A Prostituta do Rei
1 Prólogo
Notas iniciais
O som das chamas que trepidavam na madeira e a respiração irregular e nervosa da moça era o único som a ser ouvido. Suas mãos suavam, e seu coração parecia estar batendo na garganta, os dedos mexiam- se nervosamente enquanto sua garganta parecia estar seca e poderia facilmente ser considerada uma lixa.
Não se sabe exatamente quanto tempo ela ficou ali, encarando os dedos tentando fugir da realidade em que ela foi submetida. Nunca foi o tipo de garota que abaixava facilmente para qualquer pessoa, mas ali estava ela, sentada prostrada e submetida ao único homem que jamais imaginou.
Seus olhos desviarem-se dos dedos trêmulos quando percebeu a movimentação do quarto. A única claridade vinha dá lareira luxuosa, e a silhueta alta e imponente do homem nunca poderia ser confundida. Ele era perfeito, uma verdadeira raridade de beleza, e não era exatamente por sua posição.
O homem caminhou até um pequeno balcão e se serviu de alguma bebida, estava calmo, pensando consigo mesmo a maneira mais sutil de abordar sem assustar a mulher que já parecia assustada o suficiente ali. O líquido cor âmbar desceu queimando sua garganta, e seus olhos se voltaram para ela.
A moça ofegou com a intensidade, era o verde mais bonito que já ousou por os olhos, era quente, hipnótico e não importa quantas vezes tenha olhado para ele, nunca foi tão intenso quanto agora. O olhar dele desceu devagar, passando pelos olhos chocolate, a boca bem desenhada e rosada. O pescoços alvo, e o colo convidativo.
Ele já sabia, desde quando pôs os olhos nela no meio dá vila, brigando com unhas e dentes por um garoto que roubou para comer, ele sabia que ela era perfeita. E ficou ainda mais inebriado quando sentiu a presença dela dentro do quarto, enfim, depois de muita luta. Lá estava ela, a mercê dele. Completamente acuada, e não se parecia nada com a mulher que o deixou terrivelmente excitado com o rubor intenso de raiva e agitação.
Embora ele não pudesse negar que o rubor inocente e acanhado que ela possuía no momento, sendo iluminada pelas chamas da lareira era tão convidativo quanto o rubor dá agitação, dava a ela exatamente o que ar que ele anseia, a inocência. A inocência que ele queria possuir.
Caminhou lentamente até ela, notando a mudança na respiração que ficou ofegante e profunda, como se estivesse sem ar, ou com medo. Ela sentiu a atmosfera ficar pesada, seu coração que já não parecia estar rápido o suficiente, disparou terrivelmente como se pudesse voar. Sua garganta fechou-se como se tivesse um bolo que a impedisse de respirar.
Ele ajoelhou-se ao pés dela, a pele brilhando com a iluminação das chamas, olhos brilhantes e boca rosada entreaberta. Olhos chocolates arregalados fazendo-o rir suavemente. Se ergueu rapidamente, pegando levemente nos braços da moça e a erguendo com ele.
Tocou o rosto da moça a sua frente com delicadeza, um carinho desconhecido por ele, e novo para ela. Como se quisesse passar a ela um tipo de segurança que ele mesmo não sabia qual era. O cheiro adocicado dela invadindo suas narinas, deixando-o inebriado e ainda mais excitado com a possibilidade de tomar a definição de inocência.
Levou seus dedos cumpridos a corda que segurava a camisola que ela vestia, o tecido claro contrastando com a pele alva. Puxou o laço, desfazendo o nó delicado que ela deu ali. O tecido deslizou devagar, revelando pouco a pouco o corpo curvilíneo e perfeito ao olhos dele. Sua respiração ficou presa na garganta, seus olhos varrendo lentamente cada centímetro perfeito da menina mulher a sua frente. Ela era perfeita. Seios fartos, na medida certa. Barriga lisa, e cintura fina. Quadril largo e pequenos pêlos encaracolados em sua intimidade. Ele estava hipnotizado, encantando e completamente fascinado.
Já ela, com o sangue de todo o corpo esquentando sua face, jogou a cabeça para trás encarando o teto bem pintado enquanto seu corpo era estudado. De todos os lugares em que ela imaginou estar, no quarto onde estava era o último. Não poderia estar mais envergonhada, mas não poderia sair correndo, primeiro por estar nua, segundo por ser ele. Estar com ele.
Sentiu sua pele queimar quando dedos frios tocaram seus seios, como se estivesse estudando a textura de sua pele. Prendeu a respiração e mordeu fortemente o lábio com a sensação que varreu seu corpo, fazendo-a estremecer completamente.
— Está com medo ? — A voz rouca atravessou as paredes do mundo que ela estava e a fez voltar a realidade. Sua cabeça endireitou-se encarando olhos verdes cristalinos.
Ela estava com medo ? Não, não, medo era última coisa que ela sentia no momento. Ela estava insegura, como se pudesse cometer algum erro, ou como se fosse uma coisa errada.
— Não. — Sussurrou. Sua voz pesada e rouca. Ele sorriu, como se pudesse ver a verdade por trás das palavras dela. Tombou a cabeça levemente, estudando sua expressão.
— Não precisa temer — Emendou ele. Passou a língua molhando os lábios — Você é linda.
Se possível corou ainda mais, receber elogios nunca foi um bicho de sete cabeças para ela, mas inovador vindo dele.
— Não tenho medo. — Afirmou. Como se quisesse provar não para ele, mas para si mesma.
Ele sorriu, um sorriso amplo e sincero. Uma confirmação, a confirmação que ele desejava. Tombou levemente o corpo e depositou um beijo casto e delicado no canto dá boca dela, o corpo da mesma esquentando em cada terminação nervosa.
— Submeta-se ao seu rei — Ele sussurrou em sua orelha — E será recompensada.
E ela faria isso, se submeteria a ele. O homem mais poderoso do país, o único homem cujo qual se deitaria com ela, mas nunca poderia ser dela.
O rei.
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