A Prostituta do Rei
24 023
Notas iniciais
Jacob não se lembra quando foi a última vez que viu Isabella tão linda. Ela estava sentada no meio da clareira onde iam antes dessa confusão toda estourar, Enzo estava deitado em seu colo. O vento batia em seus cabelos soltos fazendo-os voltar por todos os lados. Ela estava sorrindo, depois de dois meses chorando todas as noites. Ela estava completamente linda.
Isabella passava os dedos pelos cabelos sedosos do menino que ria de uma piada super sem graça que o mesmo contou.
— Você entendeu? — Ele perguntou. — Bella..
— Não. — Ela riu — Eu não entendi. Você realmente precisa praticar mais esse negócio de conter piadas. Você é terrível Enzo!
— Meu Deus! Você é minha mãe! — Fingiu ultraje. — Tem que me apoiar mesmo quando eu sou terrível com piadas.
— Tem razão. — Fingiu compreensão. — Você conta piada muito bem. Continue assim.
— Tão forçado... — Murmurou Enzo entendiado. — Você é má.
— Você me ama menos por isso garotinho. — Perguntou beijando-lhe os cabelos.
— Claro que não. — Riu.
Bella se jogou para trás, os cabelos espalhando-se em meios as flores. Enzo se ajeitou e deitou-se barriga para baixo com o rosto em sua barriga.
— Você sente falta ? — Indagou. Isabella fechou os olhos e levou sua mão até os cabelos do garoto.
— Sim. — Sussurrou — Eu sinto falta de tudo. Dos meus pais, da Alice, até do Emmett.
— Mas e dele?
— Ainda mais. — Sussurrou. — Porque ele entrou e fez parte de mim.
— E você o ama?
Isabella deitou de lado entre as flores.
— Profundamente.
Enzo se virou de barriga para cima também encarando o céu. Isabella voltou a sua posição e também pôs-se a encarar o céu.
— Sinto falta da cama grande. — Disse repente depois de um tempo. Isabella abriu a boca em uma gargalhada alta.
— Eu também. — Concordou — E da comida.
— Principalmente... — Riram em uníssono.
— Você sabe qu...
— BELLA! — Foram interrompidos pelo grito de Jacob. Bella endireitou-se e sorriu quando viu o amigo vim em sua direção.
Jacob estava com uma expressão dolorida, quase tortuosa. Bella entranhou e se ergueu com Enzo em seu encalço.
— Jacob, o que foi? — Indagou caminhando até ele tentando diminuir a distância mais rapidamente.
— Aqui. — Disse-lhe estendendo o pedaço de papel. Isabella confusa com o cenho franzido puxou o mesmo de seus dedos.
Estava escrito ali, exatamente o que ela já sabia, mas ainda não tinha colocado sua fé total naquilo, não até vê o que estava escrito ali. Em letras elegantes, estava o convite para todos os moradores das vila, e os demais próximos. O casamento do rei estava para acontecer no outro dia. E eles estavam convidados, não eles... Mas os moradores das proximidades.
Sentiu seu estômago afundar-se dentro de si e suas entranhas pareciam estar se torcendo, era um desconforto indescritível, uma dor diferente e desconhecida. Sentiu a bile subir por sua garganta e a vontade de vomitar veio com força. Sua cabeça deu uma pontada e ela cambaleou para trás. Jacob agarrou-se a ela quando seus joelhos cederam e os dois estavam no chão da clareira. Enzo, arregalou os olhos indo até ela, suas mãozinhas pequenas puxando-a em direção a si. A preocupação tomando conta de seu corpinho pequeno.
— Porque mostrou a ela. — Disse rudemente o garoto — Não deveria ter feito isso. Olha como ela está agora.
— Ela necessitava saber. — Jacob respondeu.
— E agora ela está passando mal. — Rebateu — Ela não pode passar mal. Você não entendeu isso ainda?
— Só achei isso que ela tinha o direito de saber. — Murmurou baixo.
— As vezes eu acho que você não quer ajudar. — Rebateu Enzo. Jacob não respondeu, apenas ergueu Isabella no colo e caminhou com ela em direção a casa.
Isabella abriu os olhos quando percebeu que deu corpo estava formigando e voltando a si. A primeira coisa que pôde ver foi Enzo sentado ao pé da cama, o garotinho tinha a expressão preocupada.
Mexeu-se na cama e gemeu quando sentiu sua cabeça rodar. Enzo se prontificou ao ficar ao lado dela.
— Oi.. — Sussurrou — Está melhor?
Bella sorriu preguiçosamente.
— Oi meu amor. — Sussurrou — Estou sim.
— Ele não deveria ter mostrado aquilo para você.
— Está tudo bem. — Respondeu — Eu vou ficar bem.
Enzo deitou-se ao lado dela e deu-lhe um beijo casto na testa.
— É melhor você dormir. — Sussurrou — Você precisa descansar.
— Eu quem deveria cuidar de você. — Sussurrou abraçando-se a ele. Enzo sorriu presunçoso.
— Não. Eu quem devo cuidar de você.
— Então faça-me dormir... — Sussurrou fechando os olhos. — Por favor.
Não disseram mais nada, Isabella adormeceu e Enzo a acompanhou.
πππ
— Majestade? — A voz chamou. Edward ergueu o olhar endireitou-se na cadeira.
— Sim? — Murmurou.
— Majestade, perdoe-me interromper seu desvaneio. Mas necessito informar-lhe que sua noiva está chegando.
— Agora?
— A comitiva dela está aqui dentro dos limites majestade.
Edward suspirou pesadamente.
— Eu já estou indo.
— Majestade... — Curvou-se e saiu rapidamente do escritório do mesmo.
Edward ergueu-se da cadeira, sua cabeça latejava um pouco, mas nada que não possa ser suportado. Respirou fundo diversas vezes antes de tomar coragem e sair porta a fora.
Encontrou Alice no final das escadas cumpridas, ela lhe sorriu e abraçou sua cintura.
— Você está bem? — Indagou. Edward sorriu triste e balançou a cabeça.
— Não. — Sussurrou — Você sabe disso.
— Sinto muito irmão. — Murmurou — Mas foi melhor assim. Ela não suportaria ficar aqui e vê-lo casado com outra pessoa.
— Eu entendi isso Alice. — Murmurou. Alice suspirou e beijou o rosto do irmão.
— Está indo receber sua noiva? — Indagou. Edward balançou a cabeça — Então vamos lá dar boas vindas a futura rainha da Inglaterra.
Edward não respondeu. Mas em seus pensamentos a única pessoa que ele gostaria de tornar sua esposa era ninguém menos que uma certa plebeia de boca esperta e o sorriso mais contagioso que ele já viu.
Quando chegaram ao lado de fora do palácio, a carruagem já estava em frente a entrada. Era bonita e elegante. Os demais lacaios da princesa desceram da mesma e abriram a porta. A primeira coisa que Edward viu foi o pano caro do vestido pesado da cor azul escuro encostar-se nos degraus e logo o chão. Seus olhos estudaram a mulher a sua frente, era jovem, tinha cabelos loiros e nariz fino. Era bela, mas nada que o deixasse menos apaixonado por Isabella.
Ela caminhou até ele, sua expressão não denunciava nada. Ao contrário, estava mais parecido com descontentamento.
— Majestade... — Sussurrou curvando-se. Edward abaixou-se também.
— Alteza... Seja bem vinda.
— Obrigada. — Sussurrou — Meu pais.
Disse gesticulando a casal real que acabara de descer das outras duas carruagens elegantes. Edward sorriu gentilmente e trouxe Alice com ele.
— Rei George.. — Edward murmurou.
— Como vai garoto. — Respondeu. Edward não respondeu a provocação, embora odiasse o fato de ser chamando de jovem demais por ser rei tão novo.
— Rainha Myriam... — Cumprimentou.
— Olá querido. — Sorriu — Fica bonito a cada nova lua.
— Obrigado. Mas é a senhora que fica jovem a cada ano que passa.
— Galanteador... — Disse George. Edward sorriu e puxou Alice.
— Está é minha irmã. — Murmurou — Alice Cullen.
— Oh, tens uma irmã? — Indagou Myriam.
— Sim. — Edward disse.
— Majestade... — Curvou-se em direção a eles. Edward segurou-lhe e a ergueu-a.
— São por iguais. — Murmurou — Não há necessidade de curvar-se.
Alice sorriu, uma alegria imensa invadindo seu interior, era indescritível a sensação. Edward sorriu-lhe levemente e entraram todos ao palácio para ter uma longa conversa.
πππ
A lua parecia estar maior do que o normal, Edward estava sentado no banco de seu jardim, onde Isabella costumava estar. O som das folhas das árvores embalando a noite solitária em que ele se encontrava.
Seus pensamentos não deixaram Isabella um só instante nesses últimos meses, era como uma praga que o mantinha ali, para sempre pensando somente nela.
Uma movimentação o fez virar-se rapidamente, se surpreendeu ao notar de quem se tratava.
— Desculpe. — Murmurou a mulher dos longos cabelos loiros. Ao contrário de Tânia Halle, ela não tinha cara de oferecida. Também não poderia, foi criada na realeza.
— Não há problema. — Respondeu — O que faz acordada.
— Não consegui dormir. — Murmurou. Edward sorriu levemente — Não consigo acreditar que vamos casar amanhã.
— Você queria isso? — Indagou, mas só percebeu quando tinha feito, ele não sabia porque tinha questionado ela sobre isso. Mas saiu de repente.
— Me diga você. — Murmurou — Você não parece que queria essa união.
— Que rei seria eu se voltasse atrás? — Indagou mais si, do que para ela. Eloíse, como era seu nome.
— Você está apaixonado por alguém? — Perguntou sorrindo. Edward bufou frustado.
— Eu sou. — Disse-lhe. Eloise sorriu.
— E porque vai se casar comigo? — Indagou tentando saber mais.
— Nosso casamento já estava marcado quando me descobri apaixonado por ela. E... Ela não tem sangue azul.
— Oh... — Murmurou calmamente. — Isso é... Diferente.
— Eu sei. — Sussurrou.
— Te conforta saber que eu também não desejava está união?
Edward a olhou confuso e sorriu.
— Não?
— Não Majestade — Murmurou — Também amo outro homem.
— E porque vai se casar comigo? — Indagou fazendo-a rir com a mesma pergunta que ela lhe fizera.
— Porque meu pai me obrigou.
— Você é sincera. — Edward disse.
— Sim. — Concordou — Porque eu entendo você. Sei o que é amar alguém que não seja encaixa em você.
— Mas não é assim. — Edward disse — Ela se encaixa perfeitamente em mim.
Eloise sorriu quando viu o brilho nos olhos do homem a sua frente.
— E dói saber que ela não está comigo. — Sussurrou — Porque dói?
Peguntou com a voz sofrida. Eloise sorriu e tocou-lhe a mão.
— Porque é de verdade. — Respondeu antes de se erguer e entrar no palácio novamente.
πππ
Como era de costume, toda vez que tinha uma festa, ou comemoração todo o reino ficava em alvoroço. Hoje, era um dia em especial. Hoje era o casamento do rei da Inglaterra, com a princesa da França.
Edward acordou mais cedo esta manhã, estava sem dormir direito, mal conseguiu cochilar alguns minutos, estava nervoso demais para isso.
Foi acordado por seus empregados, foi cuidado e tomou seu banho demorado. Não se importou com as criadas assanhadas enquanto elas o arrumavam. Estava longe com seus pensamentos, estava fora de área e com raiva. Porque ele estava com tanta raiva?
Depois de pronto, ele trajava seu uniforme militar azul, suas inúmeras medalhas grudadas a sua roupa. Os cabelos não deixavam nunca de ser revoltos como de costume, ele não queria acabar com essa marca. Ainda mais que Isabella dizia toda vez que se amavam que adorava os cabelos dele daquela forma, era uma maneira de fazer com que ela fizesse parte dele.
Alice entrou no quarto, estava linda com um vestido dourado. Era elegante e fazia jus a sua nova posição. Edward bateu o pé e decretou que Alice agora era uma Cullen legítima e o conselho não constatou diante da ordem dada diretamente e ferozmente pelo próprio rei.
— Como está belo. — Sussurrou baixo trazendo-o para um abraço. — Está bem?
— Sim. — Sussurrou — Eu estou.
— Amo o jeito que você mente.
Edward sorriu, mais não disse nada.
Alice deu-lhe o braço e ambos desceram as escadas, o palácio estava cheio. Pessoas da alta sociedade estavam ali, Edward sorriu para cada um deles, um sorriso fingido e forçado. Por dentro, estava completamente destroçado.
Caminharam diretamente até a igreja do palácio, sendo seguidos pelos jornalistas da época. Acenavam para as pessoas, sorriam para outras, mas nenhum dos sentimentos ali eram verdadeiros. Exceto, a tristeza que tomava conta completamente dele.
A igreja estava lotada, muita gente rica. Duques, condes e barões mais a frente, atrás, na parte funda da igreja estava lotado, com o camponeses que tinha algo como uma venda, uma mercearia, algo que de valor. E logo mais atrás, através das portas da catedral imensa estava os mais pobres. Mas Edward sabia disso, ele mesmo mandou distribuir o convite a todos. Isabella ficaria feliz com isso, e se ela tivesse visto, também pudesse ficar feliz por este fato.
Ele se colocou no altar, Alice sorriu e tomou seu lugar. Edward observou o primo que sorria para ele, sentiu-se aliviado ao notar que Tânia não estava com ele. Os rei e rainha da França sentados em seus respectivos tronos de convidados, Edward suspirou profundamente quando a marcha nupcial real começou a tocar, seus olhos foram diretamente até a mulher com o vestido branco elegante e muito rodado. O véu tomava conta de sua face e ela parecia estar tremendo.
Edward estava sim tremendo, estava com medo, com raiva, frustrado. Estava quebrado, e não entendia porque estava fazendo isso. Mas Isabella não estava ali, ela também tinha desistido dele, porque ele estava pensando demais nisso? Ele simplesmente sairia dali, deixaria tudo para trás se ela fosse até ele e pedisse para que não fizesse isso. Mas ela não estava ali, talvez não esteja apaixonada por ele como ele pensou, com este último pensamento ele tocou a mão delicada de Eloise e a levou em direção ao altar.
Fale com o autor