A RUNA BRANCA DE ODIN

10 CAPÍTULO NOVE: “Kriger hjerteløs”


Notas iniciais
(❁ ⁀‿⁀❁) ♥ ❤ ❤ Mais um capítulo fechando o final de semana! (Pena, né? Bem que podíamos começar na terça. * risos) Agradecimentos às meninas amadas que deixam seu carinho registrado em reviews e que me apoiam sempre! Bom início de semana para todos!

Horas antes do desembarque...

Pela segunda vez, Minos se sentia impotente. A primeira, fora quando seu pai mandara enforcar Albafica. Agora, enquanto todos lutariam para retomar a aldeia, certamente ele ficaria na retaguarda, esperando. Nessas horas, gostaria de ter levado mais a sério as lições com a espada. Pensou ele, enquanto Hades distribuía as tarefas e o olhava bastante sério.

O jarl podia ler a insatisfação de Minos naqueles olhos violáceos e inquietos. Então, foi até ele.

– Não se considere menos importante por não lutar com uma espada. A sua função será outra, mas vital para que tudo se encaminhe como planejei. – disse com um tom firme.

Minos fez um muxoxo com a boca e assentiu. Hades puxou-o pelo braço, forçando-o a encará-lo.

– Eu falo sério.

– Eu sei. Mas é que...

– Escute, todos nós temos uma função no mundo. Guilty irá pagar e você terá parte nisso, a seu modo. Estou confiando a você a segurança de Alone. Sei que ele está preso e você encontrará um meio de libertá-lo.

Minos franziu o cenho.

– Libertar Alone?

– Acha pouco?

– Não, claro que não! Eu só gostaria de lutar ao seu lado, pelo menos uma vez. – disse Minos, deixando escapar um sentimento que sempre guardara para si.

Hades o encarou, tocando-o no rosto. Os olhos sempre frios agora tinham uma intensidade que Minos percebeu como uma forte admiração.

– Você navegou sozinho para impedir que caíssemos em uma armadilha. Ser um guerreiro não é, somente, empunhar uma espada.

Por alguns segundos, os dois mantiveram a conexão do olhar. Então Hades se afastou dizendo:

– Tome cuidado, estou contando com você.

Escondido no outro lado da baía, com os homens à espera do sinal, o navio de Hades permanecia oculto, junto dos dois navios que haviam trazido Guilty e os berserkers. Era o navio de Shina que seria avistado, dando segurança a Guilty e facilitando a execução do plano.

Quando as praias da ilha despontaram no horizonte, Hades deitou-se na padiola e preparou-se para desempenhar o papel de morto...

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Ansioso, Lune acompanhou o avanço de Shina, refletindo onde estaria o segundo navio. Resolveu dar a volta pelos rochedos e ter acesso ao outro lado da baía. Já estava escurecendo e tudo começava a ser envolto na luz alaranjada do crepúsculo e, dali a pouco, a névoa surgiria, encobrindo os campos e as rochas.

Sentia-se nu sem suas armas. Guilty tinha tomado todas elas quando os aprisionara e, embora o plano das mulheres estivesse dando certo, alguns homens eram mais fortes e não tinham adoecido.

O som de uma pedra solta chamou a atenção do jovem guerreiro. Ele se escondeu e esperou. O vulto andava de modo cuidadoso, assim como ele... Quando o homem avançou, Lune saltou sobre ele, recebendo uma mordida no braço.

– Ai! Mas o quê?!

Minos olhou nos olhos do seu agressor, após dar-lhe uma dentada.

– Lune!

– O que está fazendo aqui? O que aconteceu? Você não conseguiu avisá-los?

– Eu consegui. Hades tem um plano.

– Graças a Odin! – disse Lune, aliviado.

– O navio está atracado no outro lado da baía para que Guilty acredite estar em situação de superioridade.

– E o que você faz aqui?

– Hades me incumbiu de libertar Alone. Onde ele está?

– Ele está em uma gaiola colocada no pátio interno, contíguo ao salão. Tem dois berserkers de guarda.

– Guilty machucou o menino?

– Fisicamente, não.

Minos compreendeu o que Lune queria dizer. Sabia muito bem das humilhações que seu pai adorava infringir aos outros.

– Precisamos libertá-lo, assim Guilty não terá nenhum trunfo contra Hades.

– Eu sondei o ambiente, o maldito planejou tudo muito bem, é quase impossível se aproximar tanto de Alone, quanto dos guerreiros aprisionados no galpão.

– Sempre tem um jeito. – disse Minos visualizando, mentalmente, ambos os lugares. – Vem comigo, eu tive uma ideia.

Na praia, Shina continuava avançando como se não soubesse de nada. Quando chegou à entrada da aldeia, ela gritou:

– Preciso de guerreiros para ajudar! Infelizmente, não trago boas notícias! O jarl está morto!

Os homens de Guilty que haviam se colocado em posições estratégicas olharam uns para os outros, um tanto chocados. Um deles se aproximou, ansioso.

– Meu senhor, ouviu o que ela disse? –perguntou Ivar.

Guilty franziu o cenho. Seria possível? Hades teria sido morto na emboscada que preparara em Lindsfarne?

– Sim, eu ouvi. Quantos homens estão com ela?

– Uns doze, senhor.

– Só isso?

– Sim.

Um sorriso largo brincou nos lábios de Guilty, ele sentiu um estremecimento de prazer.

– Então, vamos recebê-los. Vá até Wolfson e diga a ele para deixar alguns homens escondidos. Por precaução...

Shina postou-se no centro do pátio com o cenho franzido. O ambiente estava silencioso e tenso. Ela continuou fingindo não perceber.

– Mas o que está havendo aqui? Eu disse que o seu jarl está morto e é assim que o recebem?! – gritou ela.

Aos poucos, as mulheres foram saindo das cabanas e se aproximando. junto delas, guerreiros que Shina desconhecia.

– Ora, ora... estou diante da temida Shina de Ofiúco. – disse Guilty.

– E eu estou diante de...? – falou a guerreira fingindo não saber quem ele era.

– Sou Guilty e acabo de tomar essa propriedade, assim como todos que nela vivem, sob os meus cuidados.

– Um conquistador... – disse Shina olhando-o de cima a baixo.

– Não parece estar surpresa... Sei que é ex- cunhada de Hades.

– Hades está morto. Eu o acompanhei até Lindsfarne sob a promessa de uma pilhagem satisfatória. Fomos emboscados, Hades foi ferido e veio a morrer. O navio dele afundou num forte tempestade com metade dos homens que ele levou e também com Pandora. Eu consegui trazê-lo para o meu, antes de acontecer, mas não pude salvar os demais.

– Ele não lhe falou sobre mim?

– Disse que um tal Guilty havia traído o félag e que, depois do saque ao mosteiro, iria fazê-lo pagar. Se quer saber a minha posição sobre isso, saiba que não sou burra. Não tenho como confrontá-lo e nem pretendo. Perdi muitos guerreiros e só trouxe o corpo de Hades de volta, porque achei que devia isso a ele.

– Onde está o corpo?

– Aqui. E tem mais dois corpos que eu trouxe. Eles foram leais à Hades até o fim. – disse Shina cedendo passagem a Guilty.

Apesar de tudo, Guilty estremeceu ao ver os corpos de Radamanthys e Aiacos. Havia ficado com ódio dos filhos por o terem traído e vê-los mortos, além da punição que imaginara para eles, só aumentou esse sentimento. Ele chegou bem perto, observando as faces pálidas, o corpo frio, a ausência de respiração...

– Foi mais fácil do que eu esperava. Chega a ser... decepcionante ver Hades morto. Quanto a esses dois, eu queria ter o prazer de olhar nos olhos deles e matá-los por me trair! Meus próprios filhos me deixaram para morrer por um... estranho! – disse ele rodeando as padiolas. – E o outro?

– Que outro?

– Minos, o mais novo. Aquele a quem amaldiçoei.

– Todos os que estavam no navio pereceram. Não sobrou ninguém.

– Melhor assim! Não terei que ver aquele maldito nem agora e nem no Valhala!

– O que vai fazer com os corpos? Eu os trouxe para o sepultamento. – questionou Shina.

– Sepultamento? Acha que vou dar a eles essa honra? Agora está escurecendo, então deixarei para amanhã. Vou mandar cortar-lhes a cabeça e fincar em uma estaca! Assim todos aqui saberão o que os espera se pretenderem me trair! Levem os corpos para o galpão! Que os homens de Hades vejam que não há esperanças na volta do seu jarl. Há somente um líder e sou eu!

– Bem, não vou discutir o que não me diz mais respeito. Pode nos oferecer comida e pousada por uma noite? – perguntou Shina com um tom despreocupado.

– Você se uniria a mim, mesmo eu tendo matado o seu cunhado?

Ex- cunhado. E, já que ele está morto, acho que posso falar.

– Falar o quê?

– Hades fez minha irmã sofrer. Ele... não gostava das mulheres, essa é a verdade. Se quer saber, estou aliviada de não tê-lo por perto.

O olhar de Guilty aprofundou-se no verde profundo dos olhos de Shina e ela precisou usar de todo o seu autocontrole para continuar fingindo e não demonstrar a ira e o asco que sentia na presença do traidor.

– Aquele pervertido... Isso só reforça a minha decisão. – falou Guilty.

– Então, vai nos abrigar por uma noite? Prometo partir, logo cedo.

– Claro. Mas, antes de convidá-la a entrar, talvez tenha de saber que o filho do pervertido está sob os meus cuidados e vou criá-lo do meu jeito. Sei que ele é seu sobrinho, mas já tomei minha decisão.

– Faça o que quiser. Não me casei, nem tive filhos, minha vida é guerrear. Não tenho tempo, nem vontade de prender-me por causa de um fedelho. Faça dele um homem e lhe serei grata.

Guilty sorriu, estava gostando daquela mulher e, em seu íntimo, desejou tê-la para si. Fazia muito tempo em que recorria às prostitutas, já era tempo de ter uma mulher de verdade na cama e, quem sabe, produzir filhos leais e mais fortes.

– Permita-me... – disse ele estendendo a mão.

Shina aceitou e andou ao lado dele, observando os olhares tristes e abatidos das mulheres, enquanto os homens de Guilty pareciam aliviados e satisfeitos.

Quando adentrou o pátio interno, antes de penetrar no salão, Shina viu a gaiola de madeira e seu sobrinho dentro dela. O menino dormia, certamente exausto das humilhações sofridas. Os berserkers que o guardavam estavam bebendo e comendo. De vez em quando, atiravam ossos para os cães que estavam presos, ao seu lado. Ela cerrou os dentes, embora permanecesse com uma expressão neutra.

Assim que todos entraram no salão, duas figuras esperaram o anoitecer e se esgueiraram pelo pátio. Seguro de que não seria atacado, Guilty havia permitido que todos fossem comemorar a morte de Hades no grande salão. A gaiola ficara sem vigilância, oportunizando que Minos e Lune se aproximassem.

Lune olhou para os lados, enquanto Minos chegou perto e suspirou observando o menino adormecido. Havia uma corrente pesada em volta e um cadeado prendendo a porta da gaiola.

– Só um machado para abrir isso! – sussurrou Lune.

Minos olhou em volta e achou um pedaço de metal fino.

– Isso deve dar. – disse ele enfiando o metal no buraco do cadeado.

Durante um tempo, Minos manipulou o metal, sem sucesso. Sem perder o foco, ele tentou novamente e ouviu-se um clique. Ele sorriu vitorioso e Lune também.

Rapidamente, ele entrou na jaula. Alone arregalou os olhos quando sentiu uma mão tapar-lhe a boca e tentou lutar, mas Minos murmurou baixinho:

– Sou eu, não tenha medo.

Alone relaxou e Minos retirou a mão.

– Minos?

– Sim e vou tirá-lo daqui.

– Eu tinha certeza que você conseguiria.

Os dois se abraçaram e Minos deu-se conta que amava muito aquele menino e sentia que ele o amava, também. Hades tinha razão, ele deu-me a tarefa mais importante de todas.

– Lune, leve-o para junto das outras crianças.

– Eu quero ficar e lutar. – disse Alone.

– Escute, sei que você já é um guerreiro formidável, mas seu pai tem um plano e precisamos segui-lo.

– O plano dele me inclui?

– Sim, ele sabe que as outras crianças confiam e precisam de você para acalmá-las. Você é filho do jarl e deve aprender desde já a proteger os membros do clã. Está escuro e elas estão há muito tempo longe de seus pais, mas com a sua presença perto delas, tudo ficará mais fácil de suportar. Pode fazer isso?

Alone assentiu com a cabeça e um olhar firme.

– Nos veremos em breve. – disse Minos e olhou para Lune. – Vá com Alone e ajude-o a proteger as crianças até ouvir o sinal. Quando tudo acabar, elas podem voltar para os seus pais.

Assim que Lune foi com o menino, Minos assoviou enviando o sinal que tinha tido sucesso.

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O galpão estava impregnado com o cheiro de sangue, urina e suor. Aldebaran, Rorik e Halfdan estavam desidratados e famintos, mas quando os corpos de Hades, Radamanthys e Aiacos foram trazidos e colocados junto a eles, os três arregalaram os olhos e forçaram as correntes.

Os homens de Guilty riram diante do horror estampado no rosto dos três.

– O jarl de vocês está morto! Mas, não fiquem tristes, amanhã todos vocês se juntarão a ele!

– Não pode ser verdade... – murmurou Aldebaran.

Rorik sentiu-se derrotado e Halfdan também. Os dois baixaram a cabeça, cerrando os olhos para não demonstrar fraqueza.

Ronan, um homem corpulento e de barba longa se aproximou dos dois. O olhar cruel se comprazendo com a dor alheia.

– Podem chorar como criancinhas... Amanhã, bem cedo, vocês se juntarão a ele! – disse ele com escárnio.

De repente, os olhos de Aldebaran se arregalaram e ele sentiu a respiração estancar.

Ocupados com as piadas e deboches, Ronan, Olaf e mais dois guerreiros que estavam ali não tiveram tempo de tomar conhecimento real da situação.

Ao ouvir o assovio, os três mortos se levantaram e quando Ronan percebeu o olhar aterrorizado de Aldebaran e Rorik, era tarde demais. A espada de Hades desceu sobre ele cortando-o na altura do ombro e decepando-lhe o braço. O guerreiro ficou em choque, recebendo novamente um golpe ágil, agora no coração. Radamanthys e Aiacos golpearam direto nos pescoços, decepando as cabeças de forma rápida e implacável, fazendo um caminho de sangue no chão e nas paredes.

Jarl? – murmuraram juntos, Aldebaran, Rorik e Halfdan.

– Estamos vivos, homens. Podem lutar? – perguntou Hades.

– Sim! – disseram em uníssono.

– Então se preparem, os outros já devem estar se posicionando. Vamos invadir o salão e acabar com toda a corja de Guilty.

Apesar de exaustos, os três guerreiros sentiram-se renovar por ver seu líder vivo. As correntes foram rompidas e espadas escondidas sob as padiolas em que os corpos foram transportados foram pegas com assertividade e força.

Aldebaran tomou uma delas em suas mãos e apertou firme. Chegara a hora da vingança!

O salão estava abafado, o aroma de carne assada se misturava ao suor dos homens que ali estavam rindo e comemorando. Desconfiado do hidromel, Guilty havia proibido os homens de bebê-lo, liberando os estoques de cerveja escura que trouxera.

Piadas grosseiras e histórias de vantagem sobre o inimigo disputavam lugar no espaço cheio. Guilty olhou para Shina e colocou a mão sobre a dela.

– Não precisa ir embora, se não quiser... – disse ele com um brilho de luxúria nos olhos escuros.

Bebendo um longo gole de cerveja, ela tirou a mão e encarou-o.

– Não sou mulher de ficar muito tempo em um lugar.

– Eu sou rico, muito rico. Posso dar-lhe uma razão para mudar seu comportamento.

Shina levantou-se.

– Preciso me aliviar. – disse ela deixando o tablado.

Nesse momento, a porta de entrada do salão se abriu violentamente e três homens com aparência cadavérica caminharam, lentamente, em direção ao tablado. Os guerreiros que antes riam e bebiam, agora olhavam para a cena com horror.

– P-Por Hela! É-É... Hades!

Kriger hjerteløs! Ele voltou da morte!

Guilty se levantou com um brilho de ódio nos olhos. Diferente dos seus homens, ele caíra em si, entendendo que tudo havia sido planejado, inclusive aquela volta do reino dos mortos. Hades tinha Aiacos e Radamanthys, mais uma vez ao seu lado e eles avançavam seguros de si.

– Maldito! Homens peguem as espadas e acabem com eles! Estamos em maior número!

Hades encarou-o.

– Seja homem e me enfrente.

– Com prazer! E você, sua serpente... Assim que eu acabar com Hades, vou fodê-la e depois matá-la! – falou Guilty olhando para Shina.

A guerreira fitou com uma expressão de asco e cuspiu.

– Um traidor covarde como você? Vai sonhando...

Guilty emitiu um urro selvagem e saltou do tablado, precipitando-se com a espada sobre Hades. O jarl bloqueou o movimento, o cabelo longo e escuro caindo sobre os ombros seguindo o movimento de sua espada.

Com um deslocamento rápido, Shina empunhou a espada e o homem atrás de si avançou com a sua, atacando-a. Foi recebido com extrema agilidade, sofrendo um golpe na altura do ombro que lhe decepou o braço. O sangue vivo jorrou do corte e outro guerreiro entrou na luta, saltando sobre ela, mas sendo interceptado na metade do movimento com um chute desferido pela guerreira que finalizou enterrando a espada em seu coração.

Com um grito selvagem, um dos homens de Guilty puxou um punhal curto e investiu direto na altura do rosto de Aiacos que desviou e pegou-o pelo pulso, encaixando um golpe que quebrou seu braço na altura do cotovelo e o fez cair em cima do homem que avançava.

Silenciosamente, Radamanthys entrou no combate e atacou Ivar com uma rapidez espantosa fazendo surgir faíscas azuladas que escaparam do contato violento entre as duas lâminas. A defesa, também rápida, do viking fez o movimento parecer uma dança orquestrada e ambos desferiam golpes fortes que só guerreiros daquele nível poderiam suportar. No fim, mesmo ferido, Radamanthys mostrou-se superior e Ivar viu-se cortado ao meio, o olhar em choque ao ver seu ventre abrir-se com o golpe derradeiro.

Em meio ao frenesi da luta, Guilty continuava a golpear e seus ataques desciam com um poder de corte intenso, como se ele tivesse se tornado um dos berserkers que contratara, exigindo de Hades defesas fortes e um revide ainda mais violento. Nenhum dos dois dava trégua um ao outro. Então o traidor deu um salto no ar, elevando a espada acima da cabeça e descendo-a em um movimento espiralado, fazendo Hades recuar dois passos com a força do choque e ser atacado por mais um berserker que tentava atingi-lo e tomar para si a glória de matar o Kriger hjerteløs.

Impiedosamente, Hades lançou-se na direção dos dois que tentavam atingi-lo e moveu sua espada com uma rapidez tão espantosa que Guilty foi obrigado a recuar, enquanto o berserker continuava a avançar com seu machado.

Hades analisou o movimento do gigante e pegou um banco de madeira que caíra aos seus pés. O machado do berserker desceu, mais uma vez, e se cravou na madeira do banco que Hades usou como escudo.

Rapidamente, Hades puxou o banco, desarmando o inimigo e, ao mesmo tempo, estocando com a espada que se cravou no ventre do guerreiro. O homem oscilou, mas não caiu. Continuou avançando e Guilty aproveitou para chamar outros homens. Tinha que cansar Hades ou não teria chance de matá-lo.

Ao mesmo tempo em que os guerreiros de Guilty respondiam ao chamado, os de Hades também se envolviam na luta. Pandora chegou com a segunda leva de guerreiros e o salão se transformou em um campo de batalha, com sangue, corpos e objetos destruídos.

Dois homens avançaram, golpeando Pandora que se defendia com força extraordinária. Mesmo ela sendo uma mulher, os guerreiros conheciam a fama da Valquíria e reconheciam nela uma tenacidade feroz e uma força que os alertava para não facilitar. Um deles fez um movimento rápido como quem busca acertar o coração e ela posicionou-se em uma defesa fechada, mas pronta para contra-atacar.

– Realmente, você faz jus ao nome de Valquíria. – disse o guerreiro. – Não teme a morte, nem as cicatrizes nesse seu corpo? – ele perguntou, tentando distraí-la.

– Nós podemos ser bonzinhos com você se baixar a espada e abrir as pernas pra nós dois. Eu fico com a parte de trás. – falou o segundo homem com um sorriso malicioso.

Pandora não se deu ao trabalho de responder. Sua expressão era de quem não temia a morte e não tinha nada a perder. Nisso ela era bem parecida com seu irmão.

Imediatamente, ela colocou-se em prontidão. Podia sentir nojo e raiva daqueles homens, mas sabia da força e tenacidade masculina em combate e precisava reverter a desvantagem.

Ao choque das duas espadas, Pandora teve a sua quebrada e seu braço sentiu o impacto violento, quase sendo arrancado do corpo. Ofegante ela encarou o adversário e esperou. Quando eles vieram triunfantes, sobre ela, com extrema rapidez sua mão buscou duas adagas que trazia a lado do corpo e ela as fincou, simultaneamente, no pescoço dos dois e perguntou:

– Querem foder um ao outro no inferno de Hela?

Os dois caíram em uma poça de sangue e ela seguiu em frente

Virando-se para à sua esquerda, Hades viu-se cercado pelos homens de Guilty. Aldebaran e Rorik vieram em seu auxílio e começaram a dispersar o grupo com o machado e a espada.

Havia um homem de pele alva e olhar agressivo. Seu porte físico era mais avantajado que o de Guilty e ele se mostrava destemido e com a intenção de matar, mostrando que era subordinado à Guilty e tinha como função protegê-lo.

– Corte-o, Wolfson! – gritou Guilty apontando para Hades.

Um brilho gélido acentuou-se nos olhos de Hades. Sua mente sagaz buscou uma estratégia rápida. O ferimento no braço começava a incomodar e aquele homem tentaria cansá-lo para que cometesse um erro. Era óbvio que Guilty esperava isso dele .

De posse das informações que sua mente processava e com a ajuda de Aldebaran e Rorik, Hades inspirou e elevou a espada, girando sobre o próprio corpo e, trocando-a de mão, uma técnica que sempre confundia o inimigo.

Wolfson esperou o ataque e o rechaçou, mas Hades não lhe deu tempo de revidar e o atacou cortando-o na altura da cintura, fazendo jorrar o sangue como se fosse uma pequena fonte.

O homem caiu de olhos abertos, enquanto Hades saltava sobre ele e descia a espada bem no meio da cabeça dele, abrindo o crânio e expondo o cérebro. Rapidamente, o jarl girou novamente e cortou o ventre de outro e, aproveitando o impulso, saltou com uma precisão inacreditável, cortando mais três guerreiros que estavam atrás, na altura do peito, ventre e genitais.

Retalhos de carne, pele e ossos voaram, criando desenhos macabros no chão do salão. Hades parecia o próprio deus Odin e sua lâmina descia implacável, bebendo sangue e forrando o chão com pedaços dos corpos do inimigo.

Aldebaran, Rorik e Halfdan cercaram Hades, dando-lhe tempo para respirar e recuperar o fôlego.

Quando os últimos homens avançaram gritando, Pandora, Shina, Radamanthys e Aiacos os cortaram, em segundos, estripando os cinco de forma certeira e impiedosa, deixando Guilty sem nenhuma proteção.

Guilty sentiu o olhar penetrante de Hades. O traidor custava a acreditar que perdera aquela luta, mesmo tendo a vantagem numérica. Porém, naquela luta, Hades não parecia humano. Havia uma aura quase sobrenatural nas ações e na forma como ele movia a espada. Ficou encarando aqueles olhos azuis acinzentados que não desviavam, em nenhum momento, dos seus, sentindo um leve estremecer na mão que empunhava a espada. Hades apontou a espada em um ato de desafio.

– Agora é entre você e eu. Como devia ter sido desde o início, traidor! – falou Hades.

Guilty inspirou com o cenho franzido. Seus homens haviam sido massacrados. Não havia mais o que fazer.

Nesse momento, Guthrum adentrou o salão. Seus olhos encontraram os de Guilty e ele a encarou, enfurecido.

– Eu o avisei, eu pedi para que desistisse. – disse ela.

– Eu devia tê-la matado! – berrou Guilty.

– Sim, você devia. Mas isso só somaria mais erros a sua vida, meu filho.

Hades encarou a vidente e ela não baixou o olhar.

– Meu senhor, uma vez ofereceu-me ouro e eu recusei, dizendo que um dia lhe pediria um favor. Este homem é meu filho, eu o abandonei assim que ele nasceu e fugi das garras do homem vil que era o pai dele. Fui acolhida neste clã e a ele devotei minha vida e minha vidência. Sei que ele não merece clemência, mas me considero responsável por parte das atitudes dele. Talvez se eu... o tivesse criado. Mas, não se pode mudar o passado, Wird caiu sobre mim, assim como para o senhor. Então eu peço, humildemente, que após a sua morte, eu possa dar-lhe um sepultamento digno.

A revelação deixou todos emudecidos. Guilty era um traidor e traidores ficavam expostos aos corvos, sem direito ao sepultamento digno de um guerreiro. Todos olharam para o jarl, esperando o veredicto. Hades era o Kriger hjerteløs e não fazia parte da sua natureza ser complacente. No entanto, ele era um líder e como tal, precisava honrar sua palavra.

– Eu permito. – disse ele e Guthrum se aproximou dele em uma atitude de reverência.

Transtornado, Guilty aproveitou a distração de Hades e lançou-se com um forte grito de guerra junto ao ataque traiçoeiro. A última cena que ele vislumbrou, foi a lâmina afiada de Hades beijar a sua como se fosse um amante voraz. Num movimento rápido, a espada vibrou, escorregou e estocou de forma a cortar-lhe o ventre e depois a garganta.

A precisão do corte fez com que as vísceras de Guilty ficassem expostas e a garganta se abrisse como se fosse uma boca sorridente. Tudo em uma perfeita e macabra sincronia... O sangue brotando aos borbotões e espirrando em jatos, molhando o chão e o corpo de Hades.

Guilty elevou as mãos, tentando conter o sangue e caiu, o olhar recaindo sobre Guthrum e Hades. Ele balbuciou algo e, em seguida, caiu de joelhos sob os estertores finais do seu corpo diante da morte.

Por um instante, Hades deu uma olhada no corpo de Guilty e nos corpos que ficaram para trás. Muitos daqueles homens eram corajosos e fortes.

– Recolham os mortos. – disse ele, enquanto deixava o salão.

Guthrum tocou a face de Guilty e fechou-lhe os olhos. Quando todos saíram, ela entoou um cântico fúnebre e se permitiu chorar, pela segunda vez, em seus sessenta e cinco anos. A primeira, fora quando abandonara o filho, uma ação resultante do fato de ter sido violentada pelo guerreiro que recusara. Nunca desejara casar, ou constituir família. Nunca quisera ser mãe. Sempre soubera que seria uma Völva e acolhera o destino com muita alegria, até ser possuída à força e decidir recomeçar em outro clã.

Tocou a cabeça do filho morto e rezou por ele e por si, também. Não há nada que possa ser evitado. O destino tem de ser cumprido com paciência, fé e tolerância...

Lá fora, a madrugada cedia ao amanhecer e Minos corria na direção do salão, o som das espadas e machados havia cessado e ele estava ansioso pelo resultado da luta.

De repente, surgido de trás de uma das cabanas, um berserker se colocou em seu caminho. Reagindo mais por instinto que pensando no ato, Minos se atirou no chão e apanhou um punhado de terra na palma da mão. Então se levantou e atirou a sujeira nos olhos do guerreiro.

O berserker rugiu e avançou enraivecido. Minos recuou, mas uma falha no solo o fez tropeçar. O gigante o agarrou pelos cabelos e passou o antebraço por seu pescoço.

– Eu vou quebrar o seu pescoço! – gritou o homem.

Minos tentou empurrá-lo, mas ele apertou com mais força, asfixiando-o. A paisagem balançou com imagens desfocadas, enquanto ele segurava com as duas mãos o braço que lentamente o estrangulava. Não conseguia ver direito e a falta de ar começava a tragá-lo para a inconsciência. Não posso morrer assim! Não assim! Pensou ele, enquanto esperneava numa última tentativa antes de tudo escurecer.

Lune enterrou o machado na espinha do berserker fazendo-o soltar Minos que desabou para o lado.

Hades presenciou a cena e correu. Sem conseguir disfarçar o olhar aflito, ele mais uma vez tomava Minos inconsciente em seus braços. Pelo sangue de Odin, quase o perdera pela segunda vez!

– Minos! – murmurou ele levantando-o do chão. – Você está bem?

O jovem tossiu e Hades o abraçou, esfregando-lhe as costas enquanto ele se recuperava. Com o cenho franzido, Minos respondeu baixo:

– Mais uma vez estou em seus braços... Embora eu goste, não acho uma boa ideia.

Antes que Hades falasse, Alone surgiu correndo e juntou-se aos dois, enquanto as outras crianças eram acolhidas por suas mães e pais.

– Pai! Minos! – disse o menino os abraçando.

Minos sorriu, ainda tossindo um pouco.

– Acabou tudo...

– Sim, acabou. – disse Hades .

Os guerreiros vitoriosos foram se juntando às mulheres e crianças. Os corpos dos inimigos e de alguns amigos foram recolhidos e estavam sendo preparados por Guthrum. Aos poucos, a vida na aldeia retomava sua rotina...

Hades olhou na direção de Lune e fez um gesto, agradecendo a presteza do jovem guerreiro.

Lune sorriu. O destino era mesmo caprichoso. Estava feliz por salvar a vida do homem que um dia odiara. Seu olhar encontrou Aiacos que vinha sujo de sangue, mas sorrindo daquele jeito capaz de derreter o gelo no inverno.

– Você salvou a vida do meu irmão. Como posso agradecer? – disse ele, emocionado.

– Posso listar as mais diversas maneiras de você me agradecer... – respondeu Lune mordendo o lábio.

Aiacos engoliu em seco sentindo uma ereção instantânea formar-se só com aquela visão.

– Hummm... Vejo que a primeira delas já pode ser colocada em prática. – disse Lune olhando, descaradamente, para os genitais do guerreiro.

O sorriso aberto de Aiacos se transformou em uma expressão predadora e, em seguida, os dois trataram de sair de cena...

Notas finais
♥ ♡ ❤ ♥ ♡ ❤ ♥ ♡ ❤ Obrigada a quem favorita, comenta, lê pelo celular, acompanha em silêncio. A energia de cada uma se manifesta de acordo com a disponibilidade, tempo, vontade, emoção! Como diz Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena!"Bjs e muito obrigada pela parceria e pelo carinho!! XD