A Revolta Dos Olimpianos
3 Como Ser um Péssimo Negociador, estrelando: Apolo!
Muitas vezes Apolo se sentia como se estivesse pegando fogo. Sendo o Deus sol, era algo comum para ele sentir até um certo calor é claro. Mas naquele momento Apolo estava realmente pegando fogo. Ele sabia que não devia deixar a raiva tomar conta e que o fogo queimaria o estofamento inteiro de seu carro e ele teria que arranjar um novo em algum mecânico do Olimpo. Mas não podia deixar de sentir como se quisesse explodir cada pedacinho de Ares e depois cortar o que restasse em pedacinhos menores e jogar no Tártaro.
Ele teria uma audiência com os três grandes dali vinte minutos ou menos. Precisava terminar de guiar o sol antes e graças ao atraso no acampamento tinha que ir rápido. E quanto mais rápido mais quente, era a regra. E a raiva também não ajudava. Talvez mais tarde se arrependesse de sobrevoar o Brasil daquela forma, mas tinha que voar por mais um continente inteiro antes de voltar para Nova York e ter sua audiência.
O Deus Sol chegou exatamente sete minutos atrasado e pela cara do grande senhor Zeus, aquilo era mais do que o suficiente. Ele andava de um lado para o outro e a veia latejando em sua testa não era um bom sinal. Poseidon parecia achar engraçada atitude do irmão, pois tentava conter um sorrisinho, sentado calmamente em seu trono. Hades também estava de pé, mas não por impaciência, pois parecia mais entediado do que outra coisa. Na verdade o Deus do Mundo Inferior ainda não tinha um trono no Olimpo, mesmo que seus filhos já tivessem um chalé no Acampamento Meio Sangue.
— Está atrasado! – Zeus rugiu, apontando para Apolo. – Recebi uma notificação, de um ciclope e não do meu filho Hermes veja bem, que não receberia mais novos raios. As flores por todo o Olimpo estão murchando! E eu não encontro a maldita Hera em lugar algum. Explique-se!
Ele se sentou e algo surgiu em sua mão. Parecia energia em sua mais pura forma, cintilando ameaçadoramente. O Raio Mestre de Zeus. Apolo desviou o olhar, pois até mesmo um Deus deveria ter a decência de temer a fúria do Senhor dos Deuses. Gostaria de saber onde a cabeça oca de Ares estava para pensar em uma revolução.
— Todos convencidos, Pai. – Apolo resmungou, olhando para baixo. — Ares conseguiu o que queria.
— Você é mesmo inútil. Por que devolvi seus poderes depois da guerra contra Gaia ano passado?!
— Como isso aconteceu? – Poseidon perguntou, parecendo genuinamente preocupado. – Até mesmo Atena? Ela não se deixaria levar por uma loucura dessas.
— Até mesmo ela. Ares foi astuto. Prometeu algo a ela, mas não pude descobrir o que. Não sei o que aconteceu com a Rainha Hera, mas talvez o mesmo que Deméter.
— O que aconteceu com aquela gárgula velha? – Hades finalmente demonstrou interesse na conversa.
A contragosto Apolo relatou os acontecimentos no Acampamento. Poseidon ouvia tão seriamente que parecia capaz de perfurar o outro com o olhar. Zeus batucava no braço do trono com impaciência, como se estivesse farto dessa brincadeira toda. De algum modo Hades parecia se deliciar com o ocorrido.
— Aquela velha estúpida sempre mete o dedo onde não é chamada, fiquem com ela é o que eu digo. – ele resmungou.
— Irmão, por favor, o assunto é mais sério que a rivalidade entre você e a mãe da sua esposa. – Poseidon interrompeu.
— Sempre tentando por Perséfone contra mim...
— Hades.
O Deus revirou os olhos, mas se calou. O salão ficou em um silencio mórbido nunca antes visto durante uma reunião. A ordem tinha sido para que Apolo tentasse convencer os irmãos e voltasse com os que tinham aceitado não lutar. A voz de Zeus agora ecoava, muito mais poderosa sem outros nove para diminuí-la.
— Eu sabia que não podia contar com você. – resmungou. – Deveria ter ido eu mesmo, mostrar um pouco do que eles ganham com esses pensamentos estúpidos.
O raio faiscou perigosamente e os olhos de Apolo também. Ele ergueu a cabeça num gesto de desafio, ficando quase cinco vezes a sua altura, podendo encarar Zeus em um mesmo patamar.
— É por isso que eles se rebelam. O Senhor realmente não merece esse respeito, pai. Não aprende com seus erros. Subestimou os Deuses Menores na primeira guerra contra os titãs e quase fomos derrotados por Tifão. Deixou eles de lado mais uma vez durante a Batalha de Manhattan e metade deles foi para o lado de Cronos. E no ano passado ignorou os avisos e foi cabeça dura demais para aceitar que precisávamos dos Semi Deuses. Não consegue aceitar que alguém inferior ao senhor seja digno de atenção e isso um dia será sua ruína. O único motivo para eu estar aqui e não ao lado de Ares é que eu sei que não devemos nos fragmentar mais, só seria mais perigoso.
Ele respirou fundo e se preparou para ser pulverizado e exilado. Sabia que tinha passado dos limites.
— Você preveu algo assim? – Zeus perguntou, desconfiado.
— Não. Mas não preciso do Oráculo de Delfos para saber que a arrogância sempre acaba com os poderosos. Esta em todos os lugares da história.
— Humanos...
— Ai! Novamente! Não me surpreende que todos tenham sido convencidos a lutar contra você. A culpa não é minha, é sua. Se tem alguém que fez todas as escolhas erradas nessa sala, foi o senhor. E agora estamos em guerra por causa disso. Espero que esteja feliz.
E se virou para sair, temendo a qualquer minuto que aquele raio incandescente acertasse seu traseiro, mas o golpe não veio. Ao invés disso Zeus ficou calado pela primeira vez ao ser desafiado. Apolo ouviu o som do trono de mil quilos sendo arrastado e os passos de Zeus para fora da sala.
— Sobrinho, por favor, volte. – Poseidon chamou.
Apolo hesitou, mas atendeu ao pedido.
— Você tem razão. – o Deus dos Mares disse seriamente. – Há anos ninguem, nem mesmo a Rainha Hera diz algo assim para o meu irmão.
— Realmente, ele mereceu. – Hades murmurou, espichando a barbicha. – Eu por incrível que pareça também sempre fui desprezado. É incrível que eu esteja jurado de vingança também, mas ao que parece meus poderes são grandes demais para serem ignorados.
— Ele verá a voz da razão. – Poseidon ignorou o irmão. – Acredite, Zeus pode ser um teimoso cabeça oca...
Um relâmpago fez-se ouvir não tão distante assim. Poseidon revirou os olhos.
—... Mas ele tem um bom coração. Nossos irmãos Olimpianos não se perderão, Apolo.
— Espero que esteja certo.
Os três Deuses encararam o fogo baixo no braseiro no centro do salão, pensando no rumo terrível que seus destinos podiam tomar se não estivessem certos.
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