A Prostituta do Rei
13 012
Notas iniciais
— Hei! — Isabella ergueu o olhar quando Alice veio em sua direção. Dedos com nós pálidos segurando o vestido pesado enquanto caminhava. — Sumistes...
Isabella suspirou, mas não se ergueu do chão onde estava.
— Resolvi tomar um ar — Disse simplesmente — Aqui é bonito. Porque nunca me apresentaste o bonito '' quintal '' que tens aqui no palácio.
Alice sorriu olhando em volta. O lugar era imenso, com grama bem cortada e verdinha. Era realmente muito belo.
— Acho que nunca fui de frequentar o lado de fora. — Deu de ombros — Edward também não. Sempre muito ocupado.
— Claro — Zombou — Ele tem deveres.
Alice a olhou com sobrancelhas unidas.
— Aconteceu alguma coisa ? — Perguntou confusa.
— Seu irmão continua sendo um ogro.
— Ele nunca deixou de ser Bella. — Isabella suspirou e assentiu. Ele nunca realmente deixou de ser, mas ela tinha uma centelha de esperanças. — Isso é para você.
Bella ergueu-se do chão pegando rapidamente o envelope dourado das mãos de Alice. Seu coração acelerado com o pensamento de ser o pai.
Mas qual foi sua surpresa ao reconhecer a caligrafia de ninguém menos que Jacob Black ? Seus olhos arregalaram-se com a surpresa, e também o horror. Ela tinha esquecido completamente dele, e se caso, seu pai tiver dito algo, ela seria odiada para sempre.
Bells,
Sua mãe Disse-me esses dias passados que estava no palácio, como isto aconteceu ? Até semana passada, estavas com seu caminho traçado até à biblioteca e agora estas no palácio ?
Não consegui arrancar muita informação de vossa mãe, mas peço-lhe que encontre comigo hoje no centro da cidade. Preciso vê-la e entedê-la.
Com amor,
Jacob.
— Quem é Jacob ? — Isabella pulou no lugar quando a voz de Alice chegou até ela. Estava perto, perto demais.
— Um amigo. — Disse simplesmente. Alice semicerrou os olhos.
— Um amigo que assina '' com amor '' ?
Bella bufou.
— O que tem nisso ? — Retrucou. Alice ergueu as mãos.
— Nada. — Sorriu — Você vai ?
— Sim. — Disse firmemente. Ela iria sim, qual o problema ?
— Meu irmão não vai ficar feliz com isso.
— Ele não tem que ficar feliz, ou triste Alice. — Murmurou — Mas falarei com ele mesmo assim.
— Então é melhor você ir. — Sorriu — O sol não demora a se pôr.
— Certo. — Sorriu e beijou-lhe a face rapidamente.
Subiu as escadas em disparada. O coração disparado no peito. Ela só não sabia dizer se era pelo apelo de Jacob, ou o fato de ir avisar ao rei.
Abriu a porta pesada de madeira com certa brutalidade. Edward sorriu ao ver de quem se tratava. No fundo, agradeceu aos céus por tê-la trazido. Ele estava se segurando a pouco para não mandar trazê-la.
— Sabia que voltaria. — Murmurou sorrindo. Isabella balançou a cabeça levemente. Edward uniu as sobrancelhas em confusão — O que foi ?
— Preciso sair. — Murmurou. Edward ficou olhando-a, tentando entender a piada. Mas não veio nenhum sorriso, e ele fechou a cara.
— Como assim sair ?
— Ir a cidade. — Deu de ombros — Pensei que gostaria de saber.
Ele bufou.
— É claro que eu gostaria e a resposta é não!
Isabella ficou um momento calada. Tentando absorver o que ele disse. Como assim não ? Quem diabos ele pensa que era ? Isso a fez rir internamente, ele não pensava apenas. Ele era o rei.
— Não lembro de ter pedido sua permissão. — Murmurou ríspida — Pensei que gostaria de saber. Como eu disse.
— Já se esqueceu quem eu sou ? — Murmurou secamente. — É claro que deve pedir minha permissão.
— Não esqueci Majestade — Isabella Murmurou, fazendo muita questão de frisar bem a palavra Majestade — O senhor que parece ter esquecido que não manda em mim.
— Disse-lhe uma vez que mando em tudo neste reino. Principalmente, em ti.
— Você está ferido. — Mudou rapidamente — Não desejo que se irrite. Vim apenas informar-lhe.
— O que vai fazer a cidade ? — Exigiu.
— Me encontrar com um amigo.
— Amigo ? — Rosnou — Homem ?
Isabella bufou.
— Sim. Homem, o que há contigo ?
— Não me trate como tolo! — Cuspiu rispidamente — Está indo se encontrar com um amigo! Amigo Homem! E nega a se deitar comigo ?
— Acaso estou indo deitar-me com ele magestade ? — Disse irritada.
— Como vou saber! — Retrucou — Não estou vendo-a.
— Por Deus! Não aja como se fosse meu dono! — Gritou. — Se tu, que és rei! — Suavizou a voz — Eu não me deitei. Porque seria com este meu melhor amigo ?
— Porque o ama. — Murmurou
— Como pode saber ? — Quis saber.
— Este é o homem que me disseste a uns dias não é ? Que tens lá fora, que a espera.
— Doce Jesus — Passou as mãos pelo rosto nervosamente — Eu o amo sim.
Disse. Edward sentiu sua garganta secar e ele queria muito matar algo. Ou melhor, mandar matar alguém.
— Mas como amigo. — Suspirou, caminhou até a cama e sentou ao lado dele — Ele deseja casar-se comigo.
— E tens pretensão de aceitar ? — Sondou. Isabella riu.
— Não desejo casar-me agora magestade.
— Porque ?
— Apenas não. — Disse simplesmente.
Edward suspirou.
— Você vai voltar ?
— Pensei que tinha me dado meu passe para partir. — Disse tentando não rir dá expressão irritada de Edward.
— Não pode ir. — Murmurou acidamente — Se tu fores, eu mandarei que busquem-na.
— Ainda me queres aqui, depois de todas a negativas que ofereci ao senhor ?
— Não me dei por vencido. — Deu de ombros — Serás minha.
— As vezes és tão convencido. — Suspirou. — Tenho que ir.
Ergueu-se da cama indo diretamente até a porta. Edward mexeu-se impaciente.
— Bella ? — Isabella virou-se encarando-o surpresa por ouvir-lo dizer seu apelido.
— Sim ?
Edward parecia um garoto inexperiente, sentia-se nervoso.
— Beije-me.
Isabella sentiu o chão sumir por alguns segundos. Sua cabeça maquinando a mil por hora. Porque um simples pedido, uma única palavra a deixou neste estado ? Beije-me? Porque ele está fazendo isso.
Mesmo que não fosse necessariamente o que ela quisesse. Ou queria sim, e estava apenas se reprimindo. Seus pés deram meia volta, e antes que pudesse controlar seu impulso, ela já estava de volta ao lado dele sentada na cama.
Edward já tinha voltado sua cor brilhante no rosto, suas bochechas altas já estavam levemente coradas. E seus olhos já possuíam seu brilho natural. Isabella se prendeu ali, naquela beleza incrível e de outro mundo.
Inclinou o corpo levemente, sentiu as mãos de Edward rodearem seu pescoço, e no segundo seguinte, seus lábios engolirem os seus. Foi como na primeira vez, como se estivesse prestes a explodir de emoção. Ela não sabia explicar qual era a verdadeira sensação, mas tinha certeza de que era incrível.
Edward passou a língua pelo lábio inferior dela, estimulando-a, ganhando-a lentamente. E foi o que ocorreu, Isabella abriu os lábios recebendo sua língua de bom grado.
Edward soltou um gemido alto e sôfrego quando suas línguas se tocaram, e foi como se ele estivesse sendo beijado pela primeira vez na vida. Os lábios dela eram incríveis, convidativos, suculentos e macios. Ele estava extasiado, fascinado, enfeitiçado por ela.
O ar se fez necessário, e ambos se separaram com respirações ofegantes. Isabella estava quente e corada, Edward sorria de sua expressão.
— Agora... — Ele sussurrou ainda com o rosto de Isabella em suas mãos — Você pode ir.
Isabella sorriu levemente. Como era prepotente esse rei. Ergueu-se rapidamente da cama sem olhar para trás, e saiu em disparada em direção a cidade.
πππ
Isabella rodou os olhos pelo centro da cidade, onde por sua vez, tinha um lindo chafariz bem no centro. Seus olhos procurando atentamente o moreno alto e exageradamente grande que era seu amigo, e... Admirador.
Quase foi ao chão quando uma carroça passou por ela de modo rápido e abrupto. Bufou e xingou internamente, e pôs-se a andar à procura de Jacob.
Passou em frente a feira onde Enzo tinha roubado uma fruta, e foi logo reconhecida pelo feirante, que a olhou de maneira lascívia e má educada. Isabella semicerrou os olhos para ele.
— Tens algo perdido em mim senhor ? — Indagou ironicamente. O homem que era por si um pouco acima de peso, desceu os três degraus de sua feira e caminhou até Isabella que estava parada com o vestido pesado e caro entre os dedos.
— Não senhoria — Mudou sorrindo. Dentes podres e sujos saudando-a — Vejo que está com sua... Joia.
Isabella levou os dedos até a gargantilha que seu pai lhe deu, e que Edward recuperou.
— Vejo que o senhor, não está com ela. — Retrucou sorrindo largamente. O homem sorriu também, mas de uma maneira maliciosa.
— Seu senhor pegou-a de mim. — Disse — E vejo que já recompensou-a bem... Olhe só que belos trajes.
Isabella deu um passo para trás. O sangue fervendo nas veias.
— Deve ter um talento nobre.. — Continuou — Já que o próprio rei a quis.
— Seu porco! — Cuspiu — Imundo!
Ele riu, encandalosamente.
— Ao menos não sou eu a prostituta do rei.
Isabella sentiu seu ouvido zunir de raiva. Seu coração parecia querer sair pela boca de nervosismo.
— Seu bastardo filho de uma cadel... — Isabella foi calada por uma mão grande. Estava pronta para xingar, mas se deparou com dentes brancos e bonitos sorrindo para ela — Jacob!
Sorriu e o abraçou.
— Onde tiver um motim — Murmurou — Sei que estás.
— Não seja rude. — Brincou — Por favor, vamos sair daqui.
Jacob concordou e foram em direção oposta dá feira. Isabella ainda estava nervosa, mas um pouco mais tranquila com o amigo por perto.
Caminharam por um tempo que pareceu longo demais, e logo estavam em um caminho de terra, onde ao redor só tinha grama baixa e verde.
— Pois bem — Iniciou Jacob — Diga-me tudo o que está havendo.
Pediu quando pararam. Sentaram-se a grama baixa. Isabella suspirou derrotada, como ela contaria a ele tudo o que estava acontecendo no momento ?
— É... Complicado. — Sussurrou.
— Acho que sou capaz de entender. — Sorriu emocionada. Jacob sendo Jacob.
— Estou no palácio agora, como soubeste...
— Sim.
— Bom, ainda não sei por quanto tempo ficarei lá.
Jacob concordou confuso. Mas ainda a ouvia.
— Jake... — Murmurou — Eu sou meio que... A acompanhante do rei.
Disse isso e não o olhou. Demorou alguns segundos até que Jacob entendesse o que ela estava dizendo. Quando entendeu, seu peito apertou-se tanto que ele sentiu-se momentâneamente sem ar.
— Está... Domirndo com ele ?
— NÃO! — Quase gritou — Quero dizer... Ainda não.
— Ainda não??! Bella!
— Eu sei! É complicado, eu estou confusa!
Jacob ergueu-se e Isabella foi junto.
— Com o quê ? Com a riqueza que ele pode proporcionar a ti ?
— Jacob! — Exclamou chocada — Me conheceste! Sabe que sou melhor que isto!
— Como podes ser melhor que isto, se tu tornaste a prostituta dele ?
— Oh não! — Disse perplexa — Todos Jacob Black! Todos! Menos tu!!!
— Bella — Murmurou incrédulo — Eu pedi tua mão! Me negou todas as vezes, mas aceitou ser essa... Essa acompanhante do rei ?
— Eu não aceitei! — Berrou desesperada — Fui obrigada! Incumbida! Fui ordenada Jacob!
— Mas agora está confusa ? Porque diabos ?
— Eu não sei... — Miou desesperada — Jacob, eu estou apenas confusa!
— Está apaixonada por ele ? — Peguntou perplexo
— Não. — Sussurrou. Mas não convenceu, nem ele, e muito menos a ela.
— Bella.. — Murmurou — Todas, menos tu.
— Jake... — Chorou. O desespero batendo em sua porta. — Por favor, por favor... Você não.
— Eu preciso... Meu Deus! Você não é a mesma, está deixando todo um conceito ir embora...Tu...Tu não eras assim...
— Jake... És meu amigo. Por favor.
— Eu preciso pensar Bella. — Disse por fim — Sinto muito.
Isabella não disse nada. Viu seu melhor amigos virar-se e partir em direção oposta onde ficava o lado mais pobre dá cidade.
Lágrimas grossas desciam por sua face. O que estava acontecendo com todos e tudo ? Ele não podiam simplesmente entender a situação ?
Não, não poderiam. Não era uma situação comum, ela estava exigindo demais de todo mundo. Dos pais, do melhor amigo, de sua razão. Ela estava totalmente perdida.
Voltou ao palácio calada. Não trocou uma só palavra com o cocheiro.
Quando desceu, não olhou para ninguém. Subiu as escadas cumpridas com uma lentidão sufocante, e logo estava em seu quarto.
Arrancou o vestido pesado do corpo que parecia enforcá-la e se jogou na cama com a roupa de baixo. Seu coração estava despedaçado no momento, ela não sabia o que fazer, como agir, e onde ir.
Puxou as cobertas por cima de seu corpo e fechou os olhos, adormecendo em seguida.
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