A Proposta
4 Um Sorriso
Notas iniciais
A noite havia se mostrado extremamente agradável. Os garotos se reuniram no quarto de Thalita, e Oliver provou ser um exímio pizzaiolo.
– Pobres empregadas... – Robert comentou ao observar a cozinha, quando entrou no quarto para se certificar de que ninguém passaria do limite. – Não exagerem, temos um voo amanhã.
Lucca e Andy não colocaram uma gota de álcool sequer na boca, já o irmão e o baixista riam a toa.
– Vou divulgar por aí que você dá em cima do pessoal da equipe quando está bêbado. – Thalita respondeu, rindo de algum comentário de Mike.
– Andiiiiiiiiie, a Thata não me quer. Me consola? – Falou com a voz arrastada e mais alta do que deveria. Andy riu imaginando se o amigo teria lembranças o suficiente no dia seguinte para envergonhar-se da situação.
– Nada disso. – Oliver falou, sentando ao lado do irmão, no sofá e passando a mão por seu ombro. – O Andy já é meu.
– Sou? – O garoto riu.
– Você ainda tinha alguma dúvida disso? – Gargalhou, o rosto corado pela bebida. Puxou o mais novo para mais perto de si. – Vai dizer que não se apaixonou pela minha pizza?
– Sinto muito, garanhão, vai precisar de muito mais do que sua habilidade culinária pra me conquistar.
Oliver riu e deitou a cabeça no ombro do irmão.
O baterista já havia deixado o quarto, alegando cansaço. Mike desistira das investidas com a marketeira e resolvera assistir a qualquer bobagem na televisão, e logo adormeceu ao lado da garota.
– O que eu preciso pra conquistar você? – O guitarrista perguntou em tom de deboche, mas com a voz embargada de sono.
Andy cogitou várias respostas para dar ao irmão, mas antes que pudesse escolher alguma, sentiu a mão de Oliver deslizar por seu corpo e repousar em sua coxa, próxima a virilha.
– O que está fazendo? – Perguntou assustado, mas não obteve resposta. – Oliver!?
Desenroscou-se do irmão e o observou cair deitado no sofá, ressonando suavemente.
– Como você consegue dormir do nada? – Andy perguntou para o nada, revirando os olhos, indignado consigo mesmo por ter acreditado que Oliver levaria uma provocação tão longe. – Você me assustou.
Aconchegou a cabeça do irmão em seu colo e se apoiou no encosto do sofá. Precisava urgentemente descansar.
***
O trajeto até a próxima cidade fora bastante divertido. Mike negava veemente ter dado em cima de Thalita na noite anterior – e esta aproveitava de todas as oportunidades para pentelhar o garoto.
Oliver não participou muito das brincadeiras do grupo, mas geralmente era assim, se transformava dentro do avião. Tornava-se bastante esquivo e silencioso.
– Aah! Não via a hora de colocar os pés no chão. – O guitarrista falou, esticando os braços.
– Você é tããão medroso! – Andy zombou, revirando os olhos.
– Eu... Eu não tenho medo de avião! Apenas não sou muito chegado. – O gêmeo mais velho tentou parecer firme, mas acabou apenas arrancando gargalhadas do vocalista.
O mais novo se aproximou lenta e discretamente do outro, enquanto caminhava e, sem mais nem menos, começou uma seção de cócegas, repetindo o quão medroso o mais velho era.
– Andy, para! – Oliver alternava entre lutar contra o riso, afastar o irmão, segurar a guitarra e manter-se de pé. – Você é tão infantil!
– Ei, vocês dois. – Robert gritou. – Andem rápido, depois de fazer o check-in, temos que participar de uma coletiva e ainda ensaiar para o show de amanhã à noite.
Andy suspirou fundo. Bem que Robert podia deixar um intervalo maior entre as várias coisas que tinham que fazer.
A “coletiva” era, na verdade, o resultado de uma promoção – que, aparentemente, Robert havia seesquecidode mencionar aos garotos que acontecera – onde os ganhadores teriam direito a fazer uma pergunta para os meninos.
– Pra começar diferente, – Uma jovem de aspecto asiático se pronunciou. – minha pergunta vai ser pro Lucca... Você não gosta de entrevistas ou só é de poucas palavras mesmo?
O baterista olhou para a garota, parecia extremamente entediado.
– Hm... Sei lá. – Deu os ombros.
– Acho que isso quer dizer “Um pouco dos dois” – Uma ruiva pequenina riu. – Oliver, qual é o seu tipo de mulher?
– A que fique comigo. – Respondeu de imediato, deslizando a língua pelo piercing, encarando a garota – que agora tinha o rosto em tom semelhante ao cabelo.
– Andy, você não tem ciúmes desses acessos de taradice do Oliver? – Uma outra perguntou sorrindo, apesar de fuzilar a ruiva com os olhos.
– Se eu pudesse, trancaria Oliver em um quarto e não deixaria ninguém chegar perto. – O vocalista respondeu, se divertindo com a reação que uma simples resposta do irmão causava nas fãs.
– Ow! Eu não sabia disso. – O gêmeo mais velho falou. – Você disse que não era ciumento.
– Não acredite em tudo que eu falo. – Revirou os olhos. – E não se surpreenda se acordar acorrentado, qualquer dia.
Ouviu alguns gritinhos ao final de sua frase. Definitivamente, era impossível não se divertir com a proposta de Robert.
– O que vocês mais gostam nos outros da banda?
– Eles são tipo uma família pra mim. – Lucca falou, sem olhar para ninguém em específico.
– É. Lucca não é de falar muito, mas é um ótimo ouvinte e é impossível não rir com esses dois. – Mike apontou para os gêmeos com a cabeça.
– Sem o Mikey a banda não teria graça. – Oliver riu. – E acho que gosto do jeito bobo do Andy.
Andy riu do comentário do irmão e fechou a face em uma expressão pensativa.
– Um pouco de tudo o que eles falaram, mas... – Fixou o olhar no do irmão. – Acho que gosto principalmente da forma como Oliver sorri. Me deixa feliz.
O rapaz de dreadlook ficou imediatamente corado diante do elogio do gêmeo. Desviou o olhar e sentiu um sorriso tímido se desenhar em seus lábios, um sorriso que só Andy, com seu jeito sincero e espontâneo de falar, conseguia arrancar dele.
– Existe alguém por quem vocês desistiriam da Even Tone? – A última pergunta foi feita por um rapaz.
– Minha mãe...? – Mike respondeu sem pensar muito.
– É... – O baterista concordou.
– Por Andy. – Oliver respondeu com a voz firme, encarando o chão.
E esta foi a vez do mais novo ficar corado. Geralmente era ele quem mencionava a importância do gêmeo em sua vida. Oliver responderia algo como “Jéssica Alba”.
“Estou falando para soarem mais afetivos na frente das câmeras”.Ah, sim, era isso. Quase havia esquecido.
Sorriu um pouco triste com essa constatação e olhou para o irmão.
– Por Oliver.
***
Aquele havia sido, sem dúvidas, um dia corrido. E apenas naquele momento, no intervalo dos ensaios, eles puderam efetivamente respirar.
Oliver seguiu com Mike para perto de uma máquina de café que havia no estúdio e ria da forma como o baixista resmungava sobre o intervalo curto que tinham entre os milhares de compromissos. Encostou-se na parede e deixou a visão vagar, até repousar em Andy, que estava sentado em um banquinho, balançando as pernas, enquanto cantarolava alguma coisa que ele não era capaz de ouvir.
O que dissera na coletiva era verdade, gostava do jeito do gêmeo, da forma como ele soava sempre tão sincero. E, apesar de sempre dizer o contrário, gostava do seu estilo – Não que algum dia fosse usar roupas tão justas, mas achava que combinava com Andy.
Até que o irmão era um cara bonito. Riu ao perceber o quão egocêntrico aquele pensamento soava, devido ao fato de serem gêmeos.
Andy cantava uma música que não tinha muita certeza de onde ouvira, perdido em seus pensamentos. Olhou em direção a cafeteira, onde Oliver ria de alguma coisa que Mike falava. Nunca tinha parado pra pensar nisso antes da coletiva, mas realmente gostava do sorriso do irmão.
Gostava do sorriso safado que ele dava para as garotas; gostava do sorriso de lado, vitorioso; gostava da forma como suas bochechas ficavam quando ele ria dos amigos. Mas seu favorito era aquele sorriso tímido, um sorriso quase sem dentes, onde os olhos se desviavam e a bochecha ficava levemente corada. Um sorriso que Andy sabia ser somente para ele.
Quando percebeu, Oliver o olhava como se pensasse em alguma coisa e sorriu como quem chegava a uma conclusão engraçada. Seus olhos se encontraram e ambos sorriram. Gêmeos.
Andy voltou a cantarolar alegremente.
Notas finais
SAHSUAHUSHSUASHUAHSU
Gente, esse capítulo foi uma tortura de escrever.
Quando eu me dei conta de que eram duas horas da tarde, HOJE, e que eu só tinha escrito meia página, entrei em pânico.
Mas, enfim, consegui!
Fiquei extremamente receosa de colocar a coletiva, porque já tinha feito a entrevista no capítulo anterior. Tive medo de que ficasse repetitivo, mas simplesmente não me vinham ideias em mente! Então, qualquer coisa, desculpem-me ;x
Ah, eu havia prometido fazer um capítulo mais longo, mas como eu disse, esse foi sufocante. Porém tive várias ideias interessantes para os próximos! *-*
Obrigada por acompanharem!
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