A Prostituta do Rei
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Notas iniciais
Isabella estava sentada a mesa com Jacob e Enzo ao seu lado. O velho Billy estava cuidando de seus afazeres. Bella comia devagar, Jacob e Enzo a observava com cuidado.
— Você sabe que dia é hoje não é? — Isabella ergueu o olhar ao ouvir a voz do menino.
— Sim. — Murmurou — Eu sei exatamente que dia é hoje.
Enzo calou-se por um instante. É claro que Isabella sabia, estava abatida está manhã especialmente por isto. Ela sabia que o único homem que amou em sua curta vida estava indo diretamente para as mãos de outra mulher.
— Você vai? — Jacob engasgou com o pão que mastigava e encarou Isabella seriamente.
Isabella olhou Jacob, ele mantinha uma expressão zangada na face. Voltou-se a Enzo e sorriu.
— Não meu amor. — Sussurrou — Você sabe que não.
— Deveria. — Murmurou dando de ombros — Deveria ir ver o rei cometendo o maior erro de vida dele.
Bella não se segurou e soltou uma risada alta.
— Sapequinha.. — Murmurou beijando-lhe a bochecha avermelhada. Enzo sorriu, e continuou tomando seu café, enquanto Jacob mantinha sua expressão sombria no rosto.
πππ
A água estava morna, Isabella estava dentro da bacia grande madeira enquanto se afundava na água quente. Os cabelos estavam presos no alto da cabeça, e seu corpo estava imerso na água.
Suas mãos viajavam suavemente em sua barriga, o monte pequeno já era notável. Seu umbigo estava começando a sair para fora, e ela tentou se lembrar se já estava com mais de três meses. A barriga estava grande demais. Fechou os olhos lembrando-se de quando se descobriu grávida. Foi logo depois de sua saída do palácio, duas semanas depois seu corpo estava em ebulição, chorava por nada, vomitava por nada. E suas regras estavam atrasadas. Então só aí, ela percebeu que aquilo estava errado, e percebeu que seu corpo tinha mudado. Enzo ficou mais que feliz quando soube da nova vida dentro do mulher que o salvou da rua, estava um irmãozinho babão. Isabella pensou em voltar, voltar e dizer a Edward como estava se sentindo e o que estava acontecendo com ela. Mas ficou com medo, ela estava grávida do rei do Inglaterra quando este a tinha somente como uma prostituta qualquer.
Em seguida, Jacob a convenceu a ficar, disse a ela que cuidaria dela e do bebê que estava vindo e ela o fez. Ficou ali, vivendo quase ao lado da casa dos pais, mas eles não sabiam de sua existência ali e nem poderia saber. Seu pai quase morreu de desgosto quando ela foi até o palácio, agora, ele com certeza morreria de soubesse que dentro de si ela carregava o filho do homem que o pai amaldiçoa mesmo sendo o rei deste país. Suspirou pesadamente antes de se erguer da banheira.
Enrolou-se na toalha fina que estava ali, e foi em direção ao armário onde tinha algumas peças suas. Vestiu-se do vestido simples que era acostumada a usar. Caminhou para fora do quarto, ouviu vozes vindo do quarto de Jacob e caminhou silenciosamente até lá.
— Você simplesmente deveria deixá-la esquecer! — Jacob Ralhou. Isabella esperou para saber, e se surpreendeu quando ouviu a voz do pequeno Enzo.
— Você quer isto para ficar com ela! — Ele disse — Mas ela não ama você! Ela ama a ele.
— Mas ele não será dela. — Rosnou — Ela também não será dele. Eu posso fazê-la feliz.
— Ele poderia se ela pedisse. — Enzo Rebateu — Tenho certeza que se ela pedisse, ele teria ficado com ela. Pare de tentar entrar no coração dela. Já tem dono.
— Você fala como se tivesse idade para discutir comigo garoto! Não fique no meu caminho. E pare de tentar convencê-la a ir na maldita cerimônia, eu não permitiria! Nunca, nem em um milhão de anos.
Isabela sentiu uma raiva crescendo dentro de si. Por inúmeros motivos, mas os principais foram pelo fato de Jacob se dirigir a Enzo com tamanha ignorância e grosseria, e também, por achar que poderia proibí-la de alguma coisa.
Abriu a porta com força, tendo encima de si dois pares de olhos assustados.
— Enzo, arrume-se, temos uma cerimônia para ver.
— O quê? — Arfou Jacob enquanto Enzo corria em direção ao quarto.
— Você me ouviu Jake.
— Não pode fazer isso! — Exasperou-se — Bella, isso é burrice.
— É, eu sei.
Disse simplesmente e saiu em direção as escadas. Enzo a encontrou no caminho e desceram rapidamente indo em direção a catedral do palácio, e seja o que Deus quiser e enquanto iam, Bella se perguntava o que ela estava indo fazer lá mesmo?
πππ
Ela estava tremendo, Seus dedos estavam frios enquanto seguravam firmemente o pulso fino do garoto que estava colada a ela. Porque diabos ela resolveu ir ali mesmo? Seus olhos varriam com cuidado a multidão. Tinha certeza de que era reconhecida porque os murmúrios ficaram insuportáveis, e ela pôde notar que os olhares tortos eram dirigidos a ela.
Caminhou devagar, entre as pessoas. Enzo sempre colocado em seu calcanhar, os olhinhos verdes ajudando Isabella a ver as pessoas e a reconhecer o local. Encontrar a catedral não foi difícil por dois motivos. Era o lugar mais luxuoso depois do palácio, e a multidão não deixava dúvidas de que ali tinha um casamento.
Enzo, notou que Isabella parou no meio do caminho. Um acesso de pânico, é isso certamente iria fazê-la dar passos para trás e desistir de tudo. Mas ele não deixaria, tinha uma chance de vê-la feliz, e ele não iria deixar que perdesse. Forçou forçou seu pequeno corpo ao contrário do dela, e a puxou. Isabella estava mole, seus pés não a obedeciam, e ela foi.
Entraram no meio da multidão feito ratos, se infiltrando em qualquer passagem que dessem. As que não dessem, as pessoas davam por si só ao notar de quem se tratava. Ele riam, zombavam com o fato da prostituta não passar de uma prostituta e veio assistir o casamento que nunca seria dela.
Quando Isabella conseguiu entrar de vez na catedral, seu coração disparado no peito deu um solavanco quando viu a marcha nupcial começar a tocar. Era ela, a princesa que entrava. Seu olhar foi diretamente para mulher no vestido branco elegante. Isabella não pôde ver sua face, o véu tampava boa parte, mas sabia que era tão bela quanto qualquer outra mulher deste reino. Inclusive, ela.
Viu-a caminhar lentamente, cada passo que ela dava em direção a Edward era uma facada afiada em seu peito. Ah Edward, como estava belo. Isabella sorriu ao vê-lo em seu traje militar azul, o traje que ela gostava e fazia questão de elogiar sempre que possível. Ele era, e é, completamente lindo. Isabella não conseguiu deixar de sorrir e elogiá-lo mentalmente, ela era uma mulher apaixonada. Fazer o quê...
Edward sorriu levemente e pegou a mão da mulher que o alcançou, dedos se fechando na mão que deveria ser ela estar tocando. Sua expressão era abatida, mas nada que não pudesse ser disfarçado com um belo sorriso digno de Edward Cullen. Viu quando ele virou-se em direção ao padre, e a mulher ao seu virou junto. Neste momento, Isabella pôde constatar de vez que tinha acabado ali.
Edward Cullen nunca poderia pertencer a ela, mas ela sempre seria dele. Seu coração não sabia como sentir mais dor. Levou os dedos até seu pequeno monte antes de deixar suas lágrimas teimosas rolarem por sua face. Enzo, sentiu seu mundo desabar junto com Isabella. Vê-la triste acabava completamente com o garoto de apenas nove anos.
Isabella, não suportando mais o peso do corpo, e da dor de perder alguém que de ama, virou-se em seus calcanhares. Sua respiração ficando rarefeita, ela estava começando a se sentir completamente sufocada. Seus dedos procuraram o garoto que logo desfez do aperto e deixou que Isabella saísse do meio da multidão sozinha. Isabella estava ali, desistindo do que ama por pura besteira. Enzo revezava seus olhos entre o rei, que faria seus votos, e Isabella, que morreria de tristezas. Mas o que ele poderia fazer? Antes mesmo de tentar chegar perto do rei, seria barrado, se não pior, seria morto. Como ele faria para que a mulher que ele passou a amar como uma mãe não morresse de tristeza levando um bebê consigo?
Seu coraçãozinho estava disparado no peito, uma adrenalina crescente dentro do garoto. Seu olhos estavam arregalados, e um frio corajoso tomou conta de sua barriga. Isabella estava em frente a porta quando seu nome foi gritado ao sete ventos por um garotinho.
— BELLA!
Foi o que bastou. Todos os olhares da igreja se viraram a ela, principalmente o dele. Edward não soube dizer se estava sonhando ou era outra alucinação, mas ela estava ali, completamente simples e linda, na igreja, vendo-o casar.
Bella, mordida de vergonha estava para lá de vermelha. Virou-se lentamente, quase em câmera lenta e encarou os únicos pares de olhos que poderiam deixá-la bamba apenas com a intensidade. E ele estava fazendo isso. Ele estava olhando-a, estava completamente perdido.
Edward não conseguia explicar o sentimento que o invadiu, amor, alívio, saudade, raiva, irritação, frustração, paixão. Tudo isso misturado em seu coração. Ele não estava conseguindo lidar com tantos sentimentos fortes e controversos. Isso estava prestes a explodir. Mas, diabos! Ela estava ali, linda, simples, uma verdadeira beleza única. Ele a amava, ele a queria, ele a tinha. O que ainda estava fazendo parado feito um idiota naquele altar.
Poderia ele simplesmente romper o acordo de casamento por quem ama profundamente, mas que a si mesmo? Seus olhos procuraram os olhos azuis da princesa da França. Ela sorria, olhos compreensivos e sorriso encorajador. Quando foi que isso voltaria a acontecer na história da Inglaterra? Nunca, jamais. E se valeria a pena desistir do acordo de casamento pela mulher que ama mais que a si mesmo...
Diabos! Valia sim, claro que valia.
Sob olhares estupefatos Edward moveu-se novamente, jogou a coroa de sua cabeça encima da almofada onde estava ajoelhado, sua capa majestosa foi solta de seus ombros e ele pôs-se a caminhar em direção ao seu verdade destino. Isabella não sabia se corria, se chorava, ou se simples sumia em uma buraco que poderia se abrir no chão neste exato momento. Mas nenhum dois três aconteceu, pelo contrário, Edward a alcançou mais rápido que o esperado. Seus olhos verdes que estavam apagados, com o brilho mais lindo de todos.
— Você está aqui.. — Ele Sussurrou levando seus dedos até a face pequena. Isabella não conseguiu se conter e jogou o rosto em direção ao carinho — Não é outra alucinação.
Ela balançou a cabeça. Não sabia como reagiria de abrisse a boca para falar.
— Porque está aqui... — Indagou ainda com os dedos em sua face. Desta vez, ela sorriu. Um riso nervoso.
— Eu te amo. — Disse simplesmente. Edward sorriu grandemente, seu coração sem vida batia frenético no peito. Ela o amava, porque diabos esse poderia ser o sentimento mais lindo do mundo?
— Bella... — Sussurrou puxando-a para si. O rosto enterrado nos cabelos espalhados. — Eu também te amo. Eu te amo tanto!
Bella explodiu em um choro silencioso, isso poderia ficar mais perfeito? Ela não disse nada, também não teve tempo, sua boca foi tomada por um rei sedento de amor e saudades. Seus dedos fechando-se como de costume nos cabelos cobres do homem que amava. Embora o evento do ano tenha sido momentâneamente estragado, a igreja explodiu em palmas e assovios.
Isabella, deparou de Edward e encarou os demais. Meu Deus do céu, o que foi que ela acabou de fazer com a sua vida? Ela estava ali mesmo certo? Ela foi beijada, ela recebeu sua confissão de amor. Não era um sonho não é ?
— Não. — Ele Sussurrou, e ela percebeu que pensou alto. — Não é, você é minha.
— Edward... — Sussurrou agarrando-se a ele. A sensação mais maravilhosa do mundo. — Me disseram um dia que amar alguém, é como ver a face de Deus. — Suspirou cheirando seu perfume inebriante — A face de Deus é linda.
FIM
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