A Prostituta do Rei
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Notas iniciais
Quando a porta se abriu, Isabella sorriu antes mesmo de erguer a cabeça ao imaginar de quem se tratava. Mas seu sorriso morreu juntamente com sua felicidade quando avistou de quem se tratava. Tânia Halle caminhava tranquilamente em direção à mesa onde Isabella estava. Ela não se mexeu, continuou sentada apenas olhando atentamente seus movimentos.
A mulher, com veneno escorrendo pela boca, sentou-se no lugar de Edward de frente para Isabella e sorriu. Não o tipo de sorriso que fazia com que a outra pessoa se sentisse calorosa é bem vinda. Sorriu de um jeito venenoso, ácido.
Isabella largou seu livro e encarou a mulher a sua frente. Suas unhas bem feitas em frente ao rosto liso. Os cabelos loiros estavam presos no alto da cabeça.
— Tu ficas bastante neste cômodo, não?
Perguntou depois de um tempo. Isabella semicerrou os olhos desconfiada, mas não demonstrou seu desconforto.
— Sim. — Murmurou — Eu gosto daqui. Além do mais, ela é minha.
Isabella não queria fazer aquilo. Como se estivesse jogando na cara de quem quisesse que ela era agora oficialmente a prostituta do rei. Mas lá estava ela, se sentindo completamente ameaçada por uma mulher que chegou agora.
— Sua? — Riu com escárnio — Ele deu-lhe uma biblioteca?
— Sim. — Afirmou. — Algum problema?
— Não, nenhum. — Deu de ombros fingindo desinteresse. — Mas sois foste tola. Eu pediria bem mais.
Isabella bufou.
— Mesmo? Sabe qual o problema Milady? Eu não o pedi nada. Deu-me porque quis.
— Como se fosse realmente possível. — Desdenhou — Tu tens cara de inocência... — Murmurou — Mas sei que é uma aproveitadora.
— Como tu? — Cuspiu rispidamente. Tânia trincou os dentes.
— Como eu? O que é que tu sabeis? Nada tua rameira!
Isabella ergueu-se com irá formando uma nuvem negra encima de sua cabeça. Sua paciência quase ultrapasso seus limites.
— Vai dizer a que veio milady? — Indagou ironicamente. — Vais simplesmente dizer-me que veio a caso?
— É claro que foi! — Disse ultrajada. — Com minha prima.
— Você é mentirosa e falsa! — Rosnou — Vistes simplesmente porque se tratava do rei!
— E o que tu tens com isso? E se lhe apraz saber, sim. Foi exatamente por causa dele. E sabe do melhor? Ele será meu!
— Como milady? Pretende obrigar o rei da Inglaterra a casar-se contigo?
— O que eu pretendo não é dá tua conta! — Rugiu — Mas ao contrário de você, eu tenho chances. Olhe só para ti, achas que o rei teria algo a mais com uma prostituta?
— Eu não espero nada disso. — Murmurou — Ficarei enquanto ele me quiser.
— Não será por muito. — Murmurou calmamente se erguendo dá cadeira. — Eu vou tirar você do meu caminho bem depressa sua imunda, mas se tiver bom senso, vai sair por si só!
— Bom senso? — Isabella murmurou enojada. — Chame-me de tola o quanto quiser, mas sois tu a iludida. Tens noção do que falas? Casar-se com o rei?
— Pois é exatamente isto que vim fazer aqui. E quando acontecer, vou fazer questão de dizimar a sua família e você!
Isabella moveu-se depressa. Tão depressa que mal sabia como tinha feito. Seu coração estava disparado no peito, mas nada comparado aos sentimentos que Edward lhe causava. Mas sim, uma raiva descomunalmente que fazia seu sangue ferver nas veias.
— Não fale dá minha família. — Rosnou segurando firme o maxilar dá loira. — Ou eu mesmo farei questão de acabar com você!
Tânia ainda maquinava seus planos, mas o medo brilhava em seus olhos. Não imaginou que seria finalmente enfrentadas como Isabella o fez. E por algum segundo, isso a amendotrou. Puxou seu rosto do aperto forte de Isabella e encarou com raiva.
— Se tocar em mim outra vez. — Murmurou — Vou dizer ao teu rei como a prostituta dele trata as visitas.
Isabella riu com escárnio.
— Diga a ele. — Sorriu — Continue agindo feito louca. Estou adorando vê-la tentar.
— Sua rameira imunda! Morta de fome! Prostituta suja! Eu vou tirar você daqui antes do que imagina! Pode apostar em minha palavra!
Gritou e saiu a passos rápidos e barulhentos dá biblioteca. Isabella só conseguiu respirar bem novamente quando sentiu que estava novamente sozinha e bem.
Jogou-se na cadeira e abaixou a cabeça suspirando em seguida. Onde foi que ela se meteu?
πππ
As estrelas já estavam no alto do céu escuro quando Isabella resolveu sair de seu confinamento. Mas ao contrário do que esperavam, ela não se dirigiu ao grande salão onde estavam todos dá família. Ela ouviu quando teve a grande movimentação. Mas ela não fez questão de sair do lugar, nem mesmo olhar para cara daquela mulher asquerosa e invejosa.
Caminhou sem ser vista pelos cantos e logo estava na cozinha. As arrumadeira sorriram quando a viram, e Margô, como toda sua gentileza sorriu e fez questão de saber se ela precisava de algo. Isabella sorriu e não quis nada. Apenas se limitou a sair pela porta dos fundos e ir em direção ao jardim bonito que tinha ali.
A grama bem cortada e verdejante era um convite e tanto para ela. Isabella sempre gostou desse clima, dessa paisagem. Sentou-se ali e pôs-se a pensar, será que estava se excluindo por si própria ou ela estava sendo excluída pelos demais? Tudo bem que, ela não queria fazer parte do grupo de pessoas que estavam lá dentro, mas ficar afastada como uma ninguém era realmente a saída?
Bufou impaciente e frustrada ao lembrar das palavras de Tânia Halle. Tirar do caminho? Casamento com o rei? Quem aquela mulher pensava que era? No fundo, Isabella sabia bem que ela pensava e quem ela realmente era. Uma mulher de posses, família rica e de grande importância. É claro que casar-se com o rei não seria vantajoso para ele, mas extremamente para ela. E o pior, era que ela realmente tinha razão. Para ela, era bem mais fácil ter Edward Cullen como marido.
Isabella balançou a cabeça levemente tentando esquecer esse absurdo por enquanto. Ela não queria pensar que, o homem que era inalcançável para ela e por quem ela estava completamente apaixonada poderia ser de outra a qualquer momento.
— Tens o péssimo hábito de se esconder aqui. — A voz rouca e apaixonante murmurou.
Isabella ergueu a cabeça e sorriu para o dono das duas orbes mais belas que já vira.
— Não estou a esconder-me magestade — murmurou — Acaso estavas a minha procura ?
— Sim de fato. — Respondeu — Não vai se juntar a nós?
— Não. — Disse simplesmente e rapidamente sem pensar. — Não vou.
Edward olhou confuso. O que diabos tinha acontecido durante a tarde?
— Posso obrigar-lhe, tens consciência disto?
Isabella riu ironicamente.
— Disse-lhe uma vez e repito. Vossa magestade não ordenas nada sobre mim.
Edward riu alto.
— Ainda continua respondona. — Fingiu pensar — O que faço com a senhorita?
— Deixe-me só. — Pediu. Edward parou de sorrir e a olhou seriamente.
— Vai dizer-me o que diabos aconteceu? Está nervosa pelo o que houve na biblioteca hoje?
— Como?
— Sobre tê-la tomado lá... — Ele bufou — Não tem necessidade de estar tão irritada. Apenas tomei o que me pertence.
Isabella ergueu-se do chão e o empurrou com ambas as mãos.
— Não me trate como sua propriedade, eu não sou sua majestade! — Vociferou entredentes.
— É minha e sabes exatamente que és!
— Não sou tua! — Rosnou — Trata-me como uma mercadoria! Tu não és a meu dono! Mesmo que seja o rei deste país.
— Não és minha mercadoria. Não trato-te assim.
Isabella bufou.
— Sim. — Murmurou acidamente — Trata.
— Não é minha intenção tudo bem? — Disse de forma impaciente. — Eu sou assim as vezes. Cresci vendo meu pai ser dono de tudo e de todos. Fui ensinado assim. Nada nunca foi negado a mim.
Isabella riu nervosamente e acidamente.
— Conheço uma dama que daria um órgão de seu corpo para ser tua. — Murmurou — Porque não vai atrás dela?
— Acaso estás a falar dá prima dá mulher do meu primo?
— São muita pessoas. Diga o nome. — Exigiu firmemente. Edward bufou.
— Está falando de lady Tânia Halle?
— Exato. — Cuspiu — Ela o quer magestade.
— E o que implica em mim? Ou em ti ? — Perguntou dando de ombros.
Isabella sentiu todo seu corpo endurecer por alguns minutos. Como assim?
— Isso quer dizer que tu podes ter a outra mulher em tua vida?
Edward a olhou seriamente notando seu tom enciumado.
— Sim. — Respondeu — Posso ter quantas desejar. Instalar cada uma em um quarto, e escolher quais a noites que estariam comigo. Mas...
Isabella prendeu a respiração por alguns segundos e parou de ouvir o que ele falava. As palavras de Edward martelando em sua cabeças. Os ouvidos zunindo com o sangue bombeando naquele local.
— Fico feliz magestade. — Murmurou calmamente controlando toda sua ira misturada com o ciúme monstro que a consumia — Se tens outras mulheres. Creio eu que posso ter outros homens? Um que me ame de preferência.
Edward deixou todo seu corpo se acostumar com as palavras dela. Outros homens, outros homens que a ame. De repente, todo seu sangue estava quente nas veias. Doendo, causando uma dor estranha em suas entranhas. Como se estivesse pegando fogo em cada ponto de encontro de seus nervos. Imagem de outro homem tocando Isabella, outro homem beijando Isabella, outro homem sorrindo para ela.
— Isso não vai acontecer. — Disse simplesmente — Nenhum outro homem neste reino tocaria em ti.
— Porque?
— Ouvistes o que falei para ti ? — Edward grunhiu ferozmente.
— Cada palavra! — Retrucou atrevidamente
— Não. Não ouviste. — Disse — Disse a ti que posso ter quantas desejar, e deixar que elas fiquem nos quartos do palácio, mas... — Sorriu — Nenhuma delas seria você.
Moveu-se devagar, sua mão pegando sua cintura trazendo-a de encontro ao seu corpo grande e musculoso.
— Então, como nenhum delas sois tu — Murmurou — Não haveria motivo de ter outras.
Isabella sentiu todo seu corpo virar cera, derretendo aos poucos pelo perfume, pela palavras, pelo toque dele em seu corpo, e o modo como ele mexia com seu coração.
— Vossa magestade sabe como usar bem as palavras. Quase me convenceu.
Edward riu.
— Minha menina atrevida. — Sussurrou — Dance comigo.
Isabella olhou-o confusa. Dançar? No jardim e sem música?
— Dançar contigo?
— Sim. — Sorriu — Dance comigo.
Ainda confusa, sua mão pequena tocou o ombro dele, e a a outra fora diretamente para a outra mão dele.
Edward apertou a cintura fina de Isabella sinalizando o início dá dança e sorriu quando ela o acompanhou.
Os dois não disseram nada. Deixaram que seus corpos movessem-se em sincronia. Uma sincronia anteriormente desconhecida por ambos. Isabella deitou sua cabeça no peitoral de Edward, ouvindo seu coração palpitar calmamente de encontro a sua orelha. Sorriu consigo mesma contando cada batida e desejando profundamente que fosse por ela.
Edward estava confuso com todas as sensações que estava sentindo neste momento. Algo novo, estranhamente bom. Como se estivesse sendo tomado por um sentimento novo. Sentimento... Palavra a tanto tempo esquecida. Jurou que nunca amaria uma mulher como amou a esposa jovem e falecida. Mas lá estava ele, quase completamente rendido a uma menina mulher de dezenove anos.
Sorriu presunçoso e consigo mesmo. Ela nunca parecia ter seus dezenove anos. Isabella era diferente, madura, excepcionalmente especial. Uma menina mulher literalmente e que seria uma ótima rainha. Era voraz, inteligente e diferente. Era boa, justa, apesar de ser uma erva daninha assumida.
Balançou a cabeça ainda sorrindo, os cabelos cheirosos bem debaixo do seu nariz, ele aspirou o cheiro maravilhoso que vinha dela. Era viciante.
— Danças bem magestade. — Murmurou ela calmamente aproveitando os momentos nos braços dele.
Edward riu.
— A senhorita que está me conduzindo. — Fingiu ultraje — Sinto-me diminuído.
Isabella riu sem erguer sua cabeça.
— Porque me sinto bem contigo? — Indagou mais para ela, do que para ele. Edward sorriu largamente ao saber deste fato.
— Fico feliz em saber. — Declarou — E confesso que também sinto-me bem com vossa pessoa.
Isabella sorriu.
— Confessa é? — Indagou. Edward deu de ombros tentando não rir. — Bom, então confesso que gosto de ter sua companhia.
Edward sorriu sem mostrar os dentes. O coração acelerado levemente sem mesmo saber pelo o que exatamente. Isabella ainda deitada em seu peitoral acompanhou esta mudança de batimentos.
— Confesso que pisaste no meu pé em nossa primeira dança.
Isabella riu alto escondendo seu rosto no peito dele.
— Confesso que cheiras bem. — Sussurrou baixinho. Edward sorriu e beijou os cabelos de Isabella que ergueu a cabeça e o olhou fixamente nos olhos brilhantes.
— Desculpe. — Sussurrou. Edward tocou seu rosto com dedos cumpridos e frios.
Puxou o rosto de Isabella de encontro ao seu, quase beijado-a.
— Confesso... — Sussurrou baixo, seu hálito batendo contra sua face — Que és linda. — Sorriu e beijou-lhe o canto dos lábios — E que se pudesse amar alguém. Seria você.
Isabella não soube o que dizer, o momento também não tinha nenhuma necessidade. Edward desceu sua boca contra a dela, e esqueceram do resto mundo por aquele momento. Por aquele momento, apenas.
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