A Saga de Ares - Santuário de Sangue

10 Capítulo 10 - Voe cisne contra a discórdia


Notas iniciais
No Santuário de Atena, a batalha entre os Cavaleiros e o Exército de Ares se intensifica. Hyoga enfrenta Éris em um confronto congelante, enquanto dois homens encapuzados enfrentam o guardião que protege a Casa de Áries, a qual deveria estar vazia.

Capítulo 10 – Voe cisne contra a discórdia. O guardião em Aries

Portão Sul do Santuário — Grécia

Johan fitou o homem com quem Éris havia falado. Ele estava acompanhado por dois soldados do Santuário.

Senhor Hyoga!! — exclamou Johan, quase desabando no chão, mas Hyoga se moveu com uma velocidade surpreendente e o segurou antes que ele caísse.

— Você está gravemente ferido e perdendo muito sangue. — disse Hyoga, elevando seu cosmo e colocando a mão no peito de Johan. O cosmo congelante imediatamente interrompeu a hemorragia e trouxe um alívio temporário, oferecendo um pouco mais de forças ao Cavaleiro de Prata

— Peço desculpas por não poder ajudá-lo de forma mais eficaz.

— Não se preocupe com isso. Hyoga entregou Johan para um dos soldados que o acompanhava. O subordinado apoiou Johan em seu ombro — Leve Johan para dentro e cuide dos ferimentos dele. — ordenou o Cavaleiro de Ouro.

— Sim, senhor! — disse o soldado.

Hyoga avistou os fragmentos da Armadura de Corvo espalhados pelo chão. Ele estendeu a mão, concentrando seu cosmo, e os pedaços da armadura começaram a se unir, peça por peça, até formar uma armadura reconstituída, embora ainda bastante danificada. A armadura estava quase morta. Talvez ela pudesse se recuperar sozinha com o tempo, mas esse era um luxo que não podiam se dar. Hyoga então cortou o pulso e deixou algumas gotas de seu sangue cair sobre a armadura.

— Não! — protestou Johan. — Não faça isso. O senhor não pode perder sangue agora.

— Não se preocupe. Pelo pouco que conheço de armaduras, a sua não está morta, então não precisa que eu derrame um terço do meu sangue. Algumas gotas já é o suficiente para dar forças a ela. — Hyoga se aproximou de Johan e sussurrou em seu ouvido. — Vá para a base dos Cavaleiros de Prata e siga para Jamiel. Você precisa proteger o restaurador de armaduras. Há alguém esperando por você dentro do Santuário. Você não pode permanecer aqui. Vá imediatamente e informe ao novo Mestre de Jamiel sobre a situação.

Johan franziu o cenho. A ideia de abandonar o Santuário em um momento crítico parecia absurda, mas a ordem vinha de um Cavaleiro de Ouro, e não lhe cabia questionar.

— Vão!! — disse Hyoga aos soldados.

Os soldados carregaram Johan e a Armadura de Corvo para dentro do Santuário. Enquanto isso, Éris apontou sua lança em direção a Johan, mas uma parede de gelo se ergueu repentinamente diante dela, bloqueando sua visão.

Éris lançou um olhar cheio de fúria para Hyoga.

— Como ousa me interromper?

— Vim para enfrentá-la. Não há motivo para se preocupar com um Cavaleiro de Prata. — Hyoga estalou os dedos e a parede de gelo rachou, desmoronando em pedaços.

— Veio até aqui para me enfrentar?! Sabia que eu, uma deusa, estaria aqui e mesmo assim decidiu vir?

— Sabia. — respondeu Hyoga, calmamente. — Existem registros no Santuário sobre as Guerras Santas enfrentadas por Atena. Muitos falam sobre Ares, e todos mencionam que você é uma das primeiras a agir, semeando discórdia e provocando a guerra. Quando eu soube da invasão dos berserkes de Ares no Portão Principal, não tive dúvidas de que você estaria aqui, liderando a ofensiva.

Éris deu uma gargalhada.

— Que rapaz inteligente, mas igualmente tolo. — Ela se aproximou, colocando uma mão no rosto de Hyoga e fixando seus olhos nos dele. — Você sair da Casa de Aquário e vir até aqui só intensificou a invasão. Idiota. — Hyoga tentou manter a compostura, embora sua surpresa fosse evidente para Éris. — Três homens se infiltraram e estão subindo pelas 12 Casas. Sem mencionar os traidores dentro do Santuário.

— Já suspeitava da existência de traidores no Santuário, mas três homens?! — Hyoga arregalou os olhos. — Não me diga que esses três são...

Éris riu novamente e se afastou de Hyoga.

— E quanto a enfrentar-me, você tem ideia da diferença de cosmo que existe entre nós? Sou uma divindade, Hyoga. Uma deusa. E você é apenas um humano.

— Não faz diferença — Rebateu Hyoga. — Se for necessário... Sou capaz de me igualar a você.

Éris se irou. A deusa avançou sobre Hyoga e suas garras negras cravaram no rosto do Cavaleiro de Ouro, fazendo gotas de sangue escorrerem.

— Tem noção do que está falando?! O Olimpo inteiro já quer a cabeça de vocês por terem derrotado Poseidon e Hades. E agora desejam ainda mais por causa da ousadia de entrar nos Elíseos e despertar as armaduras divinas. Já pensou no que aconteceria se vocês despertassem o 9º sentido?! A audácia de vocês não conhece limites! Deuses poderosos e primordiais certamente surgiriam para eliminar vocês. Eles não são deuses como os do Olimpo. São deuses da criação que superam o nono sentido e exterminariam a humanidade e os deuses que falharam em derrotá-los. As suas ações estão desencadeando uma batalha que ameaça destruir tudo e todos. Por isso, o Olimpo está enviando assassinos para matar vocês e Atena, antes que o Olimpo seja varrido pelos deuses da criação como uma punição.

— Se vocês estão com medo, então que venham os deuses primordiais, Éris. — Hyoga elevou seu cosmo e agarrou o punho direito da deusa. — Não nos curvaremos diante de deuses orgulhosos como vocês. Continuaremos lutando pelo que acreditamos. Eu sinto a frustração de vocês por não conseguirem nos matar com tanta facilidade.

— Humano estúpido. Nunca viu um Primordial e por isso fala sem saber. Deuses não gostam de humanos que alcançam o nível divino. Humanos já foram severamente punidos por almejarem se igualar a um deus. Deveria ler os outros registros do Santuário.

O punho de Éris foi congelado instantaneamente, e ela se afastou de Hyoga, segurando o braço paralisado.

— Insolente!

— Uma vez, Thanatos me disse que para congelar um deus eu deveria alcançar um frio mais intenso do que eu já havia desenvolvido. Durante quase quinze anos, treinei para conseguir.

— Você conseguiu alcançar e controlar um frio mais poderoso que o zero absoluto?! Isso é impossível.

— Errado, Éris. Eu consegui. Um frio necessário para rivalizar com deuses. — disse Hyoga, elevando seu cosmo no punho direito. Passei os últimos anos me preparando para isso, pois sabia que cedo ou tarde o Olimpo iria se inclinar contra nós. Turbilhão de Gelo!

O ar ao redor de Hyoga girou violentamente, formando cristais de gelo. O Cavaleiro de Ouro lançou uma rajada de vento congelante, com capacidade de arremessar o oponente para o alto, enquanto cristais de gelo formam um turbilhão que engole o inimigo, congelando seu corpo por inteiro e o destroçando.

No entanto, Éris estendeu o braço e bloqueou o ataque, embora tudo ao seu redor estivesse congelado.

— Impressionante, Aquário. Posso sentir o seu frio atingindo a camada mais superficial da minha pele, mas ainda possui um cosmo fraco. — Éris reuniu uma grande quantidade de cosmo na mão, descongelando seu braço. Em seguida ela disparou o golpe.

Hyoga juntou as mãos e lançou uma rajada de gelo. Uma tempestade de neve se formou e uma parede de gelo ergueu-se, mas foi destruída pelo ataque de Éris. Pedaços de gelo se espalharam pelo campo, mas à medida que caíam, esquifes de gelo pontiagudos surgiam violentamente do chão.

Éris observou os esquifes se formando e sorriu com desdém. Seu cosmo negro se elevou, formando nuvens escuras. Raios sinistros de tonalidade roxa começaram a descer sobre o campo congelado, derretendo os esquifes de gelo.

Hyoga então levantou uma mão para o céu e uma tempestade de neve com ventos intensos começou a soprar, visível para todos no Santuário e no vilarejo de Rodorio. Da Casa de Sagitário, Seiya observava o confronto de cosmo.

Imensas lanças de gelo se formaram no céu, cintilando em azul brilhante sob o céu noturno. O ar ficou pesado, a temperatura caindo drasticamente.

Mirando Éris, as lanças desceram como uma chuva avassaladora. O som do ar sendo dilacerado ecoou pelo Santuário, enquanto a deusa da discórdia ergueu seu bidente em desafio ao ataque de Hyoga. As lanças gélidas e as rajadas de cosmo de Éris colidiram com violência, expandindo o raio de destruição do solo ao redor.

Enquanto o espetáculo continuava, Hyoga e Éris se encaravam intensamente. De repente, ambos partiram para o ataque corpo a corpo.

Hyoga saltou em direção a Éris, com o ar ao redor dele congelando tudo em um turbilhão de cristais de gelo. Éris, ágil e rápida, reagiu saltando para trás, esquivando-se com precisão. Hyoga atingiu o chão onde a deusa estivera, e uma rajada de vento congelante irrompeu, espalhando uma onda de gelo que transformou a região em um campo de cristais.

Sem perder tempo, Hyoga avançou novamente, sua velocidade aumentando a cada investida. Ele lançou um golpe direto, mas Éris, com um movimento gracioso, bloqueou o punho de Hyoga com a palma da mão, e então o repeliu com força. Hyoga foi jogado para trás, mas rapidamente se recuperou, girando no ar e pousando com os pés firmemente no chão.

Em uma nova investida, Hyoga saltou novamente para outro ataque direto. No entanto, Éris antecipou o movimento e desviou, deixando Hyoga passar por ela. Ele aterrissou com um estrondo, rasgando o solo em uma explosão de fragmentos de gelo e terra.

Antes que Hyoga pudesse reagir, uma série de rajadas cósmicas disparadas por Éris se lançou contra ele. Hyoga tentou se esquivar, mas foi pego de surpresa pela intensidade dos ataques. Cada rajada impactou seu corpo, empurrando-o para trás e forçando-o a se proteger com um escudo de gelo que formou instantaneamente ao seu redor.

A luta ocorria enquanto a tempestade de raios rugia contra os campo de gelo.

Hyoga desviava dos raios com precisão enquanto lutava. A troca de golpes gerava poderosos deslocamentos de ar que pressionavam o solo, abrindo fendas. Éris saltou para trás, elevando seu cosmo e fazendo seu vestido negro se dissolver em trevas, transformando-se em uma Couraça Divina que cobriu seu corpo. Ela então atacou Hyoga,

Com os punhos cerrados, Hyoga disparava diversas rajadas congelantes, mas Éris usava suas unhas afiadas para se defender. Éris alcançou Hyoga e causou um fino arranhão na armadura de ouro, No entanto, o Cavaleiro de Ouro contra-atacou, segurando o braço da deusa e lançando-a para longe com um ar congelante. Éris aterrissou bruscamente, rasgando o solo e ficando com os pés e as garras no chão. Mesmo com o intenso frio, estava suada, com o cabelo grudado na testa.

Agora eu compreendo por que os deuses temem os Cavaleiros Lendários. Pensou a deusa, encarando Hyoga.Mesmo sendo apenas um Cavaleiro de Ouro, seu cosmo consegue resistir aos ataques de uma deusa. Mesmo meu cosmo estando parcialmente selado pela Lua de Sangue, qualquer outro cavaleiro comum já teria sido retalhado. Mesmo sendo um Cavaleiro de Ouro. Hyoga consegue até mesmo impedir danos em sua armadura, a qual deveria ser pulverizada com meus golpes.

A deusa estendeu a mão direita e lançou um golpe de longa distância contra Hyoga. O golpe atravessou Hyoga, que explodiu como se fosse feito de neve.

— Uma ilusão. — comentou Éris, com um sorriso satisfeito.

Flocos de neve começaram a cair, formando um largo círculo e deixando Éris no centro. O gelo mais resistente começou a se formar e crescer a partir do círculo, cobrindo Éris e criando uma cúpula de gelo. A deusa se aproximou da parede de gelo e encostou a palma da mão, desencadeando uma onda de cosmo que a rebateu. Do lado de fora, a estrutura parecia um iglu, mas sem entradas ou saídas. O gelo começou a brilhar em um tom azul claro. Quando Éris percebeu o que estava acontecendo, era tarde demais. A cúpula explodiu, lançando uma coluna de cosmo para o céu e arremessando a deusa para o alto.

Éris girou no ar e removeu o gelo que a cobria, planando e procurando Hyoga. Do alto, parecia que uma parte da Sibéria havia caído naquele local. Hyoga estava lá, observando-a. Éris pousou no chão e toda a neve ao seu redor derreteu.

— Você luta muito bem, Hyoga. Não é à toa que é um lendário, mas não tenho tempo para brincadeiras. — disse Éris, estendendo a mão concentrando cosmo.

O cosmo de Éris girou em um espiral e dele surgiram dezenas de rajadas de cosmo.

O cavaleiro de Ouro desviou dos golpes da deusa e ergueu muros de gelo para se defender dos golpes que não conseguia evitar.

— Tenho que entrar no Santuário antes que o espetáculo comece.

— Espetáculo? Está se referindo à lua de sangue?

— Exatamente. Sabe o que ela significa, não é? — perguntou Éris, desaparecendo como fumaça. Ela surgiu atrás de Hyoga, tocou suas costas e aplicou um golpe que o arremessou para longe. — A Lua de Sangue ocorre em dois momentos após a retorno do deus Ares e seu exército. São dois selos impostos por Atena desde a Era Mitológica e que limitam o cosmo do exército do deus da guerra. É uma forma que Atena encontrou de ter vantagem no campo de batalha no início da guerra. Por isso eu não lutei com toda a minha força, Aquário. Mas não se preocupe. Sua hora de morrer ainda vai chegar.

— Minha hora... de morrer? — perguntou Hyoga, se levantando.

— Nessa guerra santa, ambos os lados se empenharão ao máximo para vencer.

— Jamais permitiremos que Ares vença essa guerra.

— Tolo! Isso não fará diferença. Acham mesmo que vão sobreviver até o fim dessa guerra? Ouça bem, Hyoga! Mesmo que Ares seja derrotado, nenhum de vocês, Cavaleiros Lendários, sairá vivo. Todos os deuses que não fazem parte do corte da guerra, mas se aliaram a ele, têm um único objetivo: exterminar vocês. Isso é uma profecia de morte!

— Deuses se rebaixando a Ares por pura vingança? — Hyoga esboçou um sorriso sutil. — Vocês tem tanto medo assim de nós?! Parece que nem você acredita na vitória de Ares. Estão tão acostumados assim com a derrota?

— O Olimpo quer a cabeça dos cinco, e é isso que o Olimpo terá. Não importa quem vença a guerra, todos vocês morrerão. De um por um, vocês cairão mortos. Talvez até os erros de Atena sejam perdoados pelo Olimpo.

— Tolice! — Hyoga ergueu ambas as mãos, unindo-as. — Sobrevivemos a Poseidon e a Hades, dois dos mais poderosos deuses do Olimpo. Não será contra Ares que cairemos!

— Veremos... — Éris ergueu a mão, e uma esfera de cosmo negra se formou ao seu lado, pulsando como um coração sombrio. — Você será o último a morrer, assistindo à queda de cada um dos seus amigos!

— Não fale bobagens! — gritou Hyoga, os olhos brilhando com determinação. — Morra, Éris! Execução Aurora!

A temperatura despencou quando Hyoga liberou seu cosmo ao máximo. Um imenso cisne de gelo tomou forma no ar, suas asas cristalinas irradiando uma luz cegante. Com um rugido cortante, a criatura gélida disparou em direção a Éris, rasgando o céu como a promessa de uma morte implacável.

À medida que o golpe avançava em direção à deusa, afiadas estacas de gelo emergiam do solo, congelando tudo ao redor e deixando o ar carregado de um frio cortante. O chão rangia sob o peso das formações cristalinas.

Mas Éris não recuou. Avançou contra o ataque, penetrando na tempestade gélida gerada por Hyoga. O cosmo dela brilhou como uma chama negra pulsante. Com um movimento preciso, desferiu um golpe direto ao centro da técnica.

O impacto foi avassalador. Uma explosão devastadora rasgou o ar, formando um turbilhão de neve e fragmentos de gelo. Ambos foram engolidos pelo vórtice gerado, e suas silhuetas desapareceram na tempestade.

Quando a fúria gelada finalmente começou a cessar e os flocos de neve começaram a assentar, a paisagem havia mudado completamente. O campo de batalha estava irreconhecível.

Hyoga e Éris haviam sumido no meio da explosão. No lugar onde antes se enfrentavam, restavam apenas fragmentos de gelo brilhando sob a luz. Próximo a eles, o corpo inerte de Nyctea jazia no chão, inconsciente. Escudos e lanças se espalhavam pelo cenário de destruição, entre centenas de corpos caídos dos soldados que haviam sido consumidos pela fúria do embate.

—...—

Portão Norte do Santuário — Grécia

— Mais uma explosão de cosmo. Vocês sentiram? — perguntou um jovem de cabelo loiro, trajando a armadura de prata de Lagarto. Seus olhos azuis cintilavam com uma beleza imponente.

Ao redor dele, vários Cavaleiros de Prata estavam reunidos perto de um grande portão fechado.

— Uma invasão está acontecendo no Portão Principal. Ficar aqui é um desperdício de tempo. Vamos até lá auxiliar os Cavaleiros de Bronze. — disse o Cavaleiro de Prata de Baleia

— Vamos! — respondeu os demais Cavaleiros de Prata.

No entanto, antes que pudessem se mover, um homem encapuzado apareceu diante deles.

— Fiquem onde estão. — disse ele. — Desperdício de tempo é ir ao Portão Principal apenas para empilhar os cadáveres. A essa altura, todos que guardavam o portão já devem estar mortos.

— Quem é você? — questionou um dos Cavaleiros de Prata.

O homem encapuzado esboçou um sorriso. Com um gesto simples, ele levantou o dedo indicador e o apontou para os Cavaleiros. Fios prateados brotaram do seu dedo e se dirigiram para a testa de cada cavaleiro. Eles ficaram paralisados, seus corpos imóveis sob a influência de um cosmo esmagador.

— Eu sou aquele que manipula a mente e o coração. — disse o homem. — Eu sou um deus, e vocês se submeterão ao Senhor Ares.

O Cavaleiro de Prata de Lagarto, aparentemente o único ainda consciente do que acontecia, ajoelhou-se diante do homem encapuzado, curvando-se em reverência.

— É uma honra estar diante de Vossa Excelência, Mestre Anteros, Deus da Manipulação. "Ele" me preparou para a sua chegada. Serei seu guia até Atena.

Como se movidos por um comando invisível, os demais Cavaleiros de Prata também se ajoelharam, seus rostos exibindo uma mistura de confusão e submissão.

Anteros esboçou um leve sorriso de satisfação.

— Agradeço por sua lealdade e informações, Alec. O senhor Ares reconhecerá seu valor. —Sem perder tempo, o deus deu as costas e começou a caminhar. Vamos! Precisamos alcançar o Templo de Atena antes da 1º Lua de Sangue.

Os Cavaleiros de Prata, agora completamente dominados pelo poder de Anteros, ergueram-se como marionetes silenciosas e o seguiram sem questionamentos.

—...—

Casa de Áries, Santuário de Atena — Grécia

Diante da primeira casa, dois homens encapuzados aguardavam.

— O que está esperando? — perguntou o mais alto dos dois. Ele carregava uma espada nas costas, a lâmina reluzindo sob a luz do luar.

— Há um cosmo poderoso emanando da casa de Áries... — respondeu o outro encapuzado, sua voz era mais contida.

— Quem está aí? — Uma voz firme e autoritária ecoou de dentro da casa, rompendo o silêncio da noite.

— Existe um guardião em Áries? — indagou o mais alto, surpreso.

— Não deveria haver, mas... — começou o segundo encapuzado, antes de ser interrompido.

— Eu perguntei... Quem está aí? Quem são vocês? — a voz de dentro da casa soou novamente, agora mais impaciente.

— Deixe de covardia e mostre-se! — gritou o encapuzado mais alto. — Somos a personificação do Medo e do Terror.

— Medo e Terror? Os deuses Phobos e Deimos?

— Exato. — respondeu o encapuzado alto.

Um silêncio denso pairou no ar, e então o ambiente ao redor da casa pareceu se tornar mais pesado, como se o próprio céu estivesse se curvando diante da força que se manifestava. De repente, um imenso cosmo explodiu de dentro da Casa de Áries, uma onda de energia tão poderosa que arrancou os mantos que cobriam Phobos e Deimos, revelando seus trajes divinos.

A Couraça de Deimos era uma visão aterradora, uma armadura sombria e imponente que parecia ter sido forjada nas profundezas de um inferno sangrento. Sua tonalidade era vermelha escura como sangue, e suas asas, largas e pontiagudas, evocavam as asas de um demônio. No elmo, dois chifres curvados se projetavam para cima. Era um traje bruto.

Já a Couraça de Phobos contrastava fortemente com a de seu irmão. Seu aparência era um pouco mais leve. Um par de asas angelicais adornava suas costas, leves e delicadas. No centro do peitoral, um rosto esculpido expressava medo, seus olhos vazios e sua boca aberta em um grito silencioso, como um lembrete constante do poder de Phobos.

Correntes irromperam da Casa de Áries, rasgando o céu antes de se voltarem contra Phobos e Deimos. Os deuses saltaram para evitar o ataque, mas as correntes, como serpentes famintas, curvavam-se no ar, perseguindo seus alvos. Cada corrente possuía um triângulo pontiagudo em sua ponta.

Deimos desferia golpes rápidos com sua espada, bloqueando algumas das correntes, enquanto Phobos desviava com agilidade.

Phobos, com os olhos estreitados, estendeu a mão, formando um escudo de cosmo translúcido à sua frente. As correntes se chocavam contra a barreira com violência incessante, rachando sua superfície.

— Apenas um Cavaleiro possui correntes capazes de enfrentar deuses. — afirmou Phobos, com frieza. — E ele é o antigo Cavaleiro de Ouro de Virgem. Shun de Andrômeda!

— O quê?! — exclamou Deimos, surpreso.

Do interior da Casa de Áries, Shun emergiu, trajando a Armadura de Andrômeda. Seu cosmo irradiava uma força tão intensa que rachava o solo ao seu redor, formando fissuras que serpenteavam pelo chão.

— Então é você... — murmurou Deimos com um sorriso perverso.

Golpeando as correntes que avançavam, Deimos cravou sua espada no chão. Uma torrente de chamas irrompeu, rasgando o solo em direção a Shun, formando uma onda abrasadora.

O Cavaleiro de Andrômeda elevou seu cosmo, criando uma corrente de ar ao redor de si, mas o fogo de Deimos fundiu-se com a energia de Shun, dando origem a um furacão flamejante que girava com o Cavaleiro no centro.

— Queime até os ossos, desgraçado! — rugiu Deimos.

— Deimos... — chamou Phobos.

O furacão de fogo intensificou-se, girando em alta velocidade e lançando chamas em todas as direções. No coração daquela tempestade infernal, um cosmo tão intenso quanto o próprio fogo começou a se concentrar na mão direita de Shun, estendida em direção a Deimos. Para surpresa dos deuses, Shun liberou um poderoso contra-ataque, uma rajada de cosmo e fogo que se chocou contra as chamas de Deimos.

Deimos arrancou a espada do solo e, em um movimento violento, cortou o ataque ao meio. A explosão resultante engolfou o campo em uma densa fumaça negra.

Shun estreitou os olhos, tentando enxergar através da névoa, mas de repente sua corrente circular ergueu-se diante dele, bloqueando o golpe de Deimos, que surgira da fumaça com a espada erguida para cortá-lo ao meio. Shun então elevou seu cosmo, repelindo Deimos com uma onda de força.

— Chega, Deimos! — interveio Phobos. Seus olhos azuis estavam fixos em Shun. — Ele está vulnerável para mim.

Phobos concentrou seu poder, e o cosmo de Shun começou a diminuir de intensidade, como uma chama prestes a se apagar.

— Vamos, menino prodígio... Mostre-me seu maior medo. Verum revelatum.

O corpo de Shun começou a tremer, seus joelhos cederam, e ele se ajoelhou, com os olhos arregalados voltados para o céu noturno. Um grito mudo de puro terror formou-se em seus lábios.

— N-não... — Shun murmurou, agarrando os cabelos com desespero.

Seu grito de agonia ecoou pelo Santuário, reverberando pelas colunas imponentes. Sangue começou a escorrer de seus olhos, tingindo seu rosto com um vermelho angustiante.

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Casa de Sagitário, Santuário de Atena — Grécia

— Shun! — disse Seiya, olhando para a Casa de Aries após ouvir o grito do amigo. — Shun deve estar precisando de ajuda. — Seiya deu alguns passos descendo as escadas, mas parou e olhou em direção ao Salão do Grande Mestre. — Não posso sair daqui. Tenho que confiar no Shun. — Seiya olhou novamente para a casa de Áries. — Shun...

—...—

Salão do Grande Mestre.

— Esse gritou... foi do Shun? — perguntou Tourmaline, voltando-se para o Grande Mestre.

— Foi. — respondeu ele.

— Shun é o cavaleiro mais poderoso presente no Santuário. — comentou Pavlin. — Não será derrotado assim tão fácil.

— Se Shun for derrotado... — Tourmaline olhou para Pavlin — Não importa quem esteja nas outras casas, terão o mesmo fim.

Atena permaneceu em silêncio, seus olhos fixos na porta do salão, como se aguardasse a qualquer momento uma intervenção inesperada. Ela estava nervosa, apertando com força o apoio dos braços do trono do Grande Mestre..

—...—

Casa de Áries, Santuário de Atena — Grécia

— O que foi, Andrômeda? — perguntou Phobos, se aproximando. O deus passou por Shun e parou de costas para ele. — Nunca perca o controle das suas emoções perto de mim. Posso revelar os medos mais profundos da sua alma. disse com um olhar de escárnio. — Para alguém tão puro como você, deve ser terrível ver pessoas sendo torturadas, violentadas... Afinal, a violência é o seu maior medo, não é? Um sentimento tolo. Você, que é um guerreiro há tantos anos e já enfrentou diversas guerras conhecendo o próprio inferno cara a cara, já deveria ter se acostumado com a parte obscura desse mundo.

Deimos se aproximou de Shun, pressionando a lâmina de sua espada contra o pescoço do Cavaleiro.

— Seus dias de vida e desobediência aos deuses terminam agora. — declarou Deimos.

— Pare! — ordenou Phobos. — Lembre-se do acordo e do plano de Anteros. Os Cavaleiros Lendários devem ser entregues ao Olimpo.

Deimos hesitou. Um lampejo de dúvida cruzou seu rosto enquanto ponderava se valia a pena manter o acordo. O desejo de terminar aquilo ali mesmo pulsava em seu cosmo, mas ele finalmente cedeu. Com um grunhido de frustração, retirou a espada e a embainhou

— Deixe-o aí. — disse Phobos. — Anteros está a caminho. Vamos!

Sem olhar para trás, os dois deuses partiram, desaparecendo na direção do salão do Grande Mestre.

Shun abaixou lentamente as mãos trêmulas, seu corpo parecia frágil e seu cosmo estava em completa desordem. O peso da humilhação e da impotência o sufocava. Mesmo sabendo que os deuses seguiam para o templo de Atena com intenções de matá-la, ele não tentou detê-los.

Ele apenas olhou para a estátua imponente da deusa, com lágrimas de sangue escorrendo por seu rosto.

— Me perdoe... Atena.

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Notas finais
Próximo capitulo: As Moiras se revelam no céu noturno, a lua de sangue começa a surgir e Deimos fica ainda mais violento. Seiya vs Deimos em sagitário. Capítulo 11: O anjo de asas quebradas. Agradecimentos: Gostaria de agradecer a todos vocês que têm acompanhado cada capítulo desta jornada. Também agradeço a quem começou hoje e já está ansioso pelo próximo capítulo. Seu apoio, opiniões, críticas e sugestões são extremamente valiosos para mim. Estou sempre de mente aberta para ouvir cada um de vocês e melhorar a história. Um abraço.