Notas iniciais
Lá embaixo

Hora de acordar... — A voz cantarolou. Isabella observou o garoto resmungar e abrir os olhos.

— Por favor... — Sussurrou — Só mais cinco minutos.

— Não tem fome ?

— Talvez um pouco... — Ronronou fazendo Bella rir.

— Tem coisas deliciosas esperando-o lá embaixo. — Murmurou sorrindo. Enzo, por sua vez, sentou-se na cama espaçosa e encarou Isabella.

— Achas que pode comprar-me com comida? — Indagou sério demais para uma criança de nove anos.

— Diga-me você, posso?

O garoto levou a mão até a cabeça e coçou os cabelos bagunçados.

— É, você pode. — Sorriu e pulou da cama em direção a ela. Isabella riu o abraçou.

— Bom dia — Sussurrou beijando-lhe os cabelos — Dormiu bem?

— Nessa cama enorme sim. — Riu — É gostoso.

— Sei bem como é.. — Murmurou — Porque você não veste algo mais adequado do que essas suas roupas de dormir ?

— Seria afronta demais descer assim? — Indagou rindo matreiro. Isabella riu e semicerrou os olhos.

— Não, seria engraçado. — Sussurrou — Mas vamos causar uma boa primeira impressão. Depois, quem sabe...

— Tudo bem. — Disse — Pode me dar licença para eu trocar de roupa?

— Tens vergonha de mim? — Indagou fingindo perplexidade. Enzo riu

— Sou um garoto. — Disse como se justificasse — És uma menina. Não é certo.

— Não sou uma menina. — Sussurrou baixo trazendo-o para deu abraço quente — Sou sua mãe.

Enzo pensou naquilo. A palavra mãe martelando em sua cabeça. Apesar da pouca idade entedia bem que uma mãe era importante e ele sentia falta da sua, mesmo que não se lembrasse dela. Então ele sorriu, a palavra mãe e Bella se encaixando perfeitamente.

— Sim. — Respondeu — Minha mãe.

— Isso, agora.. café!

πππ

Isabella sentou-se logo depois de ter colocado Enzo confortavelmente ao seu lado. O garoto olhava a mesa farta com fome, isso fez Isabela sorrir. Era algo bonitinho de se ver.

Quando ela desceu a mesa estava vazia, não havia ninguém ainda. Mas ela sabia que somente questão de tempo até que as pessoas descessem e viessem tomar café. Por um lado, estava completamente perdida, ela senti como se estivesse levando o garoto para uma bagunça que era sua. Sentia que estava colocando-o contra uma prova de fogo, ali tinha muitas pessoas boas, mas também tinha as ruins.

— Bom di...a? — Isabella ergueu o olhar e sorriu para Alice.

— Oi Alice. — Sorriu — Bom dia.

— Oi Bella — Murmurou — Oi garotinho.

— Bom dia. — Enzo murmurou.

— E sua graça, de onde é ? — Indagou Alice sendo simpática pegando um dos guardanapos.

— Sou filho da Bella. — Isabella sorriu em direção ao garoto. Alice arregalou os olhos estupefata.

— Oh... — Sorriu — Que lindo.

— Obrigada. Também é muito bonita.

— Galanteador... Quantos anos tens?

— Nove senhorita.

— Inteligente e... Diferente. Gosto disso.

Bella não disse nada. Apenas observou Alice engatar uma conversa com Enzo, era engraçado de ver. Era como se tivessem a mesma idade. Não Alice com nove, mas Enzo com vinte.

Os demais desceram logo depois. Rosalie e Emmet ficaram surpresos, tanto quanto Alice quando o garoto disse como o maior sorriso do mundo de que era filho da Isabella Swan. Ela não o desmentiu, bom que eles tenham noção de que o garoto era dela, e o protegeria a todo custo.

— Bom dia. — Murmurou a voz que Isabella conhecia e se arrepiava.

Edward sentou-se ao seu lugar.

— Bom dia garoto. — Murmurou sorrindo — Como foi sua primeira noite aqui?

— Muito boa senhor. — Respondeu — E a sua ?

— Boa... Muito boa. — Sorriu levantando as sobrancelhas a Isabella, que logo limpou a garganta e serviu o garoto.

— Oh, de onde surgiu essa coisinha? — Todos ergueram o olhar para a loira vulgar que entrou no local do café.

Claro, que as diferenças nos olhares eram notáveis. Rosalie, como sempre, com vergonha azul da prima. Alice com espanto e hostil. Emmett senhor foi neutro a tudo, mas chamar uma criança de coisinha era demais, isso o fazia lembrar que ele teria um bebê em pouco tempo, e de ela fizesse isso, ela seria uma mulher morta. Portanto, seu olhar foi de puro desprezo. Edward a olhou com olhos cansados e entediados. Já Isabella, a raiva crescendo em cada ponto de seu corpo.

— Não sei a quem se refere — Murmurou a vozinha que atraiu todos os olhares em sua direção — Mas com certeza não se olhou no espelho hoje.

Isabella engasgou com uma gargalhada, mas não a soltou. Ao contrário de Emmett McCartney, que explodiu em uma gargalhada alta e sem vergonha.

— Ora...Ora...Ora... — Murmurou acidamente — Temos um matraquinha aqui. O quão irritante isto de torna?

— Seria bom se parasse de falar. — Disse Enzo novamente — Se sua voz irrita a senhorita.

Tânia se abaixou, a mandíbula cerrada e o olhar assassino. Seus dedos cumpridos e com unhas bem feitas passeando pelo rosto do garoto que mantinha sua face bem erguida.

— Quem é você coisinha fofa? — Murmurou acidamente segurando seu queixo pequeno.

O coração de Isabella estava a mil por hora, o nervoso subindo por suas veias fazendo-a ficar quente por dentro.

— Mantenha suas mãos para si. — Murmurou entredentes. Tânia a olhou, olhos desafiadores.

— Isso quer dizer que... — Fingiu de desentendida.

— Que é melhor manter suas mãos para si. — Repetiu rudemente.

— Ou... ?

— Ou eu vou fazer isso para você! — Cuspiu rispidamente erguendo-se da cadeira.

Tânia se afastou rapidamente e sorriu.

— Entendi porque tão atrevido... — Fingiu pensar — É parte de você. O que é, seu irmão?

— Meu filho.

Tânia engasgou com o suco e olhou-a atentamente.

— Ora...Ora..Ora.. — Sussurrou — Que situação...

— Basta! — A voz rugiu. Isabella e os demais literalmente pularam no lugar. — Estás desrespeitando meus convidados.

Isabella sorriu, mas logo morreu quando notou o sorriso de Tânia. Seu olhar foi direcionado a Edward e ele a encarava. Então só aí ela percebeu, o recado não era para Tânia.

Era para ela.

— Sim senhor. — Respondeu sem deixar de empinar o nariz arrebitado.

Ergueu-se da cadeira com toda sua fúria contida e sorriu ao garoto.

— Deixe que ele termine o desejum. — Murmurou calmamente.

— O que é isso... — Alice interveio — Bella, é claro que ele vai comer. E você também, sente-se conosco.

— Por favor, apenas deixo-o comer.

Dito isto, moveu-se depressa, o mais depressa possível que conseguia e foi em direção a biblioteca. O que fora aquilo? O que diabos está acontecendo com o rei?

Fechou a porta furiosa atrás de si. Todo seu corpo tremendo de raiva, ansiedade e muita decepção. Edward por sua vez, não demorou dois minutos até praguejar um palavrão e caminhar apressado até onde Isabella estava.

— Saia daqui! — Rosnou quando viu que ele quase derrubou a porta. — Saia daqui!

— Não pode me mandar sair da minha biblioteca. — Murmurou calmamente.

— Fique com ela! — Rosnou entredentes passando por ele. Porém, seu pulso foi segurado e ela foi de encontro a parede mais próxima.

— Por favor, perdoe-me.

— De jeito nenhum! — Vociferou — Eu não deveria ter voltado. O que diabos está acontecendo com você?!

— Você exagerou! — Disse simplesmente. Isabella o empurrou para longe.

— Eu exagerei ? Você vê o quanto aquele mulher me provoca? Ela me irrita, me cutuca e me deixa louca! Mas isso o rei da Inglaterra não vê!

— Você também não tinha que render! — Jogou aumentando a voz — Bella, era só você ignorar.

— Do mesmo jeito que tu ignoras o fato dela me provocar o tempo todo?

— Eu não ignoro nada e nem ninguém. — Rebateu ríspido — Mas sei que tu não és fácil.

— Não, eu não sou. Engula-me Majestade!

— Exatamente! Ela é minha convidada, assim como meu primo e sua esposa. Poderia respeitar isso?

— Ela não é sua convidada. É uma oferecida de marca maior!

Isabella bufou. Ele estava mesmo defendendo a vadia mor?

— Está escolhendo ela? — Indagou. Edward a olhou estupefato.

— Não estou escolhendo nada. — Murmurou — E você também não. Está por acaso me mandando escolher?

— O senhor entendeu assim? — Ironizou. Edward bufou irritado. Como assim o rei da Inglaterra seria chantageado por uma plebeia?

— Sim. Espero estar completamente errado. — Disse firmemente.

— Não, não está. — Disse — Eu vou embora. Hoje.

— Não, você não vai.

— Venha comigo. — Disparou. Arregalou os olhos, mas já que fizera, que fosse até o fim. — Largaria a coroa por mim?

— Isabella...

— Então sim! Eu já estou indo! — Rosnou — Eu não preciso disso! Eu não MALDITAMENTE preciso ser humilhada pelo homem que só enxerga o que quer.

— Para com isso. — Disse entredentes. — Você não está indo. Você não vai a lugar nenhum.

— O inferno que não vou! — Grunhiu — Você está acabando comigo!

Gemeu longamente com frustração.

— Eu? Você quem é a difícil aqui!

— Sim, e você sabia disso. — Murmurou — Apenas deixe-me.

Edward moveu-se depressa. A mão indo diretamente até o pescoço de Isabella, a outra segurando seu rosto firme entre os dedos cumpridos.

— Eu não vou deixar você, entende isso? — Sussurrou — Você entrou dentro de mim e agora é minha. Não pode entrar, fazer uma bagunça e sair.

— Eu posso. — Sussurrou baixo — Eu vou sair. Eu não sou feita de ferro Edward. Eu tenho sentimentos e eles estão errados.

— Diga para mim... — Soprou seus lábios — Diga-me sobre eles.

— Eu odeio você — Sussurrou — Eu odeio demais você.

— Sim, eu sei. — Sussurrou — Eu também me odeio por fazer com que me odeie. Porque o que mais desejo, é ter um sentimento bom de você.

— Solte-me. — Disse simplesmente dando de ombros. Seu coração acelerado no peito — Eu desejo ir.

— Não há lugar neste país que te esconda de mim. — Disse simplesmente. Isabella Rosnou.

— Oh sim, porque és o homem mais poderoso do país. — Ironizou — Não me importo. Não sou sua prisioneira aqui.

Edward sorriu presunçoso.

— Não, não é de fato. — Murmurou — Mas não vai a lugar nenhum sem mim. Porque como você disse, eu sou o homem mais poderoso do país.

— Vá para o inferno, você e sua maldita coroa.

Rosnou o empurrando. Edward sorriu e se moveu deixando-a sair de seu peito. Não consegui conter o riso nervoso quando sentiu o verdadeiro peso das palavras dela. E se ela o deixasse, ela suportaria?

Seus pensamentos voando até a reunião que teve com o conselho no dia anterior.

DIA ANTERIOR

Os punhos bateram com força por sobre a mesa. Como assim não tinha nenhuma outra solução que não fosse está? Como ele chegou aqui e porque diabos estava tão difícil para ele simplesmente aceitar a possibilidade de um casamento que não fosse dele e de Isabella?

Isabella, seu nome fez com que seu corpo gelasse por alguns segundos. Ela estava longe, com o pai. Talvez fosse melhor assim, se afastar dela o deixava pensar coerentemente. Estava com um peso enorme na consciência e ele nem entendia bem o porquê.

— Meu senhor... — Murmurou o homem de careca brilhante. — Creio que será nosso única saída.

— Não entendi porque! — Rosnou — Disse-lhe anteriormente que casar-me estava fora de cogitação!

— Senhor eu entendi — Tentou se justificar — Mas será melhor para ambos as partes. Para o senhor, e a França. O senhor governará dois países de grande potência.

— Estou satisfeito com minha Inglaterra. — Disse amargamente.

— Nós estamos meu senhor. — Murmurou — Mas temos que unir forças com uma aliança assim. É importante para o país.

— Case-se com ela você! — Rosnou. O homem sorriu.

— Quem dera eu pudesse majestade. — Sorriu — Mas sois tu o homem do país.

— Diabos!

— Majestade...

— Que seja! — Rugiu.

— Senhor, veja pelo lado bom. Terá uma bela esposa e herdeiros.

— Pode calar-se um instante? — Pediu massageando as têmporas suavemente.

— Posso dar sua resposta ao rei da França ?

— Não. — Rosnou — Ainda não. Deixe-me acostumar com isso primeiro.

— Sim senhor.

πππ

A porta não emitiu rangido algum quando ele a abriu. Isabella não saiu com palácio como disse que faria, ela foi diretamente ao quarto, onde se aninhou ao garoto Enzo e ficou ali pelo resto da tarde.

Quando abriu a porta, viu a imagem das mulher que o deixa louco. Ela não estava rosnando ou furiosa, ela estava ali, sensível e vulnerável agarrada a um garoto de nove anos. Edward se chutou por dentro por sentir uma pontada de inveja do garoto, poderia der ele ali se não fosse tão idiota.

Edward ajoelhou-se ao lado da cama, o rosto sereno da mulher por quem é viciado deixando-o com um peso maior na consciência. Ele suspirou, os dedos passando levemente pela face rosada.

— Eu largaria tudo. — Sussurrou — Eu simplesmente largaria tudo se dissesse que me ama.

Isabella que não estava tão adormecida sentiu seu coração bater desesperadamente dentro do peito.

Eu seria egoísta demais. Ela pensou. E eu não posso ser egoísta com você.

Foi a última coisa que ela pensou quando ele saiu.

Notas finais
- Olha quem voltou!! Atualização dupla! PALMAAAAAAAAAAAS! SOU MUITO BOAZINHA! TÔ ATRASADA, VEJO VOCÊS DEPOIS! COMENTEM E RECOMENDEM! Bjs da IsaM!