A Queda dos Devoradores
8 Sétimo Ano
Notas iniciais
Dezembro, 1976
Perto de si estava o corpo de uma criança, com não mais que cinco anos. Os seus olhos sem vida pareciam julgá-la, culpando-a. Helena desviou o olhar para as próprias mãos, arrependendo-se. Estavam manchadas com o sangue de inocentes e pareciam crescer á medida que se dava conta o quão abominável tinha sido o que acabara de fazer.
Bella apareceu, passando por ela para avaliar os estragos com um sorriso no rosto.
Chutou o corpo da criança sem compaixão e pegou a mãe desta, que estava jogada a alguns metros de Helena, pelos cabelos, antes de se virar para a loira – Está viva?
– Sim – Respondeu tão baixo que se surpreendeu por Bellatrix ter ouvido.
A mais velha sorriu, satisfeita – Bom, o Lorde quer interroga-la. Bom trabalho Helena, conseguiste passar o teste.
Helena viu-a desaparatar, levando consigo a mulher inconsciente. Sentiu os olhos arderem antes de dar costas à cena em que se encontrava. Puxou a varinha da capa negra e apontou-a ao céu.
– Morsmordre.
X-x-X
Voldemort esperava-a na biblioteca quando regressou a casa.
Bateu à porta, um pouco indecisa e entrou. Bellatrix estava sentada à frente do Lorde, praticamente jogada na cadeira sem quaisquer preocupações com a postura. Brincava com a varinha numa das mãos e parecia aborrecida pela demora de Helena.
Aproximou-se rapidamente e sentou-se ao lado dela, recendo um olhar irritado como resposta.
– Demoraste.
– Eu... Peço desculpa – Imaginou que ela não quisesse saber sobre o seu pequeno ataque de pânico enquanto esfregava as mãos para lavar o sangue.
– A Bellatrix contou-me que te portaste bem na missão.
Respirou fundo, nervosa – Penso que sim.
– Ótimo – Evitou estremecer quando o viu abrir um sorriso fantasmagórico.
Janeiro, 1977
Helena estava cada vez mais distante dos amigos. Mantinha-se isolada, afastada até mesmo de Severus e dos outros membros da sua casa. A mudança, claro, não passou despercebida aos olhos de Sirius, que se mantinha afastado da loira que se relevava a cada dia mais paranoica.
Vi-a olhar para todos com desconfiança, sempre com a varinha ao seu alcance, como se esperasse um ataque. Os seus olhos azuis escondiam uma loucura que ele não conhecia.
X-x-X
Sirius beijava Marlene quando Helena passou por eles.
É claro que a loira fingiu que não os viu, mas por dentro, chorava de raiva e dor. Tinha sacrificado tudo por ele, para o ver vivo e feliz. Só não imaginava que assistir á felicidade dele com outra pessoa pudesse dilacerar o seu coração daquela maneira.
Março, 1977
Se havia uma palavra que pudesse definir o casamento de Bellatrix Black e Rodolphus Lestrange, essa palavra seria: sombrio. A noiva, vestida estranhamente de negro, os convidados com cara de poucos amigos, e Rabastan, davam a Helena vontade de fugir.
Só queria que aquilo acabasse logo.
Junho, 1977
Helena tinha que admitir, nunca pensou que chegasse ao fim do sétimo ano assim. Sozinha.
Assistiu enquanto todos os seus colegas e amigos comemoravam a passagem dos N.I.E.M.S. Em suas mãos, a carta com os resultados dizia-lhe que tinha aptidões para se tornar Auror. Tolice. Amassou-a, atirou-a ao lixo e desaparatou.
X-x-X
Mal podia acreditar o quão cabeça dura Lilian e James conseguiam ser. Sentada na frente deles a mando de Voldemort, explicava-lhes as vantagens que teriam caso servissem o Lorde, falando como se tivesse ensaiado o texto. É claro que eles não pareciam inclinados a ouvi-la.
– Não acredito que te juntaste a ele – Murmurou Lily incrédula, pela segunda ou terceira vez desde que Helena começou a falar. James, pelo contrário, não parecia surpreendido.
– A família dela é seguidora de Voldemort, era natural que ela se juntasse também – Disse, com desprezo. Helena mordeu o lábio e sentiu os olhos arderem.
– A de Sirius também, e nem por isso ele seguiu os passos da família.
Helena sentiu o estomago revirar quando falaram dele – Por favor, vocês não entendem – Pausou, passando a mão pelos cabelos loiros num ato de nervosismo – Eu não quero lutar com vocês, por favor – Suplicou, começando a chorar.
James desviou o olhar e levantou-se, desparecendo para a cozinha. Lily olhava para as mãos e chorava também, sem saber o que fazer – Nós juntámo-nos à Ordem de Fénix, Helena, queremos fazer o que está certo, mesmo que isso nos faça lutar contigo.
– Eu só quero protege-los, por favor, pensem melhor – Murmurou, soluçando. Lily levantou-se e abraçou-a, afagando-lhe os cabelos.
– Nós já decidimos Helena – Suspirou – E tu, é isso que queres fazer?
Agosto, 1977
Sirius olhou com surpresa para o homem à sua frente, antes de voltar a sua atenção para o papel, onde uma linha em especial prendia toda a sua atenção. “Eu, Alphard Black, deixo a minha casa ao meu sobrinho, Sirius Black”. Quase sentiu vontade de rir, imaginando a cara de Walburga com a noticia. Lembrava-se do tio Alphard, um velho resmungão e com um estranho humor, mas nunca imaginou que ele o tornasse seu herdeiro.
– E então, o que vais fazer Sirius? – Perguntou James, aparecendo na sala com uma bandeja e três chávenas de café.
– Não é obvio? – Sorriu – Vou viver sozinho.
X-x-X
Sirius acordou com as batidas frenéticas na sua porta. Levantou-se, esfregou os olhos e desceu as escadas, ainda aos tropeções. Suspirou irritado e abriu a porta rapidamente, surpreendendo-se com o que viu.
Helena estava parada com a mão no ar, na certa preparada para bater de novo. Tremia, ele não sabia se de frio ou de nervosismo, mas suspeitou que era a ultima opção. Pensou em fechar-lhe a porta na cara, mas ela chorava quase desesperada, e agarrou-se a ele mal recuperou do choque de o ver.
– Eles não saem Sirius, faz com que desapareçam, por favor – Gritava, agarrada a ele. Sirius puxou-a para dentro e fechou a porta depois de se certificar que ninguém os tinha visto. Carregou-a até ao sofá e tentou acalmá-la, mas ela parecia ter entrado em choque e chorava como uma criança – Eles obrigaram-me, por favor, por favor, faz com que eles parem.
– Helena – Murmurou, sentido o coração apertar com a cena. A loira abraçava o próprio corpo e cantarolava para si mesma, sem parar de chorar. Puxou-a para si e abraçou-a, sentindo-a tremer de nervosismo nos seus braços – Conta-me o que aconteceu – Pediu.
– Cruciatus – Disse – Eles obrigaram-me. Ela gritava tanto, durante horas, só gritava — Entendeu rapidamente que a tinham forçado a torturar alguém. Apertou o maxilar, furioso e querendo saber quem tinham sido os culpados dela se encontrar naquele estado, mas não perguntou nada – Os gritos não saem da minha cabeça, faz com que eles desapareçam Sirius, por favor.
Os olhos azuis de Helena olhavam-no suplicantes. Por momentos, esqueceu-se de Marlene.
– Por favor, Sirius, ajuda-me – E ele ajudou.
X-x-X
No momento em que ele a beijou, a mente de Helena pareceu apagar-se. Não havia Devoradores, o Lorde, ou os gritos torturados da mulher. Não havia mais nada, só Sirius. Ele apertou-a contra si e ela derreteu nos seus braços, entregando-se completamente a ele.
Sirius despiu-a, peça a peça, até que ela se encontrava nua na sua frente, a face totalmente corada de vergonha. Beijou-lhe as mãos, com carinho, antes de se inclinar sobre ela como um predador.
Lábios, língua e mãos percorreram o seu corpo, conhecendo-a de uma maneira que ninguém antes tinha conhecido. As mãos dela tocaram-no, primeiro sem saber bem o que fazer, depois, guiadas por ele, e quando os seus corpos se uniram, ah, Helena mal podia cair em si. Os corpos suados, os gemidos, os olhos cinza de Sirius Black fitarem-na com luxuria enquanto ele a preenchia, era uma memória que nunca iria querer esquecer.
X-x-X
Quando Sirius acordou sozinho e nu no sofá, pensou que a noite anterior não havia sido nada mais que um dos devaneios da sua mente. Depois, apercebeu-se do aroma doce a frutos que parecia preencher o cómodo. Suspirou, com a realidade a estapeá-lo. Helena tinha ido embora.
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