A Seleção - A realeza de Illéa
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Pov Christian
– Calma Christian! O que houve? – perguntou meu pai.
– Uma menina sulista penetrou no castelo para me entregar isso!
– O que? Por que você estava conversando com uma sulista?
– Eu sai para tomar um ar, não estava me sentindo muito bem e então a encontrei. E ela me entregou esse envelope.
Mamãe já estava desesperada pelo envelope, tão desesperada que praticamente arrancou o envelope da minha mão e, quando pegou as fotos, elevou a mão à boca abraçando as fotos, como se elas fossem de fato Sophie. Ela estava angustiada para tê-la de volta em casa. E eu também.
**
Eu não conseguia dormir a noite. Esperança. O que aquela menina queria dizer com isso? Ela fazia parte dos responsáveis que levaram a nossa Sophie, por que ela seria uma Esperança?
Tendo esse tipo de pensamento e pesadelos a noite toda, desisti de dormir. Peguei um livro e não pude me concentrar. Peguei meu violão, nenhum som me parecia adequado. E ainda eram 2 horas da manhã. Sem ter sucesso em nada que estava ao meu alcance no meu quarto, resolvi caminhar pelos corredores do castelo. Qualquer coisa que ocupasse minha mente.
Sai do meu quarto e comecei a andar. Me surpreendi por achar tão poucos guardas nos corredores. Um percurso que, normalmente, há uns 20 soldados eu só tinha encontrado 3.
– MAXON, VOCÊ NÃO PODE ME PRENDER AQUI!! EU VOU COM VOCÊ E ACABOU.
Pronto, mamãe surtou.
– América, querida, fique aqui no castelo. Você não está nas melhores condições de se expor fora dos muros do palácio.
– ESTÁ DIZENDO QUE EU NÃO POSSO IR PROCURAR MINHA FILHA TAMBÉM? ESTÁ DIZENDO QUE UMA PESSOA A MENOS NÃO FARÁ DIFERENÇA?
– América, querida, por favor escute. Você não tem estado muito bem. Você só ... você ...
Eu cheguei na porta do quarto deles:
– O que está havendo aqui? – perguntei.
– Seu pai vai sair com equipes de buscas, novamente, e, novamente, não quer que eu vá. Mesmo sabendo que tem uma sulista por ai e que seria mais eficiente a busca com várias pessoas.
– Mas você não está bem América. Entenda isso. Você tem estado muito paranoica e perdida desde a ausência dela. Não estou te culpando, eu também me sinto devastado. Mas, você nesse estado só nos atrasaria. E se eu não partir agora mesmo pode ser que essa sulista se afaste cada vez mais e que talvez nossa única chance de encontrar nossa filha se vá.
Com essas palavras, mamãe bateu a porta do quarto na cara do papai.
– E você me prometa que vai ficar de olho nela para que ela não faça nada insano, ok?
– Tudo bem.
Ele se virou para se retirar.
– Pai?
– Sim.
– Posso ir nessas buscas um outro dia? Gostaria de me ocupar com o resgate dela já que ela sumiu por minha culpa. – falei e baixei o olhar, e ele veio em minha direção e se ajoelhou.
– Filho, não quero que você se culpe por isso. Fomos atacados e não havia muito o que se fazer. Talvez, se você tivesse tomado um caminho diferente do ordenado para vocês naquela noite, eu tivesse perdido para sempre meus dois filhos.
A porta do quarto se abriu. Mamãe olhou para nós com uma roupa diferente, roupa digna de uma rebelde. Couro. Ela iria afrontar meu pai como sempre.
– Eu vou e não há nada que você possa fazer para me impedir.
E com essas palavras ela seguiu, passando por nós, em direção às escadas.
– Céus, por que essa mulher tem que ser tão difícil? E por que eu gosto tanto dela assim? – papai fez uma ceninha sabendo que mamãe ainda prestava atenção em nós.
Corri para dar um abraço nela e falar que ela era minha inspiração. Eu também ia ajudar nas buscas, mas da única forma que um menino de 6 anos pode ajudar quando se é um príncipe: de dentro do castelo.
– Mãe, traga ela de volta.
– Vamos minha rainha. – papai falou muito sarcástico. Eu tive que rir. – Voltaremos logo filho.
Com isso ele me abraçou e se foram.
Corri para o quarto deles, onde as fotografias já estavam na escrivaninha de minha mãe organizadas de forma cronológica em porta retratos. Peguei as fotos e me direcionei à biblioteca.
Chegando lá, me direcionei para a sessão de cartográfica para olhar os mapas da cidade. Eu tinha uma boa noção de toda a geografia de nosso país e ainda tínhamos o computador na biblioteca. Eu encontraria o acampamento deles.
Analisando foto por foto, pude perceber que elas não tinham nada de mais. Grama comum, árvores comuns. Isso poderia ser em qualquer lugar do país. Eu tinha que estar deixando passar alguma coisa, eu tinha ...
– Isto é inútil.
Era a garota novamente. Sentada no parapeito da varanda da biblioteca, balançando as pernas novamente e com os braços cruzados no toráx.
– Você jamais nos encontrará.
Ameacei a gritar pelos guardas mas ela começou a falar:
– Se você gritar eu vou desaparecer novamente e nunca mais voltarei. Mesmo que seja ordenada.
Eu tinha que jogar o jogo dela.
– Então o que você quer?
– Oras, eu te acho bonitinho. Queria te ver.
– Mas você é mais velha. Por que iria estar interessada em mim? E ainda mais sendo sulista e eu Um.
– Não estou interessada na coroa. E para sua informação: você é bonitinho mas não é do meu interesse. Digamos que seria um ótimo brinquedo. – algo se acendeu em seus olhos.
– Por que vocês a levaram?
– Dois queria um filho e como a Coroa tirou o dele ... – ela deu de ombros.
– O que preciso fazer para poder ve-la novamente? Mesmo que uma única vez?
– Ah príncipe, isso não depende de mim. – Ela se inclinou para trás e deu um mortal. Ela ia se machucar. A biblioteca era consideravelmente alta para ela fazer essas coisas e, para a minha surpresa, ela caiu perfeitamente sobre seus pés, como se já estivesse acostumada a fazer isso. – Me acompanha para uma caminhada? – e fez uma reverencia.
– Eu vou descer.
– Lamento mas vai ter que pular. Seu pai deu orderns expressas para que você não deixasse o palácio. AH! Não vai me dizer que está com medo. Covardão.
– Não estou com medo.
Subi na sacada. Nunca tinha feito isso antes, eu com certeza ia cair feio. Mas não me importava. Aquela garota me estimulava a fazer coisas imprudentes e isso era inexplicável.
E como esperado, me esborrachei. E ela caiu na gargalhada.
– Ai, príncipe, você me diverte. Ai ai.
Me pus de pé.
– Desculpe se eu não sou assim tão desgostoso da vida assim como você. Qualquer dia você vai morrer fazendo uma coisa dessas. – disse com escárnio.
– Se eu tivesse esse seu pensamento, eu não seria uma sulista. E se eu não fosse, vocês continuariam tão cegos quanto antes.
– E por que você nos entregou aquelas fotos?
– Dois me pediu.
– Dois é o que?
– Nome de guerra de nosso chefe.
– E você sabe o nome real dele? – eu tinha que tentar.
– Não. Não há necessidade. Lutamos por nossa liberdade independentemente de quem esteja ao nosso lado ou ao nosso comando.
– Aonde vamos?
– Pegar outro presente do Dois. – ela disse sorrindo.
– Você sabe que essas coisas só me deixam pior?!
– Não está feliz por ela estar viva? Posso transmitir essa mensagem ao Dois. Acho que ele não se importará com um monarca a menos na temerosa linha de sucessão.
– Não.
– Foi o que imaginei.
Chegamos novamente ao banco de meus pais. Agora tinha um disco e um bilhete. Com carinho, Dois.
– Vamos ver um filminho? – disse ela segurando o disco entre dois dedos.
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Pov Sophie
– Venha Zero!! Venha, venha. Você consegue.
Eu tinha dificuldades de dar meus passinhos ainda, mas cada dia mais eu melhorava. Zero era um nome engraçado, mas era fácil e único.
– Isso mesmo! Boa menina.
Nana era uma mulher muito legal. Era a pessoa que cuidava de mim. Ela era o que as pessoas chamam de mãe. Ela cuida, brinca, alimenta. Faz tudo.
– Zero?! – esse era o meu pai?!
– Está aqui Dois. Ela está melhorando os passinhos.
– Já era para ela estar correndo.
– Ela só tem 1 ano, Dois. É normal os passinhos serem falsos.
– Ela é minha aprendiz. E quanto mais rápido ela aprender, mais rápido chegarei ao meu objetivo.
– Não aja como se não se importasse. Eu sei que tem um coração escondido ai em algum lugar.
– Você não sabe de nada Nana. Você sabe só como cuidar dessa menina até que ela esteja boa suficiente para que comece a ser treinada.
Enquanto eles falavam, eu podia ver que ele de certa forma gostava dela. Ele se importava com as coisas que ela falava. E eu gostava quando ele me pegava no colo, mas ele não iria fazer isso. Não alí na frente dela. Então eu resolvi mostrar o meu valor. Fui me aproximando dele, dando meus pequenos passinhos em falso, me apoiando em uma cadeira, depois em um banco até que já não tinha mais nada para me apoiar. Eu tinha que chegar nele. Então tomei coragem e pé pós pé, fui andando até que dei de cara com grandes pernas na minha frente. Achou que minhas passadas foram muito rápidas e desengonçadas, pois cheguei rápido de mais. Conclusão: caí sentada no pé de Dois.
Ele me olhou, agachou, e tapeou o topo da minha cabeça.
– Muito bom Zero. Muito bom. Mas sei que você pode fazer melhor do que isso. Se esforce um pouco mais e dentro de algumas semanas poderemos dar início ao nosso treinamento.
– Eu disse que ela havia melhorado. – Nana disse triunfante.
– Venha Zero, vamos para casa. – disse me pegando do chão.
– Espere Dois! Aqui, a mamadeira dela. Não esquece de dar a ela antes dela dormir heim.
– Não esquecerei.
E com isso ele fechou a porta e seguimos em direção à nossa casa. Não era longe, na verdade era bem perto. Nana morava na casa do lado à nossa. Era nossa vizinha.
Ao chegarmos em casa, Dois me colocou no chão perto dos meus poucos brinquedos e se dirigiu ao quarto para trocar de roupa.
Meus brinquedos eram um quebra cabeças infantil, um brinquedo de encaixe as formas e outro de aperte as cores.
Então ele chegou, se sentou junto a mim. A brincadeira ia começar.
– Zero, quero que você monte esse quebra-cabeças em menos de 2 minutos. Se você não fizer isso, perderá 1 ponto e, você sabe que, ao final de cinco pontos você não tem mamadeira para dormir.
Isso era verdade. Há uns meses atrás eu não tinha conseguido montar o quebra-cabeças em 5 minutos depois de 10 tentativas, e ele de fato não havia me dado a mamadeira. Mas eu nunca deixava de resolver seus jogos. Eu gostava deles, eles me incentivavam a cada vez ser melhor e mais rápida, forçando ele a ser mais engenhoso com seus joguinhos. Dois e eu éramos uma boa dupla.
– Muito bem. 1,5 minutos. Bateu seu recorde de ontem. Será que você também é boa com os números?
“Há! Só pode ser brincadeira. Eu sou muito boa com eles Dois!” pensei, já que ainda não falava e ele nunca entendia minhas balbuciações.
– Então, quanto é 1 + 1?
O brinquedo de encaixe tinha 10 números (0,1,2,3,4,5,6,7,8,9) e ele me falava uma conta e eu tinha que colocar o numero correspondente. Encaixei o 2. Bati palmas.
– E 5x8?
Ele tinha que piorar. Mas ele não ia vencer. Todos os números de multiplicação por 5 terminavam em 0 ou 5. Então esse valor era 40. Encaixei o 4 e o 0. Bati palmas de novo.
– Bom. Mas você levou tempo nessa questão. Precisa melhorar na multiplicação.
Não conhecia muitas crianças da minha idade na nossa cidade, mas tinha certeza que eu era a melhor entre elas. Eu estava sendo treinada pelo melhor. Pelo meu pai. Pelo Dois.
Ficamos ali mais alguns minutos até que eu comecei a bocejar. Estava tarde e eu estava com sono. Então Dois me pegou do chão e me levou até a cozinha. Lá ele me deu a mamadeira e fomos em direção ao meu quarto.
Meu quarto não tinha muita coisa. Era simples e aconchegante, mas eu não acreditava que Dois tivesse feito isso sozinho. Ele era azul, com um berço branco ao centro, uma cômoda para minhas roupas em uma parede, cortinas brancas, e um ursinho azul dentro do berço. Não era extravagante mas era perfeito. Na casa só morávamos nós dois.
Eu me sentia bem ali. Em casa.
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