Notas iniciais
Sinceramente, eu não gostei desse capítulo. Mas infelizmente não consegui mudar muita coisa nele, então ficará assim. Gostaria muito de saber o que acharam, boa leitura.

Thomas contemplou o rosto de sua irmã vagarosamente, as feições da moça finalmente tranquilas e relaxadas. Inquietou-se ao pensar no quanto àquela situação assemelhava-se a ultima noite que passaram juntos. Algo aconteceu com Oriane durante sua ausência, enquanto ele não estava lá para protegê-la, e nada o angustiava mais do que esse pensamento. O que pode ter acontecido? Ele se perguntava constantemente, cenas horríveis vindo-lhe à mente e perturbando seu já fragilizado autocontrole.

Queria acordar Oriane, demandar respostas sobre os motivos que desencadearam tamanho sofrimento. Desejava que lhe contasse quem a havia machucado, para que pudesse puni-lo impiedosamente. Só Deus tinha conhecimento das torturas que ele infligiria a quem quer que fosse o responsável por colocar sua amada irmã em tão profunda agonia. Ele o faria pagar com a vida, nem que tivesse de procura-lo no inferno. Sua determinação acalmou-o um pouco, a frieza tomando espaço em seu coração enquanto planejava minuciosamente cada detalhe. Apenas a presença da princesa em seus braços o impedia de sair naquele momento e iniciar sua procura.

Horas se passaram e ele permaneceu olhando fixamente a janela, um brilho cruel e quase desumano em seus olhos. Mesmo que Oriane se recusasse a revelar o nome do responsável, ele o encontraria. Não tinha dúvidas quanto a isso. Mas não imaginava por que a princesa guardaria tal segredo. Suspirou profundamente, lembrando-se que não a conhecia como antes. Virou-se novamente para sua irmã, tentando dissipar os pensamentos que lhe atormentavam a mente. Passou os dedos suavemente entre os cabelos dourados da moça, admirando a forma como a luz do sol refletia em seus fios.

Conforme recordava os dias que passara sem Oriane, estudava afetuosamente o rosto de sua irmã. Aos poucos, fora percebendo pequenos detalhes de sua fisionomia que antes lhe haviam passado despercebidos. Não havia tido o tempo de apenas parar e olhá-la, contemplar com atenção as mudanças sofridas por seu corpo. A última vez que a vira, anos atrás, ela não passava de uma pequena criança. Lembrava-se de vê-la brincando com sua boneca, implorando-o para que se juntasse a ela, e Thomas nunca havia dito não a sua irmã. Mas agora, por mais que desejasse negar, sabia que algo havia mudado.

Ela continuava linda, mas era uma beleza diferente da que possuía quando eram menores. Recordou-se do quanto ficara surpreso ao avista-la passando pelos portões da cidade. Suas feições lhe pareciam tão estranhas, como se ele a visse pela primeira vez. Ainda agora era difícil para o príncipe associar a bela mulher em seus braços com sua pequena irmã. Tocou-lhe levemente a pálida face, indo desde sua testa até o queixo, e se inclinou para beijar-lhe carinhosamente a fronte. Ao sentir a suavidade da pele sob seus lábios, sentiu algo despertando-lhe no peito. O aroma que emanava de Oriane, que antes não passava de um perfume agradável, agora inebriava-o, afetando seus sentidos e pensamentos.

Tornou-se impossível para Thomas compreender, deliberar sobre o que se passava dentro de si. Em sua mente apenas a imagem de Oriane permanecia, seu aroma, a textura de sua pele, sua voz, o azul cintilante de seus olhos. Ele se voltou para seu corpo, atendando-se a fina roupa de dormir que a princesa usava. A emoção que queimava dentro de Thomas intensificou-se violentamente, fazendo com que perdesse a sensatez e agisse sem escrúpulo. Deixou-se envolver, e de repente tudo parecia irreal, como se sonhasse. O desejo dominava sua mente. Impetuosamente, Thomas segurou firmemente a cintura de Oriane, levando os lábios ao pescoço de sua irmã. Mordeu levemente a pele já sensível, enquanto posicionava-se sobre o corpo da princesa.

Oriane teve seu sono interrompido bruscamente, assustando-se ao sentir alguém a tocando tão intimamente. O pânico fechou-lhe a garganta e paralisou seus movimentos, impedindo-a de gritar por ajuda. Mas bastou que Thomas a olhasse nos olhos para que todo o temor evaporasse, um sentimento desconhecido tomando-lhe o lugar. Preferia o pavor à sensação que lhe conturbava a mente, confundindo-a e arrebatando-lhe a razão. Em um primeiro momento veio a perplexidade, sua mente exauriu-se, como se nada daquilo estivesse acontecendo. Como se Thomas não a segurasse fortemente contra si, como se seus lábios não estivessem em contato com sua pele.

Pouco depois, veio o caos. Seus pensamentos pareciam desconexos, embaralhados, túrbidos. Permaneceu desorientada, atônita. “Oriane...” ele suspirou, a voz ofegante. Queria trazer algum consolo para sua irmã, mas sabia ser impossível. A princesa olhou para cima, notando a faísca de culpa que rompia o olhar de seu irmão. Nesse momento, compreendeu que Thomas estava tão transtornado quanto ela. Ambos permaneceram em silêncio por algum tempo, reconhecendo as emoções conflitantes que nublavam suas mentes. Pensar no que era certo e errado apresentava-se irrelevante naquele momento.

“Oriane...” ele tentou retomar sua fala, hesitante. Oriane levou seu indicador trêmulo à boca do irmão, impedindo que continuasse. Ela não permitiria que se desculpasse, não agora. Não quando a imagem de sua face, dos lábios em sua pele impregnava-lhe a mente, turvando sua capacidade de julgamento. Oriane levantou a perna, prendendo-a na cintura de Thomas e fazendo-o inclinar ainda mais sobre seu corpo, até que nenhum espaço restasse entre ambos. Oriane permitiu-se consumir pelo sentimento que nutria pelo irmão, percorrendo um caminho sem retorno. O mundo era cruelmente perverso por permitir que dois irmãos compartilhassem tal atração.

“Pensaremos nisso amanhã.” Ela sussurrou roucamente, mal reconhecendo sua própria voz, antes de beijar-lhe os lábios. Thomas levou alguns segundos para perceber o que estava acontecendo, mas quando o fez, perdeu o escasso controle que ainda possuía. Cada centímetro de seu corpo tocava em Oriane, e mesmo através das roupas, sentia-a. Ela parecia uma bebida forte, inebriante, extasiante. Ele aprofundou o beijo, mordendo-lhe os lábios, afundando-se em sua boca. Não era o suficiente para saciar o desejo que rompia-lhe o peito, nunca seria, mas por enquanto teria de bastar. Oriane respondeu com a mesma veemência. Não era um beijo calmo, romântico. Era intenso, brutal, desesperado.

Oriane agarrava-lhe os braços, a perna apertava-se ainda mais contra sua cintura, e a cada onda de desejo parecia afogar-se na sensação que Thomas lhe propiciava. Quando o príncipe a sentiu investindo contra sua ereção, teve se controlar para não sucumbir ao sentimento que lhe tomou por completo. Um gemido gutural saiu por sua boca, despertando ambos os irmãos do estupor. “O que estamos fazendo...” Thomas sussurrou para si mesmo, sem conseguir olhar Oriane nos olhos. O desejo deu lugar à vergonha e ao arrependimento. Ele se levantou, afastando-se o máximo que pode de sua irmã sem sair do quarto. Levando as mãos ao rosto, ele suspirou profundamente, tentando ao máximo expurgar as imagens de sua mente. Ele a desejava, como nunca desejara ninguém em sua vida. Ela era simplesmente tão linda, perfeita. E minha irmã. Lembrou ele, controlando-se para não extravasar sua frustação na parede de Oriane.

Era errado, era repulsivo, era odioso. Ele não tinha controle sobre seus sentimentos, nunca tivera. Mas, neste momento, não conseguia mais vê-la como sua irmã de sangue. Por mais que quisesse negar tal afirmação, no fundo de seu coração sabia que era verdade. Tantos anos sem nenhum contato, nenhuma palavra. E agora ela voltara, doze anos depois, comportando-se como outra pessoa. Ajoelhando-se no chão, de costas para Oriane, ele recostou sua cabeça contra a fria parede de pedra, tentando clarear seus pensamentos. Sufocava-o ficar naquele quarto, era errado, mas não conseguia ir embora. Ele faria qualquer coisa por ela, e deixa-la sozinha no estado em que se encontrava era desumano. “Thomas?” escutou-a sussurrando, inúmeros sentimentos presentes em sua voz. “Está bem?”

“Estou, Oriane.” Ele respondeu, não suportando chama-la de irmã. Não quanto as imagens de seu corpo entre suas mãos ainda lhe queimavam tão vivamente a mente. Enlouqueceria se esses sentimentos não o abandonassem. O que mais o atormentava era saber que Oriane compartilhava das mesmas emoções, do mesmo desejo que acabaria os arruinando. Eu e você, nós somos o mesmo, sabia? Thomas pensou tê-la escutado sussurrar as palavras, mas estava cansado demais para voltar-se a ela e perguntar o significado de tal frase.