e mal-tratado, que, após um grito de susto, tentou morder minha pá.
“Ei, ei, ei!”, falei, dando batidinhas com a pá na cabeça do Pinguim. “Quem é você, e o que você está fazendo ai?”.
“Toooom... tooooom...”, tossiu o pinguim.
“Então seu nome é Tom?”, perguntei.
“Sim, sim... toooooom... tooooooooom”, afirmou Tom, tossindo.
“Então você se chama Tom por causa dessas tosses que você faz?”, perguntou Rodrigo, curioso.
“Sim, sim... mas esse não era o verdadeiro nome... Qual era o verdadeiro nome de nós, precioso? Nós não lembra, nós não lembra...”, murmurou Tom.
“Como assim nós?”, perguntei.
“Não falei com você!”, gritou Tom. “Pinguinses ignoranteses, precioso, sim, sim... Tom não gosta dos pinguinses...”.
“Ele fala sozinho”, pensei na hora. E tive a impressão de que Rodrigo estava pensando a mesma coisa.
“Então, ‘Tom’... o que você está fazendo ai?”, perguntei.
“Tom estava andando pela Mina a um tempo atrás, sim, sim, precioso, nós lembra... toooooooooom... toooom... No Festivalseses de Penases pro Ar... mas aí do nada pinguinses maus chegaram... eles iam enterrar dinheiro na mina, sim, muito dinheiro! Tom era a única testemunha, precioso, sim, eles tentaram matar Tom enterrando nós junto com o dinheiro! Tooooom... toooom... Mas Tom sobreviveu! Sim, sim, precioso! Nós tá vivo ainda!”, respondeu Tom, levantando a sua parte inferior, que ainda estava enterrada, e fazendo uma dancinha. Foi ai que reparei que ele segurava um tipo de joia verde.
“Hm, então devemos ter cavado bem fundo. Devemos estar quase no final da Ilha!”, falou Rodrigo.
“Ei, o que é essa joia verde que você está segurando?”
“Isso é o precioso!”, disse Tom, com entusiasmo. “Tom encontrou o precioso enquanto estava enterrado, sim, sim. Nós estava quase morrendo de falta de ar, quando nós encontrou o precioso, ai parece que ficou... tooooooooom, tooooooom... ficou tudo bem! Sim, sim! O precioso salvou a gente.”.
“Será que ele está mentindo?”, perguntou Rodrigo.
“Deduzo que não.”, respondi. “Ele estava bem enterrado por todos esses anos... essa joia deve ter salvado ele...”.
Tom, que estava andando muito curvado, de modo em que ele estava quase engatinhando, disse:
“O que os pinguinsises com roupases esquisitas estão fazendo?”
“Ah, nada. Apenas... cavando”, respondeu Rodrigo, dando tapinhas com a pá no chão e rachando um pequeno buraco que dava pra água do mar.
“É, parece que cavamos até o fim da ilha, mesmo.”, comentei.
O buraco começou a transbordar, e, do nada, a Ilha começava a afundar enquanto a área de mineração da Mina inundava.
“CARAMBA, CARAMBA, CARAMBA, TEMOS QUE TAPAR ESSE BURACO!”, gritou Rodrigo.
Então, tirei a primeira coisa que tinha na mochila, uma banana, e tapei o buraco. A ilha parou de afundar.
“Uma bananases?”, perguntou Tom, rouco.
“É rica em potássio.”, expliquei.
“Então, acho melhor sairmos daqui...”, disse Rodrigo.
“Eu não contaria com isso.”, disse uma voz misteriosa.
Viramos para a entrada da área de mineração. Lá estava Bob, numa cadeira de rodas e acoplado a um soro medicinal. Ele parecia muito envelhecido. A sua direita, estava Spike, e a sua esquerda, três seguranças pessoais da EPF. Eles estavam barrando a saída.
“Ora ora, então parece que vocês descobriram meu segredo...”, falou Bob, dono da voz misteriosa. “Acho que não posso deixa-los saírem vivos com essas informações...”.
Na hora, peguei a banana que estava tapando o buraco e joguei numa das rodas da cadeira de Bob. Essa roda quebrou e Bob caiu alguns metro abaixo, fazendo Spike e os seguranças irem socorre-lo.
Peguei a nadadeira de Rodrigo e sai correndo com ele, Tom nos seguindo. Por sorte saímos, mas pudemos ouvir Bob gritando:
“NÃO FIQUEM AQUI ME AJUDANDO, SEUS IDIOTAS, VÃO PEGAR ELES!”.
Corríamos muito, e por dois motivos. O primeiro, estávamos sendo perseguidos por 4 pinguins. O segundo, aquele lugar ia afundar em poucos instantes.
Estávamos quase chegando na saída da Mina, mas Spike e os três seguranças estavam quase chegando em nós. Nessa hora, Rodrigo tirou outra banana da mochila e descascou. Jogou a casca no chão e arremessou a banana descascada em direção a um dos seguranças.
O primeiro segurança escorregou na casca da banana. O outro, foi atingido e atordoado pela banana, que o havia acertado no olho. O terceiro tropeçou no que havia escorregado na casca de banana e caiu, quebrando o pé.
Enquanto fugíamos, Spike perdeu tempo tirando os seguranças, que estavam atrapalhando, da frente, para continuar a nos perseguir, mas não foi muito efetivo. Saímos por pouco, e vimos o pedaço da ilha que sustentava a Mina soltar-se do restante da Ilha, como um iceberg, e afundar.
Suspiramos.
“Acha que eles vão voltar?”, perguntou Rodrigo.
“Creio que não”, disse, aliviado. “E acho que agora já podemos tirar os disfarces de Sherlock e Watson, está começando a ficar muito quente debaixo dessas roupas.”, e assim, fizemos.
“Queria dizer que poderíamos voltar pra casa para descansar, mas creio que não podemos”, disse em seguida. “Estou com um pressentimento muito ruim sobre essa joia...”
“Nem pense em tocar no precioso!”, ralhou Tom.
Notas finais
Os disfarces de Sherlock Holmes e John Watson, usados por Ghe e Rodrigo, respectivamente, são uma referência óbvia aos personagens Sherlock Holmes e John Watson, criados por Sir Arthur Conan Doyle.
O personagem de Tom é uma referência claríssima ao personagem Gollum, também conhecido como Sméagol, que aparece nos livros / filmes O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Gollum, O Hobbit e O Senhor dos Anéis foram criados por J R. R. Tolkien.
A banana e a explicação de Ghe de que ela é "rica em potássio" são uma referência a série de TV britânica Doctor Who. O Doutor já utilizou bananas para resolver problemas e utilizou essa mesma explicação do potássio algumas vezes.
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