A Realeza
2 A Princesa
Notas iniciais
Passei no meu quarto e lá estava meu manto, coroa e cetro – os do rei. Tecnicamente eu ainda não havia sido coroado como rei. Por conta da morte dos meus pais, me tornei automaticamente rei, mas a coroação formal ainda não havia acontecido. Iria realizar a minha coroação junto com a de rainha de America.
Vesti o manto e me olhei no espelho. Será que meu pai estaria orgulhoso? Minha mãe eu sei que estaria, ela gostava de me ver brincando com o cetro dela, mas meu pai nunca entendia. Sempre dizia que era bobeira e que eu precisava crescer. Talvez agora que eu realmente era rei ele confiasse um pouco mais em minhas decisões.
Coloquei a coroa e fiquei feliz em saber que não parecia nem um pouco com a imagem do meu pai quando vestia o cetro e a coroa. Parecia comigo mesmo, apenas um pouco mais poderoso. Ri de mim mesmo, e imaginei se America iria rir também.
Sim, ela iria.
Saiu do quarto e tenho que parar para uma foto e as criadas pegam a barra do meu manto – acho isso ridículo, mas é tradição. Desço as escadas e caminhamos até a capela. Lá já estavam todos os nossos familiares, amigos e convidados. Os membros do clero estavam no fundo da sala, a esquerda do trono enquanto a direita estava um trono menor onde a rainha sentaria. Eu entro e tento cumprimentar a todos e vou até meu trono, me sento e sorrio. Stavros iria ser o mestre da cerimônia.
– Vossa Majestade, Rei Maxon Calix Schreave de Illéa agradece a presença de seus amigos e familiares, assim como os membros do clero, neste evento de tanta importância. Devido ao luto de nossa perda, a coroação de Vossa Majestade será realizada após seu casamento com a senhorita America, que assim em breve será princesa após esta cerimônia.
Eu poderia falar tudo isso, mas de novo, tradição.
– Por favor, todos recebam senhorita America Singer. – As portas da capela se abriram e ela entrou.
Estava linda como sempre. Usava um vestido longo, todo azul claro de ceda e com mangas cumpridas de renda. O vestido parecia um céu. Seus cabelos estavam soltos criando um contraste lindo com o vestido. Ela levantou a cabeça e me olhou sorrindo, nervosa. Sorri de volta.
Ela caminhou até o fundo onde estávamos e eu me levantei, assim como o clero e todos os convidados. Ela chegou perto e se curvou diante de mim e logo se endireitou. Sorri para ela, e comecei.
– Sentem-se. – E então olhei nos olhos de America. — Senhorita America Singer, casta cinco de Carolina. Filha de Shalom e Magda Singer. Vencedora da Seleção. – Peguei o Livro de Illéa. E coloquei na frente dela, ela colocou a mão no livro. – Esta pronta para seu juramento de princesa?
– Sim, estou Majestade. – Ela respondeu solenemente.
– Jura amar e servir ao seu país em qualquer e toda circunstancia?
– Sim, juro.
– Jura representa-lo de maneira correta e justa?
– Sim, juro.
– Jura fidelidade às leias e a coroa?
– Sim, juro.
– Jura ser a princesa de Illéa e fazer de seu país uma nação unida e respeitada por outras nações?
– Sim, juro.
Coloco minha mão sobre a dela e retirei o livro. Voltei a me sentar e o cardial veio até America.
– Senhorita America, escolhida pelo Rei Maxon, até então príncipe de Illéa, para honrar e representar o privilégio de ser princesa de Illéa. Perante o país, e com o poder a mim investido por Deus, declaro que vossa senhoria será a partir de hoje nossa princesa, futura rainha de Illéa e estará ao lado de Vossa Majestade para tornar Illéa uma nação melhor, protegendo e arcando com todas as necessidades de seu país, e devota fiel de nosso Deus. – Ele pegou o cetro. – Este será seu cetro, seu poder enquanto princesa. – Ele colocou o cetro na mão dela e pegou o manto. – Este será seu manto, o fardo de seu país que você carrega e representa. – O manto havia sido feito especialmente para ela. Ela se agachou e ele colocou nos ombros dela. Ele se voltou à coroa, também feita só para ela. – E esta será sua coroa, é o que você é, e o que representa: poder, legitimidade, justiça, vitória, triunfo, glória e honra. – Ele levantou a coroa e virou de costas, olhando para mim.
Levantei-me e fui até ele. Peguei a coroa e fiquei de frente para America que se ajoelhou.
– America Singer, a partir de hoje você será America Singer, filha de Illéa, princesa de Illéa. – Coloquei a coroa em sua cabeça, eu estava muito feliz. Agora ela era completamente minha princesa. – Todos saúdem a Princesa America.
Todos se levantaram e se curvaram e depois bateram palmas. Eu, quebrando a tradição a puxei para mim e a beijei.
– Obrigada Maxon, foi muito lindo e eu estava com vergonha à toa. – Ela disse me abraçando.
– Que bom que gostou querida. – Digo e beijo sua testa. – Isso é só o começo, logo teremos o casamento e então seremos rei e rainha e vamos eliminar as castas meu amor. – Sorri e beijei-a novamente. Profunda e verdadeiramente.
– Majestade, Alteza olhem para cá, por favor! – Os fotógrafos gritavam.
Coloquei meu braço em volta da cintura dela e a coloquei do meu lado.
– Sorria princesa. – Sussurro em seu ouvido e damos nossos melhores sorrisos para as câmeras.
°°Skip°°
Depois de trocar de roupa e ficar apenas de terno e coroa passo no quarto ao lado do meu para pegar minha princesa.
– Esta pronta querida? – Chamo pela porta.
– Não sou sua querida! – Ela grita lá de dentro e eu ri. Ela nunca iria mudar. – Já estou saindo!
Encosto-me no batente da porta e espero minha princesa.
Quanto ela sai, continua com o vestido e a coroa.
– Pensei que iria trocar de roupa. – Eu digo olhando para ela.
– Ah, não. As meninas sugeriram isso, mas eu gostei tanto desse vestido e tudo e a coroa. Eu acabei de ver ela e soube que você que mandou fazer para mim. Obrigada ela é tão linda – Ela coloca as mãos na coroa.
Ela era fina e delicada, incrustada com pedras roxas que alternava de tamanho. Como uma coroa de princesa, sempre seria dela.
– Eles fizeram um trabalho maravilhoso mesmo. – Olho a coroa e depois para os olhos de America que brilhava. – Sempre será sua.
Ela sorriu e colocou as mãos no meu rosto.
– Estou tão feliz Maxon. Tudo parece... Parece... Mágica. – Ela se aproxima de mim e me beija.
Eu a abraço fortemente e continuo a beija ela, é tão doce, macio. Lembro-me que nosso primeiro beijo sempre que a beijo. Uma de minhas mãos vai até sua cintura e a aperto contra mim, ela brinca com o meu cabelo.
– Só porque vocês agora são da realeza não quer dizer que podem se agarrar pelos corredores. – Na hora um gelo enorme me subiu a espinha, imaginei meu pai me dando bronca.
Ao me virar me dei com August sorrindo para a gente.
– Achei que como sendo rei poderia fazer o que eu quisesse. – Digo.
– Bem até pode, mas seu povo te chama. Você e a nova princesa. – Ele diz sorrindo. – Parabéns America.
– Obrigada. Vamos Maxon? – Ela diz e se esconde em meu ombro. Tímida.
– Nos vemos em breve, August. – Digo e caminhamos até a sacada. – America não precisa ficar com vergonha, você é uma princesa, minha princesa.
– Mas, Maxon temos que nos controlar. – Ela coloca o cabelo atrás da orelha.
– Não temos não. Somos os soberanos e agora fazemos o que a gente quiser. – Beijo seu pescoço, e ela começa a rir.
Stavros nos espera na entrada da sacada.
– Majestade, Alteza. O seu povo o aguarda. – Ele abre a porta e o barulho é ensurdecedor.
Todos gritam, cartazes todos queriam America. Ela acenou, mandou beijos e gritou de volta para eles. Eu apenas observava. Logo a multidão começou a gritar “beija, beija”. Não iria negar meu povo.
Peguei America e a beijei forte e os gritos se multiplicaram. Nós nos olhamos felizes e depois acenamos e entramos.
– Uau, isso foi maravilhoso, Maxon! É uma energia tão boa. – Ela estava completamente extasiada.
– Viu, há muitas coisas boas em ser princesa. E em breve você será rainha meu amor e vai maravilhoso. Agora vamos ao seu baile.
– Podemos dançar juntos?
– Sempre.
°°Skip°°
O baile iria acontecer no grande salão, tudo estava decorado como America queria. Simples. Todos nossos convidados estavam lá. Logo que entramos nos salão fomos anunciados.
– Sua Majestade Rei Maxon e Sua Alteza Princesa America.
Eles bateram palmas e eu levei America até o centro do salão para sua primeira dança como princesa.
– Pra sua sorte, eu tirei os saltos altos e estou de sapatilha. – Ela diz no meu ouvido. Rindo respondo.
– Meus pés agradecem. – rimos. – É só relaxar querida e se deixar levar.
Começamos a rodopiar pelo salão, America pisou no meu pé duas vezes, mas depois de relaxar não pisou mais. Dançávamos como se não tivesse mais ninguém no salão, nos olhando apaixonadamente.
– Posso fazer uma pergunta? – America diz. Ela se distrai um segundo e já pisa no meu pé. – Desculpe.
– Pode. Ao julgar pela sua perda de concentração deve ser boa. – Aperto sua mão e a aproximo de mim.
– Por que no chama de querida? – Ela me olha realmente intrigada. Não posso deixar de rir.
– Bem meu pai sempre chamava minha mãe de querida, então um dia minha mãe disse que um dia eu teria alguém que iria querer chamar de querida e então iria entender. Passei a chamar todas de querida por que queria ver se sentia alguma coisa, mas senti justo com aquela que não gosta de ser chamada assim.
Rimos. Eu tinha sempre duvidas muito peculiar quando era pequeno, e minha mãe sempre procurava me responder sempre com um enigma para que eu achasse a resposta sozinho. Era divertido. Sentia muito a falta dela nesse momento. America deve ter notado minha mudança de humor.
– O que foi Maxon? – Ela pergunta me olhando.
– Sinto falta dela America. Ela iria adorar estar aqui. – Digo olhando ao redor como se procurasse e iria ver ela.
– Mas ela esta. E sempre estará cuidando de você. – Ela deita a cabeça no meu ombro e continuamos a dançar.
Umas duas musicas depois, Aspen aparece com sua bengala.
– Será que posso dançar com a princesa? – Ele me olha respeitavelmente.
– Sim claro. Mas me devolva ela inteira.
Afasto-me e vou até a família de America.
– Maxon queria mesmo falar com você. Na verdade agradecer. – Magda se aproxima de mim.
– Sim, senhora. O que seria?
– A casa. É linda, espaçosa e estamos todos adorando a mudança.
– Menos eu. Eu queria morar aqui no palácio. – May comentou e eu ri.
– Bem você pode ficar aqui conosco May. Se sua mãe deixar, claro.
Ela olhou esperançosa para a mãe. Com um olhar Magda decepcionou a filha.
– Maxon e Meri teram muito que fazer, não da pra cuidar de você. – Magda diz.
– Mas pode nos visitar sempre que quiser. –Digo tentando amenizar as coisas. – Fico feliz que estão gostando da casa. E May, que tal uma dança com seu humilde rei? – Me curvo ligeiramente.
– Tipo, sério? – Ela da pulinhos. – Sim!
Levo-a até a pista, e vejo de relance Kriss me olhar. Aceno com a cabeça para ela.
– Hm, a Meri não vai gostar nada, nada disso. – May diz depois de seguir meu olhar.
– Eu sei. – Suspiro. – Mas preciso falar com ela.
Termino de dançar com May e vejo que America dança agora com Carter. Ando até Kriss e comprimento Elise que está ao lado dela.
– Boa noite novamente senhoritas. – Digo sorrindo. Elas respondem se curvando.
– Majestade, poderíamos conversar? – Kriss me diz.
– Claro. – Nos afastamos um pouco até o corredor do lado de fora. – O que seria Kriss?
– America te contou? – Ela me olha.
– Que você é uma rebelde? – Olho para ela.
– Bem... Sim. – Ela olha para o chão e depois se volta para mim. – Só queria que soubesse que meus sentimentos sempre foram verdadeiros.
Olho para o chão e quando estou prestes a responder que não acreditava nela, ela pulou em cima de mim e me beijou. Foi só um selinho.
– Kriss! Está maluca?! Sabe que amo America. – Digo exasperado, mas mantendo meu tom baixo. Passo as costas da minha mão na boca.
– Mas isso não me impede de te amar, Maxon! Você me deu esperanças e eu cedi! Você me usou! – Ela começou a gritar.
– Modere seu tom imediatamente. Eu nunca a usei! Apenas nos beijamos pelo amor de Deus. Dei esperanças, mas você mesmo disse que sempre soube que eu amava America.
– Sim, mas ela te traiu.
– Não vai conseguir nada falando disso. É melhor parar ou serei obrigado a mandar um dos guardas lhe retirar.
– Não! Eu... Eu me comporto. Prometo. – Ela abaixa a cabeça e sai de volta ao salão.
Suspiro longamente e me viro pra dar de cara com America.
– Ai esta você! – Ela diz sorrindo o que alivia meu medo de ela poder ter visto alguma coisa.
– Sim. Estava... Respirando um pouco.
– Sei. Vamos logo. Quero dançar mais. – Ela me puxa e vamos dançar.
°°Skip°°
Após ficar meio bêbado e totalmente esgotado de tanto dançar a festa estava acabando. Não sai do lado de America depois do incidente com Kriss. – Em parte porque estava com medo dela me atacar de novo; Em parte por que estava com medo de America ter visto alguma coisa.
Não queria mentir para ela. Iria contar a verdade, mas também não queria arruinar sua felicidade.
Depois de nos despedir de nossos amigos e familiares. Eu fui para meu quarto, tomei um bom banho, quando sai não tinha força nem pra botar um pijama, então coloquei apenas uma cueca e deitei, pensando em como contar para America o ocorrido.
Então ouço uma batida na porta. Demoro dois segundo para ver que não se tratava da por principal, mas sim da porta que ligava meu quarto ao de America.
– Sim? – Perguntei.
– Você esta sozinho? – Ela disse sussurrando do outro lado.
– Sim. – Respondo.
Ela abre a porta e esta de camisola.
– Posso dormir com você? – Ela me pergunta.
– Claro. – Me ajeito na cama para ela deitar ao meu lado.
Ela pula na cama e deita no meu peito.
– Gostou da festa? – Pergunto alisando seu cabelo.
– Sim. Foi muito boa. – Ela diz passando a mão pela minha barriga. – Você falou com Kriss?
Gelo. Ela viu.
– Ah... Por quê? – Pergunto.
– Por que ela estava estranha comigo. Não quis falar muito e Elise disse que ela estava morrendo de ciúmes.
– Nossa.
– É bem estranho. – Ela levanta a cabeça e me olha. – Acho que finalmente caiu a ficha dela que você vai realmente ficar comigo. – Ela ri e eu acompanho nervoso.
– Pode ser.
– Vamos dormir. Estou muito cansada e amanhã vamos visitar minha família na casa nova.
– Sim.
– E você estava muito engraçado naquela roupa de rei. – Ela explodiu em risadas, não pude deixar de acompanhar ela.
– Mais respeito com o seu rei princesa. – Comecei a fazer cócegas nela e ela ria muito.
– Ta bem, ta bem... Há... Desculpa majestade. – Ela gritava. Só espero que nenhum guarda entre aqui.
– Esta perdoada princesa, agora vamos dormir que eu terei uma longa ressaca amanhã. – Rimos.
– Eu também. Boa noite majestade. – Ela brinca.
Beijo sua testa e a abraço.
– Boa noite minha princesa.
Amanhã pensaria num jeito de contar a verdade, só amanhã.
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