A Proposta

5 Nova Percepção


Oliver deitou na própria cama, sentiu os músculos relaxarem imediatamente e o corpo afundar. Nem acreditava que estavam na Alemanha. Em casa!

Infelizmente, não ficariam muito tempo, suspirou ao pensar nisso. Apesar de ficarem na cidade por mais tempo do que na maioria, voltaram à Alemanha a trabalho. Depois de Loitsche, tocariam em mais três cidades no país e então retornariam à rotina de viagens.

– Oliver? – Ouviu a voz de Andy e a porta ser aberta. – A mãe pegou os DVD’s dos últimos shows com o Robert e quer que a gente vá assistir com ela.

– A última coisa que eu quero pensar agora é nos nossos shows. – Olhou para o irmão de forma cansada.

–Ah, vamos, Oliver! Mamãe vai ficar chateada se nenhum de nós for, e eu não quero ficar sozinho. – Estranhamente, Andy sempre parecia mais manhoso quando estavam em casa.

– Você vai estar na sala com a mãe e o Harry, não vai estar sozinho. – Respondeu sem ânimo e colocou um braço sobre o rosto.

– Vaaamos, Oliiiii!

O mais velho sentiu o colchão deformar sob o novo corpo que subia na cama e, quando deu por si, já estava com o peso de Andy sobre suas coxas.

– Vem. – Esperou uma resposta que não veio. – Por favor.

Oliver sentiu algo úmido tocar sua orelha e ondas de eletricidade atravessaram seu corpo. Imediatamente empurrou o irmão.

– Droga, Andy! – Gritou cobrindo a orelha. – Idiota!

– O que há? Ficou excitado com seu irmão mais novo? – Debochou. – Você pode ser preso por isso, sabia?

– Idiota. – Repetiu, com raiva e vergonha nos olhos.

Jamais diria isso a alguém, mas provavelmente sentiria arrepios até se um mendigo lambesse sua orelha, era um ponto fraco e Andy sabia disso. Não devia usar dessa fraqueza pra convencê-lo a fazer alguma coisa. Era tão gay...

– Vamos?

– E eu tenho opção? – Revirou os olhos.

Andy sorriu vitorioso e pegou a mão do irmão, arrastando-o para o piso inferior.

Simone sorriu ao ver os meninos descerem a escada e se acomodou melhor no sofá, aconchegando-se nos braços de Harry. O mais novo sentou ao lado da mãe, enquanto Oliver se esparramou no outro sofá.

Aparentemente, Robert havia selecionado apenas as melhores performances. O rapaz de dreads pensou seriamente em dormir, mas pegou-se fascinado por assistir aos shows assim, em terceira pessoa.

Andy parecia se transformar no palco, a expressão delicada transfigurava-se em forte e ele parecia se tornar um com a música, entregava-se ao som.

O guitarrista estava tão entretido em observar os gestos do irmão que não ouviu a pergunta da mãe, não ouviu Andy responder e sequer reparou quando as vozes começaram a se alterar.

– O Robert por acaso está louco? – Simone já estava de pé.

– Você está realmente brava por isso? – Andy parecia um pouco incrédulo com o comportamento da mãe.

– Como assim? Ele está pensando o quê? Acha que pode usar vocês a bel prazer pra conseguir dinheiro?

– Mãe, eu acho que a senhora está exagerando.

Simone olhou indignada para o garoto.

– Não quero saber, vou falar com ele. Se você não se importa de se submeter a isso, eu me importo.

A mulher se virou, dirigindo-se para a cozinha e Andy levantou, mas foi impedido de segui-la por Harry, que segurou seu braço e sussurrou um “Eu falo com ela” antes de se retirar.

– Posso saber o que aconteceu? – Oliver ainda assistia à cena, sem compreendê-la.

– Você não estava ouvindo? – O mais novo voltou a sentar no sofá e massageou as têmporas.

– Não estava prestando atenção.

– Mamãe comentou que parecíamos mais íntimos no palco, aí falei da proposta do Robert e ela surtou.

– Aah... – Fazia sentido Simone ficar brava, mas a imagem de Andy gritando na tela da TV parecia muito mais interessante do que se dar o trabalho de se preocupar com aquilo, no momento. – O Harry vai dar um jeito, relaxa.

– Pra quem nem queria ver os vídeos, você parece entretido, não acha? – Riu.

– Ahn? Falou comigo? – Brincou. – É que eu nunca tinha me dado conta de como sou bom quando toco.

– Ah, convencido! – Andy riu e mentalmente concordou com o irmão.

Não sabia como não reparara antes, mas havia algo de fascinante na forma como Oliver tocava. Algo que o fazia entender o sucesso do irmão com as garotas.

O resto do dia passou lentamente. A mãe não voltara para assistir o resto dos DVD’s e o clima no jantar parecia bastante pesado.

– Garotos... – Simone quebrou o silêncio, sem encará-los. – Eu gostaria de pedir desculpas.

– Mãe, você não tem que... – Andy começou, mas foi interrompido.

– Não, Andy, eu preciso, sim. Eu não posso interferir no trabalho de vocês, mas é complicado saber que estão deturpando a amizade de vocês apenas para promover a banda. A busca pela fama, às vezes, afasta as pessoas. Mas se isso não os incomoda, não tenho porque me preocupar.

Os gêmeos sorriram para a mãe.

– Não se preocupe. – Oliver falou, passando a mão pelo ombro do irmão. – É só uma brincadeira, não vai mudar o que sentimos um pelo outro. Não vamos nos gostar menos por estarmos ganhando dinheiro por isso.

Simone riu do tom que o filho usara pra dizer aquilo, mas não pôde ignorar a voz abafada que sussurrava no fundo de sua consciência que gostarmenosnão era o real problema ali.

***

Era assustador constatar como três semanas podiam passar tão rápido algumas vezes.

Estavam a caminho de uma sessão de fotos, depois participariam de uma noite de autógrafos e, no dia seguinte, já deixariam a Alemanha.

– Por que temos que tirar fotos? Todo mundo gosta mais deles, mesmo. – Mike apontou com a cabeça para os Marschall. Estava um pouco irritado por ter acordado tão cedo.

– Eu amo você, Mikey. – Lucca falou, fazendo beiço, como se estivesse magoado pela colocação do baixista.

O mais velho estava prestes a dizer que não estava com humor pra piadinhas, mas não conseguiu se manter firme diante do bico do amigo e acabou rindo.

– Obrigado, Lucca. O que seria de mim sem você?

– Robert, tenho a impressão de que você vai ter que fazer uma proposta pra esses dois, também. – Andy riu.

Chegaram ao estúdio e logo começaram com as fotografias. Primeiro, uma com cada membro da banda.

Andy ouvia atentamente às instruções dos fotógrafos. Levantou a barra da camisa com uma das mãos, deixando a estrela à mostra, e mordeu os lábios, olhando provocante para a câmera.

Oliver não pôde deixar de observá-lo, estava um tanto chocado com o ensaio do irmão. Andy era daqueles “príncipes de contos-de-fada esperando sua princesa”. Não era do tipo conquistador, era do tipo que escrevia poesias românticas. Ou era ele quem nunca tinha parado pra pensar nisso? Nunca imaginou que o irmão pudesse ser tãosensual.

Depois, fizeram várias fotos da banda e, quando iam começar as dos gêmeos, Oliver se pronunciou.

– Antes, eu gostaria de dizer que sou a favor de provarmos para oMike o quanto gostamos dele. – E pulou no amigo.

– Que raios está fazendo? – Mike tentou empurrar o guitarrista, mas quando se deu conta já estava cercado por toda a banda, que o abraçava e pulava.

– Vocês são os piores. – Riu e abraçou os amigos.

– Garotos, vocês não precisam bagunçar tudo sempre que quiserem um intervalo. É só pedir! – Robert falou, forçando uma fajuta expressão brava. – Meia hora, okay?

Os gritos de vitória foram contagiantes.

– Que tristeza, vocês me usaram pra conseguir descanso! – Mike riu.

Ficaram um tempo implicando uns com os outros, até que ouviram uma algazarra na entrada do salão.

– Segurem-na! A entrada aqui é exclusiva!

– Eu só quero poder vê-los! – Uma voz feminina foi ouvida. – Ai, vocês estão me machucando!

– O que está acontecendo? – Robert se aproximou do tumulto, acompanhado pelos rapazes.

– Essa garota estava tentando invadir o ensaio. – Um homem enorme respondeu, puxando a menina pelo braço.

Ela tinha o rosto avermelhado e a expressão chorosa, as roupas pareciam um pouco amassadas e o braço estava um pouco arranhado. O pulso, por onde o segurança a segurava, estava vermelho, explicitando a pressão que era feita sobre ele.

– Isso dói! – Guinchou de dor quando o homem voltou a tentar arrastá-la dali. – Tá me mach...

– Cara, você não tá ouvindo? Solta a garota! – Oliver bradou, visivelmente irritado. O segurança tentou falar alguma coisa, mas foi interrompido. – Ela é só uma fã, não precisa de tudo isso.

A garota ficou imóvel diante do guitarrista, limpou as lágrimas dos olhos quando finalmente teve as mãos libertas.

– Escuta... Isso é um ensaio fechado, você não pode ficar. – Oliver falou sério, olhando para ela. – Nós estamos ocupados agora, mas temos uma sessão de autógrafos essa noite, por que não aparece por lá? Passagem livre para a primeira da fila, que tal?

Ela ainda sentia-se completamente incapaz de responder, então apenas sorriu, deixando algumas lágrimas se desprenderem de suas pálpebras.

Andy observou toda a cena completamente atônito com a atitude do irmão. Oliver costumava fazer jus ao título de “sex gott” que possuía, bem ao estilo “cachorrão”. Não era do tipo que se importava, era do tipo que fazia piada com essas situações. Ou era ele quem nunca tinha parado pra pensar nisso? Nunca imaginou que o irmão pudesse ser tãoamável.

Quando a garota se foi, os olhos dos gêmeos se cruzaram, mas não sorriram.

Havia algo tão estranho no ar.


Notas finais
Oolá!

Primeiramente: MUITO OBRIGADA pelas reviews! Eu estava muito insegura com o último capítulo, tinha até mesmo me arrependido de tê-lo postado. Estou muito feliz que ele tenha conseguido agradar!

Quanto ao capítulo de hoje, confesso que foi um pouco chatinho de escrever. Esse momento de transição é muito complicado, mas acho que fiquei satisfeita com o resultado...

Ah, tenho que dar um aviso! Semana que vem eu vou ao show do 30 Seconds to Mars *ooo* então vou passar o domingo inteiro fora!
Sendo assim, se o capítulo estiver pronto antes, eu posto no sábado, se não estiver, só vou conseguir postar aqui lá pela terça feira... (E isso provavelmente vai atrasar um pouco os outros capítulos, também .-.' Mas eu vou dar um jeito!)

Beeeeijos, muito obrigada por acompanharem!
Continuem comentando, é realmente um super estímulo pra mim.