A Saga de Ares - Santuário de Sangue

11 Capítulo 11 - O anjo de asas quebradas


Notas iniciais
As Moiras se revelam no céu noturno, a lua de sangue começa a surgir e Deimos fica ainda mais violento. Seiya vs Deimos em sagitário.

Capitulo 11 — O anjo de asas quebradas.


Doze casas, Santuário de Atena — Grécia

Deimos e Phobos avançaram pelas doze casas indo ao encontro de Atena. Phobos, após confrontar Shun na Casa de Áries, havia subjugado o Cavaleiro de Andrômeda ao revelar-lhe seus medos mais profundos, deixando o caminho livre para prosseguir.

Os deuses passaram por Áries, Touro e Gêmeos, até se depararem com a imponente entrada da Casa de Câncer. Deimos, ao se aproximar, deixou escapar um leve sorriso.

— O que achou tão engraçado, Deimos? — perguntou Phobos, curioso.

— O cheiro que emana desta casa... — Deimos inspirou profundamente, quase degustando o ar ao seu redor. — É Terror e Morte.

— Não é surpresa — continuou Phobos, seus olhos olhando a escuridão à frente. — A Casa de Câncer está mais próxima da entrada para o Mundo dos Mortos do que qualquer outro lugar no Santuário. Almas errantes são atraídas para cá, buscando um caminho para o submundo, que agora não existe mais como antes, graças a Atena. Os Cavaleiros de Ouro de Câncer normalmente dominam o Sekishiki, a peculiar habilidade de controlar almas e abrir uma passagem entre o mundo dos vivos e a Colina do Yomotsu, a entrada para o mundo dos mortos.

Phobos encarou Deimos por alguns segundos, com um olhar analítico, antes de desviar a atenção para a lua, que agora pouco a pouco se tingia de um vermelho ameaçador.

— O primeiro selo, o qual restringe os nossos cosmos, está se rompendo. E o despertar completo do nosso pai começou. — disse Phobos, com uma serenidade inquietante.

— Senti isso durante a luta com o Andrômeda. — disse Deimos. — Vamos!

Sem mais palavras, Deimos voltou a correr em direção ao Templo de Atena, subindo as Doze Casas. Phobos o seguiu de perto, ambos desaparecendo na escuridão da Casa de Câncer.

—...—


Casa de Áries, Santuário de Atena – Grécia

Shun estava sentado nos degraus da Casa de Áries, sua mente e corpo atormentados pelos efeitos do golpe de Phobos. Seu cosmo oscilava violentamente, aumentando e diminuindo de forma descontrolada. O sangue ainda escorria de seus olhos, e gotas de suor lhe cobriam a testa, apesar da sensação de calafrios que o dominava.

— Vítima de Phobos, Andrômeda? — indagou uma voz calma.

Um homem encapuzado subia lentamente em direção a Shun. Com um esforço imenso, Shun tentou se levantar, mas suas pernas tremiam incontrolavelmente, e ele desabou de joelhos. O homem parou à sua frente, e ao seu lado surgiu um jovem com uma armadura prateada

— O senhor está bem? — perguntou o jovem, ajoelhando-se ao lado de Shun e colocando a mão em seu ombro.

Shun ergueu a cabeça com dificuldade. Os olhos azul-escuros e os cabelos dourados do jovem eram familiares.

— Alec... — murmurou Shon, com sua voz fraca.

Antes que pudesse completar a frase, um impacto brutal atingiu seu abdômen. O soco de Alec o lançou para o alto, fazendo-o colidir com o chão com violência.

— O que está... fazendo... Alec?! — perguntou Shun, com dificuldades e cuspindo sangue.

— Não há mais necessidade de lutar. — declarou Alec friamente. — Nessas condições, o senhor vai morrer. Vamos terminar com isso aqui. O exército do Santuário está defasado. Atena logo perecerá, e o Senhor Ares governará a Terra. Se jurar lealdade a ele, talvez o Senhor Ares tenha misericórdia e preserve a sua vida.

O corpo de Shun estava à mercê das consequências do golpe de Phobos. Seu sistema nervoso estava descontrolado e o cosmo em caos, não lhe permitindo reagir. Alec avançou sem piedade, acertando um soco direto em seu rosto. O Cavaleiro de Andrômeda desmaiou, incapaz de resistir. Antes que seu corpo caísse inerte, o Cavaleiro de Prata de Lagarto o segurou.

— Cerberus! — chamou Alec.

Um homem alto e forte, de cabelos longos e ruivos, se aproximou de Alec. Trajava a Armadura de Prata de Cerberus e segurava em cada mão uma pesada corrente com globos de ferro pontiagudos nas extremidades. Seus olhos estavam vidrados, quase sem piscar, e suas íris emitiam um brilho prateado. Sinal de que estava sob o efeito do golpe de manipulação de Anteros.

— Dorie de Cerberus, se apresentando.

— Leve-o para a prisão do Santuário. — ordenou Alec, lançando um último olhar para Shun. — As paredes daquela prisão foram seladas desde a era mitológica. Nem mesmo um Cavaleiro de Ouro consegue romper aquelas celas. Provavelmente, também deve suportar a força de um lendário.

— Sim, senhor! — Dorie agiu rapidamente, tomando Shun nos braços com facilidade. Ele envolveu o Cavaleiro de Andrômeda com suas correntes e o colocou sobre o ombro, seguindo em direção à prisão.

— Trate-o com cuidado. — disse Anteiros, caminhando lentamente até parar atrás de Alec. — Afinal, ele é o mestre de Alec.

Alec não respondeu ou expressou qualquer reação. Ignorou e continuou a caminhar em direção à Casa de Áries.

Anteros retirou o capuz, deixando seus longos cabelos roxos caírem livremente. Seus olhos prateados, deslumbrantes como duas luas brilhantes, continuavam a observar Alec com curiosidade.

— O cosmo de Éris desapareceu. — murmurou Anteros para si mesmo, refletindo sobre o que isso poderia significar.

Ele olhou para a lua, que estava ficando vermelha, e sorriu. Pesadas nuvens se formavam ao redor dela, deixando o céu negro. Contudo, nenhuma delas cobria a lua. Apenas a cercavam como um presságio sombrio.

—...—

Casa de Sagitário

— Não dê um passo sequer. — disse Seiya, apontando a flecha de ouro de Sagitário para um homem que estava subindo as escadarias.

O homem parou, lançou um olhar despreocupado para Seiya e sorriu antes de retomar a subida.

— Seiya de Sagitário, não é? — perguntou o homem, retirando a espada da bainha que carregava nas costas.

Seiya esticou a corda do arco e disparou. A flecha dourada cravou-se no chão diante do estranho, como um sinal de aviso.

— Vou repetir apenas mais uma vez. Se der mais um passo, não hesitarei em disparar uma flecha direto no seu peito. — disse Seiya.

O homem ignorou Seiya e continuou subindo as escadarias. Quando alcançou a metade do caminho, Seiya elevou seu cosmo e disparou a flecha de Sagitário. O projétil dourado cortou o ar em alta velocidade, brilhando com a energia cósmica do Cavaleiro de Ouro, mas antes de atingir seu alvo, a flecha parou no ar.

Olhos vermelhos brilharam na escuridão, e um cosmo sinistro envolveu a flecha, fazendo-a girar violentamente. Num instante, ela foi disparada de volta contra Seiya, agora envolta em um brilho escarlate. Seiya se esquivou no último instante, mas sentiu o ombro da armadura ser arranhado pelo projétil reverso.

— Ótimos reflexos — disse o homem, subindo mais alguns degraus. — Se tivesse sido um pouco mais lento, teria perdido o ombro.

Seiya recuou um passo, surpreso.

Ele fez como Poseidon daquela vez... Deteve a flecha e a lançou de volta contra mim! pensou Seiya. — Esse cosmo que você emana... não é de um berserker de Ares, é?! Você é um deus! Quem é você?!

O homem parou e sorriu.

— Realmente, eu não sou um dos berserkes...

— Somos os príncipes da guerra. — Uma segunda voz ecoou, fria e cortante — Somos os filhos da guerra. O Terror e o Medo. — disse Phobos, surgindo de trás de Deimos — Somos os filhos de Ares. Eu sou Phobos, o deus do medo.

— Eu sou Deimos, o deus do terror!

Sem aviso, Deimos avançou como um raio, com a espada em punho. O impulso de seu salto foi tão poderoso que fez o chão rachar e afundar sob seus pés.

Seiya ergueu o arco para bloquear a lâmina, e as armas se encontraram com um estrondo. O choque fez os ossos de Seiya vibraram, mas ele encarou o deus do Terror frente a frente. Deimos intensificou seu cosmo e investiu, mas o Cavaleiro de Ouro empurrou Deimos e saltou para trás, abrindo as majestosas asas de Sagitário. Aproveitando a distância criada entre eles, Seiya contra-atacou sem hesitar.

Meteoro de Pégaso!— mais de um bilhão de socos por segundos foram disparados. Uma chuva de meteoros cruzou o interior da Casa de Sagitário com uma velocidade sobre-humana, mas nenhum se quer acertou Deimos. Antes que os meteoros alcançassem seu corpo, eles simplesmente se dissolveram no ar, como se nunca tivessem existido. — “Não me resta dúvidas... — pensou Seiya. — Ele é realmente um deus! Ele parou a flecha e a lançou contra mim, assim como fez Poseidon. E agora se defendeu dos meus meteoros sem levantar um dedo, da mesma forma que Thanatos. Estou de fato diante de um deus!

— O que foi, Seiya? Achou que um misero golpe como esse iria me ferir? — Deimos desapareceu em um estalo seco, surgindo diante do Cavaleiro. — Tolo!

O deus deu uma chute no abdômen de Seiya. O impacto fez o Cavaleiro de Ouro cuspir sangue enquanto seu corpo era lançado como contra a parede da Casa de Sagitário. Seiya, mesmo no ar, girou o corpo e apoiou os pés na parede, usando-a como apoio para impulsionar-se de volta, investindo contra Deimos com o punho envolto com cosmo.

Cometa de Pégaso! — gritou Seiya e abriu as asas parando assim sua investida e disparando o golpe contra Deimos.

Bilhões de socos comprimidos em um único ponto formaram uma massa incandescente, como um cometa em queda. O golpe atingiu Deimos em cheio, arremessando o deus violentamente para trás.

Ele não apenas conseguiu acertar um deus... Como também o empurrou para trás... refletiu Phobos, observando a batalha.

Deimos recuperou a postura e limpou um filete de sangue que escorreu no canto de sua boca.

— Mesmo sendo um Cavaleiro de Ouro, a elite do Exército de Atena, é incomum ter tanto poder ao ponto de acertar um deus. Mas ainda assim você é inferior e luta de forma patética. — zombou Deimos, O deus cravou sua espada no chão e concentrou cosmo em sua mão. — E pensar que derrotou Thanatos...

Num piscar de olhos, desapareceu. Seiya arregalou os olhos alarmado ao perceber que nem mesmo sua percepção no nível da velocidade da luz conseguiu acompanhar o movimento do deus. Um frio percorreu sua espinha quando uma presença perversa surgiu atrás de si. Deimos já estava ali, com o punho cerrado prestes a desferir um golpe. Seiya mal teve tempo de erguer os braços em defesa quando o punho de Deimos colidiu com brutalidade, arremessando Seiya contra as paredes da Casa de Sagitário.

— Lento demais, Cavaleiro de Ouro. — debochou.

Mas para a surpresa do deus, Seiya rapidamente se ergueu e avançou desferindo um turbilhão de socos e chutes. Deimos desviava com movimentos mínimos, bloqueava com as palmas abertas e, a cada abertura, revidava com socos, até que bloqueou um golpe direto com a palma da mão, e repeliu Seiya com um contra-ataque expandindo seu cosmo.

O Cavaleiro de Ouro cambaleou para trás, mas manteve a postura firme. Seiya investiu novamente. Dessa vez Seiya forçou uma brecha, cruzando um chute alto que o deus bloqueou com o antebraço. A parede atrás deles rachou com a onda de choque. Deimos o empurrou apenas elevando seu cosmo, fazendo o Cavaleiro de Ouro rasgar o solo.

O deus então avistou o testamento de Aiolos gravado na parede atrás de Seiya e sorriu com desdém

Aos jovens que aqui chegarem, confio Atena aos seus cuidados”.

— Que coisa patética. — Deimos olhou para Seiya. — Foi o seu antecessor que escreveu isso?

— Sim. O cavaleiro que morreu protegendo Atena. Aiolos! Ele escreveu esse testamento antes de morrer... Para que os jovens que um dia subissem as Doze Casas para enfrentar o falso Grande Mestre e salvar Atena, lessem e dessem continuidade ao seu desejo. Proteger Atena!

— Que interessante...

Em um movimento rápido Deimos se dissolveu em cosmo e reapareceu na lateral de Seiya, com um olhar altivo emitindo um brilho vermelho em seus olhos. O deus segurou Seiya pela cabeça e avançou em direção ao testamento de Aiolos, colidindo brutalmente.

— Vamos selar as palavras do seu antecessor com o seu sangue então! — zombou, erguendo-o como uma presa. — Ou prefere escrever o seu testamento agora?

Violentamente a cabeça de Seiya foi batida várias vezes contra a parede e, em seguida, teve o seu rosto esfregado em cima do testamento, deixando uma mancha de sangue.

— Ouça, Seiya! Você vai subir as porcarias das Doze Casas novamente e vai salvar a sua deusa vadia, pois Atena está para ser morta hoje a noite.

Os olhos de Seiya foram tomados por um cosmo dourado furioso.

— Desgraçado! Não fale assim com Atena! — gritou ele, elevando o cosmo. — Eu não vou permitir que algo aconteça com a deusa Atena!

— Silencio! — gritou Deimos.

O deus o arremessou ao chão, abrindo uma cratera. O impacto se propagou revirando todo o piso.

Deimos achou que isso iria finalizar a luta. mas Seiya elevou o seu cosmo e abriu as asas de Sagitário, gerando um impulso cósmico que empurrou Deimos para trás e lhe permitiu voar. O Cavaleiro de Ouro então conjurou o arco de Sagitário e preparou uma flecha.

— Enquanto eu permanecer de pé, não darei a você a chance de tocar em Atena.

— Ouça bem Seiya! Atena não vai sair viva hoje à noite. Isso eu lhe garanto. — Deimos se afastou e foi em direção a sua espada. — Atena morrerá e o senhor Ares governará. Não adianta se esforçar contra o que já foi decidido pelos deuses.

— Nunca! Nós, os Cavaleiros de Atena, não deixaremos. Não importa qual seja a decisão dos deuses ou o destino que tenham nos traçado!

— “Nós”? Seiya, restou apenas você nas Doze Casas.

— Do que está falando? Os outros Cavaleiros de Prata e Bronze estão no Santuário.

— Os Cavaleiros de Prata e Bronze nada podem fazer contra nós. Alguns devem estar mortos e outros estão sendo controlados por Anteros. Somos deuses. Com o mínimo esforço somos capazes de pulverizar cada um deles. — Deimos segurou sua espada pelo cabo e a tirou do chão. — Aquário sumiu junto com Éris. Andrômeda foi derrotado por Phobos, mas agora me responda, onde estão Fênix e Libra? Estão no Santuário?! Acho que não.

Seiya não respondeu. Percebeu que de fato ele era a última barreira até Atena. Deixar os inimigos passarem seria o mesmo que declarar a morte de Atena e ele não poderia permitir isso. Seiya olhou para Phobos e viu que o deus estava parado na entrada da Casa de Sagitário observando a lua se tornando vermelha aos poucos. Já não mostrava interesse entre a luta dele e Deimos. Seiya olhou para Deimos e se viu ainda mais cobrado em não deixar eles passarem. Deimos era um monstro lutando e aparentemente não possuía uma falha se quer como brecha.

— Vamos acabar com isso, Seiya! — disse Deimos, apontando a espada. Phobos olhou de lado para o irmão. Seiya se colocou em posição de ataque mais uma vez, pronto para dar tudo de si. — Venha!

— Seu eu sou a ultima barreira entre vocês e Atena...

Seiya preparou a flecha e concentrou seu cosmo na arma douradas. — Então cabe a mim matar vocês dois!! — gritou o Cavaleiro de Ouro. Centenas de pontos luminosos surgiram no ar, como se formassem um domo de estrelas. Flechas sagradas de Sagitário!

Seiya disparou sua flecha, e os pontos brilhantes ao redor de Deimos brilharam intensamente, transformando-se em centenas de flechas douradas.

As flechas douradas cruzaram o interior da Casa de Sagitário como se fossem estrelas, bombardeando o local onde o deus se encontrava. Deimos, porém, avançou contra a saraivada, desviando, bloqueando e anulando as flechas com sua espada, até alcançar o Cavaleiro.

Seiya então estendeu o braço e, com um movimento rápido e preciso, guiou as flechas como se fossem extensões de sua própria vontade. Elas se alinharam no ar, formando uma colossal coluna luminosa que despencou sobre Deimos com violência. A a colisão e a explosão resultante fez a montanha das 12 Casas inteira estremecer. Uma onda de cosmo varreu a Casa de Sagitário, abrindo uma cratera gigantesca no centro do templo. O impacto foi tão descomunal que uma coluna dourada de energia irrompeu pelos céus, atravessando o teto e rasgando a estrutura em duas.

Arfando, Seiya pousou no chão, mas foi surpreendido quando o deus do Terror rompeu a coluna de cosmo sem qualquer dano relevante e avançou contra Seiya.

Seiya esquivou-se do golpe da espada de Deimos e contra-atacou com o punho cerrado. Os dois entraram em uma frenética troca de socos. O choque dos dois gerava explosões de cosmo que estremeciam a Casa de Sagitário.

Então esse é o poder do homem que derrotou Thanatos e feriu o corpo de Hades?! — pensou Phobos, sentindo o cosmo de Seiya aumentar.Nem parece aquele Seiya de alguns minutos atrás. O seu cosmo não para de crescer e eu sinto... Sinto uma força divina emanando dele. Não! É uma força quase divina. — Phobos arregalou os olhos Não acredito que ele... Superou o 7º sentido e agora está ultrapassando o 8º sentido! Se ele continuar assim... — Phobos elevou o cosmo. — Deimos, reaja! — disse o deus, mentalmente. — Agora! Caso contrário Seiya o derrotará!

Seiya desviou de um dos socos de Deimos e avançou para golpeá-lo no peito, mas algo o deteve. De repente, seu corpo ficou pesado, como se uma força invisível o restringisse. Antes que pudesse reagir, foi arremessado violentamente contra o chão. Era como se a própria gravidade da Terra tivesse desabado sobre ele. Seiya tentou se erguer, apoiando-se com um dos joelhos no chão, mas seu corpo não respondia. Estava paralisado, esmagado por uma pressão insuportável. Uma energia avassaladora o mantinha preso, como se o chão quisesse engoli-lo.

Um imenso cosmo vermelho preencheu a casa. Era o cosmo de Deimos, denso e opressor, gerando uma força esmagadora que pressionava Seiya contra o solo como uma montanha invisível.

— Não consigo me mexer. — pensou Seiya.

Quando finalmente percebeu o que estava acontecendo, já era tarde demais. Uma dor alucinante atravessou suas costas. Um corte quente e profundo abriu-se em sua carne, fazendo-o gritar. Mas a dor não vinha apenas da lâmina.

A lamina da espada cortou, mas uma chama negra o queimou, multiplicando a dor do corte. Uma das asas da armadura de sagitário foi quebrada e uma grande quantidade de sangue escorreu pelo ferimento. Atordoado, o cosmo de Seiya começou a se apagar e ele então desabou no chão.

— É um homem perigoso demais para viver. — disse Deimos. Mas é o Senhor Ares quem deve matá-lo. Além disso, Atena é nossa prioridade no momento. Vamos! Seiya não vai nos atrapalhar.

— Aplicou o seu golpe nele?

Sim. Terro tenebrarum.

Phobos observou Seiya. O Cavaleiro estava desacordado, gemendo baixinho, consumido pela dor e pelo peso do golpe.

A habilidade de Deimos consiste em materializar um Terror coletivo. Uma ilusão tão poderosa que mergulha todos ao redor em caos absoluto. Quanto mais os indivíduos acreditavam naquilo que estão vendo, mais real a ilusão se torna. E mais verdadeiros serão os danos que sofrerem.

Mas naquele momento, o ataque havia sido direcionado apenas a Seiya. Ele agora era prisioneiro de uma poderosa ilusão. Preso em seu pesadelo mais profundo, cada dor que sentia no sonho ecoava em seu corpo real, consumindo suas forças e drenando seu cosmo.

— A lua está quase completa. — disse Phobos. — Temos que ir até Atena.

— Que desperdício de tempo. — disse o deus, dando as costas para Seiya. — Esperava mais. Não acredito que deuses como Thanatos e Hades foram derrotados por esse humano.

Deimos e Phobos deixaram Seiya para trás e seguiram em direção ao templo de Atena.

—...—

Em algum lugar de Roma.

A imensa porta se abriu, e um homem adentrou o recinto. Tinha longos cabelos cor de vinho, com duas finas tranças que caíam sobre o peito. Seus olhos verdes reluziam como esmeraldas. No pescoço, dois colares de ouro o adornavam, e em cada punho, braceletes dourados cravejados de rubis. Vestia uma toga branca pendida sobre o ombro direito, que cruzava as costas, enrolava-se à cintura e descia arrastando-se pelo chão, cobrindo-lhe as pernas. Na mão direita, trazia uma taça de prata, cheia de vinho escuro.

O recinto era muito iluminado. Tratava-se de um imenso salão circular, cercado por várias estátuas dispostas entre colunas. Eram estatuas de anjos guerreiros com lanças e escudos nas mãos, usando armaduras de guerra e um elmo emplumado. Cada pilar possuía uma tocha que iluminava o recinto. O chão do salão era de mármore branco.

Na outra extremidade do salão, estavam as Moiras. As deusas do destino. Três mulheres sentadas sobre um bloco de mármore que mais se assemelhava a um altar. Cada uma delas coberta por uma túnica pesada, que ia do pescoço aos pés, ocultando completamente seus corpos. Os capuzes levantados escondiam seus rostos, e o tecido, da cor de pergaminho antigo, trazia ao redor da bainha e das mangas símbolos intricados, como se tivessem sido traçados com sangue.

Antes, estariam tecendo os fios da vida. Mas naquele momento, permaneciam imóveis, observando em silêncio o grande globo que transmitia as batalhas no Santuário de Atena.

— Desculpem-me por interrompê-las, mas parece que chegou o "momento". — o homem sorriu.

Ele aparentava estar sóbrio, mas falava como se estivesse embriagado.

Estamos cientes dos feitos dos filhos da Guerra no Santuário. — responderam as Moiras. As palavras ecoaram por todo o salão, como se viessem de todas as direções. Era uma voz envelhecida e tripla, como se as três falassem em uníssono. — Não havia necessidade de vir nos importunar.

O homem soltou outra risada e ergueu o cálice.

Ora, ora... peço desculpas.

Virou-se com desdém e saiu cantarolando, enquanto tomava mais um gole de vinho.

Vamos começar. — disse a Moira do meio.

Das três irmãs emanou um cosmo imenso, que começou a transbordar pelo ambiente. O teto do salão, antes completamente negro, agora revelava o céu noturno sobre o Santuário.

—...—


Santuário de Atena — Grécia

As nuvens negras se distorceram, e uma fenda dimensional se abriu no céu noturno. Surgiu então uma gigantesca imagem de três velhas encapuzadas, sentadas sobre um largo bloco de mármore. Diante delas, materializou-se um grande globo, que agora brilhava com um vermelho sinistro da mesma tonalidade da lua. Um vermelho sangue.

Seus olhos voltaram-se para as Doze Casas, onde Phobos e Deimos atravessavam a Casa de Peixes, em direção ao Salão do Grande Mestre.

No Santuário, todos pararam, hipnotizados pela visão aterradora que tomava o céu. Anteros e Alec, que subiam as Doze Casas, pararam diante da Casa de Escorpião, observando a colossal projeção das Moiras.

— As Moiras! — disse Anteros. — Se elas já estão aqui... precisamos nos apressar!!

—...—

Salão do Grande Mestre

— Que sensação estranha é essa?! — questionou Pavlin, a Saintia de Pavão.

— As Moiras se revelaram no céu, e os Filhos da Guerra marcham em direção ao salão. A lua tingiu-se de vermelho como sangue... É o presságio do retorno de Ares e de uma morte profetizada pelos deuses. — Atena apertou com firmeza o báculo em suas mãos e lançou um olhar grave para a porta do grande salão. — Que assim seja.

— Isso vai ser interessante... — murmurou Tourmaline, avançando alguns passos e colocando-se diante do Grande Mestre.

O Grande Mestre, porém, permaneceu em silêncio. Nenhuma palavra lhe escapou dos lábios. Seu corpo imóvel e o olhar fixo na porta deixavam claro que ele apenas aguardava o inevitável momento em que ela se abriria.

—...—

Notas finais
Próximo capítulo: Deimos diante de Atena. Uma batalha mortal entre deuses começa no Salão do Grande Mestre. Mentiras e verdades virão à tona. Traidores serão desmascarados. E afinal... para onde vai um deus quando morre? Você está prestes a descobrir. Capítulo 12 – O Fio dourado da Vida Ah, e sobre os Cavaleiros de Ouro... lembram que um deles será brasileiro? Pois bem, fãs de Câncer, preparem-se: vem aí um Cavaleiro de Ouro de Câncer com todo o estilo brasileiro de ser. Obrigado a todos vocês que continuam acompanhando essa jornada comigo. ❤️