A Proposta
11 Capítulo 11 - A Separação
Notas iniciais
Grissom não acreditava no que estava ouvindo. Será que ouvira direito? Sara indo embora? Não, isso era impossível. Só podia ser brincadeira dela.
_ Acho que não entendi direito...
_ Você entendeu sim, Grissom. Eu estou indo embora. Estou saindo de sua vida.
_ Porque?
_ Você ainda pergunta? – ela estava indignada e tentava a todo custo não chorar. Pelo menos não na frente dele – eu estou cansada de tudo isso....
Ela suspirou profundamente antes de continuar.
_Nosso casamento é uma farsa, nunca existiu de fato.
_ Sara, eu te expliquei o porquê do nosso casamento...
_ Sim, você explicou e eu entendi. Mas sabe porque eu aceitei a sua proposta Grissom?
_ Por causa do bebê – ele respondeu.
_ Grissom, Grissom... Pensei que você me conhecesse, depois de tantos anos. Mas vejo que me enganei.
Grissom a olhou incrédulo.
_ Por que você está dizendo isso?
_ Porque se você me conhecesse realmente saberia que eu não me casei com você só por causa do bebê, só por causa da gravidez. Eu aceitei me casar com você, porque achei que poderia fazer com que você me amasse...
_ Mas Sara...
Ela balançou a cabeça.
_ Por favor Gil, não fale nada. Nada do que você possa falar vai me fazer mudar de idéia.
_ Mas...
_ Já chega Grissom — ela estava quase gritando – Não quero ouvir mais nada. Já tomei a minha decisão.
Ele a olhou nos olhos novamente. Não podia ser verdade. Ela o estava deixando. Havia uma pergunta que ele precisava fazer.
_ Para onde você vai? Suas coisas estão todas aqui... Aquele apartamento está ocupado...
_ Não se preocupe, só vou levar o essencial. Vou para um hotel e não tente me impedir.
Aquilo era uma ordem.
Grissom suspirou.
_ Eu não vou te impedir. Você é livre.
_ Ah! Antes que eu me esqueça. Na mesinha de cabeceira tem um envelope para você. Leia. Adeus Gil.
Ela saiu arrastando a mala pelo apartamento. Já não segurava as lágrimas, elas rolavam pelo seu rosto.
_ Droga Grissom! Porque você tem que ser tão estúpido? Porque é tão difícil perceber que eu te amo? – ela pensava enquanto entrava no táxi. A intenção dela era ir para o hotel, mas antes tinha que passar em outro lugar. Passou o endereço ao taxista e dirigiu-se para o local que desejava.
-o-
Grissom correu para o quarto. Exatamente no lugar que Sara havia falado, havia um envelope. Estava endereçado a ele. Estava ansioso para saber o conteúdo. Abriu-o com a mão trêmula. Dentro havia um CD e um pequeno bilhete. Resolveu ler o bilhete primeiro.
Gil,
Se bem eu te conheço, você escolheu ler o bilhete primeiro. Acertei?
Eu nuca pensei que algum dia diria isso, mas o nosso casamento foi um erro. Nunca deveríamos ter sequer cogitado essa questão. Talvez devêssemos ter continuado apenas como amigos. E não ter tentado algo que estava fadado a dar errado. Um casamento com amor já difícil de se manter, imagina um como o nosso. Você está livre e eu também para tentar ser feliz. Você está livre para procurar uma pessoa que te faça feliz. Quanto à nossa filha, não se preocupe. Você poderá vê-la sempre que quiser, eu não vou impedir você de se relacionar com ela. E quanto a nós, sejamos o que sempre fomos: bons amigos.
Você sabe tão bem quanto eu que o nosso casamento não daria certo. Não dessa forma. Eu espero bem mais. E o que eu espero é algo que você não pode me dar, como tantas vezes já mostrou. Nesse CD tem uma música que expressa tudo o que sinto. Espero que você ouça.
Adeus Gil,
Sara Sidle.
Ele releu o bilhete mais uma vez, tentando absorver cada palavra nele contida. Pegou o CD e o levou até o aparelho de som. Colocou-o para tocar. E ouviu a música que ela havia selecionado.
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Ele não conteve as lágrimas. O que Sara dizia no bilhete e agora com aquela música ele já sabia. Ela o amava. Tinha plena consciência disso. Do amor que ela sentia por ele. No entanto mesmo sabendo disso, não pode deixar de se emocionar. Ela o amava tanto, que o deixava livre para procurar outra pessoa. Mas não havia outra pessoa. Só havia uma pessoa que o fazia feliz. E era ela.
_ Maldito receio! – ele gritou consigo mesmo – Que espécie de homem é você Grissom? É um dos melhores criminalistas de Las Vegas, não tem medo de bandidos. Mas quando se trata de um sentimento tão nobre, se torna um perfeito idiota. Você pode perder a mulher de sua vida, porque você não foi capaz de se entregar a ela. E agora o que você vai fazer?
Grissom pensou um pouco. Já sabia o que tinha de fazer. Tinha de visitar uma pessoa. Essa pessoa com certeza o ajudaria. Pegou as chaves do carro e dirigiu-se para o seu destino.
-o-
Ela ainda chorava. Sara bateu na porta. Tinha a esperança de que ele estivesse ali. Era a única pessoa com quem podia contar naquele momento. A porta se abriu.
_ Sara?! O que você faz aqui? – perguntou Greg curioso.
Ela o abraçou forte e chorou ainda mais.
_ Acabou Greg. Acabou.
_ Calma! – ele disse suavemente – vamos entrar, aí você me explica tudo direito, tudo bem?
Sara assentiu. Entraram na casa de Greg.
_ Sente-se Sara – ela obedeceu – eu vou buscar um copo de água para você. Você está muito nervosa.
Greg foi à cozinha e voltou rápido trazendo um copo com água para Sara. Entregou o copo para ela que bebeu aos poucos.
_ Agora você vai me explicar direitinho o que está acontecendo.
_ O meu casamento... acabou. Acabou Greg. Você tinha razão... Um casamento sem amor não dura.
Greg ficou surpreso.
_ Foi ele quem terminou?
Greg sempre achou que seria Grissom quem terminaria o relacionamento.
_ Não. Fui eu.
_ Você?! – Greg estava mais surpreso ainda.
_ Sim Greg. Fui eu. Eu não agüentava mais viver uma farsa.
_ Então, quer dizer que seu casamento não passou de uma farsa? Nunca aconteceu de verdade?
Sara não queria admitir, mas precisava desabafar.
_ Não diria que foi uma farsa. Na verdade foi um trato. Grissom me pediu em casamento por causa do bebê. E eu fui estúpida o suficiente para acreditar que poderia fazer com que ele se apaixonasse por mim.
_ Você o ama tanto assim?
_ Mais do que a mim mesma. Mas amor de uma parte só não sustenta nenhum casamento.
_ Sarinha, você tem onde ficar?
_ Vou ficar em um hotel.
_ Você pode ficar aqui, se quiser.
_ Obrigada Greg. Você é um ótimo amigo. Mas eu prefiro ficar no hotel.
_ Eu te levo.
Sara riu.
_ A carona eu aceito. O táxi em que vim, já foi embora.
Os dois se dirigiram para o Hotel em que Sara ficaria hospedada. Antes de ir embora, Greg disse:
_ Se você precisar de qualquer coisa Sara, pode me chamar.
_ Eu chamarei, Greg. Obrigada!
_ Tchau.
_ Tchau.
Ela foi para o seu quarto. Estava exausta emocionalmente e tinha que pensar na filha. No bebê que carregava na barriga. Deitou-se e adormeceu quase que instantaneamente.
-o-
Grissom bateu na porta, pedindo silenciosamente que ela estivesse em casa. Precisava desabafar. Precisava também da ajuda dela. Ela o compreendia melhor do que ele mesmo. Ficou feliz quando a loura abriu a porta.
_ Grissom?! – Catherine estava surpresa – você não deveria estar em casa cuidando de sua esposa grávida?
_ Oi para você também Catherine. Não vai me convidar para entrar?
_ Oh! Entre Gil.
Ela abriu espaço para que ele entrasse.
_ A Sara foi embora. Ela me deixou.
Catherine ficou de queixo caído.
_ Espera um pouco. Eu acho que não ouvi direito. A Sara te deixou?
Ele assentiu.
_ O que você fez Gilbert Grissom? Sim, porque para a Sara te deixar, você deve ter feito algo e grave.
_ O que eu fiz foi grave mesmo.
_ Não me diga que você a traiu?
_ Claro que não!
_ Então o que foi que você fez homem de Deus?
_ Eu fui covarde. Não consegui me entregar a ela. Demonstrar a ela tudo o que sinto...
Ele suspirou.
_ Você a ama, não é?
_ Sim. Eu a amo. A amo mais do que tudo. E tenho medo de tê-la perdido para sempre. Eu dei todos os motivos racionais para ela casar comigo, mas não disse para ela o verdadeiro motivo de eu ter me casado com ela. Casei com ela porque não posso imaginar minha vida sem ela, não foi apenas por causa do bebê.
_ Então lute por ela! Se você a ama tanto assim como diz, lute por ela.
_ Não posso Cath. Ela pediu que eu não a procurasse mais.
_ Gil, você fez de tudo para se casar com a Sara. Casou com ela. E agora você vai desistir de lutar por ela? Não me admira que ela tenha desistido de você! Coragem, meu amigo! Siga em frente!
_ E o que eu faço? Como posso tê-la de volta?
_ Mostre para ela que você a ama. Que você se casou com ela por causa dela e não apenas por causa do bebê. Eu acho que não preciso te ensinar como conquistar uma mulher. Preciso?
_ Não. Eu tenho minhas próprias idéias. Obrigado Cath! Sabia que podia contar com você.
Abraçou a amiga e levantou-se. Despediu-se dela. Tinha que planejar a reconquista de sua esposa. Tomara a sua decisão. Não seria mais covarde provaria que a amava, que precisava dela, que não podia viver sem ela. Torcia para que ela acreditasse nele.
Notas finais
Aguardem o próximo capítulo. O que o Gil irá fazer?
Bjos!!
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