A Química do Amor
17 0 Convite

Após passar metade do dia no All India Institute Of Medical Science de Nova Delhi, deixo o hospital, feliz e um pouco cansada. O congresso foi ótimo, um dia de muito aprendizado e, para mim, valeu muito a pena, pois irei levar muito de todo este aprendizado para a minha vida profissional.
Não estou com pressa nenhuma de voltar ao hotel, e, por isso mesmo, resolvo dar uma passada na rua do comércio, a fim de dar uma olhada no local, afinal, tenho que aproveitar a minha estadia aqui, afinal de contas, logo irei embora e, tenho de aproveitar ao máximo cada momento neste lugar maravilhoso.
Ao invés de pegar um táxi, opto por um tuc-tuc, e, sorrio enquanto o veículo caminha pelo trânsito da cidade. Rapidamente chego a rua do comércio, pago o motorista do tuc-tuc e começo a caminhar pelas ruas, olhando as lojas e me maravilhando tudo o que vejo.
As pessoas na rua andam de forma coloridas. As mulheres com seus sáris e joias me deixam completamente encantada, pois acho elas simplesmente lindas, bem como as vestimentas que elas usam.
Uma ideia passa pela minha cabeça, e, sorrio, me encaminhando para uma loja de roupas e, logo sou abordada por uma vendedora, que não perde tempo em dizer:
― Boa tarde, posso ajudar a senhorita em alguma coisa?
― Boa tarde. – respondo, sorrindo com educação – Pode sim, eu gostaria de dar uma olhada nos seus sáris.
― A senhorita busca algo em específico?
― Na verdade não, e, sendo bem sincera, não sei bem o que procurar. O que você pode me indicar?
― Eu tenho vários que irão combinar com a senhorita. Venham comigo, por favor.
Acompanho a vendedora e ela, com toda a paciência do mundo, começa a me mostrar vários modelos de sáris, me deixando completamente apaixonada por eles, e eu simplesmente não sei qual escolher.
Ela me ajuda a experimentar vários deles e, fico encantada com tecidos, em como eles se moldam ao meu corpo e em como eles me deixam linda, fico completamente apaixonada, e, mesmo sabendo que não irei ter muitas oportunidades de me vestir com eles em Washington, acabo comprando cinco e, saio da loja vestida em um deles, um lindo modelo vermelho com vários bordados pretos, simplesmente apaixonante.
Vendo que já está começando a escurecer, acho que já está na hora de retornar ao hotel e, novamente, ao invés de escolher um táxi, opto por um tuc-tuc, pois assim consigo apreciar melhor a vista da cidade e todo o seu movimento.
Chego ao hotel e subo direto para a minha suíte, só então me forçando a pensar em meu companheiro de quarto. Será que ele já chegou? E como será que foi a apresentação dele? Não que eu esteja preocupada com ele, mas, como meu irmão também trabalhou no artigo que ele apresentou, quero que tudo tenha corrido bem na apresentação. Pelo meu irmão, é claro, e não pelo Edan.
Nunca seria por ele.
Chego a minha suíte e, não me surpreendo nem um pouco ao ver o homem sentado na sala, tomando uma bebida. Ao me ver, os olhos dele ficam simplesmente grudados em mim, provavelmente pelo sári que estou vestindo. Mas, mesmo assim, eu não estou gostando nem um pouco da forma como ele está me olhando.
― Está olhando o que? – eu questiono, arqueando as sobrancelhas.
― É que você está linda vestida desse jeito, Regininha. – ele me responde, sem qualquer pudor.
Ouvir as palavras de Edan causam um estranho misto de sentimentos em meu coração. Por um lado, a raiva por estar sendo elogiada por este homem, um Vasconcellos. Prometi a mim mesma que isso jamais voltaria a acontecer. Mas, por outro lado, uma parte de mim, que eu nem lembrava mais que existia, fica feliz por ter sido elogiada por ele. Imediatamente, tento bloquear esta parte de mim, pois, em hipótese alguma eu posso deixar que ela tome conta de mim.
― Não vai falar nada? – Edan me questiona, com um sorriso quase que debochado em seus lábios.
― E por que eu falaria qualquer coisa com você? – eu questiono, tentando manter um tom frio em minha voz.
― Porque somos amigos, e, eu não vejo problema nenhum em amigos elogiarem um ao outro.
― Sinceramente, eu não me lembro da parte em que sonos amigos. Até onde eu sei, você é amigo de meu irmão, e não meu.
― Ora, minha querida, até onde eu sei, a minha amizade para com seu irmão se estende para toda a família, seus pais me adora, caso você tenha se esquecido.
― Sim, claro, mas esta adoração por você não se estende a mim, caso você não tenha notado.
― Impossível não notar, minha cara. – Edan me responde, sem se deixar abalar por minhas palavras.
Por que eu ainda perco meu tempo discutindo com este homem?
― Você não vai dizer nada? – Edan me questiona, tirando-me de meus pensamentos.
― Dizer o que? – eu devolvo a pergunta.
― Deixa pra lá. – ele volta a dizer – Mas então, que tal aproveitar toda esta sua produção indiana e sairmos para jantar?
― O que?! – eu questiono, sem realmente acreditar no que acabo de escutar.
― Eu estou lhe convidando para jantar. – Edan me responde, como se estivesse explicando algo para uma criança de cinco anos de idade – Será que é tão difícil assim para você entender o que é um convite?
― Não, não é. – eu respondo, de má vontade – E, a resposta para você também é não!
― Mas por que? – ele me questiona, de forma inocente – Você está na Índia, vestida desse jeito e vai passar a noite trancada num quarto de hotel? É isso mesmo? Pensa bem, Regininha, quantas oportunidades como esta você terá? E eu não vou tentar te agarrar nem nada do tipo, se é disso que você tem medo, é só um jantar, entre dois amigos para aproveitar uma noite na Índia, nada demais.
As palavras de Edan me fazem refletir por um momento e, pensando por este ângulo, ele está certo. Além do mais, o que é um jantar com este homem quando já estamos no mesmo quarto? Vou ter que aturar ele de qualquer jeito mesmo.
― Está bem, Edan. – me vejo respondendo – Eu aceito o seu convite.
― Ótimo. – ele me responde – Vou ligar para a recepção e chamar um táxi.
― Não, chame um tuc-tuc. – eu peço.
― Está gostando mesmo da cultura local, não é mesmo? – ele começa a rir.
Edan faz como eu peço, liga para a recepção e pede um tuc-tuc para nós. Deixamos a suíte, pegamos o elevador e, quando chegamos a recepção, o tuc-tuc já está nos esperando. Vejo Edan trocar algumas palavras com o motorista e, em seguida, entramos no veículo.
― Para qual restaurante estamos indo? – eu questiono.
― É uma surpresa. – Edan me responde, sorrindo de forma descontraída.
Ele sempre teve um sorriso tão lindo assim?
Não demora muito e, o tuc-tuc estaciona em frente a um dos resuaturantes mais chics de Nova Délhi, o Dum Pukht Restaurant, frequentado até mesmo por estrelas de Bollyhood.
Deixamos o veículo e adentramos o restaurante, onde imediatamente somos conduzidos para um salão, todo decorado de azul e prata com candelabros de cristal pendurados por todo o teto. Fico de boca aberta com todo o luxo do local.
Somos conduzidos até uma das mesas e, estamos prontos para nos sentarmos quando...
― Regininha!
Uma voz masculina familiar chama a nossa atenção.
Ao mesmo tempo, Edan e eu olhamos para trás, e, damos de cara com um casal, uma mulher com aproximadamente seus trinta e cinco anos de idade, cabelos loiros com luzes e lisos escorridos, na altura da cintura da mulher.
Mas, o que faz com que meu rosto perca a cor é o homem, com seus trinta anos de idade, os cabelos castanhos escuros e os olhos, os malditos olhos azuis, os quais eu jamais fui capaz de esquecer. Os olhos do homem que me destruiu por completo.
― Alexandre! – Edan e eu dissemos ao mesmo tempo.
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