A Prostituta do Rei
23 022
Notas iniciais
Os olhos não abriram, mas a mão procurou o corpo quente que deveria estar enroscado nele. Mas encontrou somente o vácuo. Iris verdes cristalinos fitando o local onde ela deveria estar. Suspirou antes de virar de barriga para cima. Com certeza ela estaria com raiva, por isso deve ter ido para o quarto que pertencia a ela depois de terem tido uma noite quente de amor.
Ergueu-se da cama rapidamente e tomou seu banho. Depois de vestido, caminhou lentamente pelo corredor cumprido e foi em direção a porta do madeira. Não fez questão de bater, estava levemente irritado com o fato de ter sido deixado sozinho na cama. Se descobriu um viciado na presença de Isabella, e ser deixado sozinho por ela na cama o irritou. Abriu a porta pesada e adentrou o local, que para sua e total surpresa estava vazio. Seus olhos rodaram o local, observando se tinha algo de diferente. E tinha sim, nada que denunciasse que Isabella esteve ali, ou estava.
De repente, sua barriga estava fria e seu coração realmente começou a bater freneticamente. Uma sensação ruim tomando conta de si. Saiu rapidamente do cômodo e desceu as escadas com rapidez e eficiência. Estava com pressa, e com raiva. Como assim ela simplesmente sumiu sem dizer uma única palavra a ele? Bom, talvez estivesse na mesa do café. E sem vergonha nenhuma, ele admitiu rezar por isso.
Na mesa grande farta tinha todos, exceto Isabella e o garoto. Edward bufou impaciente.
— Onde está Isabella ? — Indagou. Alice o olhou surpresa.
— Como assim irmão, ela não está dormindo ?
— Não. — Rebateu rapidamente. — Onde ela está ?
— Edward, ela não apareceu aqui hoje.
Ele não quis ouvir mais nada. Caminhou decido até seu escritório. Alice preocupada, caminhou depressa atrás do irmão.
— O que está acontecendo? — Indagou olhando-o. — Bella sumiu?
— Ela não está no quarto.
— O que aconteceu Edward, vocês brigaram ?
— Não! — Grunhiu. Mas ele sabia que era mentira. Suspirou pesadamente — Sim.
— Porque ?
— Ela soube que vou me casar. — Disse simplesmente. Alice arregalou os olhos e levou a mão aos lábios.
— Você vai se casar?
— Alice, eu não quero falar sobre isso com você agora. — Disse passando os dedos pelos cabelos.
— Edward, aquela garota é louca por você!
— O que ? — Arfou.
— Ela te ama. — Disse rispidamente
— Ela me ama? Ela não me ama Alice, se amasse teria ficado. — Rosna.
— Você não entende não é ? Edward, Bella abriu mão da liberdade, da família para estar aqui com você.
— Alice...
— Ela não poderia fazer com que você abdicasse da coroa por ela. Edward, olha para ela, Bella é o tipo de pessoa que se sacrifica pelos outros. Ela sacrificou tudo o que ela tinha para ficar com você. E agora, sacrificou o amor dela para você ter os seus herdeiros.
— Ela não me ama! Eu queria ficar com ela Alice, desejo ficar com ela.
— Porque Edward? — Questionou querendo ouvir exatamente o que ela já sabia.
— Eu estou apaixonado por ela.
— É exatamente por isso que ela foi embora. — Murmurou — Porque ela também ama você.
Edward calou-se por um momento. Porque ela o ama e foi embora? No fundo, ele sabia exatamente porque. Ele estava machucando-a profundamente com essa história. Como ele pôde ser tão idiota? Oferecendo a ela um romance mesmo depois que estivesse casado, que tipo de pessoa que é apaixonado pela outra falaria isso? Ofereceria algo tão sórdido e podre? Ele sabia porque, estava louco com a ideia de perdê-la, estava enlouquecido com o fato dela estar cogitando a ideia de sair de sua vida, estava com medo e obcecado.
— Jonathan! — Ele berrou de repente. O homem trajando seu uniforme de soldado adentrou o local observando atentamente em volta. Ele tinha se assustado com o grito do rei.
— Majestade...
— Você é responsável pela entrada e saída das pessoas neste palácio. — Disse — Onde ela está?
— O senhor se refere a senhorita Swan?
— Sim.
— Majestade... — Murmurou — Ela saiu era ainda madrugada.
— E você não me disse nada? — Rosnou. O homem se encolheu.
— Majestade, ela disse que fora com sua permissão.
— E você não procurou saber se era verdade?
— Majestade, pensei que ela teria permissão. Perdoe-me.
— Sele meu cavalo. Eu o quero pronto, agora!
— Sim senhor.
O homem saiu rapidamente e Alice voltou-se ao irmão.
— O que pretende fazer?
— Vou atrás dela. — Disse simplesmente.
— E depois?
— Não quero saber o depois Alice. Eu só vou buscá-la.
— Edward não seja egoísta. — Disse ferozmente. — Não pode ir atrás ela, e trazê-la de volta se não pretende nada com ela.
— O que diabos você quer que eu faça?
— Você acabou de dizer que vai se casar novamente — Disse com raiva — Case-se com ela.
— Você sabe que eu não posso. O sangue dela não permite.
— E dai! — Rosnou — O amor deveria ser o suficiente. Se vocês se amam, porque o sangue seria impecilho?
— Você sabe como isso funciona Alice! — Vociferou — Eu estou tentando deixá-la oficialmente da realeza a anos! Porque você acha que tornar uma plebeia minha esposa seria mais fácil?
— Porque você é a lei! — Berrou. — Edward, você é a maldita lei deste país. O conselho serve apenas para lhe ACONSELHAR, nada mais. Eles não mandam em você.
Edward calou-se por um instante. Porque diabos Alice fazia tanto sentido agora?
— Você tem que pensar no que é melhor para você. — Murmurou — Você a ama. Faça isso valer a pena.
— Eu vou ser julgado Alice. — Murmurou — O conselho vai me julgar, eu posso perder a coroa.
— Edward...
— O que custava a ela esperar e ficar comigo? Eu seria dela, não importa o casamento.
— Você não pode simplesmente pedir que ela fique e tenha compreensão. Nenhum coração merece ser tratado assim.
— Ela é minha Alice! — Vociferou entredentes — Ela não tinha o direito de ir.
— Você a trouxe para sua bagunça! Você é o rei, você não tem fama, não tens vergonha, e nem o que temer. Não tens motivo para se sentir acanhado ou pressionado. Porque tu és rei! Você não pode ser egoísta assim com ela Edward, você a ama, que eu sei. Então, se a ama mesmo faça alguma coisa com esse amor. Ou fique com ela para assumi-lá ou deixe-a em paz. Porque o amor não é egoísta, e egoísta é tudo o que tu estás sendo!
— O rei da França já sabe minha resposta. — Murmurou baixo. — Meu casamento está anunciado em toda França. E logo, aqui também.
— Então deixe-a em paz. — Murmurou também baixo e calmamente — Você não a merece irmão.
— Eu sei. — Sussurrou.
Nada mais foi dito, não precisaria também. Alice tinha sua resposta, e Edward sua decisão.
πππ
DOIS MESES DEPOIS
— Tens certeza ? — Indagou Jacob. Isabella suspirou derrotada.
— Sim. — Disse-lhe — Não posso mais ficar aqui.
— E se ele vier atrás de você ?
— Ele não viria. — Murmurou — Ele é majestoso demais pra isso. Não perderia tempo vindo atrás do corpo quente da plebeia que deitava em sua cama.
— Você disse que ele não deixava você sair, que tinha medo que não voltasse. Porque ele não viria? — Perguntou.
— Porque agora é diferente. — Respondeu — Ele não perde nada Jake, ele está noivo. Vai se casar, terá agora um corpo quente todas as noites. Além do mais, já se passaram dois meses. Ele não se importa o bastante.
— Bella, você devia pensar. — Murmurou — Não deveria abrir mão de um amor assim.
Bella sorriu e balançou a cabeça.
— Quando este amor em questão se diz respeito ao rei da Inglaterra, é, eu deveria abrir mão sim.
— O que vai fazer com essa questão? — Jacob murmurou gesticulando com a cabeça em sua direção.
— Não há o que fazer. — Disse-lhe — É meu tanto quanto Enzo é.
— Bella... Fique comigo. — Murmurou baixo. Isabella o olhou confuso — Eu posso ajudar você.
— Jake...
— Eu posso acabar com isso. Com os rumores, com a fama, e honestamente só ficará pior depois disso. Case-se comigo.
— Porque está fazendo isso? — Indagou chorosa. — Não tens motivo.
— Sim, tenho vários. — Rebateu — Mas um é mais importante. Eu posso te fazer feliz Bella, deixe-me tentar.
— Jake, pare... Por favor.
— Eu prometo ser paciente. — Sussurrou — Eu prometo ir devagar, dar-lhe tempo e ser compreensivo. Vou amar você, amar o garoto e tudo o que vier de você.
— Porque és tão bom comigo? — Sussurrou — Mesmo depois de tudo?
— Porque o amor é paciente. — Sussurrou.
Bella o olhou. Seu amigo de muito tempo, o homem que era apaixonado por si, agora estava ali, oferecendo a ela tudo o que ela precisava no momento. Carinho, compressão e um bom lugar para viver.
Nesses dois meses ela viveu um verdadeiro inferno. Estava com medo nas primeiras semanas, nos primeiros dias estava apreensiva, e mesmo que fosse somente impressão sua, estava ansiosa. Ela torceu, orou por dias a fio para que ele viesse, para que ele pudesse ir atrás dela e dizer que a amava. Mas isso não ocorreu, ele não veio, ela esperou, ele não deu sinal nenhum. Ela cansou.
Mas o que ela poderia querer além de indiferença? Ela fugiu feito uma covarde, não enfrentou seu destino, não o fez dizer a verdade. Ela simplesmente isso, ele só tinha que dizer que a amava e ela ficaria ali, morreria ali aos poucos por ele. Mas não, ela fugiu feito uma covarde mesmo.
— Você pode me amar com o tempo. — Jacob Sussurrou — E nos vamos ser felizes.
— Mesmo que eu aceite. Eu faço parte dele Jacob, mesmo que passe anos. De alguma forma ele vai estar comigo. Para sempre.
— Eu sei. — Murmurou — E eu não vou amá-la menos por isso. Já disse, vou amar você e tudo o que vier de você.
Isabella suspirou pesadamente, seus dedos miúdos passando pelo rosto moreno e masculino do melhor amigo.
— Você é incrível Jake..- Sussurrou — Porque faz isso por mim?
— Bella... — Sussurrou — Você merece todo o amor que da aos outros.
Nada mais foi dito, por enquanto, não tinha necessidade.
πππ
O
tempo parecia mais lento que o normal, Edward estava sentado em frente a grande janela de seu quarto. As nuvens pareciam estar brincando com a sua cara, pois tudo o que ele via eram formatos de corações partidos. Que tipo de piada era aquela? Suas mãos foram diretamente até sua face, os dedos cumpridos massageando suas têmporas suavemente.
Ele estava acabado. Está era a palavra, tudo o que ele via, onde ele ia lembrava Isabella Swan. A biblioteca parecia sem sentido agora, a mesa do café, o quarto... Tudo estava fora de lugar. Era como se Isabella completasse tudo ali, ele estava sentindo falta, estava arrasado, apaixonado. Logo ele, que jurou não se apaixonar outra vez, agora estava lá, morrendo aos poucos. O mundo de repente pareceu frio demais, e tudo ao redor cinza demais.
Dois meses tinham se passado. Dois malditos e longos meses. Nós primeiros dias, ele até pensou e desistir de tudo e trazê-la a força, não estava ligando se ela teria que ficar ali com ele mesmo com o casamento. Ele não estava se importando, ele só queria ela. Mas o quão egoísta isto seria? Alice disse a ele, disse que o amor não é egoísta, e ele a ama. Por Deus, como a amava.
Esses dois meses pareceram anos, Edward parecia ter envelhecido décadas. Seus olhos verdes não estavam tão cristalinos como de costume, eles estavam apagados, e embaixo dos olhos bonitos tinham olheiras.
Dois toques fizeram-no sair de seu estupor. Ele murmurou um entre e se surpreendeu ao deparar-se com ninguém menos que Tânia Denali.
— Majestade... — Ela Sussurrou. Edward apertou os olhos. Ele não estava afim de conversa. — Seu primo está preocupado contigo.
— Diga a Emmet que estou bem. — Rebateu mais rude do que esperava. Tânia fingiu não perceber e caminhou até ele.
— De uns tempos para cá andas estranho, majestade... — Suspirou — Também fiquei preocupada se me permite.
— Eu estou bem. — Vociferou. — Já pode sair do meu quarto.
— Majestade... — Insistiu — Eu posso fazê-lo se sentir melhor. Posso... Posso fazer com que esqueças aquela garotinha sem graça.
Edward se ergueu rapidamente de inde estava. Olhos irados encarando Tânia. Ela estava falando de Isabella ? Como ela MALDITAMENTE ousa fazer isso?
— Aquela garotinha — Rosnou — É mais digna que você um milhão de vezes! Ela me interessa, você não. Ela me tem, você não!
Edward moveu-se depressa, seus dedos cumpridos segurando a face da mulher em sua mãos. Apertando-lhe o maxilar.
— Eu deveria tê-la ouvido. Você é falsa, é uma provocadora de baixa qualidade. Acha que eu não percebi as vezes que se jogou encima do mim esses últimos dois meses? EU não me interesso por você, EU não desejo você, compreende isso?
Tânia não disse nada. Seus olhos cheios de lágrimas brilhantes.
— Você nunca vai chegar aos pés da garotinha que me tem completamente.
Soltou-a e caminhou até a janela, dedos passando através dos cabelos macios.
— Saia do meu palácio. — Grunhiu — Quero você fora daqui. AGORA!
Tânia não disse mais nada, saiu em disparada pelas escadas cumpridas, e Edward depois de chorar a última vez a sete anos atrás deixou-se esvaziar completamente perdido. Ele estava chorando por ter perdido a mulher que ama.
Mais uma vez.
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