A Rosa Vermelha
3 Uma Pequena Rosa - Parte 3
O salão do rei era um dos salões mais bem trabalhados do castelo. Havia vários desenhos no teto, que ao mesmo tempo que não eram exagerados, eram bonitos e chamativos. Os desenhos contavam as histórias e conquistas da casa Beaumont, sendo que cada cena desenhada era algo que deveríamos nos orgulhar e ser relembrar. A ideia foi de George, o Bravo, o quarto rei da Campina. Ao ordenar que fosse colocada as artes no teto, ele queria que sempre que a casa passasse por alguma situação difícil, olhássemos para cima e víssemos todas as adversidades que superamos. O que lhe motivou foi o lema de nossa família, “olhe acima”.
— Ainda não a encontrou?! – Gritou o rei Roland.
Além de ser um dos salões mais bonitos do castelo, era um dos mais agitados. Aquele seria um ótimo momento para o rei Roland olhar acima, apesar de não ser uma adversidade.
— Perdoe-me, rei Roland. – Disse Robb, curvado diante do rei – Já comuniquei os guardas, eles estão à sua procura.
— Ela é uma menina, minha sobrinha! – Ele se levantou do trono, com dificuldade, se apoiando em uma bengala.
Rei Roland, rei da Campina e lorde da casa Beaumont, não estava mais em seus melhores dias. Em seus 40 anos e acima do peso, o grisalho começava a salpicar seus cabelos loiros e longa barba. Ele havia se aposentado do campo de batalha há muito tempo, após receber a ferida mortal que quase o impediu de andar. Desde então, ele tem contado com uma bengala para se movimentar, embora seja teimoso e se esforce ao máximo para não depender dela. “Um rei precisa se mostrar como um forte protetor para seu povo”, ele dizia sempre que chamavam sua atenção.
— Eu te tirei da minha guarda real para ser o guarda pessoal dela! Justamente por saber de seu comportamento inadequado! – Rei Roland apoiou levemente sua mão em sua testa – Oh, pelos sete infernos! E se algo acontecer a ela na véspera de seu casamento?
— Não permitiremos, temos guardas em todo lugar procurando-a. – Disse Robb, ainda prostrado.
— Como você me garante? O número de assaltos que tem acontecido só aumentou com o festival. É perigoso lá fora.
— Meu pai, talvez o senhor esteja exagerando um pouco. Alice é esperta e sabe se cuidar. – Disse Samuel, o príncipe herdeiro.
Samuel tinha dezoito anos, apenas um ano mais velho que eu. Os cabelos loiros e olhos azuis eram marca registrada da casa Beaumont, com o herdeiro da família não seria diferente. Era alto e forte. Apesar de jovem, já havia ganhado vários torneios em nosso reino e se destacado nas outras regiões do continente. Estava construindo a sua imagem e possuía um lugar na corte.
— Calado, garoto. Foi você que mandei à Academia de York, junto de seu tio. Você foi criado para ser um guerreiro, um cavaleiro, ela não! Ela deveria ficar no castelo, como uma lady.
Sem ter como contra-argumentar, o príncipe cruzou seus braços e olhou para o lado.
— Não posso deixar algo acontecer com ela, só assim poderei me redimir com o seu pai. – Rei Roland olhou para Robb – Você, junte-se as buscas. Tenha em mente que o que acontecer com ela, farei em dobro contigo.
— Sim, majestade. – Robb se levantou e se apressou a sair do salão do rei.
Com a saída de Robb, o rei, mancando, voltou a se sentar em seu trono, onde respirou fundo e finalmente olhou para cima.
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