Balthazar, Slora e Copérnico se despediram dos Srs. Berrycloth, agradecendo-lhes pela incrível estadia dos últimos dias. Muito haviam se divertido.

"Bom..." Murmurou Balthazar. "Lá vamos nós para a próxima parada. Talvez esta não seja tão calorosa quanto."

Slora pôs a mão em seu ombro. "Tenho certeza de que será ótima. Foi ele que te convidou, não é mesmo? Não é como se fosse um intruso indesejado."

Copérnico suspirou. "Uh, casos de família, né? Nem me fale. Tive uma irmã que era freira — quase me apedrejou quando eu descobri que era bruxo."

A bruxa cerrou os dentes. "Nossa, Nicolau. Deve ter sido complicado pra você."

A pintura deu de ombros. "Nhá. Sem problemas. Não gostava dela mesmo."

E respirando fundo, Balthazar os aparatou. Aterrissaram já na frente da casa de Draco Malfoy.

"Draco me garantiu que seus pais não estariam. Aparentemente, serão Draco e Scorpius que irão passar o Natal na Mansão Malfoy com eles. Então, este risco não corremos." Disse Balthazar, enquanto caminhavam até a porta.

"Abençoada seja a deusa." Sussurrou Slora. "Mas ele sabe que vim junto, não sabe?"

"Sabe. Fiz questão de dizer." Garantiu-lhe. Slora não resistiu, dando-lhe um beijo na bochecha.

"Muito fofinho você. Muitas vezes, nem acredito que é um Malfoy."

A este ponto, Nicolau já estava revirando os olhos, fazendo careta.

Balthazar respirou fundo, e com ombros tensos, bateu à porta. "É," Admitiu ele. "nem eu."

Quem abriu a porta, enérgico e feliz, foi Scorpius. Este abraçou Balthazar sem cerimônias. Logo depois, virou-se para cumprimentar Slora com um sorriso malicioso. "Profa. MacQuoid. Seja bem-vinda!"

"Por hoje, não serei sua professora, Sr. Malfoy." Esta assegurou, sorrindo. Sabia que, ao seu retorno à Hogwarts, esta seria a maior fofoca do momento.

Draco veio até eles, com um sorriso sincero. Cumprimentou Balthazar, e então, Slora. Surpreendentemente, não viu o julgamento de sangue que esperava. Talvez Draco tivesse amadurecido seus conceitos. Ou talvez, nem desconfiasse de suas origens...

"Ei." Bufou Nicolau. "Também estou aqui." Os Malfoy se desculparam pela indelicadeza, cumprimentando-o também.

De qualquer forma, Slora estava disposta a aproveitar a boa disposição de seus anciões em recebê-la. Depois que Draco lhes mostrou a casa — de fato, muito grande e luxuosa, acomodaram-se na sala de visitas, servidos de vinho.

A conversa decorreu naturalmente. Entre os Malfoy, logicamente. Slora ainda não se sentia tão confortável para falar, então reclusou-se em silêncio. Balthazar, percebendo sua quietude, pegou sua mão.

'Ainda bem que ficaremos aqui apenas um dia. Não sei se conseguiria ficar tão tensa como estou agora por muito mais tempo.' Pensou.

Os olhos de Slora foram para o quadro na parede da sala. Era uma mulher bonita, via os traços dela em Scorpius. O quadro não estava encantado, entretanto — a imagem a encarava, estagnada.

"É a minha mãe." Comentou Scorpius, percebendo a curiosidade da bruxa. "Morreu ano passado."

"Oh." Comentou Slora, genuinamente empática. "Eu sinto muito."

O semblante de Draco retorceu-se em luto. Deveria estar sendo difícil para eles. Aquele deveria ser o segundo Natal que passavam sem ela. Claramente ainda estavam processando sua ausência — ao ponto de não se sentirem confortáveis o suficiente para dar-lhe vida no quadro.

Uma súbita e forte batida deu-se na porta de entrada, assustando-os. Pedindo licença, Draco foi atendê-la.

"Filho!" Ouviram da entrada. Slora e Balthazar congelaram. "Estava passando por perto, resolvi dar uma visita. Encontrei aquele tempero de que te falei, para a ceia." Lucius comentava com casualidade, entrando na casa sem cerimônias.

Slora sentiu a mão de Balthazar apertando a sua. Subitamente, sentiram vontade de aparatar — mas concluíram que seria uma terrível indelicadeza com Draco se o fizessem.

'Prepare-se.' Pensou Slora consigo mesma. 'Isto será um desastre.'

"Pai... Agradeço, mas estou ocupado agora... Estou com visitas." Draco tentou freá-lo.

"O quê? Visitas? Por que não me avisou antes! Podemos testar o tempero no jantar de hoje, então! E então teremos a opinião deles." Lucius caminhou até a sala de visitas. Ao ver Balthazar, seu sorriso desmanchou.

Nicolau coçou a nuca, sem entender muita coisa. "E a princesa Elsa aí, quem é?"

De súbito, Slora agarrou a moldura de Copérnico e puxou Balthazar pela mão. Direcionou-se à Draco: "Sr. Malfoy, agradecemos imensamente o convite. Foi uma tarde muito agradável, sua casa é linda. Seu filho é um excelente aluno. Creio que teremos que partir, agora. Um feliz Natal a todos vocês."

"Não. Não, não e não." Draco bloqueou a saída. "Srta. MacQuoid, faço questão que fiquem. Meu pai está certo, ainda não servimos o jantar. Seria uma desfeita se não o fizéssemos, sim? Scorpius, peça aos elfos para esquentarem a carne. Podemos aguardar na sala de jantar..." Disse ele, apontando para esta.

Balthazar a puxou para uma das cadeiras, acomodando Nicolau em outra. Slora viu um pequeno contorcionismo na expressão de Lucius ao ouvir seu sobrenome. 'Trouxa.'

Os anfitriões deixaram os três aguardando na sala de jantar — provavelmente porquê estavam tendo uma discussão familiar na cozinha.

Slora afundou a cabeça em suas mãos. "Desculpa, Zay, eu só fiquei desesperada, eu sabia que isso era importante pra você, então ver seu irmão chegar e estragar tudo..."

Balthazar suspirou. "Eu entendo. Mas acho que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde."

Seu namorado pôs a mão em seu ombro. "Fico feliz que você esteja comigo."

Slora riu. "O primeiro desaforo que vier fora da boca do oxigenado..."

"Eu sei. Eu sei. Tiro, porrada e bomba. Eu te conheço." O bruxo riu junto.

Draco e Scorpius tentaram fazer que o jantar fosse o mais descontraído possível — se não fosse pela presença agourenta de seu pai ao lado. Ao menos, em sua maior parte, Lucius buscou encarar o seu próprio prato em silêncio.

Mas é claro, não o fez por completo. Lucius virou-se para Slora. "Então também leciona em Hogwarts, Srta. MacQuoid?"

"De fato, Sr. Malfoy." Fez questão de não lucrar muito o assunto, como normalmente faria.

Draco aproveitou-se para satisfazer sua curiosidade: "Então foi assim que vocês se conheceram?"

Slora e Balthazar se olharam, sorrindo. "Sim, mas como estudantes. Só tivemos a coincidência de nos reencontrar no mesmo ano, como professores."

"Que... Tocante." Concluiu Lucius, suavemente. "E de que casa você era, Srta. MacQuoid?"

A bruxa ergueu o queixo, com orgulho. "A melhor delas. Lufa-lufa."

Lucius não conteve o sorriso de deboche. Scorpius fez sua tentativa de suavizar a conversação: "As aulas da Srta. MacQuoid foram de longe as minhas preferidas deste ano. Desculpe, Zay."

Balthazar sorriu, perdoando-o.

Lucius fez um gesto de pouco caso. "E a disciplina seria...?"

"Adivinhação." Scorpius respondeu.

Desta vez, Lucius não conseguiu segurar o riso. "Meu neto, você deveria se preocupar com algo mais... Sério, não acha?"

"De fato, de fato." Declarou Slora, antes que pudesse se conter. "Se não, pode ser que acabe como seu avô. Drenando sua vida e energia em um propósito vazio, como em um culto de psicopatas."

O punho de Lucius se fechou, assim como sua expressão. "O que está querendo insinuar?"

Slora não se abalou. "Que se anos atrás o Sr. tivesse procurado algum dos meus para consultar o seu futuro, talvez não tivesse se envolvido em metade das situações desagradáveis que vivenciou, Sr. Malfoy." Sua voz não vacilou.

Os dois se encararam firmemente, como se disputassem quem piscaria primeiro. Slora não se rendeu. Lucius foi o primeiro a desviar os olhos, buscando apoio de seu filho. Draco deu de ombros. "Não é como se ela estivesse errada."

Lucius bufou, e claramente frustrado, voltou à sua refeição.

Após alguns segundos, Scorpius murmurou: "Eu gosto de Adivinhação..."

Draco o repreendeu. "Conversamos sobre isso depois, meu filho."

Slora deu uma piscadinha para Scorpius, sorrindo. Este retribuiu o sorriso, retraído.