A Prostituta do Rei
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Notas iniciais
Ela não conseguiu dormir aquela noite, passou a maior parte dela chorando de frustração. Era rara as vezes que ela se deixava embalar pelo choro, mas essa sem dúvida era uma situação.
Ela não chorava por ela, chorava pela situação. Como ela poderia virar para os pais e dizer que agora seria a prostituta do rei ? Conhecendo os pais, provavelmente eles se chateariam, mas qual as chances eles teriam em proibir ? Ele era o rei.
Chorou também pelo fato de não poder avisar que iria dormir lá naquela noite. As mãe deveriam estar com os nervos a flor da pele. E Enzo, ah o garoto deveria estar desolado achando que ocorreu alguma coisa com ela por sua causa.
Ela conseguiu ver que o sol nasceu e estava bem alto pelos raios que estavam adentrando o quarto grande. Ela mal consegui se deitar na cama que tinha ali, ela apenas se recostou por cansar de ficar em pé, e adormeceu.
Ergueu-se da cama e foi até a janela, estava alto. Lá embaixo mínimo de pessoas caminhavam para lá e para cá, algumas de uniformes, o que deveria ser alguém que trabalha no palácio.
A porta se abriu e Isabella virou-se rapidamente pelo susto, mas se acalmou ao ver que era a mulher que a recebeu ontem. Ela sorria e trajava um vestido vinho que realçava seus seios fartos.
— Bom dia senhorita — Murmurou — Vejo que dormiu bem ?
Isabella virou o rosto para janela e cruzou os braços sob o peito.
— Eu não dormir bem se quer saber — Murmurou — Porquanto tempo ficarei aqui ?
Voltou-se para ela novamente.
— Isso eu não posso responder-lhe. — Murmurou sinceramente — Me chamo Alice.
Isabella deu de ombros. O que lhe interessava seu nome, se ela nem ao menos pretendia ficar aqui.
— O que quer ?
— Me foi ordenado que lhe trouxesse seu desjejum. Tem fome ?
— Não. — Respondeu ríspida. — Tenho vontade de ir embora. Pode fazer ?
Alice riu, de um jeito descontraído. Ela entendia a frustração da menina, mas não fazia ideia porque dela ser a única que não deseja ser alguma coisa do rei. Isso era novo, e raro. Único também.
— Infelizmente não.
— Meus pais estão preocupados comigo. — Tentou argumentar.
— Poderá escreve-los.
— Meu Deus! — Passou as mãos nervosamente pelo rosto. — Eu não desejo ser nada dele.
— Mas ele é seu rei.
— Diabos! — Rosnou — Acha que eu não sei ? Me lembro quem ele é toda vez que rodo os olhos por este lugar!
— Eu sinto muito.
— Você não sente nada.
Resmungou voltando-se para janela. Alice suspirou pesadamente, ela não poderia fazer muito pela garota.
— Voltarei mais tarde.
— Porque ? — Indagou
Alice lhe encarou como se ela estivesse fazendo uma piada. Mas notou que ela realmente estava tentando saber o que ela queria dizer com aquilo.
— Creio que devo deixar-te apresentável para o rei.
Isabella arregalou os olhos, as palavras dele voltando a sua mente. O coração voltou a bater fortemente, e ela desejou acordar desse sonho ruim.
— Oh não! — Exclamou — Eu não desejo ir até ele.
— Tu não irás até ele. — Murmurou — Ele virá até você.
— Alice... Ajude-me! Por favor, não desejo ficar.
Alice suspirou.
— Sinto muito. Se não vai comer, volto mais tarde.
Isabella não disse mais nada, virou-se novamente para a janela e pôs-se a observar o tempo, as pessoas, e os arredores do palácio.
Em sua cabeça, pensando em uma maneira de sair dali, fugir seria sua solução. Ela não desejava se deitar com o rei, ela não sonhou assim.
Embora ela não pudesse negar que o rei era um belo homem. Um homem cuja qual beleza era rara, e extremamente convidativa. Era claro que todas as mulheres do reino gostaria de ter com ele uma noite de luxúria, mas não ela. Não era assim que se via, sendo a prostituta de homem cuja o sentimento do amor não era presente. Ela não poderia negar também que ele era desejável, era lindo e estava completamente perdida na força da presença dele quando ele se aproximava.
Mas está não era ela! Conhecia a fama que seu rei tinha, sabia exatamente o que aconteceria com ela quando ele se cansasse. Ele continuaria sendo ele, o rei da Inglaterra. E ela, a ex meretriz do rei. E se por azar do destino ela se apaixonasse por ele ? O que seria dela, amando um homem que jamais poderia ser dela ? Esse pensamento a assustou mais do que qualquer coisa.
Quando voltou a si, não se sabe quanto tempo depois, foram-se minutos, horas talvez pensando em sua situação, determinada pegou o vestido entre os dedos e saiu porta a fora. Não conhecia bem palácio, mas o certo seria descer. Não poderia ficar ali, ao menos teria que tentar.
Desceu uma escada cumprida, que era colada parede e formava um caracol pelos andares que descia. Seu coração estava acelerado e ela nem sabia o porquê.
Seu corpo parou de repente quando ela trombou com alguém. Respirou aliviada por alguns minutos ao constatar que era apenas uma das empregadas do palácio. A mulher que já parecia de idade, e que estava ali a muito tempo a olhou assutada com a mão no peito.
— Oh Deus! — Exclamou — Menina, o que estás a fazer aqui ?
— Perdoe-me. Por favor, mostre-me onde encontro a saída. Creio que tenha me perdido ao descer essas escadas tão cumpridas.
— De onde saistes ?
— Como ?
— Viestes de onde lá de cima. Acaso é nova na limpeza ?
Isabella sorriu.
— Não, eu estou aqui por engano. Onde encontro a saída ?
— Por engano ? — Duvidou a senhora. Isabella começa a ficar nervosa novamente.
— Sim. Fará a gentileza de mostrar-me ?
— Creio que não entendi.
— Senhorita Swan ?
Não pode ser! Isabella virou-se e encarou Alice que a olhava com repreensão. A mulher que estava o lado do Isabella curvou-se minimamente murmurando algo que deixou Isabella confusa.
— Alteza..
Isabella olhou Alice confusa.
— Onde estavas ?
— Aqui, não me vês ? — Alice bufou impaciente.
— Vamos. Pode voltar a sua função Margô.
A mulher abaixou-se minimamente novamente e saiu murmurando ' Alteza '
Isabella virou-se para Alice.
— Como me achou ?
— Não vem ao caso. — Da de ombros — Tentaste fugir ?
— Não com sucesso. — Diz Isabella amarga. Alice sorriu e a a fez segui-la novamente. — Porque a mulher chamou-a de Alteza ?
Alice não respondeu. Apenas continuou caminhando.
— Não ouvistes ?
— Sim.
— Não vai responder-me ?
— Isto que ouviu. Fim.
— Alteza ? — Isabella murmurou chocada. — És da realeza ?
— Mais ou menos.
— Creio não compreender. — Murmurou Isabella cheia de sarcasmo. — Alteza...
— Sou meia irmã de Edward.
— Não sabia que Edward tinha irmãos.
— Ninguém sabe.
— Margô parecia saber.
— Margô é de confiança.
Isabella estava confusa.
— Porque meia irmã ?
Alice parou de caminhar e encarou Isabella com exasperação.
— Sou a filha bastarda do pai do seu rei. — Disse cheia de amargura — Não posso assumir meu papel de princesa. Então, ele deixa que eu fique no palácio.
— Porque ele não permite ?
— As leis não permitem.
— Ele faz as leis!
— O conselho também. — Rebate — Deixe isto. Edward vem sendo generoso ao extremo para comigo. Sinto-me agradecida por tudo que ele tem feito por mim.
— E o que ele tem feito ?
— Um bom irmão. Embora não na frente dos outros, Edward é carinhoso e protetor comigo.
— Perdoe-me então, Alteza — Isabella curvou-se. Alice bufou erguendo-a.
— Não seja tola. Tens que se aprontar.
— Vou me deitar com o rei da Inglaterra e nem ao menos escrevi aos meus pais. — Resmungou — Não vou facilitar para aquele rei arrogante.
Alice riu.
— Não devia falar assim. — Comentou — Imagine só se ele ouve que tu dizes ?
— Pouco importa-me. — Deu de ombros. — Deixe escrever aos meus pais. Ou muito provavelmente meu pai aparecerá aqui.
— Poderá fazer isto depois que banhar-se.
— Obrigada.
— Não agradeça. Não é nada.
Alice entrou no quarto mostrando Isabella o banheiro luxuoso e bem feito do quarto. Explicou a ela que as mulheres já tinham deixado ali a água quente, ela só teria que se lavar normalmente.
O vestido estava encima de cama quando Isabella saiu. Na verdade, não era um vestido. Era uma camisola de pano leve, que tinha duas cordas no busto. Seu coração estava tão acelerado, viu encima do que parecia uma escrivania papel e tinta. Sorriu aliviada ao constar que Alice não mentiu.
Ainda sem se vestir, enrolou-se na toalha que trajava e sentou-se a cadeira em frente a escrivania. Pegou a pena e a tinta e começou a escrever.
Não sei direito como começar isso. Estou apavorada mamãe, eu não sei como dizer a vocês com palavras suaves, então aqui está.
Ainda não sei quando voltarei, fui convocada pelo próprio rei a permanecer aqui no palácio. Ainda não direi a vocês tudo exatamente, mas quero que saibam que estou bem e segura. Não quero que papai perca as noites de sono preciosas para ele, e que a senhora se irrite com os nervos.
Peço do fundo do coração que cuide bem do garoto, ele não tem culpa de nada. E quando tiver certeza de meu destino aqui, eu o busco.
Por favor, não se preocupem comigo.
Com amor,
Bella.
Secou a umidade dos olhos que ela nem notou estar. E voltou ao banheiro com a camisola que lhe fui deixada encima da cama.
Não se sabe quanto tempo ela ficou ali dentro, saiu apenas quando estava cansada de ficar sentada no chão frio. Seu peito estava sufocado, e ela não sabia se estava passando mal.
Abriu a porta do banheiro e saiu para o quarto. Os dedos do pé se apertando ao tocar o chão frio, e seu coração quase parou quando deparou-se com ele sentado na mesma cadeira que que estava a um tempo atrás escrevendo aos pais.
Isabella quase perdeu o ar com a visão. Ele vestia nada mais que suas botas cumpridas e sua calça um pouco colada ao corpo. O peito estava desnudo, e ela viu seu traje azul com a frente dourada encima da cama.
— Está com medo ? — Ele perguntou. Ela não consegui responder imediatamente — Confusa ?
— Isso não está dirigido ao senhor. — Respondeu rispidamente. Não se importava em parecer mal criada. Não desejava que ele gostasse dela.
— Sabes que estar a falar com seu rei, não é ?
— Isso me faz uma criminosa ?
— Não. — Murmurou dando de ombros. — Apenas desagradável.
Isabella sorriu.
— Deixe que eu vá pois então.
— Não vai acontecer. — Disse calmamente — Disse que desejo-te aqui.
— Bobagem — Desdenhou — Tanta dama melhor e mais elegante que eu. Ainda estou apostando que estejas apenas tirando sarro com minha cara.
— Porque ? — Perguntou curioso. — Não pensas que possa ser desejada ?
— Pelo contrário. Sou desejada, mas não aqui.
Edward semicerrou os olhos. Um brilho diferente nos olhos.
— Tem alguém ?
Isabella ponderou. O que ela diria ? Que sim ? Que estava quase apaixonasse pelo rapaz que ajudava o pai no celeiro da propriedade vizinha ? Ou apenas ficaria calada.
— Sim.
Resolveu dizer que sim, talvez assim ele a deixasse ir embora. Mas ao contrário do que imaginou ele apenas suspirou profundamente e sorriu presunçoso.
— Ele sabe onde estás agora ?
— Não.
— Ele não se importará, creio eu.
— Porque não ?
Edward moveu-se rapidamente, tão rápido que Isabella mal teve tempo de distinguir o que aconteceu. Edward segurava sua mandíbula de modo brusco fazendo-a encará-lo.
— Pois que sou teu rei. — Rosnou entredentes — E eu digo que você a partir de agora pertence a mim como tudo é qualquer coisa neste reino.
Isabella respirava em lufadas. Não pode estar realmente cansada, mas pela pressão que esse ato possessivo fez sua virilha sentir. Suas pernas automaticamente se apertaram uma na outra, movimento que Edward acompanhou e sorriu maliciosamente.
— Eu atinjo-a senhorita. — Sussurrou — Eu sei disso.
Isabella não respondeu.
— Vou tomar um banho — Anunciou — Por aqui mesmo se não se importa...
Edward puxou as botas e as jogou em qualquer lugar. Caminhou até a lareira e a acendeu.
— Quando retornar, terei de você o que desejo. — Murmurou — Não se preocupe, creio que gostará.
Isabella não respondeu. Apenas virou o rosto para o outro lado. Não desejava mostrar a ele o desejo desconhecido que ele despertou nela.
Suas mãos suavam e seu coração parecia querer sair pela boca, ela seria dele esta noite, não tinha mais volta.
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