A Química do Amor

18 Verdade Revelada


Meus olhos simplesmente encaram o homem a minha frente, sem realmente acreditar que realmente é ele quem está ali. Rapidamente meu olhar vai de Alexandre para Regininha, e, o que vejo nos olhos dela é uma mistura de incredulidade com ódio.

Já Alexandre, parece não notar o olhar dela, ou, se notou, parece não ligar a mínima, e, pelo que conheço dele, sei que a segunda opção é a que mais se aplica a ele. Não vejo ou falo com Alexandre a mais de quinze anos, mas, conheço bem o tipo dele para saber que realmente parece não dar a mínima para o fato de Regininha não estar nem um pouco feliz em vê-lo!

E, ver a expressão no rosto de Regininha, somando-se ao fato de que ela me disse, mais de uma vez, algo sobre os homens Vasconcellos, me fez ter certeza de que Alexandre é o culpado por Regininha parecer me odiar desde que voltou de Nova York, três anos atrás.

Ignorando por completo a loira ao seu lado, Alexandre se aproxima de Regininha, pronto para abraça-la de forma mais do que íntima, e, tudo o que eu vejo é ela dar um passo para trás, o que faz com que, no mesmo instante, me coloque de forma protetora na frente dela.

Seja lá o que Alexandre tenha feito, está mais do que na cara que Regininha não está nem um pouco feliz em vê-lo!

E, só no momento em que coloco na frente de Regininha, é que Alexandre se dá conta da minha presença ali.

― Maninho! – Alexandre diz, com a maior cara de pau do mundo – Quanto tempo faz que não nos vemos! Não esperava ver você aqui, ainda mais acompanhando a minha namorada, não imaginava que você conhecesse a Regininha, isso é que é surpresa!

― Não somos namorados! – Regininha fala, completamente furiosa, e, parecendo sair do transe em que se encontra – Não depois de tudo o que você me fez, Alexandre!

― Sério que você ainda se lembra de uma bobagem como aquela? – fala Alexandre, com a maior cara de pau possível – É por isso que me trocou pelo meu irmão mais velho?

― Meio-irmão. – me apresso em dizer – Você foi só um deslize que nosso pai infelizmente cometeu, Alexandre. E, se eu pudesse esquecer que você existe, certamente o faria de bom grado!

Principalmente levando em consideração que meu meio-irmão não é flor que se cheire, tal como a mãe dele, que, embebedou meu pai para transar com ele e conseguir engravidar, com isso, ganhando uma boa pensão para o filho e não tendo mais que trabalhar como garçonete em um bar que meu pai sempre frequentava quando brigava com minha mãe.

― Pouco importa se não somos filhos da mesma mãe. – Alexandre volta a dizer, tirando-me de meus pensamentos – O importante é que o sangue de nosso pai fala mais alto! E, pelo visto, deixa nossos gostos para mulheres extremamente parecidos, já que você roubou minha namorada, maninho!

― Já disse que não somos namorados! – Regininha volta a dizer, e, olhando atentamente para ela, posso notar o quanto ela está nervosa – Eu jamais namoraria você depois da monstruosidade que fez comigo!

― Não acredito que você está fazendo tanto drama por conta daquilo! – a loira que está com Alexandre se intromete na conversa – Uma bobagem tão sem importância! Querida, acho que já está na hora de você crescer!

― Realmente, Regininha, acho que já passou da hora de você esquecer daquilo. – fala Alexandre, abraçando a loira a seu lado – Afinal de contas, foi uma coisinha de nada, sem importância alguma!

― Coisinha de nada??!! – Regininha está completamente enfurecida e, não deixo de notar o corpo trêmulo dela – Você acha mesmo que me drogar, me fazer engolir meia dúzia de citoteque enquanto eu estava drogada para me provocar aquele aborto e em seguida fugir com todo o dinheiro que eu tinha economizado anos para custear a minha vida em Nova York enquanto eu fazia a minha especialização pode mesmo ser chamado de coisinha de nada???!!!

Lágrimas irrompem nos olhos de Regininha, banhando a face dela enquanto ela, completamente enfurecida, profere todas estas palavras. E, ouvir a barbárie que Alexandre fez com ela faz com que eu entenda o motivo de Regininha me odiar tanto, afinal, infelizmente, Alexandre é meu meio-irmão e, o fato de eu não ter qualquer tipo de relações com este homem parece não fazer qualquer diferença para ela. Também pudera, depois de tudo o que acabei de ouvir, não é para menos que ela se sinta tanta raiva de mim, afinal de contas, infelizmente, Alexandre é meu meio-irmão e não há nada que eu possa fazer com relação a isso.

― Aquilo foi um empréstimo. – Alexandre volta a falar, ignorando por completo o nervosismo e a raiva de Regininha – E até onde eu sei seus pais são ricos, aquele dinheiro não fez falta nenhuma para você. E quanto ao aborto, eu deixei bem claro que não queria um filho, e, como você não queria abortar, eu tive que dar o meu jeito para me livrar daquela criança. A culpa foi sua por querer levar aquela gravidez adianta, Regininha!

Ver o estado de nervos de Regininha, bem como as palavras cínicas de Alexandre mexe com algo dentro de mim, fazendo com que eu deixe de lado toda a minha civilidade e, parta para cima de Alexandre, dando um soco na cara dele com toda a minha força.

Pego completamente desprevenido, meu irmão caí para trás, e, antes que ele possa se recuperar do susto, eu parto para cima dele, jogando ele no chão e me lanço em cima dele, dando socos e mais socos sem parar.

Não sei quantos minutos eu permaneço assim, batendo em Alexandre sem dar a ele qualquer chance de reação, mas, os seguranças do restaurante chegam ali e nos separam. Estou prestes a voltar pra cima de Alexandre e surrá-lo quando sinto Regininha segurando meu braço. Volto o meu olhar para ela, e, a vejo me encarando de forma suplicante, para então ela me dizer:

― Edan, me leva embora daqui, por favor!

Ela não precisa falar mais nada, eu a abraço de forma protetora, e, ela não faz nada para repelir o meu toque. Deixamos o restaurante e pegamos um táxi, voltando para o hotel e, durante todo o trajeto, permaneço abraçado a Regininha, deixando que ela chore em meu ombro, pois, depois desta noite horrível, tudo o que posso fazer por ela é deixar que ela derrame todas as suas lágrimas e, se ela precisar, eu estarei aqui para ela.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.