A Rosa Branca
14 Rumo às Trevas
––Uhn...?––gemeu tendo o primeiro sinal de consciência.
Mukuro, ao lado do demônio de fogo, observava-o atentamente.
Ele estava deitado em uma cama, numa sala grande e fria. Sua pele permanecia com marcas profundas de queimadura, e sua testa estava envolta por várias ataduras.
––O jagan...––murmurou ele, tentando mover a sua mão até o olho diabólico, mas não tinha forças para mover nem um dedo.
––Não se esforce––pediu Mukuro.
––Ele... ainda existe?
A mulher se surpreendeu com a pergunta. A dor devia ter sido extrema para ele não senti-lo mais.
––Sim.
Numa tentativa mais ousada que a anterior, tentou se levantar. Mas, apenas se moveu milimetricamente.
––Hiei! Não se esforce!––pediu novamente.––O seu núcleo de energia foi destruído, você não será capaz de se mover até que ele se restabeleça. Se esforçar só poderá piorar a sua situação.
––...
Era aquilo. Pela primeira vez, depois de ter implantado o jagan, sentira uma dor muito semelhante. Relembrou-se do momento da batalha. Tentou-se lembrar de como o inimigo destruíra o seu jagan. Logo ele começou a rir.
––Hiei...?––murmurou Mukuro.
––No fim eu que fui um idiota––lamentou com a voz fraca que conseguia emitir.––O inimigo havia me explicado sobre a técnica dele, e eu invoquei as chamas negras.
––Hiei... A dor causada pela falta de controle do seu núcleo, o jagan, fez com que seus pensamentos ficassem turvos naquele momento. Você invocou as chamas negras, mas isso fez com que uma energia ainda maior fosse enviada para o jagan controlar. Ele não agüentou toda a carga e explodiu. As chamas que você invocou acabaram te prejudicando também.
––... Mas que decadência.
––O que?
––Eu sendo consolado por você. Eu não preciso disso.
––Tem razão, me desculpe––pediu Mukuro sem conter o seu olhar de carinho para Hiei.
oOoOo
––Esperem!––pediu a guia que cortava os ventos com o seu remo.
Todos: Yusuke, Kuwabara, Kurama e a nova detetive estavam prestes a entrar no buraco que levava ao Mundo das Trevas.
––Koenma me confidenciou mais algumas informações sobre Pas Tou––disse Botan pousando no chão.
––O que é, Botan? Desembucha aí––pediu Yusuke.
––É sobre o poder dele. Parece que um demônio de classe baixa assistiu a luta dele com Hiei.
Todos observaram a guia com mais atenção.
––Ele tem a capacidade de tomar o controle do núcleo de energia do adversário.
––Núcleo de energia?––perguntou Kuwabara.
––No lugar do coração, os demônios têm dois núcleos que funcionam quase com a mesma função––explicou Kurama.––Um é o núcleo vital e o outro o núcleo de energia. Em muitos demônios os dois núcleos são juntos e funcionam um em parceria com o outro. Como se fossem um só. Mas, no caso do Hiei ele possui o jagan, que funciona como um núcleo de energia separado do ponto vital.
––Em outra palavras...––começou Sassame a frase, e Yusuke a completou:
––esse tal de Pas Tou é um cara perigoso.
––Muito perigoso––acrescentou Kurama.
“Ai! Caramba! Será que eu realmente vou poder ajudar dessa vez? Essa parada está muito complicada”, pensou Kuwabara consigo.
––Botan, há notícias novas de Hiei?––perguntou o youko.
Ela acenou negativamente com a cabeça:
––Não. Só sei que ele está sobre os cuidados de Mukuro.
Era inevitável que todos, com exceção de Sassame que não o conhecia, sentissem uma preocupação constante com o baixinho.
––Certo, vambora cambada!––chamou Yusuke passando pelo portal.
Horas atrás, o esquadrão especial de defesa do mundo espiritual foi até o local para abrir um portal que levasse os quatro para as proximidades da cede em eu foi realizado o torneio. Koenma queria que o grupo agisse rápido para resolver a situação o mais breve possível. Ele sabia que quanto mais tempo perdessem mais a situação podia se complicar.
Passaram pelo túnel dimensional e saíram nas Trevas, pousando no chão.
“Então... Isso que é o Mundo das Trevas...”, murmurou Sassame consigo, observando com certo temor o céu avermelhado e cheio de descargas elétricas.
Yusuke começou a correr, sem aviso prévio, em direção ao estádio. Os outros o seguiram.
Não precisaram entrar, Pas Tou esperava por eles ali fora.
Todos o observaram sem muita discrição, com exceção de Sassame que evitava olha-lo a todo o custo. Entretanto, ela parecia ser a única pessoa que ele enxergava. Kurama entrou na linha de visão de Pas Tou, numa intenção de proteger a garota, Yusuke fez o mesmo.
––Então são esses aí que vão junto...––murmurou ele. Encarou Yusuke e Kurama por um tempo muito longo. Depois, fitou Kuwabara rapidamente, sem grande interesse.––Então vamos.
Ele correu, e os outros o acompanharam. Depois de algumas horas de corrida, Yusuke perguntou discretamente, sem que os outros ouvissem:
––Kurama, você conhece esse caminho? Sabe para onde vamos?
––Eu não tenho certeza. Mas, esse caminho pode nos levar a dois lugares. E nenhum dos dois é pacífico.
––Certo––murmurou socando a própria mão.
Repentinamente, Pas Tou parou.
––Que que foi?––perguntou Kuwabara.––Nós já chegamos? Mas, isso aqui não parece lugar nenhum.
––Daqui vocês terão que seguir sozinhos.
“Achei que ele fosse nos levar até a tribo”, pensou Sassame. Pensou em perguntar, mas por algum motivo sentia arrepios só de encarar Pas Tou. Permaneceu quieta, mas ela não era a única com esse pensamento.
––Por que isso agora?––perguntou Kurama.
––Você não ia levar a gente até a tribo, não? Tá arredando o pé por que, heim?––encarou Yusuke.
––Não fiquem tão indignados, está perto. Vocês chegarão a uma espécie de oca, mais à frente. Tenho certeza de que darão um jeito de entrar.
Pas Tou, simplesmente deu meia volta e começou a correr o caminho de volta.
––ESPERA AÍ, SEU BIZONHO!––gritou Yusuke, mas o demônio não lhe deu atenção e continuou o seu caminho.
––E agora?––perguntou a garota.
––Meu sangue está fervendo. Eu estou há horas me segurando para não descer porrada nesse cara. E ele decide ir embora assim simplesmente? EU NÃO VOU ACEITAR ISSO!
Era óbvio, que tanto ele quanto Kurama tinham vontade de esmurrar o demônio depois das notícias que receberam sobre Hiei.
Yusuke estava pronto para correr atrás dele, mas Kurama o deteve:
––Fica frio, Yusuke. Não adianta nada ir atrás dele agora. Lembre-se de que não podemos perder tempo.
––É verdade––afirmou Kuwabara.––Aquele tal Peter Pan pode se aliar a eles se não impedirmos!
––É Loru Pan––corrigiu o youko.
Infeliz, o ex-detetive deu meia volta:
––Vamos acabar logo com isso.
Ele tinha muitos motivos para estar apressado. Precisava se acertar com Keiko e ver como Hiei estava com os seus próprios olhos. Por mais que tentasse, não conseguia imaginar o amigo da forma que Koenma havia descrito.
Kurama sentiu a quietude anormal de Sassame. Imaginou que deveria ser um choque para uma pessoa que renasceu no mundo dos humanos sem lembranças conhecer as Trevas, que possuía, no mínimo, uma imagem perturbadora.
Kuwabara sentia cada vez mais a discrepância do seu poder com o de Yusuke ou Kurama. Sentiu que talvez fosse melhor ter ficado de fora, como fez no último torneio. Bem, faria o que estivesse ao seu alcance, pois também queria proteger o mundo em que vivia, nem que para isso tivesse que dar a sua própria vida.
Assim que Yusuke deu o primeiro passo, todos o acompanharam rumo ao seu novo destino.
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