A Saga E - A pirâmide Colossal

7 O perigoso chá da tarde entre o sol e a justiça


Notas iniciais
O que aconteceria num cordial chá da tarde entre dois deuses?

2018. Gizé. Oeste do Nilo e vinte quilômetros a sudoeste da cidade de Cairo. Templo de Karnak. Mais exato quilômetros e mais quilômetros abaixo da terra. Um território ou mais certo dizer “Um mundo” subterrâneo se encontrava debaixo da cidade natal do Rei dos Deuses.

Um exercito de Shabit fazia a segurança e os serviços locais, garantindo o bom funcionamento daquele lugar. Do alto de uma pedra, o herdeiro do trono – Hórus observava três curiosas pirâmides que se localizavam nos pontos lestes, oeste e uma bem ao norte, sendo a do norte a mais grandiosa e bela de todas.

Das pirâmides do leste e do oeste emergiam uma intensa energia cósmica. Da esquerda uma força branca como a neve e da outra uma cosmo energia azul como as aguas do mar. Hórus olhava atentamente aquelas pessoas que estavam presas e tendo suas energias vitais sendo drenadas pelas pirâmides. Tanto Hilda como Julian estavam desmaiados.

Mas o Deus falcão mirava a pirâmide do centro, a qual deveria estar sendo destinada para a maior deusa da Terra – Athena.

—-- Sem ela, jamais poderemos derrotar o caos! É nisso que está pensando sobrinho? – disse alguém atrás dele.

—-- O que esta fazendo aqui, Seth? – disse Hórus encarando com o seu olho dourado. – Não estou afim de papos hipócritas com você!

—-- Por favor, sobrinho, não seja hostil... Vamos esquecer tudo que aconteceu nos tempos mitológicos... O que acha de acelerarmos o plano de Rá?

Hórus trincou os dentes por conta da raiva e encarou aquele homem que era ruivo desde o cabelo ás sobrancelhas. Ele vestia uma armadura vermelha que lembrava um crocodilo, partes de hipopótamos, entre outros animais. Ele sorria esguiamente para o deus falcão que estava profundamente desconfiado.

—-- O que pretende, Seth?

—-- Eu quero invadir o santuário de Athena! – disse o cavaleiro vermelho com um sorriso maligno.

—-- Nós não podemos fazer nada sem a autorização de Rá!...Hm?

Hórus se assustou quando viu flocos de neve caindo, então ele olhou para o lado e seu outro olho prateado viu um outro Deus que estava deitado sobre uma rocha. Ele usava uma armadura branca com alguns desenhos de hierógrafos.

—-- Khonsu – O Deus da Lua! – disse Hórus com pouco caso. – O que faz aqui?

—-- Eu também concordo com Seth, menino Hórus! Por que esperarmos o santuário ficar mais forte? Se podemos esmagá-lo, agora mesmo?

—-- Miaaaaaauuu! – alguém ronronou muito alto.

Uma deusa saltou do alto de um morro e miou de forma que um grande eco tomou aquele lugar. Ela caiu diante de Hórus e ele parecia já estar irritado com tantos deuses lhe perturbando. A deusa era morena e tinha cabelos negros que estavam presos num rabo de cavalo. Ela tinha olhos felinos, amarelados e sorria para o Deus que lhe desprezava.

—-- Bastet, quer lutar! – dizia ela quase que ronronando.

—-- Droga!.. – praguejou Hórus quando viu mais e mais deuses se juntando as costas de Seth. – Vocês todos querem ser mandados de volta ao Duat por romper as regras, não é?

—-- Não se faça de inocente, Hórus! Está louco por vingança! Quer matar os cavaleiros de Athena tanto quanto nós... Eles não terão a menor chance e...

—-- Mestre Seth...-- dizia alguém do meio da reunião dos deuses. – Se eu fosse o senhor não os subestimaria...

Um cavaleiro conhecido surgira no meio dos deuses. Sua armadura estava um pouco danificada em algumas partes. Ela tinha a parte de baixo de um hipopótamo, o corpo de leão, e três cabeças de chacais. Ágora de Ammit havia sobrevivido a batalha de Asgard.

—-- Eu já havia arrancado os seus corações, mas mesmo assim eles se levantaram apenas com os seus espíritos de luta, e ainda sim queimaram seus cosmos até serem homens completamente assustadores e quase me matarem! – disse Ágora suando frio. – Ah!...

O servo de Anúbis voou com o ponta-pé inesperado de Seth. Os deuses abriram caminham para que o cavaleiro se chocasse contra a parede de minerais.

—-- Não nos compare com voce, seu fracote! Eu sou um dos filhos mais forte da deusa do céu e do Deus da Terra! Não há como, eu perder para meros humanos!...

Ágora trincou os dentes de raiva, mas abaixou a cabeça em sinal de obediência. Seth o ignorou e virou-se novamente para Hórus.

—-- E então meu sobrinho, o que você vai fazer?

—-- Eu preciso falar com ela, primeiro... – disse Hórus olhando para o meio dos deuses.

Seth sorriu ao ver uma mulher de costas. Ela era alta, de pele branca, seus cabelos eram ruivos e enrolados nas pontas. Ela usava uma teara branca e um vestido da mesma cor, só que adornado com pedras preciosas.

—-- Então Ísis ? O que vai aconselhar o seu filho? – perguntou Seth numa rizada maligna.

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Saori Kido abriu os olhos. De início ela ficou assustada ao ver o mar, numa belo fim de tarde. O por do sol dava uma coloração âmbar ao céu. A areia ainda estava quentinha, assim como a agua do mar que as vezes alcançava os seus pés.

Athena sorriu vendo aquela paisagem de paz, mas logo uma luz as suas costas chamou sua atenção. Era como se o sol que se punha diante dos seus olhos, estivesse nascendo de novo atrás dela. Seus olhos encheram-se de pavor quando ela o viu. Seus cabelos eram loiros, ondulados e quase tocavam o chão. Eles brilhavam uma luz como a do sol. Sua barba trançada caía até o meio do peito também loira e fez com que Athena suasse frio.

—-- Rá! – disse ela seriamente. – Eu deveria saber...

—-- Não se preocupe, Athena! Eu a trouxe aqui apenas para tomarmos chá... – disse ele sorrindo com os olhos.

O Deus sol estalou os dedos e uma bela mesa apareceu no meio da areia com toda a porcelana digna de deuses. Ele apontou para a outra extremidade da mesa, e Athena desconfiadamente se sentou. Rá começou tomando a sua xícara e parecia deliciar-se, Saori o encarava com a guarda alta, esperando qualquer movimento do Deus Sol.

—-- Eu não estou no santuário, certo? Como você fez para me tirar de lá sem que eu percebesse?

—-- Sim e não! – disse Rá em mais um gole. – Você ainda esta no santuário, para ser mais específico no seu aposento, você está apenas dormindo...

—-- Mas... Mas como...

—-- Bem, eu a aconselharia a comprar um descanso de cabeça encantado, querida...Seu bá pode sair pra dar umas voltinhas por aí!

—-- Meu o quê?!... – disse ela sem entender.

Rá terminou o seu chá e logo a sua parte da porcelania sumiu. Ele fez um sinal e Athena disse que não queria beber, então ele com um giro de mão fez a parte dela desaparecer também.

—-- Bá é o que vocês chamam de alma ou espírito! Nós acreditamos que a alma esta presa dentro do corpo, mas é possível livrar-se quando o seu dono esta dormindo e dependendo das correntes do Duat, ela pode ir para qualquer lugar no tempo e no espaço!

—-- Duat? Esse é o céu de vocês?

—-- Não, querida... Duat é o seu ciber – espaço. Ele é o reino dos espíritos. É onde nós moramos e é para onde vamos quando morremos! Mas também podemos usá-lo para chegar em lugares e tempos diferentes! Você nesse momento está na Itália e nem dormiu há dez minutos...

—-- Entendo... O que quer comigo, Rá?

—-- Conhecê-la Athena...-- disse o Rei admirando o por do sol. – Você viu que não é possível ganhar de mim numa batalha intensa, eu levei facilmente Julian Solo e Hilda de Polaris aos meus domínios, mas ainda preciso da sua força vital para completar a pirâmide colossal! … Vamos lá , Athena! Você não tem idéia de como é o nosso verdadeiro inimigo! Se me acha terrível, espere para conhecer Apófis...

Athena controlava suas emoções diante do intimidador deus sol. Ela respirou fundo e debruçou-se sobre a mesa.

—-- Como posso garantir que não é um truque para destruição da humanidade? Não é o primeiro que tenta reduzir esse planeta ao nada para a construção de um novo mundo!

—-- Há,Há,Há... – riu ele espontaneamente. – Como você é desconfiada... Assim, você me ofende...Eu não tenho nada contra os humanos, eu mesmo os ensinei a como usar a magia! Mas temo que com certeza alguns muitos deles morrerão na batalha final!...

—-- O quê?! – disse Athena com os olhos arregalados.

—-- Quando o mundo foi criado, só existiam duas forças: “O Maat ou força da criação, por isso chamamos esse mundo de Maat e o Isfet ou o caos. E esse caos se personificou e tomou a forma de uma serpente gigantesca e maligna... Ou seja, Apófis é o próprio caos...

Athena estava aturdida. Ela recostou-se sobre sua cadeira e ficou encarando o Deus sol com nítido pavor.

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Já havia escurecido no santuário. O grande Papa estava na escadaria do seu aposento observando a lua cheia que adornava lindamente o céu. Foi quando ele ouviu uma passada conhecida, e como se tivesse tanta intimidade com aquela guerreira, ele sorriu por debaixo da máscara quando sentiu o cosmo da fiel serva – a santa de Ophiuchus.

—-- Bom vê-la, Shaina! Mas Saori-sama já foi se retirar...

—-- Não vim falar com ela, mas com o senhor , Grande pai!... Eu estava pensando nos últimos acontecimentos e estou muito preocupada!..

—-- Rá? – chutou , mesmo sabendo que se tratava disso. – Por que ele tira o seu sono amazona dourada?

—-- Em caso de uma invasão contra o santuário nós poderemos detê-los? Quantos cavaleiros poderão contra aqueles deuses? Apenas os cavaleiros de ouro e nem sei se temos o poder suficiente para isso? Não sei se temos condições de defender as doze casas novamente...

—-- Não se preocupe com isso, Shaina... – disse o grande mestre tranquilamente. – Quem diria que há doze anos atrás cinco cavaleiros de bronze passariam pelas doze casas e derrotariam o cruel Saga e salvariam Athena? Não podemos perder as esperanças! Eu já convoquei o Geki e toda escola de Palaestra! Logo, todos os cento e oitenta e oito cavaleiros estarão reunidos novamente e estaremos prontos caso Rá tente alguma coisa!

Um silêncio se fez, mas o grande Pai viu que não conseguia satisfazer a ansiedade de Ophiuchus. Ele se levantou e a amazona em respeito se ajoelhou.

—-- Shaina, por conta das últimas guerras perdemos muitos guerreiros poderosos, mas pense bem, as doze casas estão quase completas!...Aries, Touro que está voltando para casa... Eu quero mandar o Santo de Capricórnio para defender a casa de Gêmeos...

—-- Capricórnio? – repetiu ela assustada. – Mas ele é um novato! Nem seu treinamento ele concluiu ainda, Mestre...

—-- O Santo de Aquário descerá até Câncer... – continuou ele ignorando o comentário da guerreira. – Leão continuará vazia... Creio que quando a casa estiver para ser violada, o seu defensor ressurgirá, se preciso for, eu descerei até Virgem, Libra também está para voltar, ele já cumpriu a sua missão...-- disse o mestre de forma pensativa. – Depois temos escorpião que nos surpreendeu muito depois que despertou seu verdadeiro poder, e por fim temos o lendário Sagitário, e no pior de tudo, temos você que por enquanto está defendendo Peixes...

—-- Ao todo três casas vazias... – contou Shaina. – Mestre tem tido notícias ou sentiu o cosmo de Marin?

Dessa vez fora a vez do mestre calar-se. Ele encarou mais uma vez a lua brilhante no céu e respirou fundo.

—-- Ainda não... – respondeu ele com pena. – Cheguei a mandar outros cavaleiros de prata que eram os mais fortes debaixo da liderança dela até a Terra de Gizé no Egito, mas eles também não voltaram... Creio que não poderemos contar mais com ela, Shaina...

—-- Entendo mestre... Não irei mais perturbá-lo mestre... – disse a amazona virando-se e descendo as escadarias de volta a casa de Peixes.

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—-- Por favor não me olhe assim, Athena! Me faz me sentir um vilão... – disse Rá pondo-se de pé. – Claro que eu não pediria algo assim tão sério sem recompensá-la a altura.

—-- O que quer dizer?

—-- Seus preciosos cavaleiros de ouro, seus protetores mais poderosos morreram na última guerra santa, não é? Foram mortos na batalha contra Hades, certo?

—-- O que tem isso?

—-- Se você vier comigo... Eu trarei todos os seus preciosos guarda-costas dourados de volta a vida...

Os olhos de Athena tremelicaram. Seu queixo caiu e a deusa ficou completamente aturdida com mais essa revelação. Era impossível. Eles esmagaram suas almas contra o muro das lamentações, jamais poderiam reviver novamente.

—-- Você acha que é impossível? Pra mim não querida... Não com Osíris do meu lado!

—-- Osíris – O Deus dos Mortos e da Pós-vida... – disse Saori lembrando-se.

—-- Exatamente!... Nesse momento ele já está junto com seu sobrinho Anúbis reformando o mundo dos mortos e você Athena pode muito bem trazê-los de volta! Mas para isso precisará vir comigo...

Athena estava dividida. Poderia dar a vida que seus cavaleiros de ouro não puderam ter, mas sabia que seu sacrifício resultaria na morte de outras pessoas ao redor do mundo.

—-- O.k... Não vou pressioná-la... Tudo que eu queria era fazer-lhe essa oferta, lhe darei esse dia inteiro que nascerá para tomar a sua decisão.... – disse Rá sorrindo. – Agora, acorde querida.

Rá estalou o seu dedo e Athena levou um susto. A Deusa acordou sobressaltada em sua cama. Pela cortina do seu quarto, ela viu a luz do sol entrando pela janela de mansinho. Sua respiração estava ofegante, e ela lembrava de cada palavra proferida pelo Deus Sol.

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O Grande Mestre estava no coliseu e observava o treinamento dos aspirantes a cavaleiros. Eles carregavam blocos de pedra que eram vinte vezes o tamanho de seus corpos. Outros usavam armas e treinos de estratégias e um grupinho aproveitava o tempo de descanso para conversar.

—-- Grande Mestre? – chamou uma voz familiar.

—-- Hum... – disse o grande mestre num sorriso de alivio. – Geki ! É bom tê-lo de volta, oh santo de Touro!...

—-- Voltamos mestre! Estamos todos prontos para gastarmos nossas vidas por Athena...

O grande Mestre sorriu por detrás da sua máscara quando viu todos os cavaleiros de bronze atrás de seu mestre. Mas não tão longe dalí, uma passagem do Duat se abria. Seth saiu trajando sua armadura vermelha e logo atrás dele, os deuses foram saindo um a um.

—-- Então quer dizer que eles chamaram reforços? – disse Seth vendo o conglomerado de cavaleiros.

—-- Parece que seu plano vai exigir um maior esforço! – dizia Hórus com os braços cruzados.

—-- Não se preocupe, Lorde Vermelho, eu darei conta disso... – disse alguém.

Os deuses masculinos sorriram pervertidamente quando a viram tomar a frente. A deusa trajava mais panos de seda sobre o corpo do que uma armadura. Apenas ombreiras, teara, gargantilha, peças nos braços e nas pernas e uma camada que protegia os seios.

Ela tinha a pele branca, quase que rosada. Tinha formas delineadas e volumosas que deixariam qualquer homem louco. Seus cabelos loiros combinavam perfeitamente com os olhos verdes, e sua feição infantil colocava os deuses aos pés dela.

—-- Anukel ? – disse Seth animado. – Tem certeza que pode fazer isso?

—-- Alguma fez falhei com o senhor? – disse ela quase invadindo os lábios de Seth. – Eu vou matá-los de tanto prazer...

Notas finais
Os deuses preparam-se para invadir o santuário de Athena O.O Que a carnificina comece.