A Rosa Vermelha

2 Uma Pequena Rosa - Parte 2


A região da Campina era um dos reinos mais ricos do continente e repleta de belas paisagens. Essa região é governada pela casa Beaumont, que fez da Colina sua morada e capital do reino. Apesar de ser a capital e cidade mais rica do nossos país, é dividida em Alta, Média e Baixa Colina, além do castelo, para separar a família real dos nobres, plebeus, pobres e escravos respectivamente, sendo que os dois últimos compartilhavam o mesmo bairro.

Gostava de andar pela cidade, ver o comportamento das pessoas e imaginar como seria se eu fosse uma delas. Gostava de aproveitar o máximo antes de voltar, já que raramente tinha oportunidades de sair do castelo. Apesar disso, até há cinco anos não tinha coragem de entrar na Média e Baixa Colina. Meu tio sempre dizia que as outras regiões da cidade eram perigosas, repletas de assassinos, estupradores e bandidos. Olhando agora, vejo que falava isso apenas para me assustar e evitar de que entrasse em lugares que não deveria. Não sei dizer sobre a Baixa Colina, mas o outro bairro não era assim.

Com exceção dos bandidos.

Ao caminhar na Média Colina, via que o festival em comemoração ao meu casamento já havia começado, com bardos cantando, bebidas e pessoas se divertindo. Os comerciantes também aproveitaram da comemoração para montar suas barracas e vender suas mercadorias. O bairro estava muito movimentado e alegre.

— Venham, venham! As nossas frutas são as melhores! Temos grãos de todos os tipos! – Gritava o comerciante, embora não recebesse muita atenção.

Num beco próximo da sua barraca, estavam dois jovens garotos. O primeiro, de 16 anos, prendia seus negros cabelos, formando um pequeno rabo de cavalo. Já o segundo, de 14 anos, era um moreno com um cabelo maltratado. Eram garotos pobres, era perceptível pelas roupas que eles estavam usando.

— Ei, Erik, ainda não? – Perguntou o mais novo, tentando espiar.

— Espera, se formos agora ele vai nos pegar.

Os dois garotos estavam de olho no dono da barraca. Como eram amadores, a forma que agiam era muito suspeita e chamava a atenção de algumas pessoas, entretanto, por se tratar de um festival, ninguém fazia nada.

Pouco tem depois, o comerciante atraiu a atenção de um cliente e começaram a negociar. Vendo aquilo, Erik passou a escutar o desenrolar da conversa dos dois.

— Ah, desculpa, mas acabou aqui. Espere um pouco, vou pegar mais na carroça.

O comerciante pegou um caixote vazio e foi pegar mais frutas em sua carroça, poucos metros atrás de sua barraca.

— Agora! Rápido! – Gritou Erik.

— Sim!

Os dois garotos começaram a correr à barraca. Chegando lá, abriram seus sacos e roubaram o máximo possível.

— Ei, vocês! – O cliente, surpreso por um momento, foi na direção dos garotos.

Vendo que o homem se aproximava, os jovens começaram a correr com seus sacos cheios.

— Aquele moleque de novo! – O comerciante olhou para o seu parceiro – Cuide da barraca!

O comerciante colocou sua caixa no chão e passou a correr atrás dos jovens.

— Volte já aqui! – Gritou o comerciante.

— Tente me pegar, idiota! – Gritou Erik, rindo e comemorando sua vitória.

— Vou te matar quando te pegar!

O comerciante se cansou muito rápido, ficando cada vez mais lento. Isso fazia com que a distância entre os dois ficasse cada vez maior. Erik olhou para ele e ao ver o quão longe ele estava, voltou a rir.

— Conseguimos! Jantar adquirido com suces–

Erik havia começado a comemorar muito cedo, pois quando estava para cruzar a esquinar e fugir com sucesso do comerciante, uma pequena garota loira com coroa de tranças surgiu em seu caminho.

— Ei, ei...! – Fiquei surpresa, até reconhecer quem corria desesperadamente – E... Erik?!

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— Por favor, o desculpe! Ele não passa de um idiota! – Me curvei continuamente pedindo desculpa.

— Por mais que diga isso, o outro garoto escapou. – Disse o comerciante.

— Aquele traidor. – Erik olhou para o lado, fazendo beiço com raiva.

— Cale a boca e peça desculpas! – Ao ver que Erik estava emburrado, soquei sua nuca.

— Isso doeu! – Erik colocou a mão na nuca e começou a me encarar, e viu meu olhar sombrio e assustador. Ele sabia que se não se desculpasse, bateria nele de novo. – Me desculpe. – Ele se curvou.

— Sobre a sua mercadoria, eu sei que não é muito, mas por favor, aceite essas moedas como pagamento. – Retirei um pequeno saco com moedas do meu bolso – Quanto ao outro garoto, eu não o conheço, mas quando encontrá-lo vou matar ele também. Por ora, por favor desculpe o meu irmão.

— “Irmão”? – Erik me encarou confuso.

— Sim, irmão!

Entreguei o saco com moedas ao comerciante e após ele ver as 20 moedas de ouro que haviam dentro, sua postura mudou completamente.

— N... Não se preocupe com o outro garoto! – O comerciante começou a esfregar suas mãos e se aproximou, esboçando seu sorriso amarelado – Peço desculpas pela maneira como eu agi, venha, venha, pegue o que quiser como retribuição.

— Hun? – Achei estranho o comportamento do comerciante.

— Com certeza, já que você insiste. – Erik, ao dizer aquilo, se levantou alegremente.

— Você não. – Disse o comerciante, friamente.

— Mesquinho maldito. – Sussurrou, mas o suficiente para escutarmos.

— Calado, Erik. – Belisquei seu braço.

— Ei, isso doeu, idiota! – Erik apoiou sua mão no braço dolorido.

— Como pode dois irmãos serem tão diferentes? A sua sorte, pivete, é que eu gostei muito da sua irmã e por isso não vou chamar os guardas. – O comerciante começou a esfregar as mãos.