A Roda da Fortuna
11 Então é Natal

Era a semana de Natal daquele mesmo ano. Slora e Balthazar estavam se organizando, para saber quem exatamente visitariam naquele período. Acordaram em passar a véspera de Natal com o Sr. e a Sra. MacQuoid. Visitariam Arias e seu marido no dia 20, Draco e Scorpius Malfoy no dia 22.
E claro, levariam Nicolau Copérnico junto. Era muito triste a ideia de passar o Natal sozinho.
Apesar de a ideia do Natal em si não necessariamente combinar muito com a crença pessoal de Slora, não se incomodava em comemorá-lo. Era um momento especial do ano em que poderia reencontrar sua família, afinal.
Haviam convidado Hagrid para passar o Natal com eles também, mas este já o faria na casa dos Potter.
Slora estava colocando suas roupas dentro da mala quando Balthazar entrou no seu quarto. "Já estou acabando, só um minutinho."
"Leve seu tempo." Ele disse, abraçando-a. "Só queria te ver mesmo."
A bruxa bufou, continuando arrumar suas coisas. "Você pretende levar esse treco?" Balthazar perguntou, apontando para a caixa de palhaço que estava em cima de sua cama.
A professora riu. "Só para entregar pra doação. Não acho que eu precise dele mais."
Seu namorado riu junto. "Ainda bem. Não gostaria de dar de cara com um bicho feio desses enquanto estivéssemos..." Seu tom de voz diminui. Slora deu um tapa em sua mão.
"Aqui não, Zay, pelo amor da deusa!"
Balthazar sorriu, dando um beijo na sua bochecha. Slora apressou-se, provavelmente Arias estava os aguardando para partirem.
☽ ☾
Os três chegaram na casa de Arias. Era bonita e agradável — dois andares, estilo tradicional — em uma vizinhança trouxa.
Não era tão comum bruxos optarem por morar entre trouxas. De certa forma, limitava sua liberdade.
"Estava bem barata." Assumiu Arias, destrancando a porta de entrada. "Colocamos feitiços nas janelas para que os vizinhos não vejam nada estranho, e também para abafar o som interno. Jamais desconfiarão de nós. Fiquem à vontade."
Sentaram-se no sofá da sala — adoravelmente decorada em estilo vintage. Balthazar encostou Copérnico contra a parede, sobre uma escrivaninha, para que interagisse.
Uma figura apareceu no corredor, observando-os atentamente. Slora supôs que fosse o marido de Arias.
Este era magro. Encostou-se contra a parede, em posição de espionagem — como se não conseguissem vê-lo dali. Seu rosto era inexpressivo. A enfermeira seguiu-o.
Arias levantou-se, abraçando-o forte. Seu marido não respondeu em palavras, mas permitiu-se ser abraçado.
"Noah," Arias sussurrou. "estes são nossos amigos. De Hogwarts."
Ao ouvir a última palavra, Noah soltou um lindo e inocente sorriso. Slora sentiu seu coração se apertar. Ela e Balthazar acenaram, sorrindo.
Noah, desajeitado, retribuiu o aceno.
O resto do dia fluiu com naturalidade e leveza. Conversaram, cozinharam juntos, ouviram música. Noah os assistia sentado na poltrona, com serenidade.
Em certo ponto do entardecer, Balthazar puxou Slora para dançar — e esta obedeceu. Dançavam de forma desajeitada e descompassada com as músicas agitadas, e nas lentas, contentavam-se em ficar abraçados, balançando de lá para cá.
Surpreendidos foram quando Noah pegou o pulso de Arias, levantou-se apoiando seu peso no marido e abraçou-o, tentando também se mexer no ritmo da música.
Slora abriu um largo sorriso. Arias abraçou Noah forte, tentando conter as lágrimas.
E assim permaneceram, até depois da música acabar.
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