A Proposta
12 A (Re) Conquista ou a Segunda Proposta de Grissom
Notas iniciais
Uma semana havia passado desde que Sara deixou o apartamento de Grissom. Ele esperou esse tempo, torcendo para que a mágoa que Sara sentia por ele tivesse passado. Ele já estava com tudo preparado para o plano da reconquista de sua esposa. Planejou cada detalhe e se tudo desse certo teria Sara de volta e dessa vez para sempre. Agora sabia o que queria e não teria mais medo.
Agora só precisava saber uma coisa: em que Hotel Sara se encontrava. E já sabia muito bem a quem procurar. Greg Sanders. Com certeza ele sabia onde ela estava hospedada. Ainda estava no trabalho, então dessa forma podia chamar Greg sem despertar suspeitas. Chamou-o em sua sala.
_ Me chamou Grissom? – perguntou Greg ao entrar no recinto.
_ Chamei sim – ele pigarreou – feche a porta, por favor.
Greg obedeceu.
_ Greg, você poderia me informar em que Hotel a Sara está hospedada?
_ Grissom, eu sei que você é o meu chefe, mas a Sara é minha amiga e eu não vou contar a você onde ela está. Não quero vê-la sofrer novamente.
_ Greg... Eu não a farei sofrer.
_ Quem me garante?
_ Eu. Tomei uma decisão. A mais difícil da minha vida, para ser sincero. Decidi reconquistar a Sara. Decidi me entregar a ela, com tudo o que tenho. Com meus defeitos e qualidades. Agora se ela não quiser, se ela não me aceitar, eu saberei aceitar.
Greg pareceu hesitar.
_ Só me responde uma coisa Grissom, e dependendo da sua resposta eu digo ou não onde ela está hospedada. Seja sincero comigo.
_ Pode falar!
_ Porque você se casou com a Sara? Foi só por causa do bebê?
Grissom sentiu que tinha de ser sincero com aquele garoto na sua frente. Ele possuía a informação que tanto desejava. Decidiu contar toda a verdade para ele.
_ Não Greg. Eu me casei com a Sara porque eu a amo e não sei imaginar minha vida sem ela. Usei o argumento do bebê para que ela aceitasse meu pedido de casamento, para que ela não pudesse negar. Mas mesmo que não houvesse filho nenhum eu me casaria com ela da mesma forma. Agora eu percebo isso.
_ Era isso o que eu queria ouvir – Greg viu nos olhos de Grissom que ele falava a verdade.
Greg contou a Grissom onde encontrar Sara. Ele ia saindo, quando Grissom o chamou:
_ Greg!
_ Sim!
_ Obrigado!
_ Não precisa agradecer Grissom. Apenas faça minha amiga feliz.
_ Eu farei, Greg. Eu farei.
_ Ah! E boa sorte! Você vai precisar. Ela ainda está muito magoada com você.
O turno transcorreu sem problemas. Os casos foram resolvidos com uma aparente facilidade. Quando terminou o seu horário de trabalho foi direto para o Hotel onde Sara estava. Sabia que a encontraria ali, pois ela já estava de licença, afinal estava no oitavo mês de gestação. Em pouco tempo daria a luz à filha deles. Antes, porém, passou em uma floricultura e comprou um buquê de rosas.
Ao chegar à recepção, ficou se perguntando como seria recebido por Sara. Decidiu pedir discrição à recepcionista.
_ Bom dia! Qual é o quarto da senhora Sidle?
_ Lamento, senhor. Mas não posso lhe dar essa informação. Eu vou telefonar para ela, informando que o senhor quer falar com ela.
Grissom entrou em pânico. Sabia que se Sara fosse informada de sua presença, não iria querer recebê-lo.
_ Não faça isso, por favor! Eu sou marido dela e quero fazer uma surpresa – isso não era mentira.
A recepcionista pareceu não acreditar.
_ Marido? Então porque ela está aqui e não na casa de vocês?
_ Aí é que está o problema. Nós tivemos uma pequena discussão e ela resolveu sair de casa. Veio para cá.
Ele olhou bem para a jovem que estava atrás do balcão. Dependia dela para o seu plano dar certo.
_ Por isso vim aqui. Eu vim tentar fazer as pazes com ela. A senhorita não pode impedir que um marido tente conquistar o perdão de sua esposa.
Ele viu o brilho nos olhos da recepcionista. Ele conseguira convencê-la. Estava feliz.
_ Tudo bem, vou lhe dizer em que suíte sua esposa se encontra, senhor...
_ Grissom.
_ Como é o nome dela?
_ Sidle. Sara Sidle – ela não adotara o sobrenome dele.
_ Aqui está. Senhora Sara Sidle. Está hospedada na suíte 103.
_ Obrigado – ele agradeceu mas ainda permaneceu ali. Ele não sabia como chegar à suíte.
A recepcionista pareceu entender porque disse:
_ É só seguir direto pelo corredor e virar à direita. Lá o senhor encontrará o quarto.
_ Obrigado mais uma vez.
Seguiu as orientações da jovem. E logo encontrou o quarto que desejava. Estava nervoso. Não tinha idéia de como seria recebido.
_ Sem medo Gissom. Você não pode desistir agora! O máximo que pode acontecer é ela não querer te ver nem conversar com você – ele dizia para si mesmo.
Bateu na porta. Esperou que ela abrisse. E quando ela abriu, teve uma visão maravilhosa. Ela estava ainda mais linda, se é que isso era possível. A gravidez aumentou a beleza da morena. A barriga de oito meses podia ser vista sob o vestido solto que ela usava. Ele pode perceber como sentira saudades dela, do seu corpo, do seu perfume...
_ O que você quer Grissom? Eu já falei que não quero te ver – ela disse desanimada.
_ Eu vim te ver – ele respondeu sem dar atenção ao desânimo dela.
_ Você quer dizer que veio ver a mãe da sua filha, não é?
Grissom percebeu que ela ainda estava muito magoada com tudo o que ele havia dito naqueles meses. Ele suspirou.
_ Não. Eu quero dizer que eu vim ver a minha esposa, a mulher da minha vida, que por sinal é a mãe da minha filha...
Sara tinha lágrimas nos olhos.
_ Grissom, por favor, para. Eu não vou agüentar se você brincar mais uma vez com os meus sentimentos...
_ Eu trouxe isso para você — disse mostrando o buquê de flores.
Ela recebeu.
_ Obrigada! É lindo! – disse abraçando e cheirando o ramalhete.
_ Você não vai me convidar para entrar? Temos muito o que conversar...
Ela abriu passagem para que ele entrasse. Não queria admitir, mas estava morrendo de saudades dele. Essa semana longe de Grissom fora muito difícil, sentia falta dele mas havia decidido que daria um basta a todo aquele sofrimento. Ele entrou. Estava lindo como sempre. Ele sentou-se no sofá.
_ Sara, eu vim aqui para ter uma conversa séria com você. Eu espero que você me ouça com atenção e se depois você não quiser saber de mim, eu entenderei.
_ Pode começar Grissom. A partir de agora você tem minha total atenção.
Ele respirou fundo. Por onde começar? Olhou para Sara e começou a falar tudo o que estava preso em sua garganta.
_ Sara, eu quero te falar o por que de eu me casar com você...
_ Eu sei o porque. Você já deixou isso muito claro – ela falou com a voz cheia de mágoa.
Ele se aproximou de Sara tomando as mãos dela sob as suas.
_ Minha querida, eu me casei com você por sua causa. Porque eu te amo.
_ Mas você disse... – ele a interrompeu.
_ Eu sei o que eu disse... Eu te amo Sara, sempre te amei. Só usei o argumento da gravidez porque queria que você aceitasse de qualquer forma se casar comigo. Eu não conseguia me imaginar longe de você e dessa criança que está crescendo aqui – disse passando a mão carinhosamente na barriga dela.
Sara chorava.
_ Grissom, eu quero acreditar em suas palavras. Juro que quero. Mas eu não consigo. Você já me fez sofrer demais...
_ Eu compreendo Sara. É por isso que eu tenho uma proposta para você.
Ela arqueou a sobrancelha.
_ Proposta? Outra? Não sei se quero ouvir...
_ Sim, outra proposta. Vamos começar do zero. Como se nós estivéssemos nos conhecendo agora. E se eu conseguir provar para você que eu te amo, que eu realmente quero passar toda a minha vida ao seu lado, você me perdoa.
Sara refletiu um pouco.
_ E se você não conseguir?
_ Eu saio de vez da sua vida. Te dou o divórcio e cada um segue a sua vida.
Ela pensou mais um pouco.
_ Combinado! Aceito sua proposta.
_ Então pegue sua bolsa.
_ Para que? – ela perguntou curiosa.
_ Vamos dar um passeio. Gosta de sorvete?
_ Você sabe que sim.
_ Não, não sei. Eu estou te conhecendo pela primeira vez lembra? Ainda não sei quais são seus gostos, mas pretendo descobrir.
Os dois riram.
_ Vamos?
_ Sim. Deixa só eu pegar a minha bolsa.
Os dois seguiram para a soverteria. Tomaram sorvete e conversaram sobre suas vidas. Dessa vez estavam realmente conhecendo um ao outro. Contaram coisas que nunca haviam contado para ninguém. Eles riam, pareciam dois adolescentes. Quem observava a cena diria se tratar de um casal de namorados no começo do namoro. A tarde foi bastante agradável. Ao voltar para o Hotel Grissom falou:
_ Pronto! Você está em casa de novo. A tarde que passamos juntos foi maravilhosa – ele mostrava o sorriso mais maravilhoso – Posso te ver amanhã novamente?
_ Tem certeza de que você quer sair novamente com uma mulher grávida? – ela ria de volta.
_ Certeza absoluta.
_ Então pode sim.
Ele já estava na porta, pronto para sair, quando voltou e deu-lhe um beijo na bochecha.
_ Até amanhã.
_ Até amanhã.
-o-
Sara estava ansiosa para a chegada de Grissom. Era incrível, mas estava gostando do seu novo relacionamento com o marido, ele estava mesmo disposto a provar que havia se casado com ela por amor e não apenas por causa do bebê. Ao ouvir a batida na porta não demorou a atender, sabia muito bem quem era.
_ Oi! – disse ela com um grande sorriso nos lábios.
_ Oi! Você está linda!
_ Você só está querendo me agradar, porque eu estou gorda e feia.
_ Não está não! Você está muito linda. É a grávida mais linda que eu conheço... Bem, pronta para sair?
_ Para onde vamos?
_ Vamos fazer piquenique.
_ Adoro piquenique. Vamos! Estou morrendo de fome! Ou melhor, estamos morrendo de fome...
E seguiram para um parque na cidade onde fizeram o piquenique, onde se divertiram e conversaram sobre diversos assuntos. Estavam cada vez mais próximos e íntimos. Grissom se mostrava apaixonado, dava indícios de que gostava de estar com ela acima de qualquer coisa.
Os dias da semana foram passando e em cada um deles, Grissom fazia um programa diferente, o que deixava Sara cada vez mais derretida, mais sensibilizada. Ela começava a acreditar que ele realmente a amava.
O ponto máximo foi um dia, um domingo. Ela estava no seu quarto quando ouviu alguns barulhos. Não sabia bem o que era. Estava muito curiosa. Saiu do quarto e o que viu a deixou sem fala. Grissom estava no meio do saguão do Hotel, com uma banda.
_ O que você está fazendo Grissom? Você está louco?
_ Estou louco sim, Sara. Louco por você. Tenho algumas coisas para dizer para você, mas como não sou bom com as palavras, contratei essa banda, para expressar tudo o que eu quero através da música. É uma espécie de serenata. Por favor ouça.
Ela ficou parada, estava sem reação. Não podia acreditar que ele fora capaz de fazer aquilo. O grande Gil Grissom, um homem tão reservado, fora capaz de se expor. Sim, se expor, porque o saguão do Hotel estava repleto de hóspedes que estavam mais do que curiosos para saber do que se tratava aquela cena. Ela ouviu as músicas calada.
http://www.youtube.com/watch?v=OWk54dyKP3c
http://www.youtube.com/watch?v=OWCZ9WQPm3w
Sara olhou ao redor. Não havia uma única pessoa que não estivesse emocionada, que não tivesse lágrimas nos olhos. Ela mesma era uma dessas pessoas. Grissom havia caprichado. Ela saiu do devaneio, quando Grissom lhe falou:
_ Sara, eu te amo! Preciso ter você de volta meu amor! Meus dias não têm sentido sem você... Você me aceita de volta?
Todos ali a olhavam, esperando sua resposta.
_ Gil, eu darei minha resposta. Mas não aqui. Vamos para o meu quarto.
Os dois seguiram para o quarto de Sara. Lá eles teriam privacidade para conversar e se acertarem ou terminar tudo de vez.
Notas finais
Nos vemos no próximo capítulo.
Fale com o autor