A Prostituta do Rei
3 002
Notas iniciais
Não houve muitas palavras ditas, apenas olhares. De diferentes ângulos, e de diferentes jeitos. Isabella ainda mantinha o garoto preso em suas pernas. Enquanto isso, Edward Anthony Christoffer Cullen, o rei da Inglaterra encarava a moça destemida sua frente. Os cabelos soltos em volta do rosto com formato de coração. Olhos chocolates cheios de vida e irritação. Bochechas coradas e lábio inchado entre os dentes. Apetitosa, completamente apetitosa.
— Senhor! — O guarda mal educado se pronunciou pela primeira vez. Fez uma reverência, e ficou prostrado em frente a Edward. — Esse projeto de ladrão roubou a feira da esquina senhor. A punição é a morte, ou algo severo. Como ainda é uma criança. Decidi que perder a mão seria o suficiente.
Isabella bufou e puxou o ombro do guarda ficando cara a cara com ele.
— Ele não vai perder a mão! E nem você vai fazer nada com ele. Deixe que ele vá! — Murmurou entredentes. Acentuando cada sílaba com um toque em seu peito com o indicador.
— Já disse que a senhorita irá junto se não se afastar!
— Já chega! — Murmurou Edward. Virou-se para Isabella e encarou-a fixamente. — O que está criança roubou ?
— Uma fruta! — Isabella disse com descrença — Pela fome!
— Não deixa de ser um crime. — Murmurou o rei. Isabella revirou os olhos, como ele conseguia ?
— É só uma criança, majestade. — Murmurou calmamente. De modo até suave demais para ela. Edward ficou confuso, mas um tanto tentado.
— Porque roubou ? — Se dirigiu ao menino.
— Fome senhor. — Respondeu baixinho.
— E cadê seus pais ?
— Não os tenho senhor.
Isso deixou Isabella ainda mais com o coração cortado. Sozinho? E ainda iria perder a mão ?
De repente, uma movimentação rápida fez todos desviarem o olhar. No local onde estavam todos reunidos, chegou o senhor dono dá feira. Ele parecia cansado, e com expressão mortal.
— Ali! — Apontou — Este é o rato que me roub... Majestade!
Ajoelhou-se de repente. Isabella estava irritada. Porque ele estava fora do seu casulo ?
— Majestade. Este garoto roubou-me.
— Meu Deus! — Isabella rosnou. Puxou com violência o cordão de ouro que usava no pescoço.
Por um lado, a deixava triste por ser um presente do pai amado. Mas ainda sim, estava fazendo com prazer. Jogou fortemente aos pés do homem asqueroso que era dono dá feira e gritou em plenos pulmões.
— Isto paga a maldita fruta ?
O homem a olhou embasbacado, juntamente com os outros guardas. Edward a encarava com admiração, é uma leve sensação de excitação.
— É de ouro senhor. — Rosnou — Então paga muito mais do que a maçã que ele comeu.
Todos estavam calados. Curiosos, envergonhados. Encantados, e principalmente excitado. Edward não se lembra quando foi a última vez se sentiu assim por uma mulher que conheceu na rua. Ou melhor, que viu lutar feito uma leoa na rua. Decidiu ali então, que teria que ser sua. Hoje, já! E para isso, ganhar a confiança seria essencial.
— Deixe que ele vá — Decretou. Todos olharam para ele de forma assustada, e surpresa. Principalmente Isabella, que o encarou perplexa. Esperava qualquer coisa dele, não isso. — Além do mais a senhorita já pagou a dívida... Não é mesmo ?
— Sim senhor. — Disse o guarda saindo sendo seguido pelos demais em seu encalço.
Ainda olhando Isabella, Edward sorriu. Um sorriso matador, daqueles que faziam com mulheres caíssem devido a intensidade do sorriso e das sensações que proporcionava. Mas para sua total surpresa, nada aconteceu.
Isabella sentiu um frio na espinha, daqueles que faziam todos os pêlos do corpo eriçar, mas conseguiu disfarçar bem. O que deixou Edward um tanto curioso e com uma ferida suave no ego.
— Qual o seu sobrenome ? — Ele perguntou. Isabella ficou confusa, mas ainda sim respondeu.
— Swan majestade. — Ele deu um sorriso com o canto dos lábios e assentiu. — Majestade...
Virou-se rapidamente. O garoto ainda grudado em suas pernas. Pegou-lhe pela mão e caminhou com ele ainda em direção.
Edward a viu sumir pela esquina. Ainda com os olhares curiosos encima dele. Os pensamentos fervilhando em sua cabeça, a vontade de puxá-la para cima do cavalo e tomá-la naquele momento era grande, mas ele teria tempo. Ela seria dele, rapidamente. Sorrindo com esse pensamento ele voltou-se e junto com seus seguidores e seguranças. Ele voltou ao palácio.
Do outro lado, Isabella ainda caminhava com as mãos dadas ao menino. Ela estava cansada de andar, ele não tinha pais, será que ao menos tinha uma casa ?
Parou em uma esquina, abaixou-se a altura dele e o encarou profundamente.
— Você dorme a onde ?
— Não tenho lugar fixo. — Respondeu dando de ombros. — Cada dia, em um lugar.
— Deus do céu! — Arfou. — Qual o seu nome ?
— Enzo senhora.
— Nada de senhora. — Resmungou. — Você não comia a quanto tempo ?
— A dias. — Respondeu. — Perdoe-me. Fiz com que desse sua joia.
— Você não fez nada. — Murmurou sinceramente — Dei-a porque quis. Não precisa pedir desculpas. Quantos anos tens ?
— Nove senhora. — Isabella assentiu. Como ela poderia virar as costas agora que ficou completamente tomada por um garoto de nove anos ? Onde ela iria enfiá-lo ela não sabia, mas não poderia deixar com que continuasse na rua.
— Meu Deus... Enzo né ?
— Sim senhora.
— Eu vou levar você comigo. — Disse e o garoto arregalou os olhos. — Não precisa ficar com medo. Vamos ter que ouvir minha mãe dizer algumas asneiras. Mas eu prometo que você sobrevive.
Ele riu, um sorriso pequeno de dentes sujos. Isabella sorriu também, ele era muito bonito para uma criança, é mesmo sujo.
— Você não me conhece moça. — Murmurou — Porque está me ajudando ?
— Porque você não tem culpa de sentir fome. Tem pessoas que são más, e te ferem. — Deu de ombros — E você nunca deve se tornar o que te feriu.
Enzo sorriu, inocentemente e genuinamente. Isabella afagou-lhe os cabelos claros e sujos e se pôs a ir em direção a sua casa. E que deu a ajudasse com alguém de nome Renner Swan.
πππ
— Só podeis estar fora de seu juízo comum! — Ralhou Renner Swan.
Isabella já esperava por isso. Uma reação assim, mas conhecia a mãe o bastante para saber que era somente porque ela estava assustada. E a ideia de uma criança a deixava a beira dá loucura.
Mas tão logo isso passasse, esse pânico descabido. Renner Swan se tornaria a pessoa mas chata e melosa com a criança inocente que Enzo representava.
— Ele é só um menino.
— Sim! Um menino que não conhecemos! Por Deus! E os pais dele onde estão ?
— Ele é órfão mãe! — Renner arregalou os olhos. O coração perdendo uma batida. Meu doce Jesus! Ele é sozinho no mundo, aí meu coração! Ela pensou.
— Bella, não podemos ficar com ele.
— Podemos e vamos. — Teimou.
— Menina! — Ralhou — Charlie, diga alguma coisa!
Virou-se para o marido, que por sua vez olhou para ambas com olhos cansados e suspirou.
— Bom... Somos sete nesta casa. Contando com as bocas das empregadas... — Começou. Isabella estava prestes a interromper, quando foi surpreendida. — E acho que onde comem sete, comem oito.
Renner arregalou os olhos, e Isabella sorriu largamente. Tão grande que mal sabia onde enfiar mais sorriso. Pulou encima do pai dando-lhe beijos infinitos.
— Obrigada papai.
— Vou enlouquecer! — Reclamou Renner — Meus nervos irão me matar! E vocês serão os culpados!
E saiu em disparada. Isabella sentou-se ao lado do pequeno Enzo que estava sentado na escada dá porta de entrada.
— Eu vou poder ficar ? — Perguntou temendo a resposta. Isabella sorriu.
— Vai sim — Disse — Como se sente a respeito ?
Enzo sorriu, os dentinhos ainda sujos e o cabelo também.
— Que posso ter um lar.
— Você pode. — Disse simplesmente. — Agora... Tenho algo para você fazer.
— O quê ? — Perguntou cheio de expectativa.
πππ
— Oh não! Isso dói! — Berrou Enzo quando teve as costas esfregadas. Isabella riu alto. — Por favor! Estás a arrancar o meu coro!
— Estou a limpar o teu coro!
— Isso não é tão divertido quanto me lembro.
— Você verá como pode se tornar bom quando acostumar. — Murmurou esfregando seus cabelos — Agora fique quieto e feche os olhos. Isso pode arder.
— Você não acha estranho me dar banho ?
— Porque ?
— Porque sou menino, e você uma garota.
Isabella riu.
— Tem razão. — Ergueu-se — Pode se enxugar sozinho ?
— Sim.
— Vou deixar essas roupas aqui. Eu vou arranjar mais para você, mas por enquanto deve servir.
— Tudo bem. — Assentiu.
— Você está seguro aqui. Não precisa fugir nem nada. Entendeu ?
— Entendi. — Isabella assentiu e tocou-lhe o nariz dele com a ponta do indicador.
— Sois está prometendo para mim ?
Ele balançou a cabeça energicamente.
— De dedinho.
Deu-lhe o mindinho. Isabella sorriu sem mostrar os dentes e enroscou seu dedo ao dele.
— De dedinho.
Sorriram e Isabella saiu do quarto. Suspirou pesadamente do lado de fora, estava confusa com tudo o que ocorreu no dia de hoje.
Ela só queria ir até à biblioteca e pegar um livro bem grosso, sentar embaixo dá árvore enorme que tem no quintal dá sua casa e ler assiduamente sem parar.
Não estava em seus planos ser ameaçada, ver um garoto sendo ameaçado é chamado de rato, projeto de ladrão, e muito menos se deparar com o rei em pleno reino de Cullen. Como esse dia poderia ser mais doido ?
Descendo as escadas, ela ouviu sua mãe falando algo rapidamente. Em seguida seu nome sendo gritado. Isabella desceu as escadas depressa é assustada. O que tinha acontecido dessa vez ? Claro que ela conhecia a natureza dramática e exagerada dá mãe. Mas nunca se sabe.
Ao final dá escada, entrando na sala onde estava o pequeno hall de entrada estava sua mãe. Seu pai ao seu lado com o braço sob o ombro dá mãe, e parado na porta estava um homem em trajes elegantes. Não parecia com nada dá plebe. Isabella enrugou o cenho confusa e se pôs ao lado dos pais.
— O que há ? — Perguntou. A mãe a olhou com pânico no olhar.
— O que tens feito hoje pela manhã ? — Ralhou
— Como ? — Perguntou confusa. — Do que estar a falar ?
— O fizestes hoje pela manhã quando fostes a cidade ?
— Pode esclarecer mamãe ? Eu ainda não sei como adivinhar teus pensamentos! — Indagou Isabella com irritação crescente.
— Este homem veio direto do palácio! — Esclareceu. Isabella o encarou confusa.
— Senhor ?... — Indagou. — Porque o senhor está aqui ?
— Venho em nome de sua majestade senhorita.
Isabella sentiu todo o sangue de seu corpo gelar por alguns minutos. A mando do rei ? Será que ele ficou tão ofendido que precisou mandar que viessem a sua casa ? Deus do céu! Ela queria o que também ? Feriu o ego do homem mais poderoso do país, o que mais ela poderia esperar ?
— E em que eu posso ajudá-lo ?
— Bom — Limpou a garganta — Ele desejava que vá ao palácio.
— Como ?
— O quê ?
Disse mãe e filha ao mesmo tempo. Renner estava boquiaberta e Isabella assustada.
— Porque ?
— Ele deseja vê-la.
— A mim ?
— A ela ?
— Sim. A senhorita.
— Porque ? — Perguntou chocada. — É sobre o garoto ?
— Eu não sei senhorita. Eu apenas vim trazer-lhe a ordem.
— Ordem ?
— Oh, sim. — Esticou a ela um papel elegantemente dourado e com o carimbo do anel que o rei usava no dedo. — É uma ordem.
— Meu doce Jesus! — Exclamou Renner. — Sois está sendo intimada pelo rei. Vossa majestade, o que fizeste para isso acontecer Isabella ?
— Eu não sei!
— Como pode não saber se estás aqui sendo mandada a ir ao encontro do seu rei ?
— Mãe!
— Meus nervos! — Ralhou caminhando a passos duros até a sala. O marido a seguindo.
Isabella voltou-se para o homem parado a sua frente. Suspirou cansada e confusa.
— O senhor tem certeza que sou eu ?
— Isabella Swan ?
— Sim, sou eu.
— Então sim senhorita. — Isabella quase caiu sobre os joelhos — Tenha uma boa noite. Amanhã o chocheiro virá buscá-la.
— Obrigado. — Sussurrou quase debilmente.
Fechou a porta dá entrada e encarou o nada. Como assim sua presença é chamada ao palácio ? Ainda mais como uma ordem? Passou pela sua cabeça diversos modos de ter ofendido sua majestade. Mas ela não se lembrava de nada que tenha sido exagerado demais. Suspirou cansada, e subiu para o seu quarto, esquecendo tudo ao redor por um momento apenas.
Fale com o autor