A Realeza
1 O Rei
Notas iniciais
Era hoje!
Ajeitei-me com certa dificuldade na cama, meu ombro ainda doía, mas graças ao médico, estava bem melhor. Fazia cinco dias que meus pais tinham morrido. Cinco dias que eu era o Rei. Quatro dias que América havia me dito sim.
Estava ansioso por esse dia, pois era mais um passo para que ficássemos juntos para sempre. Por mim casaríamos logo, ela viraria rainha e pronto, mas os conselheiros bateram o pé, afinal era protocolo, e ainda mais agora que era o Rei, só poderia me casar com uma princesa ou rainha. Queria que meus pais estivessem aqui. Mesmo meu pai reclamando, mas sei que minha mãe estaria do meu lado como sempre.
Flashback
– Acho que é ela mãe. – Digo olhando America enquanto ela brinca com as meninas. Estou muito feliz que tenham se dado bem. Até haviam tirado fotos juntas.
– Você ainda acha meu amor? – Ela diz rindo e eu a acompanho. – Mas porque ainda não acabou com a Seleção? – Ela me olha enquanto caminhamos pelo corredor.
Ofereço meu braço para ela, que pega. Suspiro.
– Ela não disse ainda que... Bem não sei ela sente por mim entende? Quando estamos juntos é muito bom, mas quando brigamos é muito ruim. Ela é impossível!
Mamãe ri.
– E é exatamente por isso que gosta dela. Ela é rebelde na medida certa, tem seu próprio caráter e não abaixa a cabeça para aquilo que é errado. Ca entre nós – Ela olha os lados e se aproxima da minha orelha, escuto com atenção – achei muito linda a atitude dela na Condenação.
– É, mas quase papai me faz manda-la embora. – Suspiro.
– Maxon, meu filho pode não parecer, mas seu pai quer seu bem. – Ela faz uma breve pausa. – E do país também. E quando não estivermos aqui? Quem vai cuidar de vocês dois? – Ela me olha emocionada.
– Mas você sempre vai estar aqui mãe!
Abracei-a como não fazia há muito tempo.
– Espero meu filho – Ela disse baixinho, acho que não queria que eu ouvisse, mas conhecia minha mãe suficientemente bem para saber que ela estava chorando.
Flashback
Meus olhos estavam marejados. Ela não estava mais aqui. Não veria meu casamento.
Consegui me levantar e fui até meu banheiro. Ainda dormia no meu quarto. Não conseguia dormir no quarto do Rei – dos meus pais. Talvez quando America estivesse comigo e reformássemos o quarto eu conseguiria, mas por enquanto dormiríamos nos quartos do príncipe e da princesa.
Sim, consegui que America dormisse no quarto da princesa sem ser princesa ainda. Ela chiou bastante, mas deu certo. (Ponto pra mim)
Após fazer minha rotineira higiene matinal, consegui me vestir sozinho e bati na porta que separava meu quarto e o de America. Ela não respondeu, então bati novamente. Nada. Já estava preocupado. Abri a porta.
Lá estava ela, dormindo, com a boca ligeiramente aberta, o cabelo bagunçado, encolhida nas cobertas. Linda.
Rindo me aproximei da cama e fiquei a vendo dormir por um tempo. Ela se mexeu, resmungou, mas nada de acordar então resolvi sair.
Logo na porta encontrei com Lucy, Anne e Mary esperando que America acorde.
– Bom dia garotas. – Elas me olharam e coraram.
– Bom dia Majestade. – Fizeram uma reverencia.
– Bem é melhor acordarem ela, o dia vai ser atarefado. – Sorrio e continuo meu caminho até meu escritório – o do meu pai. Iria usa-lo apenas por que a papelada estava toda lá e era maior assim cabiam os 12 conselheiros.
Entrei na sala e todos já estavam lá.
– Bom dia senhores. – Disse com a voz firme. Todos reverenciaram e retribuíram o comprimento. – Bem, o que temos para hoje? – Digo e prontamente recebo um papel com toda agenda, mas Stavros ainda os narra para mim.
– Hoje o dia será longo, Majestade. Teremos o almoço com os convidados da coroação e o clero ao meio dia e meia. Ás 14:00 o senhor fará um discurso de apresentação. Ás 14:30 iremos ter a coroação e logo em seguida apresentar a senhorita America para o povo, como a nova princesa. Logo após daremos inicio ao baile em homenagem à princesa. A opção de jantar fica por conta dos convidados, e do senhor é claro.
– Obrigado, Stavros. Deixaremos o salão de jantar aberto para aqueles que quiserem jantar. Senhores, eu irei preparar meu discurso. Stavros poderia confirmar se tudo esta pronto na capela para a cerimônia? E para o almoço? — Pensando bem, America poderia começar a se acostumar com a vida de Rainha. – Verifique se a senhorita America esta acordada e pergunte o que ela acha de tudo.
Ri. Ela iria me matar.
– Senhor uma de suas criadas pediu para que o senhor vá até seu quarto para checar às roupas da cerimônia. – Stavros disse quase deixando a sala junto com os conselheiros.
– Obrigada, eu já vou. – Me concentro no discurso que tenho que fazer.
Quando finalmente o termino, exatamente quando termino alguém bate na porta.
– Entre. – Digo fechando meu palitó, pronto para deixar o escritório, me levantei da cadeira.
– Majestade, suas roupas reais estão prontas. O senhor gostaria de prova-las agora? – Grettel, uma de minhas criadas, desde pequeno, estava na porta.
– Confio em suas habilidades, afinal, vem fazendo minhas roupas desde que eu tinha 10 anos. – Rimos juntos saindo do meu escritório.
– Sim. Vi o senhor crescendo. Estou tão feliz que tenha encontrado uma moça tão boa. – Ela sorriu e me olhou.
– É, eu também. Não vejo a hora de casarmos. – Não consigo conter o riso. – America é mesmo uma mulher maravilhosa.
– Sim. Bem vou ajudar as meninas. Vejo o senhor em breve.
Aceno com a cabeça e caminho até o quarto de America. Bato na porta três vezes, mas ninguém atende. Lembro-me de que havia pedido que ela inspecionasse o evento.
Corro pelo corredor, e vou até a parte de trás do palácio, onde ficava a capela. E lá estava ela, usando um vestido lindo azul até o joelho, cabelos soltos, perfeita como sempre.
Como se sentisse minha presença, ela se vira e seu sorriso me faz sorrir também de tão contagiante. Ela acena e eu aceno de volta caminhando até ela. Quando nos encontramos ela ainda sorri e se estica toda para ganhar um beijo.
– Como anda as coisas? – Digo depois de um demorado selinho.
– Bem, estava meio perdida, mas com a ajuda de Silvia consegui colocar as coisas no lugar. Ainda não sei que vestido usar. E... – Ela pareceu pensar ver se algo estava faltando. – Ah sim, eu estou SUPER nervosa, Maxon! – Ela exclama exasperada.
Rindo de sua careta, abraço ela.
– Calma America. Vai dar tudo certo. É bem rápido e em breve teremos nosso casamento e você vai se tornar rainha...
Ela me interrompeu com um suspiro alto.
– Sim, depois tenho de passar por isso de novo. – Ela apoia a cabeça no meu peito.
– Mas ai vai ser mais fácil. Você já sabe como vai ser. – Acaricio seu cabelo. Era tão bom poder demonstrar meu amor por ela assim, sem medo de sermos pegos ou outra das meninas verem. Agora era só America.
– É, mas... – Ela suspirou. – Tem alguma possibilidade de eu não ter de passar por nada disso? – Ela me olha pidona e aquele medo de perdê-la me incômoda.
– America você sempre soube que teria de passar por isso. – Digo. Ouso perguntar. – Você se arrependeu?
Ela me olha profundamente. Ela coloca as duas mãos no meu rosto.
– Nem por um segundo.
Seu beijo afasta todos os meus medos.
°°Skip°°
Depois de deixar tudo arrumado para a cerimônia, os convidados chegaram: boa parte do clero de Illéa estava ali; Toda família de America – incluindo seu irmão desgarrado; Kriss, Elise e Marlee com Carter chegaram; Aspen e Lucy já estavam no palácio havia muito; Georgia e August vieram; Nicolleta e suas irmãs; Minhas tias também estavam ali; Assim como todos os conselheiros.
– Pronta? – Pego a mão de America e aperto.
– Sim – Ela me olha animada e muito mais confiante.
Descemos as escadas de mãos dadas e fomos recebidos com aplausos. Conduzimos todos ao grande salão de jantar e nos sentamos.
Participei de vários jantares e almoços naquele salão, mas sempre me sentei ao lado de minha mãe – o segundo lugar a direita do meu pai. Sempre observava fascinado como ele parecia imponente e respeitado, sentado na ponta daquela mesa enorme. Gostava de brincar ali por que achava que um pouco daquela soberania passasse para mim. Esperava que estivesse com a mesma postura que ele naquele momento.
Assim que todos estavam servidos, me levantei e pedi a atenção de todos.
– Obrigada por terem vindo compartilhar a felicidade desse momento com America. – A olhei. – Será um prazer ter como meu primeiro feito como rei tornar esta bela senhorita, em uma princesa. Minha princesa. E em breve, minha rainha! – sorrio. – Boa refeição a todos.
Voltei a me sentar e ganhei um beijo em minha bochecha. America estava do meu lado – direito é claro.
– Obrigada. – Ela disse emocionada.
– Tudo verdade. – Sorri e apertei sua mão.
O almoço correu bem, todos comeram bem, as conversas fluíam e aquilo tudo estava sendo ótimo. Sempre via esse palácio vazio e ter ele tão cheio era muito acolhedor.
Após todos comerem, as mulheres foram para o salão das mulheres se arrumarem, e os homens em um quarto de alfaiate com cabines individuais, e barbeiros a disposição.
Meu terno era apenas um detalhe comparado ao manto real e a coroa. Ao lado da minha coroa estava a coroa que eu havia mandado fazer para America. Com a ajuda de um alfaiate ajustei meu manto nos ombros. Era a segunda vez que o vestia e isso não me trazia lembranças muito boas.
Flashback
Corri furtivamente até o trono real. Adorava ir para lá quando papai não estava em casa. Esse era o momento certo, ele e mamãe haviam ido visitar tia Adele.
Ao chegar eu sentei e permaneci ereto.
– Eu ordeno que o almoço e o jantar sejam sorvete de baunilha! – Gritei e ri. – Hm, falta alguma coisa. – Olhei para trás e lá estava o grande manto vermelho e a grande coroa dourada de papai. Bem maior que a minha que estava no meio, e também menor que a de mamãe ao lado da minha. – Acho que não devo, mas... O que é um rei sem uma coroa?
Desci do trono e corri até o vidro que mantinha os objeitos. Peguei o manto o joguei nas costas a coroa e a coloquei na cabeça. Eram muito pesados!
Arrastei-me até o trono, me sentei nele com dificuldade para não deixar a coroa cair.
– Pronto. – Disse orgulhoso. – Agora, ordeno que...
– Que sai AGORA do meu trono! – A voz de papai me faz ficar arrepiado.
Ele havia entrado pela porta lateral da sala. Já havia visto ele bravo, mas não tão bravo. Corri.
Conhecia bem o palácio de tanto ficar andando por ele, mas meu pai o conhecia melhor. Quando achei que havia despistado ele, olhei para frente e lá estava ele, com o sorriso mais perverso que eu já havia visto.
– Agora reizinho, vou lhe ensinar uma coisa!
Ele me pegou no colo, eu tentei não gritar. Ao chegar a meu quarto ele me colocou no chão.
– Sorvete, Maxon! Você é o futuro rei e só sabe pensar em sorvete? Logo ira lidar com o que estou passando e vai ver que a vida não é só sorvete! – Ele disse bravo.
– Você não faz muito melhor, pai. Só pensa em guerra. – Digo tão inocentemente que não meço minhas palavras. Meu pai me olha tão furioso que tento fugir novamente, mas ele é mais rápido, pega meu braço e arranca o manto das minhas costas e o joga no chão.
– Vou te ensinar Maxon. Vai ser do pior jeito, mas vou. – Ele começa a tirar o cinto e eu fico confuso. O que ele vai fazer?
Ele puxa minha blusa para cima me vira de costas e eu nem esperava a dor que me faz cair de cara no chão.
– É por pessoas como você que eu só penso em guerra, Maxon! – Ele diz colocando o cinto de volta. Eu choro baixinho, mordendo meu lábio que já pinga sangue de tanta força. – Espero que sua mãe não saiba disso, ou faço pior. E quero esse manto e essa coroa no lugar antes do jantar! – Ele sai do quarto.
Continuo no chão, chorando.
Flashback
Fecho os olhos com força. Essa foi a primeira vez que ele me bateu. Eu tinha 10 anos. Logo depois que ele saiu um medico chegou e tratou de meu machucado. Depois desse dia, nunca mais brinquei.
Sacudo a cabeça para afastar as lembranças e continuo com a preparação.
Hoje America seria minha princesa, definitivamente.
°°Skip°°
Saiu até a sacada e saúdo meu povo.
– Boa tarde! Obrigado. – Gritos e palmas. – Queria conversar com vocês um pouco, pode ser? – digo rindo e eles me acompanham, assim como o silencio. – Como sabem, recentemente passamos por um período muito conturbado. Perdemos entes queridos, guardas, e meus pais. Mas suas mortes, apesar de tristes e desnecessárias, não foram em total vão. Hoje Illéa vive em paz. Não há rebeldes, mas sim aliados. Enfrentamos os problemas e procuramos suas soluções. E com a ajuda de uma bela moça que vocês verão daqui a pouco. – Eles explodem em vivas. – Sim sim, eu a amo também. – Mais gritos. – Com ajuda dela, em breve teremos a abolição das castas!
As vivas quase me deixam surdo. Meu sorrio era enorme. Minha mandíbula doía, mas era verdadeiro. Ver meu povo feliz era muito gratificante.
– E teremos mais! Ajudaremos os oito a se reerguerem e com ajuda da tecnologia de nossos aliados traremos próteses inteligentes aos aleijados e ajuda médica aos dependentes, e financeira aos necessitados. Peço a colaboração de todos, pois somos todos de Illéa. Em breve seremos todos iguais perante tudo.
Eles gritaram bastante.
– Por enquanto é isso. Tenho que voltar lá pra dentro tornar uma jovem em princesa.
Eles gritam e eu aceno, entrando de volta ao palácio. Stavros me espera.
– Ótimo discurso, majestade. – Ele diz.
– Sim. Obrigada. Agora vamos à coroação. Tudo esta pronto?
– Sim. Tudo.
– Perfeito. Vamos.
Eu iria fazer uma princesa.
Fale com o autor