A Rosa Branca

22 Retorno Forçado ao Mundo dos Homens


Kurama sentiu uma sensação estranha quando passaram pelo portal do mundo dos homens. A sensação de deixá-la para trás não poderia ser agradável.

Koenma esperava no mundo dos homens.

––Ô, pintor de rodapé! Cadê o Loru Pan? Pode ir falando aí, porque se ele estiver nas Trevas eu volto para lá agora mesmo!––falou Yusuke, ansioso. Não pretendia voltar ao mundo dos homens sem ter resolvido a situação.

––Calma, Yusuke. Ele está nas Trevas, mas não sabemos onde.

––Tudo bem, então...––disse ele dando meia volta.

––Não vai adiantar nada você ir para as Trevas assim. É um mundo gigantesco! Você não vai encontrar ele tão facilmente, principalmente porque ele está escondido.

––E o que que a gente vai ficar fazendo? Esperando?

––Enki, o rei das Trevas, mandou todo mundo que lutou no torneio caçar ele. Mais cedo ou mais tarde irão encontrá-lo. E se tivermos sorte, os próprios youkais vão dar um jeito nele.

––Mas isso eu não aceito! Ouviu? Eu quero lutar com esse infeliz!

Yusuke não fazia idéia do quão incoerente estava sendo. Primeiro o problema foi ter que ir atrás de uma pessoa extremamente forte que ele não fazia idéia de como derrotar, e agora que essa pessoa saiu do seu caminho, isso se tornou um novo problema para ele.

––Ah! Sossega, carinha!––pediu Kuwabara.––Vamos para casa agora, vamos!

––Eu entendo que você queira lutar com ele, mas não vai conseguir encontrá-lo agora––falou Koenma.

Queria lutar, sim. Sabia que poderia elevar muito os seus poderes com aquela luta. Mas, acima disso, havia um novo sentimento em jogo, que ele tentava esconder de si mesmo. Por menos que pensasse e evitasse o assunto, queria que tudo estivesse resolvido para falar com Keiko. Não podia ir atrás dela com a situação mal resolvida como estava.

Yusuke se acalmou, aparentemente aceitando que os próximos dias seriam de uma passividade quase insuportável para ele.

Hiei ficou para trás. Ele não tinha motivos para ir ao mundo dos homens.

Koenma encarou Kurama:

––Quero vê-lo no mundo espiritual ainda hoje.

––...

Yusuke e Kuwabara, curiosos, o encararam. Então, realmente havia acontecido alguma coisa.

––E vocês dois?––perguntou o bebê de vestes azuis.––Tão fazendo o que aí parados? CIRCULANDO!

––??

––??

––Fui!––anunciou Koenma desaparecendo.

––Kurama...?––chamou Kuwabara, meio que pedindo uma explicação.

––Não se preocupem––respondeu gentilmente.––Não é nada demais.

––Kurama, você sabe onde aquele infeliz está?

––Não, Yusuke.

Parecia que realmente estava deixando transparecer algo, pois Hiei também fez a mesma pergunta, mas se referindo a Pas Tou. Isso o incomodou, sempre conseguia se controlar muito bem. Ou talvez, como eles o conheciam há muito tempo, estavam conseguindo decifrar quando havia algo de errado com o youko, se esse fosse o caso, ele teria de ser mais precavido dali em diante.

oOoOo

––Como é que foi essa história?

––Que história?––perguntou Kurama dissimulado.

––... Não faça gracinhas comigo, sua raposa––exaltou-se Koenma.––Desembucha! Você foi cúmplice do assassinato de uma tribo inteira. Ou vai me dizer que tirou Yusuke e Kuwabara de lá à toa? Como vocês estavam a mando do Mundo Espiritual parte da responsabilidade cai sobre as minhas costas! Sem contar o desaparecimento da detetive sobrenatural. Então, FALA!

“Então, Naida realmente o fez... Eu achei que não fosse agir tão rápido”, pensou, sentindo-se incomodado. Respondeu para Koenma:

––Sassame se lembrou do seu passado. Ela não me confidenciou fato algum. Mas, eu presenciei quando ela voltou à sua forma original de youko. Pelo jeito, ela preferiu ficar nas Trevas.

––E quem foi o responsável pelas mortes?

––Eu não estava lá para ver––falou dando de ombros.

Koenma se irritou. Sabia que Kurama não ia falar mais nada. Talvez o que mais o enfureceu naquele momento não tivesse sido a personalidade do youko, mas o fato de que o Mundo Espiritual já não exercia mais poder algum sobre aquele youkai. Tanto Kurama, quanto Hiei e Yusuke eram poderosos demais para serem controlados.

oOoOo

Yusuke não voltou para casa. Seria muito complicado ficar por lá, sabia que acabaria cruzando com Keiko mais cedo ou mais tarde. Sendo assim, só havia um lugar ideal para recorrer:

––Moleque, eu não tenho a obrigação de te receber aqui se você brigou com a sua namorada. Volte logo para falar com ela e não torre a minha paciência!––falou Genkai no seu habitual tom severo.

––Ah! Sua velha arrogante! Só quero ficar aqui até resolver toda a situação com Loru Pan. Depois eu volto.

––Já que o motivo é meio absurdo, você não vai ficar aqui de graça!

––O que? Mas que safada!

––Vá buscar água lá fora. Além de ir comprar a última versão do Masters Battle para mim, lá na cidade. Ah! Prepare um Lamen quando chegar.

––Sua exploradora!

––Se quer ficar aqui, vai ter que trabalhar. Deixe de ser tão mimado e vá logo fazer o que eu te mandei!

Genkai abriu uma porta, entrando em seu quarto enquanto cantarolava despreocupadamente.

––Minha vingança será maligna––murmurou Yusuke, irritado.

oOoOo

Muito controverso ao seu desejo, Yusuke foi até a cidade buscar o jogo que Genkai queria, entre lamentos e reclamações (e muitas ofensas à velhinha).

––Mas que diabos! Essa velha safada me paga!––falou ele.––EU ESTOU TÃO IRADO QUE ACHO QUE VOU ARRUMAR ENCRENCA COM O PRIMEIRO IDIOTA QUE CRUZAR O MEU CAMINHO!

Imediatamente, a rua que estava cheia de pessoas ficou deserta.

––Ah! Mas nem arrumar briga eu não consigo! Que ódio!––reclamou virando a esquina.

Seu coração disparou. Keiko estava há um quarteirão dali, vindo na direção dele. Ele ficou parado, observando-a. Esperou que se aproximasse. Ela não desviou do seu caminho.

Yusuke engoliu forte. Ela andava com o olhar baixo, não sabia se o tinha visto. Mas tinha quase a certeza que sim.

Estava chegando cada vez mais perto. Passou por ele.

––...

––...

A garota não parou. Seguiu o seu caminho como se não conhecesse Yusuke.

“Caramba, ela está irada comigo!”, pensou. “Ah! Vou atrás dela resolver isso agora!”, decidiu, mas quando deu meia volta, parou novamente.

Viu-a se encontrando com umas amigas. Ela sorria. Parecia muito feliz.

Sentiu que não tinha o direito de se aproximar dela, para fazê-la sofrer novamente.